Walking After You
16 Capítulo 15: Ride
Notas iniciais
Tenho que dizer que foi um capítulo cansativo de escrever, esse aí. Demorei um tempão pra bolar as coisas ;__; mas fiquei satisfeita com o resultado. Espero que vocês gostem também. Eu diria que meu presente de natal pra vocês é ele, mas nah, meu presente de natal ainda está por vir. -v- Aguardem. q
Sei que faz um tempinho que eu não posto, mas só superei os ~*dramas pessoais*~ recentemente. Agora a fic vai ser desenvolvida em um ritmo mais acelerado. ^^ Ou pelo menos, eu espero.
O capítulo foi revisado, mas posso ter deixado algum erro passar, então, se virem algum, me avisem. :3
Acho que é isso, surto nas notas finais, UEHUHEUE.
Boa leitura!
Depois de um mês sem nenhum sinal de Cora, as coisas pareciam finalmente voltar a se estabilizar. Shizuo e Izaya haviam, inconscientemente, relaxado um pouco. Estavam bem menos preocupados com o que poderia acontecer, e aproveitavam para passar algum tempo juntos. Tempo muito merecido, segundo eles. Naquele dia não seria diferente. Era uma noite como outra qualquer. O céu tinha pouquíssimas estrelas – como esperado numa cidade grande e ligeiramente poluída –, o clima estava fresco e as ruas naturalmente movimentadas, cheias de pessoas e carros, que corriam de um lado para o outro. Provavelmente, com pressa para chegarem em suas casas e terem seu descanso merecido. A lua era coberta por algumas nuvens, mas ainda podia-se ver seu brilho intenso. Era agradável, o céu estava muito bonito. E era sexta-feira, mais um motivo para estarem comemorando. Eles se encontravam no que poderia ser chamado de “praça principal” da cidade. Ali, Celty – que já havia se recuperado e voltado a rondar por Ikebukuro –, Tom, Shizuo e Izaya haviam se reunido para conversar. Claro que eram um grupo estranho – exceto por Tom, talvez – e atraíam a atenção de todos. Sempre que as pessoas passavam por ali, os encaravam. Era inevitável, ainda mais por ser uma cena tão rara de se ver. Shizuo sentia-se incomodado com os olhares, pois fazia parecer que eram atrações de circo. Sentia-se frustrado por não poder fazer nada a respeito, afinal de contas, todos os viam como monstros, de alguma forma. Três monstros reunidos deveria ser algo fascinante... Argh. Odiava aquilo. Seu sangue fervia e suas bochechas formigavam. Fumava um cigarro, em silêncio, tentando não explodir e sair batendo em todos os filhos da puta que ali se encontravam. Mantinha as sobrancelhas unidas, indicando seu mau humor e espantando os curiosos de plantão. Era uma merda. Só queria poder ficar em paz, mas nunca conseguia. Sempre tinha algum infeliz – ou alguns infelizes, como naquele caso – para estragar seu humor. Felizmente, era só ele que estava aborrecido com isso. Izaya, Tom e Celty conversavam animadamente, ignorando completamente os que estavam ao seu redor. Não muito depois, Heiwajima terminou por fazê-lo também. O mais saudável seria ignorar mesmo. A conversa fluía, e era sobre algum assunto trivial, sem importância. E o loiro tinha de admitir: gostava de ficar despretensiosamente conversando, sem precisar pensar em outras coisas. Era relaxante. Embora preferisse o silêncio na maior parte do tempo, momentos de descontração como aqueles haviam se tornado um tanto raros em sua vida desde que CN aparecera, então, estava apreciando. E também, gostava de ver Orihara sorrindo de orelha a orelha. Era melhor assim, ele ficava muito mais bonito.
Naquele tempo, terminou por se tornar bastante apegado ao rapaz. E surpreendeu-se ao ver o quanto isso era notável. Também havia se surpreendido com Izaya. Ele era alguém extremamente agradável para conversar e se ter por perto, embora às vezes ainda tivessem alguns desentendimentos (na maioria das vezes, besteiras). Ele não o irritava mais, como antes. Muito pelo contrário. Agora, era mais como se fosse seu ponto de equilíbrio. Quando estava com o informante ficava automaticamente mais calmo. Gostava de sua presença, havia se tornado alguém importante em sua vida. Na verdade, sempre fôra. Mas agora era de um jeito diferente. Nunca havia se dado tão bem com alguém na vida. E quando comentava sobre isso – era raro, por ser extremamente reservado em relação à seus sentimentos, as acontecia de vez em quando –, sempre recebia a mesma resposta do moreno. “É porque ninguém te entende tão bem quanto eu, Shizu-chan. No fundo, nós sempre fomos iguais.”, seguido por um sorriso terno. Sem mais explicações. E Heiwajima não sentia a necessidade de exigir por mais explicações. Bem sabia que Izaya era bastante vago; em todo aquele tempo que ficaram juntos, a única coisa que ouvira claramente do informante fôra a declaração que fizera. De resto, estava sempre jogando indiretas. Era seu jeito de se expressar. O loiro sabia que os sentimentos de Orihara eram sinceros, mas gostaria que ele fosse um pouco mais claro, às vezes, pois nem sempre era rápido o bastante para acompanhar seus raciocínios. E isso acabava por se tornar um tanto constrangedor, embora o informante estivesse constantemente dizendo que achava aquilo adorável. Era óbvio, também, o quanto o moreno estava contente com tudo aquilo. Seu rosto havia se iluminado bastante, como se fosse uma pessoa completamente diferente. E, de certa forma, era. Finalmente via-se livre daquele fardo que carregara por tantos anos. E agora, tinha Shizuo ao seu lado. Não sabia se tinha como as coisas ficarem melhores. Pelo menos, não para ele. E Heiwajima lhe fazia sentir-se mais seguro, pois ele sabia que o teria sempre ao seu lado. Ou pelo menos, esperava isso. Era a primeira vez que ambos sentiam que finalmente haviam encontrado seu lugar no mundo. A primeira vez que sentiam como se não estivessem completamente sozinhos. E gostavam de sentir-se daquele jeito. Tom e Celty haviam percebido aquilo, em vista de tudo o que acontecera. Haviam percebido o quanto Shizuo e Izaya ficavam felizes quanto estavam juntos. Parecia que eles eram feitos sobre medida, um para o outro. Mas, no fundo, sabiam que uma hora ou outra aquilo teria acontecido. Sempre havia sido assim, aqueles dois tinham uma ligação incrível. Simplesmente não poderiam ficar com outras pessoas. Brigavam tanto antes, e, ainda sim, era evidente que se davam bem – de uma maneira peculiar, mas era a maneira deles. Um relacionamento turbulento e um casal improvável, mas que não poderia ter tido um fim diferente.
Continuaram ali jogando conversa fora por algum tempo, distraídos, quando, de repente, a praça pareceu ficar deserta, e o movimento das ruas pareceu cessar subitamente. Tom olhou para o relógio quando se deu conta, estranhando aquilo. Ainda não era tarde, o relógio indicava dez horas da noite. E, mesmo se fosse, a cidade não ficaria vazia numa sexta-feira à noite. Aquela cidade nunca ficava vazia. Olhou para os lados, parecia que as pessoas que há cinco minutos preenchiam o local haviam simplesmente evaporado. Tanaka sentiu alguém envolver-lhe o pescoço com um dos braços e algo tocar sua cabeça. Não pôde evitar encarar os amigos, como se esperasse que alguém lhe dissesse o que estava acontecendo ali. Mas seus olhares eram de puro espanto. Shizuo até mesmo deixou o cigarro cair, e Celty parecia extremamente transtornada. Ouviu uma risadinha aguda e um tanto irritante bem próxima ao seu ouvido. Olharia para o lado para ver quem era, se não estivesse sendo enforcado, mas deduziu que era uma mulher.
– CN... – Izaya murmurou, de maneira quase inaudível e com uma expressão do mais puro pavor. Seus olhos estavam arregalados, como se não acreditasse no que via. Tanaka não entendia muito bem o que estava acontecendo, mas já tinha ouvido falar daquele nome.
– Izaya-kun! – Cora sorria de maneira psicótica, como o usual. Um sorriso que era mais como se estivesse mostrando as presas. Amedrontadora como o usual, também. Ela apontava uma arma para a cabeça de Tom, ameaçando puxar o gatilho. Heiwajima sentia suas veias latejarem. De novo. Não era como se não esperasse por aquilo, mas não deixava de ser insuportável. Aquela vadia não desistia nunca. E ele nem mesmo podia acabar com ela, pois esta tinha como escudo seu amigo. Mas acabaria, algum dia. Queria vê-la a sete palmos do chão, se não fosse pedir muito. – Senti saudades de você!
– O que faz aqui? – Perguntou Shizuo, embora tivesse saído mais como um rosnado. Num impulso, deu um passo à frente, ficando ainda mais próximo dela, que pareceu satisfeita com aquilo. Parecia sentir um prazer imenso em ver o loiro nervoso, e este cerrou os punhos, pronto para dar um soco certeiro no rosto da mulher.
– Calmo lá, cachorrinho. – Disse sarcasticamente, mordendo o lábio inferior logo em seguida. Orihara fez uma careta, irritando-se também. Quem ela achava que era para chamar Heiwajima de cachorro? – Um passo em falso. E eu estouro os miolos dele.
Shizuo recuou. Era simplesmente impossível competir com ela.
– Melhor assim. – Ela sorriu. – Primeiramente, eu peço desculpas pela demora. Suas irmãzinhas são umas pestes, nee, Izaya-kun? Tive um trabalhão pra me recuperar... – Tom ouvia Cora sem entender o porquê de ela estar apontando uma arma para a cabeça dele, ainda mais se o problema dela era com Orihara, mas achou melhor não fazer nenhum questionamento. Não sabia quem era aquela mulher (embora lhe parecesse estranhamente familiar), mas deduzira que ela era uma ameaça pelo modo como todos reagiram. – Mas o que importa é que eu voltei. E quero terminar o que comecei.
– O que quer que façamos agora? – Perguntou o informante, que encarava Heiwajima, temendo pelo pior. Tinha medo do que o loiro poderia estar pensando, pois ele sempre agia impulsivamente em situações como aquela. Não se surpreenderia se ele estourasse os miolos de CN com os punhos. E não podia deixá-lo fazer isso; as consequências seriam graves, pelo menos, para Tanaka.
– Vamos brincar. – Foi andando para trás, levando Tom consigo. O loiro tentou ir atrás dela, mas foi impedido por Izaya, que segurou um de seus pulsos. Não que aquilo tivesse o impedido, de fato, mas sabia que o informante era melhor que ele lidando com Cora. Era melhor que o deixasse cuidar do assunto. – Brincar de pega-pega!! – Riu escandalosamente. – Vamos lá, vai ser divertido. Tentem me pegar. E, se conseguirem, eu entregarei seu amigo de volta.
Cora já havia se distanciado o bastante para Orihara perceber que havia uma moto estacionada ali. Uma moto azul escura, muito bonita, mas aparentemente não muito nova. Perguntava-se onde ela deveria ter conseguido aquilo, provavelmente roubara de alguém. Não que importasse. A mulher ajeitou Tom no veículo com uma habilidade incrível, sem sequer tirar a arma da cabeça dele. Era assustadoramente rápida. E olhe que Izaya se considerava ágil... Mas, perto dela, ele era como uma tartaruga. Sentia-se um tanto frustrado e inválido quando tinha de “enfrentá-la”, pois sabia que estava sempre em desvantagem, não importava o que fizesse. Ousava dizer que Shizuo e ele só sobreviveram até ali por pura sorte. Ou pior, porque ela queria que eles sobrevivessem até àquele ponto. E os outros? Bem, podia até não parecer, mas havia sido por sorte também. Se ele não tivesse notado que Shinra e Celty eram as vítimas da primeira vez... Se Kururi e Mairu não tivessem salvado o Heiwajima mais novo naquele dia, no teatro... Sabe-se lá onde as três vítimas estariam no momento. Aquela mulher nem mesmo parecia um ser humano. O modo como se comportava, o modo como conseguia controlar, de certa forma, o ambiente em sua volta e o que acontecia com as pessoas... Eram capacidades que um ser humano normal não conseguiria desenvolver de maneira tão intensa quanto ela fez. Tinha de ter algo mais. Não era possível. Quer dizer, o informante nunca duvidou do quão formidável Cora era. Mas aquele tipo de coisa era inacreditável... Mesmo para ele, que estava acostumado com coisas sobrenaturais. Ela era surreal. Um completo enigma. Se não tivesse presenciado os acontecimentos até ali, com certeza, duvidaria da existência da mesma. E com razão.
Quando voltou a si, ouviu o barulho do motor ligando, e em seguida, a moto partiu numa velocidade estupenda. CN parecia não ter dificuldade em levar Tom. Parecia lidar com aquilo tudo perfeitamente, como esperado de alguém como ela. Não vestia capacete, nem nenhuma proteção. E ria. Uma risada exagerada e psicótica, como se estivesse aproveitando aquela situação ao máximo. Deveria estar mesmo, pois era uma pessoa demasiado sádica. Orihara deduziu que ela não devia ter medo da morte. Ou melhor, não precisava ter. Acreditava que mesmo a morte deveria ser um tanto insana se resolvesse encarar Cora. Ao vê-la virar a esquina de maneira descuidada, sem desacelerar, Shizuo dirigiu-se imediatamente à Celty, que entendeu o que teria de fazer imediatamente. Ela era a única que poderia ajudá-los naquele momento, pois era a única que tinha uma moto também. Saíram os três, disparados, em direção à moto da Dullahan, que não estava tão longe dali. Era notável que Heiwajima estava dando o máximo de si para se controlar, assim como também era notável a sua vontade de socar tudo o que estava à sua volta. Izaya não o culpava, aliás, em qualquer outra ocasião, o encorajaria a fazê-lo para descarregar as “energias negativas”. Mas, naquele momento, definitivamente não. Perderiam muito tempo. Agradecia por ele estar se contendo, sabia o quanto deveria ser difícil. Shizuo podia ser muito determinado quando queria.
– Acho melhor você ficar, Izaya-kun. – Disse o loiro, que já se posicionava na moto de Celty. – Não quero te envolver em brigas desnecessárias. E não tem lugar, também...
– Tudo bem.
O informante esboçou um sorriso apagado, não podia esconder que achava uma graça ver que Heiwajima estava preocupado com ele. Era claro que queria ajudar, mas sabia que o loiro desaprovaria colocá-lo em risco desnecessariamente, em vista que este era extremamente protetor. E não era como se fosse precisar de sua ajuda, ou, pelo menos, não naquela situação. CN provavelmente quereria um combate corpo a corpo, e Izaya não era exatamente forte para algo do tipo, provavelmente só atrapalharia. Era melhor com estratégias, definitivamente. Além do mais, tinha certeza de que Shizuo saberia como lidar com aquela situação. Afinal, ele era a violência em pessoa. E, embora tivesse se acalmado consideravelmente de uns tempos para cá, continuava com a mesma força imensurável pronta para ser usada a qualquer momento. O moreno posicionou-se para dar um beijo rápido na bochecha de Heiwajima, e assim que o fez, mandou que partissem imediatamente. Não poderiam enrolar nem um minuto a mais. Não fazia nem ideia de onde Cora queria levá-los, então era melhor que eles fossem atrás dela o mais rápido possível, antes que a perdessem de vista. Sturluson materializou um capacete negro para o loiro, que o colocou imediatamente. E assim partiram. Izaya ficou observando a moto negra sumir na rua pouco iluminada, sentindo-se um pouco atônito. O vento fresco batia em seu rosto, bagunçando seus cabelos negros. Estava frio. Intimamente, rezava para que tudo ocorresse bem. Sentia medo novamente, e se recusava a acreditar que aquele pesadelo estava voltando a assombrá-los.
Heiwajima segurava-se firmemente na cintura da Dullahan. Não que estivesse com medo de cair, afinal, já havia andado de moto antes, mas Celty estava correndo como uma louca. Sabia que era necessário, embora fosse um tanto assustador. Não demoraram muito para entrar na rua onde CN havia virado anteriormente, e puderam ver que ela já estava bem longe. Tinham sorte da rua não ter curvas por ali, senão, com certeza teriam perdido-a de vista há tempos. E então, sabe-se lá o que aconteceria com Tom. Sturluson acelerou ainda mais, e Shizuo agradeceu por estar de capacete. Se aquele vento estivesse batendo em seu rosto com certeza seria um incômodo insuportável. Provavelmente Tanaka estava sentindo aquilo, em vista que Cora não havia lhe dado um capacete e estava correndo na mesma velocidade – talvez até mais rápido, se levassem em consideração quão insana aquela mulher era. Normalmente, fazer algo daquele tipo nas ruas de Ikebukuro era o mesmo que correr um alto risco, pois as pistas eram muito movimentadas; com milhares de veículos indo e vindo, desesperados e descuidados. Mas não naquela noite. Era estranho, mas as ruas estavam praticamente desertas, simplesmente não havia ninguém transitando por entre elas. Sequer parecia que estavam em Ikebukuro, de tão paradas que estavam... Mas não tinham tempo para ficar pensando nessas coisas, o foco agora era alcançar Cora e ter Tom de volta. Provavelmente aquele paradeiro todo era obra dela, e tudo o que ela fazia era inexplicável. Então, melhor que não ficassem pensando muito sobre o assunto, em vista que nunca conseguiriam achar uma explicação lógica/plausível para tal. Algum tempo depois, dava para perceber que a distância entre as duas motos havia diminuído consideravelmente. CN se mantinha à frente por poucos metros, e não parecia estar nem um pouco incomodada com isso. Era meio que como se quisesse que eles se aproximassem, na verdade.
O fizeram, mesmo que hesitando. Cora, então, mirou a arma para eles e disparou três tiros seguidos. Sorriu maliciosa, fazendo o sangue de Heiwajima ferver de raiva. Era quase como se pudesse ouvir a risadinha maldosa dela (e extremamente irritante, também). As balas passaram raspando em Celty, que suspirou aliviada. Havia conseguido desviar bem a tempo. A Dullahan estava trêmula e inquieta, sentia-se sobrecarregada por causa da surpresa e da adrenalina, mas não podia parar de acelerar por nada naquele mundo. Todos estavam contando com ela. Infelizmente, um dos tiros atingiu o braço de Shizuo. Ou felizmente. Pois alguém como ele poderia suportar aquela dor com facilidade. Aquilo não era nada, na verdade. Nem mesmo sentia. Apenas ficou a encarar a mancha vermelha que se formava em sua blusa e ficava cada vez maior. “Seria bom ter supercola em uma hora dessas.” Pensou em voz alta, mas Celty não escutou – ou, pelo menos, fingiu não ter escutado. Bom, depois que aquela palhaçada toda acabasse, falaria com Shinra. Tinha certeza de que ele poderia dar um jeito naquilo, não era como se fosse grande coisa. Foi só um tiro no braço. Já enfrentara coisas piores ao longo de sua vida. Mas estava um pouco admirado, tinha de admitir. Cora tinha cometido um erro. Aquela deveria ter sido a primeira vez que ela tentava algo e falhava. Intrigante... Ou nem tanto. Realmente duvidava que CN fosse querer matar justamente as pessoas que tanto a divertiam. Além disso, bem sabia o quanto ela queria vê-lo sofrer, perder tudo o que tinha, e afins. Se o matasse naquele momento, seria o fim de tudo. E ela realmente não parecia do tipo que se contentaria com um fim banal daqueles. Afinal de contas, Cora era uma mulher com paixão por coisas excêntricas... Grandiosas... Ela deveria estar armando uma espécie de grand finale. Aquilo ali muito provavelmente era só embolação. Mas talvez tivesse algum significado, só entenderiam quando conseguissem alcançá-la. Até lá, teriam de esperar.
Cora virou em uma rua sinuosa, Shizuo e Celty a seguiram. O caminho, de uma hora para outra, se tornara cheio de obstáculos e pouco iluminado. A rua era um tanto esburacada, também. Heiwajima sentia suas bolas serem esmagadas sem dó a cada vez que a moto saltava, mas aguentava firmemente. Parecia que estavam saindo da cidade... Havia poucas casas por lá, e a maioria parecia estar abandonada. As que não estavam já tinham apagado as luzes. Shizuo riu baixo. Aquela mulher realmente tinha uma queda por lugares inabitados. De certa forma, as paisagens dramáticas se encaixavam na personalidade dela; ou talvez só estivesse pensando demais. Andaram por aquele cenário sombrio por alguns quilômetros. De certa forma, as coisas haviam se acalmado. Não muito depois, eles alcançaram CN, que parecia ter diminuído a velocidade consideravelmente. Agora, as motos estavam lado a lado, e Cora sorria de modo amigável. Fez sinal para que parassem os veículos, e, assim que o fizeram, ela desceu e foi em direção a eles, com Tom ao seu lado, mas ele já estava livre – embora mantivesse uma expressão pavorosa, provavelmente devido ao baque que sofrera. Esperaram-na postar-se em frente a Shizuo. Ela parecia tão calma, tão diferente de como estava no começo da noite. Outra mudança brusca de personalidade. De certa forma, não era tão inesperado. Uma das poucas coisas que Heiwajima descobrira nesse tempo em que CN entrara em sua vida era que aquela mulher tinha um sério transtorno de personalidade.
– Vocês conseguiram. – Disse, fazendo uma leve reverência e batendo palmas. – Meus parabéns!
– “Por que você fez isso?” – Celty havia pegado o celular para se comunicar com ela.
– Queria atraí-los até aqui. – Respondeu serenamente. – Na verdade, queria atraí-lo para cá. – Apontou para Shizuo. – E usei Tom como intermédio.
– “Você não poderia simplesmente tê-lo convidado, ao invés de fazer esse escândalo todo?!”
– E qual seria a graça? – Riu. – De qualquer forma, eu não iria fazer nada com o amigo de vocês. E desculpe pelo seu braço, Heiwajima Shizuo-san.
– Não é nada. – Respondeu de maneira sutil. – De qualquer forma, já é tarde demais para se desculpar. O estrago já foi feito.
– É. – Mordeu o lábio inferior, sentindo-se levemente culpada. O cheiro de sangue seco era forte demais para passar despercebido, mas, aparentemente ele já não estava mais sangrando tanto, para seu alívio. Ela parecia um tanto encabulada, o que fez com que o loiro arqueasse as sobrancelhas, confuso. – Será que você poderia me acompanhar por um segundo?
Heiwajima encarou Celty, e em seguida olhou para Tanaka, que ainda estava completamente transtornado. Não devia acompanhá-la, mas, se já havia chegado até ali, simplesmente partir sem buscar por respostas seria burrice. E uma viagem perdida. Suspirou.
– Só eu e você?
A mulher assentiu com a cabeça. Shizuo olhou para a Dullahan, como que pedindo para que fosse embora. Ela logo entendeu a mensagem e pediu para que Tom subisse na moto, pois ela o levaria para casa. Este o fez sem delongas. Já havia ligado a moto, e estava pronta para ir embora, mas, antes de partir, escreveu:
– “Tem certeza disso, Shizuo? Seu braço está machucado, se ela tentar fazer algo você pode não conseguir se defender...”
– Eu sei me virar. – Respondeu. Não sabia até que ponto aquilo que acabara de falar era verdade, mas tinha de acreditar. Também não sabia até que ponto podia acreditar em Cora, mas teria de arriscar. Estava praticamente se entregando nas mãos do destino, e, honestamente, sabia que aquela não era a melhor decisão tomada por ele. Mas que escolha tinha? Era melhor que ele fosse encarar CN sozinho do que deixá-la fazer aquelas loucuras com mais alguém.
Sturluson partiu sem questionar; confiava no amigo, embora estivesse um pouco relutante em deixá-lo ali, sozinho com Cora, faria como ele quisesse. Sabia do que CN era capaz, mas preferia pensar que Shizuo conseguia fazer mais do que ela.
Heiwajima lançou um olhar para CN. Os olhos azuis dela ficavam realmente bonitos sob a luz do luar. Aliás, não havia parado para prestar atenção, mas ela também estava muito bonita e bem vestida. Usava roupas extremamente elegantes, como sempre, mas os cabelos bagunçados por causa do vento amenizavam aquela elegância toda. Não que fosse algo ruim, era bom quebrar um pouco a seriedade. De qualquer forma, não ficou prestando muita atenção naqueles pequenos detalhes. Finalmente, estavam completamente a sós, e o clima estava bastante pesado (na opinião de Shizuo, pelo menos). A mulher tirou um maço de cigarros do bolso e sacou uma unidade de lá.
– Você tem um isqueiro aí? – Perguntou de maneira casual, como se fossem velhos amigos. Talvez estivesse tentando quebrar o clima, talvez só fosse completamente louca mesmo. Não que fizesse diferença, pois havia uma linha bem tênue entre as duas coisas, por assim dizer. O loiro tirou o objeto do bolso e entregou à ela, que acendeu o cigarro e deu um longo trago. – Vamos dar uma volta. Pode fumar também, se quiser.
– Uh, por enquanto, não. — Recusou.
– Faça como quiser. – Soltou a fumaça no ar, começando a caminhar em passos lentos. Shizuo a seguiu. – Quero te levar a um lugar bonito, mas fica um pouco longe daqui. Vai ser bom para conversarmos.
– A gente tem algo pra conversar? – Perguntou, sem conseguir conter o cinismo no tom de voz.
– Claro que temos, Heiwajima Shizuo-san. – Retrucou num tom sereno, ignorando o modo como o loiro a tratava. No fundo, ela sabia que merecia aquele tipo de tratamento. Embora doesse, ela não ligava. Estava mais do que acostumada. – Eu quero te contar onde nossos caminhos se cruzaram... Mas, para isso, eu tenho que te contar quem sou eu.
– Tudo bem. – Heiwajima terminou por aceitar a condição. Não tinha nada a perder ali. E, aparentemente, ela não tinha nenhum plano macabro por trás daquilo. Apenas queria conversar com ele. Só esperava que não ficasse usando aquelas metáforas ridículas e desnecessárias. Ele realmente não tinha paciência para aquele tipo de coisa.
– Eu sou escocesa, acho que você já sabe disso. – Começou. – Mas meus pais eram franceses. E de lá, vem meu nome.
– Cora não parece nem um pouco com um nome francês.
– Cora é meu nome de batismo. – Explicou. – Meu nome, nome mesmo, veio por causa de um terrível infortúnio. Mas combina comigo, talvez porque eu seja um terrível infortúnio também.
– E qual é seu nome? — Queria perguntar o porquê d'ela ser um infortúnio, mas achou melhor guardar essa pra depois.
– Acredite ou não, mas meus pais me chamavam de Chat Noir. – Ela riu discretamente. Desse modo até que não ficava tão irritante. Shizuo ficou admirado em como sua pronúncia francesa era perfeita. Não fazia nem ideia de como se falava aquilo, mas ela parecia dominar o idioma com perfeição.
– E o que significa? – Questionou.
– Gato preto.
– Seus pais te chamavam de “gato preto”? – Arqueou as sobrancelhas, confuso. – Por quê?
– Porque eu sou um gato preto. – Respondeu. – Ou pelo menos, em algumas partes do dia.
Heiwajima fez menção de falar algo, mas não estava entendendo nada. Decidiu deixar que ela prosseguisse ao seu modo.
– É confuso, não é? – Perguntou, dando a última tragada no cigarro e apagando a ponta acesa do mesmo com os dedos. – Mas não será mais. Então preste atenção, porque eu só vou contar essa história uma vez.
Notas finais
Não ia colocar o Tom como uma vítima - pra mim ele é um personagem meio indiferente -, mas né, deus sabe o que faz, UEHUHEHUE. -n Decidi estender a fic mais um pouquinho,
E, bem, acho que tá na cara, mas vale ressaltar. O próximo capítulo será narrado no ponto de vista da CN, e já está praticamente finalizado, provavelmente a história dela vai ser dividida em duas partes. Deve sair até domingo que vem. Provavelmente mais cedo ♥
Enfim, estou com grandes expectativas e ;u; Mas por um lado é triste, porque vejo que a fic já tá meio que na reta final. Sei lá, os filhos crescem e qn
Bem, como eu disse, não sei exatamente o que falar. p-p Não estou muito falante hoje. Um milagre de deus q
Obrigada por estarem comigo até aqui ♥ Sei que sempre agradeço, mas sempre sinto que devo agradecer de novo porque sei lá ;u; amo vocês ;u; *abraça*
Até o próximo capítulo!
Um beijo :*
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