Wait Me Forever...
4 O Que Os Sonhos Podem Nos Dizer
Notas iniciais
Nesta parte da história, vou esclarecer algumas dúvidas e lançar outras a vocês, mas que logo serão sanadas ao longos do próximos capítulos.
Espero que Gostem!
Já passava das 18:00 horas quando Marianne e Legolas deixaram Green Valley na direção de sua casa. Ambos passaram um bom tempo ao lado de Margareth que lhes contara variadas história sobre os dias em que ainda estava "na ativa".
Marianne adormecera logo após escorar-se no banco macio do automóvel, Legolas tomara a direção do carro (o elfo tivera algumas aulas de direção devido ao fato de ter de aparentar ser um homem comum), a visão apurada e os reflexos rápidos fizeram-no um "az" do volante.
Por repetidas vezes o filho de Thranduil desviara os olhos da estrada a sua frente para admirar a dama a seu lado, os lábios entreabertos enquanto esta ressonava levemente, os cabelos castanhos caídos por sobre o rosto, as mãos enlaçadas sobre o colo.
Um barulho agudo pegou-o de surpresa, o celular de Mary tocava insistentemente e não precisava-se olhar o ecrã do aparelho para saber que tratava-se de uma ligação de Suzan. Com a mão livre Legolas segurou o celular junto a orelha.
- Que história é essa de marcar uma consulta com meu pai? — perguntava a moça em tom acusador
- Suzan, aqui é Legolas, creio que Marianne não possa atender-lhe no momento — respondeu o elfo
- Ah! Desculpe-me Legolas, como minha amiga está? — tornou a perguntar a moça rindo suavemente
- No momento está dormindo, mas ela deu-nos um grande susto — comentou olhando de soslaio para o lado a menção de um breve movimento de sua esposa — Mary teve uma indisposição estomacal, ela crê ser apenas uma crise de labirintite.
- Mesmo assim é importante ter o diagnóstico de um especialista, não fique preocupado meu pai é um ótimo-médico — elogiou Suzan — conte comigo se algo ocorrer.
- Obrigado Suzan, transmitirei sua ligação a Marianne quando ela acordar.
- Tchau.
- Adeus — tornou a guardar o aparelho no bolso interno da camisa vislumbrando a entrada de sua casa já perto
Os pneus rasparam vagarosamente nos azulejos claros que preenchiam o interior da garagem, Marianne espreguiçou-se soltando um bocejo que fez o marido rir enquanto retirava a chave da ignição.
- Por quanto tempo dormi? perguntou a moça sonolenta
- Todo o trajeto da casa de sua avó até aqui — respondeu-lhe o elfo debruçando-se sobre a morena e depositando-lhe beijos nos lábios — Suzan ligou.
- Mesmo? Nem ao menos ouvi o celular tocar — comentou surpresa deixando o inteiror aconchegante da Ford Ranger e sentindo o vento gelado tocar-lhe as faces
- Perguntou-me como estavas — transmitiu Legolas envolvendo a cintura da jovem e aconchegando-a junto a si
- Suzan e suas preocupações — bufou Mary destrancando a porta da frente e procurando o interruptor — já estou melhor, para falar a verdade, estou faminta!
- Pois bem, hoje eu serei seu cozinheiro particular milady — o elfo fez-lhe uma reverência ao que a esposa respondeu com risos — mas já aviso-te que o custo será alto.
- Ah é assim? — perguntou a morena sentando-se no sofá e cruzando os braços sobre o peito — Só digo-lhe que espero a melhor comida do mundo, se há de cobrar-me.
- A senhora é quem manda — aquiesceu Legolas sorrindo
Ambos sentaram-se junto ao tapete da sala para saborear um delicioso capelet, a lareira fora acesa e exalava um suave aroma oriundo das lascas de canela utilizadas para atiçar o fogo.
O casal divertia-se, após algumas taças de vinho e depois de lavarem a louça subiram para o quarto. Marianne agarrou-se ao marido a menção deste de abrir a porta, sem desgrudarem os lábios caíram sobre o tecido felpudo da colcha.
Uma boa dose de risos irrompeu-lhes quando despencaram pela beirada do móvel, Legolas sentou-se com as costas escoradas a parede, com a mão livre afastou os cabelos das faces rosadas de Mary.
- Acho melhor pararmos por aqui — falou o elfo
- Desta vez tenho de concordar com você — a moça bocejou — não sei de onde vem este sono que me toma!
- Durma, amanhã temos um compromisso — falou-lhe o marido em tom autoritário porém brincalhão
- Sim mom capitão! — debochou a moça
Minutos depois, a doce Guardiã da Terra Média repousava no peito de Legolas enquanto este acariciava-lhe as madeixas castanhas cantando com sua voz potente uma bela canção.
A moça adormeceu sendo embalada por sonhos, porém estes
podem mostrar-nos mais do que realmente desejamos ver...
SONHO ON
"Havia uma bela dama, que balançava-se suavemente num alvo balanço de cordas tramadas por ramos de flores amarelas, esta tinha entre os braços desnudos um pequenino embrulho. Ela sorria ternamente enquanto o pequenino bebê esticava os braços para tentar tocar-lhe as faces."
"Um jovem elfo de longos cabelos dourados aproximou-se, beijou ternamente os lábios rosáceos da jovem esposa e dedilhou cálido o rostinho da criança. Marianne ergueu os olhos para seu marido, murmurando-lhe o mais puro EU TE AMO que Legolas já escutara e então tudo tornou-se escuridão..."
"Orcs cingiam a cintura da Guardiã que gritava em puro desespero sem nada poder fazer contra os braços do inimigo, Legolas também permanecia impotente ao passo que uma figura encapuzada sumia com sua pequena filha nos braços."
SONHO OFF
Marianne acordara com o estrondoso trovão a retumbar lhe nos ouvidos, os olhos marejados e o tremor que lhe percorria o corpo não foram causados pela tenebrosa tempestade que principiara-se no lado de fora das janelas.
Abraçou o ventre entre soluços e arquejos, sentiu os braços do marido envolvendo lhe num carinhoso abraço, Legolas sentira a moça estremecer e a preocupação preenchia lhe o coração.
- Ata asya (Mais uma vez conforto-te) — sussurrou o Sindar erguendo o rosto da jovem apenas para ver as lágrimas que banhavam a face antes risonha — tir mir raica órenya (observo algo errado dentro de teu coração).
- Descobri o que há de errado comigo Legolas, e ao mesmo tempo que isto alegra-me também preocupa-me — respondeu a moça um pouco mais calma sorrindo ao elfo e tomando-lhe uma das mãos
Legolas franziu o cenho enquanto observava a esposa pousar lhe a mão sobre o ventre, os olhos turquesa do filho de Thranduil arregalaram-se ao sentir um sopro de vida no contato de sua pele contra a de Marianne.
- Mas o que...
- Estou esperando um filho teu — respondeu entre risos — fruto do nosso amor.
- Alcarinqua anna (Radiante presente) — respondeu ele com lágrimas nos olhos — Agora sou um homem completo e agraciado, agradeço-te por dar-me tal dádiva!
Beijou as mãos da companheira, encostando a cabeça no ventre de Mary em completo júbilo, a donzela sorria de pálpebras cerradas, logo após foi engolfada por beijos fervorosos do elfo.
- Ainda sinto tua alma distante Mary, conheço você muito bem — volveu o marido — o que há?
- Sinto que esta criança (a moça abriu um belo sorriso que logo após desfez-se), corre perigo...
- Não digas mais nada, protegerei os dois com minha vida, se assim eu puder — declarou o Sindar resoluto — ficarei ao teu lado até o fim.
- Amo você — murmurou Marianne
Num lugar não muito distante, um solitário hobbit sentado a varanda de sua casa observava as estrelas, mais uma vez sentia o ombro esquerdo a formigar-lhe e sabia que isto não era um bom presságio.
- Senhor Frodo? — perguntou o amigo aproximando-se a passos cadenciados — O que há com o senhor? Estava tão feliz durante a ceia e agora pareces preocupado.
- É a ferida Sam — respondeu o moreno sem desviar os olhos dos céus — está incomodando-me novamente, creio não ser um bom sinal.
- Pode ser apenas uma lembrança — objetou Samwise sentando-se ao lado do amigo — vamos Senhor Frodo, Rosinha estava gostando muito de suas histórias.
- Tudo bem Sam, vá na frente — concordou o sobrinho de Bilbo vendo o companheiro desaparecer
O coração inquieto lhe punha duvidoso e seus olhos tornaram-se marejados, sabia que tinha de pedir ajuda e que o mais breve possível recorreria ao único em quem ainda podia pedir conselhos...Gandalf.
***
Kendhra caminhava vagarosamente por entre folhas que acumularam-se no solo, nuvens negras disputavam lugar nos céus e a Dunedáin sentira o vento úmido bater-lhe nas faces.
Chegou até a pequena e estranha casa, alojada entre alguns troncos de carvalho cobertos de musgo esverdeado, um mago castanho esperava-lhe a porta, ouriços cercavam-lhe os pés e um tordo volitava ao redor de seu chapéu.
- Onde esteve? — questionou Radagast ao que a jovem riu
- Na casa de Margareth Tolkien — respondeu ela — o que ocorreu para deixa-lo tão cismado?
- Sabes que a Floresta Verde está novamente adoentada, portanto não quero-te caminhando sozinha por estes prados, principalmente a noite!
- Tudo bem, não acreditava que estarias a esperar-me na porta — declarou
- Estou aqui pois vamos aos Salões de Thranduil — esclareceu o Istari já operando seus passos rápidos na direção do Rio da Floresta — e peço-lhe que não fales nada que possa ofender o rei.
- E por que crês que eu falaria? — tornou a perguntar Kendhra
- Ora Kendhra! Conheço-te como conheço qualquer uma destas árvores e animais! Sei que tens um gênio forte...
Ambos continuaram sua conversa até chegarem aos portões, uma altiva elfa ruiva aguardava-os de olhos atentos.
- Harya mára lómë Aiwendil (Boa Noite Radagast) — saudou Tauriel de modo levemente desconfiado
- Harya mára lómë Tauriel (Boa Noite Tauriel) — respondeu-lhe o Istari Está é Kendhra.
- Mae Govannen (Bem vinda) — tornou a elfa — Meu senhor os aguarda.
Seguiram por uma infinidade de galerias subterrâneas que apesar de localizarem-se muitos metros abaixo da superfície exalavam tênue luminosidade.
Curvado sobre uma mesa, Thranduil estudava cuidadosamente o mapa que lhe haviam trazido, o elfo não conseguia entender o modo como aquela horrenda sombra alastrara-se sobre sua Floresta sem ser notada.
- Aran nin (Meu rei) — anunciou Tauriel tomando a atenção do pai de Legolas
- Ah, que bom que não demorou-se Radagast, preciso de alguém para ler este mapa — disse-lhe o Sindar sem nem ao menos notar a figura que acompanhava silenciosamente o mago
- Trouxe-lhe então a pessoa certa para esta tarefa — esclareceu o Castanho dando passagem a Kendhra — esta é minha filha adotiva, Kendhra.
- É um prazer conhece-lo Senhor — apresentou-se ela com uma vênia
- Ah! Então esta é a moça que resgatas-te em Valle — o elfo fitou-a com suas orbes azuis
A moça sentiu-se despida diante do olhar de tão altivo rei, o frio que lhe percorreu a espinha provinha daquele gélido olhar que no entanto continha um calor desconhecido e arriscado.
- Sim e esta jovem tem a capacidade da qual necessitas para ler o mapa que tens em mãos — concordou Radagast aproximando-se
A Dunedáin debruçou-se sobre os diversos papéis, dedilhou o material áspero e amarelado franzindo a testa num esforço sobre-humano, havia magia protegendo as verdadeiras informações contidas naquele documento.
- Há magia aqui — ergueu então o papel colocando-o contra a luz — quem deu-lhe isso?
- Foi encontrado próximo a entrada de nossas terras, Alagos trouxe-me — respondeu Thranduil ainda analisando a morena
- Posso sentir que há algo oculto — deduziu Radagast olhando de soslaio por sobre o ombro de Kendhra
- Faltam espaços e localizações. Aqui posso ver a curva do Beirágua, no entanto olhando por outro ângulo parece-me o Vau do Bruinen — a moça soltou um suspiro — não consigo compreender o que alguém faria com tal documento...
- Talvez seja a hora de recorrermos a Gandalf — sugeriu Radagast resoluto
- Em hipótese alguma! — rugiu o rei tomando o papel das mãos de Kendhra de modo rude — Não antes de meus melhores cartógrafos examinarem-no!
- Ora raios! Não entendes-te que este documento que acabas de arrancar-me das mãos provém de alguém que opera magia? O que achas que vais conseguir mostrando o documento a cartógrafos? — volveu a dunedáin já perdendo a paciência que lhe restara
- Engula estas palavras! Estás na presença do rei e não de um simples vassalo! — o elfo agigantou-se sobre a jovem empurrando-a contra a mesa
- Solte-me! Não sou sua propriedade e já estou farta de teus chiliques! — a morena desvencilhou-se e saiu batendo os pés na direção da saída
- O que ensinas-te a esta moça? Certamente não foram bons modos — estremeceu Thranduil
- Ensinei-a bons modos com toda a certeza, porém esta educação não posso dar ao senhor que acaba de perder a única pessoa que lhe poderia ajudar — o mago abrandou os nervos do elfo — com sua licença.
O filho de Oropher tornou a praguejar em voz baixa, encheu um polido cálice com o mais puro vinho que recebera nos últimos anos e sentando-se ao trono pensou nos estranhos sentimentos que a jovem Kendhra lhe causara.
- Não posso deixar-me levar por esta mulher — bufou entornando o cálice e sorvendo de uma única vez a bebida rubra
Notas finais
Espero que tenham gostado!
Bjoss
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