Walkers (Hiatus)
11 First Words
Notas iniciais
*Narrado por Carl
Já haviam se passado quase dois meses, perdi até a conta de em quantas casas tínhamos ficado. Minhas esperanças de algum dia poder rever Judy estavam quase no fim, assim como a maioria do grupo.
— Você tem certeza de que ela ainda está viva? — perguntei para Carol enquanto andávamos.
— Tenho. Você precisa acreditar, Carl. — ela respondeu em um tom bastante calmo, típico de Carol.
— Porque você tem certeza? — mais uma coisa que eu sempre perguntava, e a resposta sempre era a mesma.
— Porque confio em Cath — disse Carol com segurança.
Em todo esse tempo em que ficamos juntos, Carol e Tyreese nos contavam histórias de como escaparam dos zumbis, de como Catherine tinha salvado Judy e como eles tinham se virado a partir de então. Até que eu tinha parado de implicar tanto com essa garota, ela tinha salvado a vida da minha irmã e agora estava protegendo Judy (isso eu espero), ela parecia ser uma pessoa legal.
— Carol! — chamou Maggie, me tirando dos meus pensamentos. Ela estava parada olhando para uma placa cheia de rabiscos vermelhos.
— Que foi? — disse, me aproximando para ver melhor o que era.
— ''Estamos vivas’’ — leu Carol — Só podem ser elas.
Naquele momento, toda a minha esperança voltou, mas ainda restavam algumas dúvidas.
— Será que elas ainda estão vivas? Isso pode ter sido escrito a bastante tempo — meu pai perguntou, tirando as palavras da minha boca.
— Elas devem estar por perto — disse Daryl, que estava se aproximando da placa — O sangue ainda não secou, ela deve ter escrito isso hoje mesmo.
— Ela é durona mesmo, Carol. Não é qualquer um que consegue usar sangue de zumbi pra deixar um recado — disse Michonne, em tom encorajador.
— Quando estávamos indo atrás do Terminus, vimos várias mensagens da Maggie escritas da mesma forma. Cath deve ter se inspirado nelas pra fazer isso — Carol tocou a placa, para ter certeza que ela estava lá mesmo.
— Então temos que ficar por perto, não podemos ir pra lugares muito longe daqui, já que elas devem estar por essa região — disse meu pai — Vamos procurar alguma casa pra ficar.
E mais uma vez fomos indo atrás de abrigo, essa era a nossa rotina, mudar de um lugar pra outro. Eu sinto falta da prisão, lá era como se fosse uma casa, era seguro. Não acredito que vamos achar um lugar tão protegido quanto aquele, não sou tão esperançoso assim, mas quem sabe, um dia podemos esbarrar em outra prisão, um hotel, uma fazenda. Quando a gente menos espera, a vida vai lá e nos surpreende.
*Narrado por Catherine
Os meses estavam passando rápido, pelas minhas contas tinham sido quase três. Judy e eu ainda estávamos morando na ex ''fortaleza’’ de Peter. Sozinhas, mas seguras. Ela estava aprendendo as coisas rápido, guardava os próprios brinquedos, falava algumas coisas que não dava pra entender, estava tentando andar, mas sempre que tentava, caía e começava novamente. Sempre que ela estava dormindo, eu aproveitava para fazer as rondas, procurar por Carol e deixar minhas lindas mensagens. Quando eu saía, sempre encontrava coisas bastante interessantes, achava brinquedos pra Judy, coisas pra decorar o quarto dela, a casa, suprimentos, armas, livros, gibis, até consegui achar um cavalo. Achei bem estranho ele ainda estar vivo no meio de tudo isso, nem imaginava que ainda existiam animais, mas tive a sensação de que ele iria servir pra alguma coisa um dia, então acabei levando-o. Descobri que a casa em que morávamos não era a única coisa que Peter e Samantha haviam construído, já que eles nunca me deixavam ficar em outro lugar a não ser a parte onde estava a casa. Com a morte deles, resolvi espiar o lugar e acabei descobrindo que era maior do que eu pensava, era uma espécie de prisão, existiam algumas celas, uma pequena horta, um espaço para criar animais, dois carros sem gasolina, vários cômodos enormes que serviriam para abrigar muita gente. Aquilo era definitivamente muito melhor do que eu imaginei, eu sabia que estávamos seguras, mas não sabiam que estávamos tão seguras assim. Um dia apareceu um homem em um dos portões pedindo abrigo, mas uma das coisas que aprendi com Carol era que a maioria das pessoas boas não sobreviveram, então eu não poderia confiar em qualquer um. E foi por isso que eu nem apareci no portão, nem dei sinal de que existia alguma pessoa dentro daquele lugar, depois de um tempo o homem foi embora e nos deixou em paz. Quando Carol e o seu grupo voltarem, poderíamos aceitar pessoas lá, como se fosse um abrigo de zumbis, se tínhamos todo aquele lugar, ele devia servir para salvar vidas.
Nunca apareciam muitos zumbis em torno da casa, pois éramos muito silenciosas. Todos os dias eu tentava fazer com que a casa fosse mais aconchegante para Judy, já que ela ainda era um bebe e não devia estar entendendo nada que estava acontecendo lá fora, pra ela isso tudo deveria ser normal. Ela estava ficando mais linda a cada dia, nós brincávamos o tempo todo e ela quase nunca parava de falar, ou melhor, tentar falar. Eu continuava ensinando-a a falar o nome do pai e do irmão, até que ela gostava dos nomes, sempre sorria quando ouvia, mas nem fazia um esforço pra aprender. Enquanto eu estava preparando a mamadeira dela, ouvi alguém me chamar. Como estávamos só nós duas, fui ver quem era, olhei pela janela, mas não vi ninguém lá fora, ouvi meu nome de novo, dessa vez vindo de dentro da casa. Fui até a sala ver quem era e encontrei Judy brincando com alguns copos, quando me aproximei percebi que era ela quem estava falando.
— Cath! Cath! Cath! — ela dizia enquanto pegava os copos, como se desse nome a eles. Quando me viu, estendeu a mão na minha direção e me deu um dos copos — Cath!
Não pude fazer outra coisa a não ser sorrir. Em meio a isso tudo, eu estava feliz.

Hey, Jude, don't make it bad
(Ei, Jude, não fique mal)
Take a sad song and make it better
(Escolha uma música triste e fique melhor)
Remember to let her into your heart
(Lembre-se de deixá-la entrar em seu coração)
Then you can start to make it better
(Então você pode começar a ficar melhor)
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