Notas iniciais
Oi, gente! Tudo bem? Que ''segundo encontro'' será esse? Nada mais a dizer, apenas: own. Boa leitura e desculpe pelos possíveis erros.

*Narrado por Catherine

Judy ainda não conseguia andar, mas já dava alguns passinhos quando eu a ajudava. A cada dia ela descobria palavras novas, todas muito curtas, mas ainda não era capaz de formar frases completas. Ela não tinha nem um ano ainda (eu acho), mas já era bastante esperta. Eu estava vigiando a casa, do meu lugar preferido: o telhado. De lá eu tinha a visão perfeita de tudo que estava acontecendo em volta, além de dar pra ver um pequeno lago que existia nos fundos da fortaleza. Eu não gostava nem um pouco de deixar Judy sozinha, mas não era uma questão de querer. Como eu já tinha conseguido bastante comida e armas, minhas rondas só serviam para procurar brinquedos e livros, além de deixar minhas mensagens para Carol.

O portão da fortaleza só era aberto de dentro pra fora, então eu tinha que me movimentar através dos telhados. Existia uma pequena casa ao lado da nossa, então eu havia colocado uma tábua entre elas, como uma ponte, para que assim eu conseguisse sair da fortaleza sem precisar pular os muros. Enquanto estava me preparando para pular o telhado da casa, ouvi um grito e acabei me desequilibrando.

Eu já havia caído de uma bicicleta, tinha sido até atropelada por um carro, mas isso não era nada comparado a cair com tudo no tornozelo. Soube imediatamente que o havia quebrado. A dor, como um arame de aço quente, atravessou minha perna até o quadril. O mundo reduziu-se apenas a mim, meu tornozelo e minha dor. Quase desmaiei. Minha cabeça está girando. Estava perdendo as forças.

Não, disse a mim mesma. Você não pode desmaiar. Não aqui.

Fiquei deitada no chão até que a dor começou a diminuir, passando de uma tortura a um latejar suportável. Parte de mim queria gritar contra o mundo, por ser tão injusto, mas não queria atrair mais problemas. E quando eu digo problemas, quero dizer zumbis. Examinei o tornozelo. Meu pé não estava virando em nenhum ângulo estranho, não tinha sangue. Acho que isso era bom.

Olhei com raiva para o tornozelo.

— Você tinha que quebrar...

Ofegando e piscando para conter as lágrimas, me levantei e fui na direção dos gritos. Pontos pretos dançaram diante dos meus olhos, mas continuei andando. Tentei ir mais depressa, mas não podia ir muito rápido sem perder o equilíbrio ou forçar o tornozelo.

Fiquei escondida atrás de uma das árvores e observei a cena. Tinha um chapéu caído ao meu lado e só de olhar pra ele me deu um aperto no coração, como se já tivesse visto ele antes. Fui chegando mais perto e vi um menino de cabelos pretos caído no chão e um homem gordo indo na direção dele com uma faca. Não parecia um zumbi, já que eles não precisavam de facas pra matar, não que eu saiba.

— Você vai ser nosso convidado especial, garoto. — ouvi o homem dizer.

Lembrei-me de quando Peter me contou sobre um grupo de canibais que rondavam a região. Senti a superfície gelada da arma, a mesma que eu tinha usado para matar meu professor. Não queria fazer isso, não de novo, mas era preciso. Quando o homem chegou perto do garoto, atirei. Eu estava virando uma assassina.

O homem caiu encima do garoto, aquilo sim deve ter doído muito.

— A gente precisa parar de se encontrar assim — eu disse enquanto me aproximava mancando

— Quem... Ah! Você — ele disse olhando por cima do ombro do canibal.

— Pois é, eu. Dessa vez você não pode recusar a minha ajuda, esse cara aí não deve ser muito leve. — ofereci.

— Nem um pouco — ele disse enquanto tentávamos tirar o corpo de cima dele. Quando terminamos, ofereci minha mão e ele aceitou.

— Hum, obrigado. Por essa e pela outra vez. — ele disse encarando o chão.

— Então quer dizer que o cowboy sabe dizer obrigado? — fiz graça. Mesmo com o tornozelo quebrado eu não deixava de lado minha parte engraçada. — Falando em cowboy, acho que isso aqui é seu. — disse estendendo o chapéu.

— Obrigado! — ele disse enquanto colocava o chapéu na cabeça, seus olhos até brilharam.

— Nossa! Dois agradecimentos em um dia só? Isso é um recorde. — disse fazendo piada. Ele não era tão mal agradecido como eu tinha imaginado.

— Que engraçadinha. — ele disse com um sorriso torto.

— Então é isso. Será que dá próxima vez você pode seguir o meu conselho e tentar não morrer? — disse me virando pra ir embora.

— O que aconteceu com a sua perna? — ele perguntou com curiosidade.

— Acho que quebrei. — disse, sentando no chão para examiná-la.

— Como? — ele perguntou.

— Caí de um telhado — disse sorrindo ao me lembrar da cena.

— O que você estava fazendo encima de um telhado? — perguntou ele, impressionado.

— Eu gosto de telhados.

— Como foi que você me achou? — ele perguntou em um tom sério. Ele era realmente bipolar.

— Você grita que nem uma garotinha — disse dando uma gargalhada. — É brincadeira! Cadê o senso de humor, cowboy? — menti.

— Você vai ficar com essa perna assim? Não deve nem conseguir correr. — ele disse, dando um sorriso.

— Acho que sim. — disse encarando o chão.

— Eu tenho um grupo, eles podem ajudar você. — ele disse, hesitante.

— Não é uma boa ideia. — disse, apesar de ter sentido uma intuição boa ao ouvir a palavra ''grupo’’.

— Claro que é, você não pode ficar desse jeito pra sempre.

— Tudo bem, mas eles me ajudam e depois eu vou embora — disse tentando me levantar. Ele estendeu a mão e eu aceitei.

— Como você quiser. — ele começou a andar, mas parou e se virou para mim. — Precisa de uma ajuda aí? — perguntou ele.

— Não, eu consigo andar sozinha — disse enquanto mancava.

— Não consegue não. Vem, eu te ajudo — ele ofereceu.

— Não precisa, obrigada. — recusei.

— Andando desse jeito a gente só vai chegar lá amanhã. Você me salvou duas vezes, agora eu tenho que retribuir. —insistiu.

— Tudo bem, cowboy.

XxX

— Você fica aqui enquanto eu aviso eles — ele disse, me deixando escorada na parede.

Ouvi o barulho de algumas coisas sendo retiradas da porta, depois algumas vozes, uma delas era conhecida, mas eu não me lembrava de onde. A porta se abriu e apareceu um homem de olhos azuis, que pediu para que eu entrasse. Ele parecia com alguém que eu conhecia. Meus olhos passaram pela sala, olhando os rostos desconhecidos. Uma mulher de cabelos acinzentado estava de costas pra mim enquanto conversava com um homem. Meus olhos se arregalaram de surpresa.

— Carol? — perguntei.

Ela se virou e eu corri ao seu encontro. Ficamos abraçadas durante um tempo, até que ela finalmente me soltou.

— O que aconteceu com sua perna, meu amor? — ela disse enquanto a examinava.

— Acho que torci. — me lembrei de alguma coisa e perguntei — Onde está Tyreese?

— Alguém me chamou? — ele disse enquanto descia as escadas. Quando me viu ficou todo bobo, correu até mim e me abraçou por alguns segundos — Eu sabia que você estava viva.

— Eu também sabia que você estava — disse eu.

— Carol? É ela? — ela afirmou e o homem de olhos azuis se aproximou de mim. — Por favor, me fale que Judy está bem — ele tinha os mesmos olhos de Judy. Então aquele era o Rick.

— Ela está bem — disse quebrando o silencio que havia tomado conta da sala.

Ele me deu um abraço que quase quebrou meus ossos, mas eu não me importei. Todos que estavam na sala começaram a se abraçar, alguns até choravam.

— Obrigado, Catherine. — ele disse, me soltando do aperto.

— Não precisa agradecer, senhor Rick.

— Senhor não, só Rick. — ele disse e depois foi em direção ao filho.

Carol me abraçou mais uma vez e foi me apresentar as outras pessoas. Todos me agradeceram por ter protegido Judy, me deram abraços e foram bastante gentis. Alguém me chamou e me virei, lá estava o cowboy de olhos azuis.

— Então você é o famoso Carl — disse, fazendo graça.

— E você é a famosa Catherine — ele disse.

— Só Cath, pelo amor de Deus. — pedi.

— ''Só Cath’’, que nome estranho. — ele fez graça também — Eu só queria agradecer por você ter cuidado da minha irmã.

— Três obrigados em um só dia? Isso não é possível. — disse — Foi um prazer ter ficado com a Judy, ela é um anjo.

— Sabe, no começo eu não gostava de você. Eu pensava que você queria roubar a minha irmã de mim, mas agora eu vi que estava errado. Você parece ser uma pessoa legal. — ele encarou o chão.

— Dessa vez sou eu quem digo obrigada — admiti.

— Cath! — Rick me chamou. — Queremos que você nos leve ao grupo que está com Judy.

— Grupo? — perguntei confusa.

— Você tem um grupo, não é? — perguntou Rick.

— Não, estamos sozinhas a muito tempo. — disse enquanto as pessoas me encaravam bastante surpresas.

— Sozinhas? —perguntou o rapaz de olhos puxados, Gleen.

— Carol, quando você falava que Cath era corajosa, eu acreditei, mas nunca iria imaginar que era tão corajosa assim — Maggie me lançou um olhar reconfortante.

— Então Judy está sozinha? — Rick perguntou, nervoso.

— Ela está protegida. Nós encontramos um lugar seguro. — disse eu.

— Que tipo de lugar protegido? — perguntou Daryl.

— Vocês vão ver quando chegarem lá. — dei uma olhada pra janela — Mas precisamos ir logo, já vai escurecer e Judy não gosta nem um pouco de ficar sozinha. — disse.

— Não gosta? — perguntou Carl.

—É, ela chora muito. — sorri ao lembrar-me dela.

— Então vamos logo. O lugar cabe esse tanto de gente? — o pai de Judy me perguntou.

— Cabe muito mais que isso.

Notas finais
Dios mío! Esse capítulo foi um dos que eu mais gostei de escrever, porque mostra o reencontro desses perfeitos. Espeeero que vocês tenham gostado e, por favor, comentem ;) Bjs, xoxo.