Walking After You
14 Capítulo 13: Glass
Notas iniciais
Eu não tenho muito o que falar, como eu não demorei muito, não tem muitas novidades pra contar. Acho que o capítulo vai surpreender vocês :3 Fiquei satisfeita com o resultado, apesar de ter sido um bocado cansativo escrevê-lo, mas espero que vocês gostem também.
Tô morrendo de ansiedade pra postar, e receio, enfim, eu comento o resto nas notas finais, porque não estou conseguindo conter meus sentimentos -QQQ ;A;
Está revisado, mas eu sempre posso deixar um errinho escapar, então, se encontrarem algum, me avisem.
Boa leitura~!
Aparentemente, estava tudo bem. Pelo menos, entre os dois, as coisas estavam bem. Depois de algum tempo, continuavam juntos; apenas trocando alguns olhares discretos, e um tanto apaixonados, mesmo que horas depois de já terem se resolvido. Shizuo sorria de maneira imperceptível, contente pelas coisas terem voltado ao normal. Izaya também estava feliz, embora não soubesse como demonstrar aquilo, de fato. Tinha medo. Tinha medo de que CN fizesse algo para acabar com aquela felicidade. Felicidade que demorara tanto tempo para conquistar. Não sabia se deveria torná-la algo momentâneo ou duradouro, pois os fatos que se seguiriam eram incertos demais, mesmo para alguém que tinha certo controle do que aconteceria na maioria das situações. Mas ali, era simplesmente impossível. Então, o que deveria fazer? Era difícil saber, teria de tomar alguma decisão. Todos já haviam ido embora da casa de Heiwajima, restando apenas os dois e Kasuka – que estava adormecido. Shizuo fumava um cigarro, encostado na porta do quarto, para se acalmar. Orihara encontrava-se sentado na cama, apenas observando-o em silêncio. Era comum que observasse o loiro. Fazia isso há muito tempo. Desde que o conhecera, na verdade. Ele sempre ficava muito bonito fazendo qualquer coisa. Mas ficava ainda melhor quando estava fumando, em sua opinião. Era realmente atraente o modo como tragava o cigarro, de maneira descontraída e relaxada, como se não estivesse pensando em nada. Izaya gostava de vê-lo daquele jeito. Parecia não haver nenhuma preocupação em sua cabeça. Suspirou. Poderia ser sempre daquele jeito...
- Ei, Shizu-chan... – Começou, quebrando o silêncio, que embora não fosse mais desconfortável ou cortante, já havia se estendido tempo demais. O loiro o encarou, como que esperando que continuasse a falar. – O que vai ser de nós, agora?
- Você deveria tentar não parecer tão desesperado. – Shizuo riu, embora esse tipo de coisa também passasse por sua cabeça de maneira igualmente desesperadora. Mas ele não queria preocupar o informante, ainda mais agora que as coisas pareciam estar bem. – Eu não me preocupo com isso.
— Você pode mentir para si mesmo. – Respondeu Orihara, num tom sério. – Mas não minta para mim.
Heiwajima sorriu sem graça e encarou o chão. Era realmente impossível tentar mentir para Izaya, afinal, ele o conhecia melhor do que ninguém. Tragou o cigarro – que já se encontrava no fim – mais uma vez, soltou a fumaça no ar e jogou a bituca no lixo mais próximo. Em seguida, foi até a cama e sentou-se ao lado do moreno, envolvendo-o com um de seus braços. O informante recostou sua cabeça no ombro do guarda-costas, fechando seus olhos e tentando relaxar, nem que fosse pelo menos um pouco. Shizuo conseguia fazê-lo sentir-se incrivelmente seguro. Queria poder fazer o mesmo com ele.
- Acho que é inútil tentar mentir para você. – Shizuo disse, encarando a expressão serena estampada no rosto de Orihara. – Sempre sabe o que está se passando na minha cabeça.
- Na verdade, eu nunca sei. – Izaya riu baixo. – É só que você é um mau mentiroso, Shizu-chan.
- Eu sou, é? – Heiwajima arqueou as sobrancelhas.
O informante abriu os olhos, se ajeitou, e em seguida depositou um beijo rápido e suave nos lábios do loiro. Um beijo inocente, breve, porém bom. Tinha gosto de tabaco; Orihara terminou por concluir que aquele era seu sabor de beijo favorito. Quando seus lábios se separaram, continuou com o rosto próximo ao dele. Observava seus poros, seus olhos castanhos – que o encaravam profundamente – e sua reação levemente surpresa. Ele conseguia ser ainda mais bonito de perto... Podia sentir sua respiração um pouco pesada por causa do cansaço estando àquela distância tão pequena, também. Havia sido um dia cheio para Heiwajima, com certeza ele deveria estar exausto. Izaya sorriu brevemente, tímido, e Shizuo apenas ficou admirando a expressão do mesmo. Admirou por tanto tempo que o informante corou, sentindo-se envergonhado, e se afastou.
- Eu acho que nós deveríamos dormir agora. – Disse, coçando a cabeça, ainda constrangido. Ainda estava sendo envolvido por um dos braços do loiro, e, numa tentativa frustrada, tentou sair de lá. Mas Shizuo apenas o prensou mais contra si, como se não quisesse que ele fosse embora. E, de fato, não queria. Izaya riu, sem graça. – Ei, me solte.
- Não. – Respondeu Heiwajima, teimoso como sempre. Um sorriso largo e inevitável estampou-se em seu rosto ao ver a expressão do informante, que estava incrédulo. – Durma aqui comigo hoje.
- Sh-Shizu-chan!! – Repreendeu, lançando-lhe um olhar de reprovação. Eles já haviam dormido na mesma cama algumas vezes, mas aquele pedido tão direto soara extremamente embaraçoso para Izaya. Ele corou ainda mais, sem saber o que dizer.
- Não precisa ficar assim, Izaya-kun. – O loiro riu da reação do menor. – Só quero que fique ao meu lado hoje.
- Inconveniente... – Virou a cabeça para o lado oposto de onde Shizuo se encontrava, tentando esconder o quão afetado estava. A verdade era que ele estava realmente feliz de receber um pedido daqueles, embora nunca fosse admitir.
- Isso quer dizer que você vai ficar? – Perguntou.
Izaya nada respondeu, mas Heiwajima sabia que poderia encarar aquilo como um “sim”. Aconchegaram-se na cama, sem nem se darem o trabalho de trocarem suas roupas – estavam cansados demais para fazê-lo. De início, estavam deitados de “conchinha” – afinal, aquela era a melhor posição para se dormir em uma cama de solteiro, embora fizesse com que ambos ficassem levemente desconfortáveis, por estarem daquele jeito. Mas, já haviam decidido que dormiriam juntos, e concluíram que uma noite só não faria mal. De qualquer forma, estariam muito cansados para que qualquer coisa acontecesse.
Ou pelo menos, era o que pensavam.
Depois de algum tempo (muito tempo, na verdade) sem conseguir pregar o olho – a sensação de ter Heiwajima atrás de si era um tanto... Esquisita demais para ele conseguir dormir normalmente –, o informante remexeu o quadril em um movimento lento e profundo (e um tanto devastador também, ao ver do guarda-costas), para se aconchegar melhor ali, e o repetiu mais algumas vezes. Não ajudava o fato de que seu quadril estava encaixado numa “área de risco” do loiro, que não havia conseguido dormir, também. Apesar dos dois estarem cansados, aquela posição os impedia de dormirem em paz. E todo aquele rebolado, embora despretensioso e inocente, era demais para Shizuo. Mesmo alguém como ele tinha necessidades de vez em quando, e não podia deixar de fantasiar algumas coisas. Merda. Não era hora para pensar naquilo. Definitivamente, não era. Resmungou alguns palavrões mentalmente, amaldiçoando seus pensamentos por serem tão traiçoeiros e, em seguida, afundou a cara no travesseiro para abafar um gemido que tinha certeza que não conseguiria conter por mais muito tempo. Infelizmente, Izaya não fizera o mesmo. Deixara escapar um ruído baixo, embora audível para quem estivesse próximo (e adivinhe quem era esse “quem”?). Claro que aquele atrito também havia surtido algum efeito nele, da mesma forma como surtira no guarda-costas. Mas não havia sido sua intenção provocar aquela reação. O maldito gemido só servira para deixar Heiwajima ainda mais irritado; e animado, diga-se de passagem. O volume que se formava em sua calça já começava a ficar aparente, e Orihara podia senti-lo “incomodar-lhe”, por trás. Corou, sentindo-se extremamente constrangido. Agradeceu a todas as entidades que conhecia pelo maior não poder enxergar seu rosto no momento, pois não suportaria ser visto parecendo um tomate. Logo após, se culpou mentalmente; percebera que havia começado a reagir também. E aquele, certamente, não era um bom sinal.
Apesar de tudo, Heiwajima parecia estar “sofrendo” mais do que Izaya naquela situação. Por estar excitado, tudo parecia ficar mais intenso. E aquela pulga, tão próxima... Seu corpo aquecido... Exalando aquele perfume tão, tão... Único... E forte... Não sabia se poderia aguentar muito tempo. Não sabia o porquê, mas parecia que ele queria incitá-lo. A visão – que embora no escuro, ainda permitia certo vislumbre – da nuca do informante nunca lhe pareceu tão atraente. Ele tinha a pele tão esbranquiçada que se contrastava no meio de toda aquela escuridão. Inconscientemente, aproximou-se ainda mais, buscando encontrar de onde aquele cheiro tão forte vinha. Seu nariz encontrava-se entre os pés dos cabelos e uma das orelhas de Izaya, e ali ficou por algum tempo. Inspirou profundamente. Aquela região era onde o perfume estava concentrado, e era delicioso. Percebeu que os pelos do informante se eriçaram quase que imediatamente depois que fez aquilo (e não só os pelos, ele havia se arrepiado até a espinha, embora o loiro não conseguisse perceber isso). Heiwajima o encarava extremamente interessado em suas reações, e não pode deixar de esboçar um sorriso um tanto malicioso por causa daquilo – embora não tivesse a intenção de fazê-lo, foi mais como algo automático. O moreno apertava os olhos, como que esperando que tudo aquilo não passasse de um sonho ruim do qual ele logo acordaria. Era muito vergonhoso para ser verdade... Ele tinha de falar algo para Shizuo antes que as coisas se intensificassem. À essa altura, a ereção do loiro já havia ficado mais do que aparente. E a dele não tardaria a ficar, também. Definitivamente, não era bom.
- Sh-Shizu-chan... – Chamou pelo maior, com voz falha e trêmula. – O-O que pensa que está fazendo?
Finalmente, Shizuo voltou à si. Afastou-se imediatamente do informante, num movimento tão brusco e desajeitado que quase o fez cair da cama. Depois de se recompor – na medida do possível, pois o que realmente interessava (sua região de baixo) não havia se “recomposto” nem um pouco –, sentou-se na beirada do colchão e ficou encarando Orihara. Este havia se virado (não o corpo todo, pois não queria que o guarda-costas visse que ele estava afetado), mas evitava olhar para ele. Heiwajima tentava concentrar-se em outras coisas, para ver se conseguia se acalmar, mas era um tanto difícil. Realmente, sentia vontade de tocar Izaya, e ele estar tão perto era uma oportunidade única. Não sabia quando – ou se – poderia acontecer de novo, mas sabia que àquela hora poderia não ser a mais apropriada para fazer algo do tipo. E isso o aborrecia profundamente. Balançou a cabeça, tentando afastar os pensamentos pervertidos que passavam pela mesma. Não podia fazer aquilo com Orihara. Não entendia o que havia dado nele... Sorte que estava escuro – os dois pensaram –, pois seria ainda pior se tivessem que encarar um ao outro naquela situação. Era demasiado embaraçoso.
- Eu... Uh... – Heiwajima gaguejou, sem conseguir pensar num modo de terminar aquela sentença. Nada disse, por fim; apenas ficou cabisbaixo, como se estivesse refletindo sobre suas atitudes. E estava. Não via um modo possível de voltar a encarar o informante normalmente depois do ocorrido.
- Não se pode chegar fazendo isso nos outros assim, Shizu-chan! – Izaya ralhou, virando o rosto. Ainda sentia-se um tanto embaraçado com toda aquela situação.
- Hmpf. – Bufou o loiro, irritando-se mais ainda. – Você fala como se não tivesse culpa. Ou como se não tivesse gostado.
- E-Eu?! – Indagou Orihara. Seu rosto havia adquirido uma coloração avermelhada muito mais forte do que o comum, e suas bochechas estavam quentes. Ver o guarda-costas falar aquele tipo de coisa o fazia se sentir extremamente desconfortável. – O que eu fiz? – Tentou desviar o foco da conversa. Não admitiria que gostou. Fôra algo muito estranho para que pudesse tirar alguma conclusão. Estranhamente bom, mas, ainda sim, não admitiria tão fácil.
- Não aja como se não soubesse, pulga. – Shizuo grunhiu, enfurecido, levantando-se da cama.
- Aonde vai? – Perguntou o moreno, um pouco aborrecido também. Qualquer coisa que ele tivesse feito, com certeza não fôra intencional. E Heiwajima estava ficando estressado por nada, isso era o pior que poderia acontecer. – Ei!
- Tch, aonde você acha que vou? – Perguntou como se a resposta estivesse na cara. Em seguida, saiu andando em direção à porta. – Vou ao banheiro.
O loiro bateu a porta com força, quase quebrando, e deixou Izaya sozinho novamente. Demorou algum tempo para voltar, e, nesse intervalo, Orihara ficou repassando o acontecimento mil vezes em sua cabeça. Sentia-se um pouco esquisito. Tentou se acalmar depois de finalmente entender tudo o que havia acontecido, ou pelo menos, digerir aquele tanto de acontecimentos. Claro que algum dia imaginava que faria algo mais passional, digamos assim, com Shizuo, mas naquela hora... Ele o havia surpreendido, por isso não recebera a melhor de suas reações. Terminou por concluir que havia sido um tanto insensível com Heiwajima, e que a culpa havia sido, em partes, é claro, sua. Pediria desculpas uma vez que ele retornasse – se ele fosse retornar, pois ele parecia um pouco alterado quando saíra do quarto. O informante esperava que a ida ao banheiro o fizesse se acalmar. Ele já estava mais calmo – aliás, tinha certa facilidade para controlar essas coisas, mas Shizuo era um tanto inexperiente, talvez fosse por isso que não conseguia se controlar... Mas nada naquele cenário contribuía. A posição em que eles estavam; o modo como Izaya foi se ajeitar... Tudo indicava que algo do tipo iria acontecer, cedo ou tarde. Bom, eles tinham um relacionamento um tanto estável; não tinham? Logo, isso era normal. Não era? Izaya levou as duas mãos ao rosto, tentando esconder a expressão envergonhada que se estampara em sua face ao pensar nisso. Ah, era terrivelmente constrangedor!
Quando o loiro retornou, parecia ter voltado a ser o Heiwajima de sempre.
- Acho que é melhor eu ir dormir na sala... – Disse Shizuo, fazendo menção de pegar o seu travesseiro e seu cobertor, mas Orihara o impediu, segurando seu pulso e apertando-o. Não que o loiro fosse sentir qualquer tipo de dor, afinal, Orihara não era exatamente alguém que poderia ser considerado forte.
- Não precisa. – Interrompeu-o. – Desculpe, Shizu-chan, eu entrei em pânico.
O maior franziu o cenho.
- Você? Em pânico? Por quê? – Questionou.
- Porque... Eu não estou acostumado com essas coisas! – Exclamou e escondeu o rosto por entre as mãos de novo, balançando a cabeça negativamente, sentia-se envergonhado de novo.
Heiwajima não pôde evitar uma risada sonora. De início, havia ficado realmente aborrecido por causa da reação de Izaya, pois, se realmente gostasse dele, não faria aquele alarde todo por causa de uma coisa... Boba, e até rotineira entre casais (por mais esquisito que fosse vê-los como um casal). Mas era um alívio saber que ele só havia ficado constrangido. E era estranhamente adorável, também. Era um pouco estranho... Seus gostos haviam mudado bastante desde que aceitara os sentimentos do informante. Havia começado a apreciar coisas bastante inusitadas. Mas não se importava. Talvez até preferisse assim. Havia adquirido um gosto por coisas excêntricas, para ser honesto. Bagunçou os cabelos da pulga, que o encarou por entre os dedos. Sorriu fracamente.
- Vamos, se ajeite que eu estou com sono. – O loiro pediu, embora não muito gentilmente. Na verdade, soou mais como uma ordem. Mas Orihara sabia que aquele era seu jeito, e que não era sua intenção ser grosseiro.
Izaya deitou-se com a barriga para cima e Shizuo logo tratou de deitar-se ao seu lado. Ficava um pouco apertado, mas era melhor para evitar acidentes. Terminou por dormir com a cabeça apoiada no peito do informante, que acariciava seus cabelos dourados cuidadosamente com uma das mãos, enquanto a outra estava depositava nas costas do loiro. Ah, como ele adorava aqueles fios de cabelo, sempre tão macios... Poderia se perder entre eles. Sempre exalavam um cheiro muito bom, também. Era o cheiro de seu Shizu-chan, no fim das contas, e ele sempre tinha um perfume muito agradável. Podia sentir a respiração quente do loiro contra seu corpo e ver seu corpo subir e descer, de maneira praticamente imperceptível, por causa da mesma. Parecia estar num sono profundo, em vista que dormia sem nem mesmo se mexer. Ficou observando-o por mais algum tempo e sorrindo discretamente. Sabia que aquilo parecia um tanto doentio e obsessivo, porém, era o seu jeito. Gostava de olhar para Shizuo; todas as suas expressões eram atraentes, a seu ver. Achava-se um pouco bobo por causa disso. Mas o amor era estranho, e não havia nada a se fazer. Era bom vê-lo relaxado, só para variar um pouco. Estava esparramado na cama, e parte de seu peso estava sobre Orihara. Mas ele não se importava de estar sendo espremido daquele jeito, contanto que Shizuo estivesse dormindo bem (e contanto que nunca mais dormissem de conchinha também, por razões óbvias). A cama não era exatamente espaçosa, mas aquela posição estava confortável. Aliás, qualquer lugar estaria confortável para ele, contanto que Heiwajima estivesse ao seu lado. Sabia que tinha muito com o que se preocupar, mas naquele momento, só queria se concentrar em Shizuo. Esqueceria todos os problemas para aninhá-lo e fazê-lo se sentir seguro a noite inteira. O loiro não precisava disso; sabia se virar tão bem sozinho... Mas ele sempre o fazia se sentir assim, então, tentaria retribuir de algum modo. Era sua maneira de agradecê-lo por ser como era. O informante também não demorou muito para adormecer, pois também estava cansado dos acontecimentos inusitados daquele dia.
Logo o sol apareceu pelas brechas da cortina, irritando a visão de um certo – e facilmente irritável – Heiwajima. O guarda-costas coçou os olhos e bocejou, ainda um pouco sonolento. Podia ouvir o coração de Izaya batendo calmamente, enquanto apertava Shizuo contra seu corpo. Ele sorriu. Agora, era Orihara que parecia não querer que ele partisse. Lembrou-se do ocorrido da noite passada, e suspirou aliviado ao ver que as coisas haviam terminado bem. A atitude do moreno havia lhe deixado bastante inseguro, mas já havia passado. Ficou algum tempo sem se mexer, apenas aproveitando a sensação de estar sendo entrelaçado pela pulga. Sensação que não durou muito, pois logo Kasuka entrou no quarto. O caçula encarou-os por algum tempo e deu de ombros, indo em direção ao armário para pegar algo que Shizuo não sabia o que era. Heiwajima sentiu-se um pouco constrangido por ter o irmãozinho ali, presenciando uma cena daquelas, mas Kasuka não parecia dar a mínima para o que estava acontecendo – nem mesmo questionou. Encarava tudo com bastante indiferença, e isso desde que ele se entendia por gente. O loiro cutucou Izaya, para que acordasse, e esse acordou não muito tempo depois, embora ainda parecesse um pouco em transe – tinha sono pesado, demorava um pouco para “voltar à realidade” completamente. Logo que o fez, percebeu a posição em que estava, e a presença de Kasuka. Arregalou os olhos castanho-avermelhados e soltou Shizuo imediatamente, fazendo-o rir baixo. Era engraçado ver o informante agindo daquela maneira. Os dois ajeitaram suas roupas amarrotadas e sentaram na cama como duas pessoas normais, só então o Heiwajima mais novo resolveu falar:
- Ah, vocês acordaram. – Parecia um pouco entediado. – Eu já estou de saída.
- Está se sentindo melhor? – Perguntou Shizuo. Preocupava-se com o irmão, talvez mais do que uma pessoa normal faria. Mas estimava Kasuka, e não suportaria que algo acontecesse com ele. Não suportaria perdê-lo... Tinha calafrios só por pensar nisso.
- Estou. – Deu de ombros, virando e caminhando em direção à porta com algo em mãos. – Até mais.
- Kasuka, não vá ainda. – Foi a vez de Orihara se manifestar. Pigarreou, pois a voz ainda estava um pouco rouca. – Precisamos conversar com você sobre o que aconteceu ontem.
- Certo...
O garoto parou de caminhar e encostou-se à parede, cruzando os braços logo em seguida. Izaya se levantou também, mas Shizuo permaneceu sentado. Sabia que o informante saberia lidar com essa situação muito melhor que ele, então, era melhor não interromper. Ficou apenas observando a cena em silêncio, e aproveitou para fumar um cigarro para começar bem o dia.
- O que exatamente aconteceu ontem? – Perguntou Orihara, sério. Shizuo apenas pôde pensar que ele tinha uma expressão muito engraçada quando estava sério. Talvez porque quase nunca o visse naquele jeito. Na maioria das vezes, estava munido de um sorriso sádico.
- Aquela mulher... – Kasuka parou para pensar alguns segundos. – Acho que seu nome era Cora... Ela veio dizendo que tinha uma proposta de trabalho irrecusável para mim. Uma peça de teatro mais do que épica.
- E? – Izaya pediu que continuasse.
- Eu aceitei, obviamente. – Respondeu como se não fosse grande surpresa. E, de fato, não era. Que pessoa, em sã consciência, iria recusar algo dito “irrecusável”? – Ela disse que era algo extremamente confidencial e secreto, e que eu tinha que acompanhá-la sozinho. Também disse que ensaiaria comigo em um lugar especial.
- Por isso que seus seguranças não foram junto com você?
- Não, não foi por isso. – Continuou. – Eu até pedi para que um deles me acompanhasse, mas ele parecia estar em transe. Assim como todos os outros. Então, fui sozinho mesmo.
O informante e Shizuo se entreolharam como se tivessem entendido tudo. E, realmente, haviam entendido. Heiwajima cerrou os punhos, tentando manter-se o mais calmo possível. Embora isso, era impossível conter o asco que sentia só de ouvir o nome da imprestável. Mexer com seu irmão mais novo era algo além dos limites. Mas ele bem sabia que, quando se tratava de CN, simplesmente não havia limites. Aquela mulher não passava de uma vadia manipuladora. Até quando ela continuaria naquela brincadeira? Era algo que gostaria de saber. E, apesar de sentir que o fim de tudo aquilo se aproximava, não conseguia ter nenhuma confirmação disso. Ao mesmo tempo em que parecia que as coisas estavam em sua reta final, parecia que havia muito para acontecer ainda... E, de fato, havia. Se parasse para pensar, não sabia nada sobre Cora, não sabia o porquê de ela odiá-lo também. Tanto sua história quanto suas intenções mantinham-se ocultas, completamente desconhecidas. E Shizuo temia que as respostas dessas duas coisas fossem a chave de tudo, fossem o que acabaria com todo aquele sofrimento. Talvez fosse só um pensamento bobo, mas gostaria de se firmar em tal pensamento. Pelo menos, era bom saber que tinha algo para acreditar e criar expectativas sobre. Até porque, ultimamente, tudo estava tão confuso que ele não sabia mais o que era verdade e o que não era. Sua cabeça encontrava-se cheia de fundamentos confusos e desconexos. Esperava que fosse algo passageiro, caso o contrário, enlouqueceria, e isso era certo.
- O que vocês fizeram ontem, durante o dia inteiro? – Izaya parecia extremamente interessado em saber isso, embora Shizuo não entendesse o porquê de isso ter alguma utilidade na investigação, ou mesmo uma relação com a mesma. Mas não o questionaria, ele deveria saber o que estava fazendo.
- Nós ensaiamos. – Respondeu. – Ela é uma mulher bastante extravagante, fã de qualquer tipo de dramaturgia, contanto que bem feita. Até que é uma boa pessoa, ou pelo menos, aparentava ser. – Orihara torceu o nariz. Ela parecia ser uma chata, isso sim. – Mas parecia ter uma estranha obsessão pelo meu irmão.
O informante e Shizuo arregalaram os olhos, completamente surpresos. O segundo até deixou o cigarro cair após a afirmação feita pelo irmão mais novo. Mas Kasuka parecia encarar aquilo como algo completamente normal.
- Como assim... Obsessão? – Perguntou Heiwajima, desentendido.
- Ela falava constantemente sobre você. Tanto que chegava a ser assustador.
- E o que ela falava? – Indagou Izaya. Seu tom de voz demonstrava com clareza o aborrecimento que estava sentindo. Não tinha como descrever o ódio que sentia por aquela mulher. Suas sobrancelhas se uniram e seu semblante mudou para algo semelhante à uma expressão de braveza.
- Eram muitas coisas... Em maioria, asneiras, coisas triviais, alguns elogios... – Kasuka respondeu, e Heiwajima ficou com um pé atrás. Então queria dizer que CN falava bem dele pelas costas? Aí estava algo realmente inesperado. – Sei lá, parecia que ela estava apaixonada pelo Shizuo.
- O quê?! – Exclamou Orihara, num tom muito mais alto do que gostaria.
Notas finais
Agora, eu posso desabafar, q. Tava me segurando pra não deixar nem um spoilerzinho escapar, então falarei tudo aqui~ Vou escrever a bíblia mesmo, mas é porque eu realmente gostei desse capítulo.
Bom, primeiramente, eu queria dar créditos ao Shizu-chan (a.k.a. meu mozão/momô/mozi/derivados) que me ajudou em uma parte do capítulo. Obrigada, Shi-zu-chan~ q. Não sei se tu lembra disso, melhor que não lembre flw ♥
E Luna-chan, espero que você tenha entendido direitinho tudo o que aconteceu com o Kasuka ^^ se não entendeu, fique à vontade para me perguntar, ok?
Enfim, agradecimento e aviso dado, entããão... Acho que deu pra ver que o capítulo tá bem românticozinho, né? E tem até um fanservice básico pra agradar vocês, minhas leitoras queridas, embora nada muito explícito. ;u; ♥ Desculpa, eu não pude me conter. Quis compensá-las, porque provavelmente esse aqui vai ser o último meloso assim, é, issaê, agora a porra vai ficar séria, pessoal. Então, se despeçam desse amorzinho todo. -q
Agora finalmente explicarei as coisas sobre a CN, e vou tentar ao máximo balancear com o relacionamento deles, quem sabe não preparo outras surpresas pra vocês? UHEUEUHEU, me aguardem. qn
Acho que a cena dos dois dormindo juntos surpreendeu =3= ou não. Vai saber, né. Talvez eu surpreenda com outras cenas também, vamos ter que esperar pra ver. *apanha*
AH, Eu tenho tanta coisa pra falar desse capítulo e e e ;o; eu nem sei por onde começar. Foi um dos que eu mais gostei de escrever, foi tão cansativo, eu revisei umas trocentas milhões de vezes para adicionar detalhes, e acho que ficou tudo bem descritinho no fim das contas. Talvez tenha ficado OOC, eu achei que ficou, mas não sei vocês, então não vou falar nada. Hehe.
E acho que foi o fim de mais uma etapa da fanfic. Talvez não, talvez sim. Só sei que agora vão começar MIL TRETAS MANO QN
Novamente, eu só tenho a agradecer à vocês, minhas leitoras, por serem as coisas mais fofas e apertáveis do mundo ♥ Obrigada por estarem comigo até aqui. Eu amo vocês, de verdade ;; Aguardem o próximo capítulo, vai sair logo, eu prometo.
Um beijo :*
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