Notas iniciais
Oi, gente! Esse capítulo vai mostrar como a Cath está vivendo, como andam as coisas com ela e o grupo de Carol. Acho que ficou um pouco meloso de mais, não sei, mas espero que gostem. Boa leitura e desculpe pelos possíveis erros.

*Narrado por Catherine

— Aquela ali parece uma boa casa — disse Carol. Para nós, uma boa casa queria dizer uma casa não invadida, uma casa que ainda tenha algum alimento — Tyreese, fique aqui com Judy e Cath enquanto checo a casa.

Sem fazer nenhum barulho, Carol abre a porta da casa e entra para ver se podemos passar a noite lá. A rua onde estamos é mais diferente das outras. A maioria das casas são rústicas e, antes do apocalipse, deviam abrigar famílias mais simples ou de uma classe social média, já que não parecem ter muito luxo.

Nos braços de Tyreese, Judith começa a chorar. Logo no fim da rua, aparece um zumbi que anda de uma maneira estranha, bem mais lento do que o normal. Sua perna esquerda está virada em um angulo estranho, como se tivesse sido quebrada ou torcida em uma tentativa inútil de matá-lo. Lanço um olhar a Tyreese, fazendo uma pergunta silenciosa, ele assente. Caminho na direção do morto-vivo, que mesmo com sua perna machucada já está um pouco próximo de nós.

Ao chegar mais perto, noto que o zumbi é uma mulher, na verdade, foi uma mulher algum dia. Ela usa uma calça completamente rasgada, tênis de caminhada e sua blusa branca está muito encardida. Possui uma mordida no ombro esquerdo, que deve ter sido a causa da sua transformação, já que não possui nenhuma outra parte do corpo fora do lugar. Antes ela devia ter sido uma mulher bem bonita, mas hoje está um verdadeiro caco. Pelo estado de conservação do seu corpo, presumo que morreu a pouco tempo. Sinto pena por ela, deve ter sobrevivido por todos esses anos para morrer agora. Ao cravar minha adaga em sua cabeça, penso que agora ela terá o descanso que merece.

— Se ela não parar e chorar logo, a coisa vai ficar feia — diz Tyreese assim que me aproximo — Você pode segurá-la enquanto eu procuro a mamadeira?

— Claro — respondo. Na mesma hora em que Judy vem para meus braços, a mesma para de chorar em uma velocidade incrível.

— É, descobrimos o que essa bravinha estava querendo — fala o homem, com um sorriso enorme no rosto.

De tempos pra cá, percebi que Judy gostava cada vez mais de mim, e isso era bom, acho. Desde o começo eu jurei que ia sempre me virar sozinha, sem me apegar a ninguém, porque quando estamos no meio de um apocalipse é difícil manter seguras as pessoas que amamos, assim como nós mesmos. Mas com Judy, Carol e Tyreese isso estava sendo diferente. Com eles eu me sentia protegida e sentia que, pela primeira vez na vida, eu fazia parte de uma família de verdade. É estranho pensar que foi preciso o fim do mundo para que eu enfim fosse adotada por alguém.

— Está limpa. — informa Carol, enquanto abre a porta para que possamos entrar.

Por incrível que pareça, a casa não está revirada ou arrombada, possui somente algumas teias de aranha no teto e um pouco de poeira nos móveis. A sala é bem simples, como achei que fosse. Um grande sofá marrom está escorado na parede, assim como grandes pufs de variadas cores. Há cortinas nas janelas, então nem precisamos usar nada para tampá-las. Parece uma casa aconchegante, a família que morava ali devia ter sido muito feliz.

A cozinha possui um fogão, onde Carol prepara uma nova mamadeira para Judy e esquenta nossos entalados. Desde que saí do orfanato, tudo que como parece ter gosto de plástico, já que não há onde esquentar minha comida e a maioria delas são vencidas. Graças a Deus, o enlatado que Carol prepara tem gosto de enlatado, pela primeira vez em um século.

Comemos nossa comida em silencio e depois todos nós dormimos no sofá e em colchões que Tyreese trouxe dos quartos. Mesmo depois de implorar para que me deixassem fazer algo útil, como ficar de vigia, não me deixam, já que minha cara não é das melhores e preciso descansar. Desisto de discutir assim que Carol pede, em um tom muito doce, para que eu durma o máximo que puder. Nunca uma pessoa teve tão influência na minha minha vida como ela, parece que é só ela dizer uma coisa que eu acabo cedendo.

Em vez de dormir, como Carol me pediu, fico deitada e pensando na vida. Será que, pela primeira vez, eu vou ter a chance de ser feliz em uma família? Claro que é meio impossível viver normalmente hoje em dia, mas só de fazer parte de um grupo onde as pessoas querem o meu bem já é bom de mais pra ser verdade. Resolvo dormir logo e rezar para que essa realidade que estou vivendo não seja um sonho onde logo, logo irei acordar.

Notas finais
E aí? O que acharam? E essa relação mais familiar que a Cath está tendo com a Carol, e também com Judy? Comentem por favor, eu não mordo :3