Walkers (Hiatus)
5 I trust you
Notas iniciais
*Narrado por Carl
Depois de muito andar, acabamos encontrando um pequeno vilarejo. Ele era perto do Terminus, mas não fazia muita diferença. Estávamos cansados, sem comida, com poucas armas e também já estava de noite. Nossa única escolha era ficar por ali mesmo. Escolhemos uma casa mais afastada possível e ficamos todos juntos. Não seria bom se perder de mais um grupo.
—Fiquem aqui enquanto eu dou uma olhada — disse Daryl. Ele era o único que não estava com uma arma de fogo então atrairia menos zumbis, caso tivesse que acabar com mais um ali dentro.
Ficamos esperando enquanto ele voltava, em silencio. Barulho atrairia os zumbis, mas não era só isso. Estávamos todos muito tensos com o que tinha acontecido no Terminal.
—Eu ainda acho que eles vão vir atrás da gente — disse Michonne. Nunca tinha visto ela tão neurótica, mas no fundo todos nós estávamos mesmo. Por outro lado, já era comum ser perseguidos. Quando não eram por pessoas, eram por walkers.
Por mim eu já estaria longe de tudo isso, ''tudo’’ que eu digo são essas pessoas, esse grupo no qual estamos. Claro, são pessoas conhecidas, pessoas ''legais’’. Mas eu já sei me virar sozinho, sei caçar, sei usar praticamente todo tipo de arma, estaria bem melhor sem ninguém no meu pé, me dizendo o que fazer e o que não fazer. É incrível como ninguém percebe que eu não sou mais uma criança, não sou mais o garotinho de algum tempo atrás que perdeu a mãe, o mesmo garotinho que perdeu a irmã. Lembrar-me dela me deu uma tristeza. Quando Judy nasceu o primeiro pensamento que tive foi de que ela, de certa forma, tinha matado minha mãe, mas depois que eu a conheci melhor, depois que ela arregalou aqueles olhos e ficou olhando pra mim, eu percebi. Percebi que devia protegê-la de tudo, que devia ser o melhor irmão do mundo, mesmo no meu daquela confusão. Mas eu falhei, e agora ela está morta. Morta por zumbis, esses demônios. Se eu pudesse ao menos ter uma chance de ser o melhor irmão que ela podia ter... Mas isso agora é impossível.
—Tudo limpo — Daryl nos informou, e todos entraram na casa.
Como não tinha mais nada pra fazer, fui vedar as janelas. Tinha alguns tecidos e madeiras perto da escada, então as usei. Foi até mais fácil do que imaginei. Quando estamos fugindo de zumbis, nem fazemos isso porque é só fazer o máximo de silencio possível e bum, eles vão embora. Mas agora estávamos fugindo de pessoas (e zumbis, claro), que pelo que me pareceu, devem ser bem mais perigosas do que mortos-vivos.
—Precisamos de comida, e logo — bem pai disse, isso era bem óbvio, ninguém aqui era cego.
—Amanhã podemos caçar ou ir procurar em todas essas casas — disse eu. Mas eu tinha segundas intenções, EU queria ir também, pra que todos possam ver que eu posso ser útil em alguma coisa.
—Tudo bem, então amanhã iremos fazer isso. Michonne? — ele lançou um olhar cansado pra ela, que rapidamente entendeu.
—Claro, eu posso ir — ela me olhou e percebeu o que eu queria. Michonne era uma das únicas pessoas que me entendiam nesse mundo, eu tinha me apegado bastante a ela, era como uma irmã mais velha, uma heroína pra mim — Hum... Carl? Você pode vir comigo?
Por dentro eu soltava fogos de artifício, mas por fora estava sério.
—Posso né, não tem mais nada pra fazer aqui mesmo — disse ao mesmo tempo irônico e ao mesmo tempo sério.
—Michonne, acho que o Carl não está preparado pra sair assim. Por mais que eu confie em você, tem pessoas ruins lá fora, ele não saberia lidar com elas — pai, pai, sempre medroso, sempre pensado que vai acontecer o pior, sempre não confiando em mim.
—Rick, é claro que ele está preparado. Foi ele que nos tirou daquele lugar, o plano foi dele, ele soube lidar com aquilo melhor do que qualquer um aqui. E, de qualquer forma, eu vou estar lá, eu cuidarei dele mais do que a mim mesma. Te garanto. — disse ela
—Tudo bem, ele pode....
—PAI! POR FAVOR, ESSA É A MINHA CHANCE DE FAZER ALGUMA C....Espera, o que você disse? — eu ouvi direito isso? Não pode ser.
—Eu disse que você pode ir — disse ele com um sorriso

—É sério mesmo? — isso não podia estar acontecendo.
—Sério. Eu agora confio em você, Carl. Depois do que você fez no Terminus, eu percebi que você cresceu, percebi que agora você consegue fazer muitas coisas sozinho, mas por favor, tome cuidado. Eu não quero perder mais ninguém.
—Obrigado!!! — disse já o abraçando — Não vou te decepcionar.
E depois desse milagre que aconteceu na cabeça do meu pai, fomos dormir porque amanhã seria um dia longo. Só não sabíamos o que estava por vir no dia seguinte...
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