Wake Me Up
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Notas iniciais
Os últimos dias no hospital foram duros, ninguém iria conseguir ficar mais tempo naquele lugar infernal, minha mãe mesmo já estava definhando na poltroninha do lado da minha cama e, afinal, não havia mais motivo para eu estar ali. Já faziam 1 mês e meio e, bom, minha memória estava muito bem, obrigada, só não queria voltar pro meu cérebro no momento. Os arranhões já estavam quase que completamente sarados, algumas poucas cicatrizes que um bom pó poderia esconder e, voilà!, aqui estou eu pronta pra viver com um ser humano normal outra vez, qual o grande problema?
Fazendo um pequeno resumo: eu, Rachel Berry, muito cuidadosa pra meu próprio bem, peguei meu carro recém consertado — talvez não tão consertado assim, ainda não existe um consenso sobre isso — e resolvi dá uma voltinha em New York, em um noite muito muito fria. Por algum motivo eu estava distraída demais pra ver um ônibus se aproximando de mim em um cruzamento, então, como manda as leis das física, fui arremessada longe. A coisa foi bem feia, meu carro ficou em frangalhos e eu bati forte a cabeça. Apesar de todo o transtorno e alguns dias em coma, eu acordei ótima e minha mãe se explodiu em lágrimas quando eu a acordei no meio da noite dizendo que estava com sede. Demorou algum tempo pra perceber que ainda tinha alguma coisa errada.
Primeiro que eu não recordava de nada do acidente, nem mesmo que ele aconteceu pouco depois do ano novo, pra mim ainda era verão e eu tinha uma viagem combinada pra LA pra curtir as férias com a Quinn dali a alguns dias. Segundo porque bem, quando um cara grande, muito grande, entra no seu quarto lhe chamando de amor, lhe abraçando e sua reação é gritar por socorro e fazer um escândalo, alguma coisa está muito, muito errada. Quer dizer, o cara era um gato, mas em quem se pode confiar nesses dias? Pior ainda quando você descobre que o cara gato não é só gato por ser gato, ele é seu namorado! Tipo, eu moro com ele. Mas eu não lembro nem do nome dele. Foi aí que as coisas começaram a piorar. Foi um alarde e, depois de algum tempo, descobrimos que eu tinha perdido minha memória recente. Eu ainda lembrava da minha família, dos meus amigos de infância, mas os últimos anos haviam simplesmente sumido. Não estava claro em qual ponto eu havia parado de lembrar (não sei se pode-se dizer assim), mas o marco ficou sendo o Finn, o cara gato. Se eu não lembrava dele, que pelo que me dizem eu conheci a uns dois anos, mas lembrava da Mercedes, com quem trabalho a quatro, nesse meio tempo eu parei de lembrar.
E foi isso. Fiquei no hospital mais alguns dias, mas nada nem ninguém fez com que minha memória voltasse. Minha mãe insistia em me manter ali, mas os médicos diziam que não havia muito o que fazer, não havia data certa pra minha memória voltar. Podiam levar dias, meses, anos... Talvez nunca voltasse. Era tudo relativo. Eu sentia falta de sair, de ver meus amigos, de Quinn — que nem se dignou a me visitar, mas eu amo mesmo assim -, de viver! Eu sempre fui uma pessoa totalmente livre e maluca, ficar confinada naquele hospital estava me matando mais do que o acidente. Por fim minha mãe concordou que eu fosse pra casa, e foi aí que as coisas começaram a ficar estranhas...
Na minha cabeça eu iria pro meu pequeno e lindo apartamento caixa de sapato, mas pra minha surpresa, ele não existia mais. Quer dizer, ele até existia, só que não era mais meu. Como eu disse, eu morava agora com o cara gato, então tecnicamente ir pra casa significava ir pra casa dele também. Eu não quis concordar no início, afinal, vai saber quem é esse cara, gente bonita também pode ser maluca. Mas os médicos insistiram que talvez fosse melhor, que voltar ao que era antes minha rotina talvez me fizesse recordar das coisas mais rápido, só alguns meses ou até quando me sentisse confortável. Então, para não dizer que não tentei, acabei aceitando. E, novamente, foi aí que as coisas começaram a ficar estranhas.
– Bem vinda de volta, Rach!
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