Wait Me Forever...

5 Um Novo Conselho se Forma


Notas iniciais
Tenho plena consciência de que não existem palavras para desculpar-me pelo tempo em que fiquei sem postar, mas mesmo assim peço-lhes desculpas.

Estive as voltas com provas e mais provas além dos típicos trabalhos de escola que os professores insistem em realizar.

Desde já agradeço pelos comentários e saudo os novos leitores!

Espero que gostem do capítulo, sei que ficou um pouco extenso, mas deveria compensar a falta de zelo que tive para com vocês caros leitores!

Arwen acordara cedo naquela manhã, os olhos da elfa abriram-se vagarosamente apenas para vislumbrar seu marido embalando suavemente o pequeno Eldarion nos braços.

Aragorn lançou-lhe um sorriso radiante passando o filho aos braços da mãe, o rei de Gondor depositou um cálido beijo nos lábios da esposa, trocou as vestes e desceu para a sala do trono onde começaria sua rotina.

A filha de Elrond também aprumou-se, levando o fruto de seu amor com o nobre filho de Arathorn para passear nos jardins da cidadela branca, sentou sob os galhos frondosos da Árvore branca.

Cantarolando baixo, a mais bela entre as donzelas de Gondor fez com que Eldarion adormece-se então pondo-o cuidadosamente em uma bela manjedoura, pôde tornar a ler um grosso livro, o qual achara na biblioteca.

As muralhas da grande cidade dos homens estendiam-se em sete níveis, mostrando todo o esplendor e o poder representado pelos reis, cada nível dispunha de duas sentinelas, onde guardas ostentando lanças mantinham os olhos atentos aos visitantes que lá chegavam.

Naquela dita manhã, um pequeno grupo de distintas e esbeltas criaturas chegara aos portões, em sua dianteira estava Elrond Peredhil (pai de Arwen e senhor de Imladris), o meio elfo trazia a crescente preocupação que propagara-se pela Terra Média estampada em seu semblante.
Acompanhando a marcha silenciosa do pai, estavam Elladan e Elrohir, este último tinha um dos braços amparado por uma tala.

Após ser informado sobre a chegada do sogro, Aragorn correra para recebe-lo sendo acompanhado pela esposa.

- Mae Govanne Elrond (Bem vindo Elrond) — saudou-lhe o dunedáin com um rápido abraço — o que o traz aqui? Saudades de sua filha e neto?

- Certamente filho de Arathorn — concordou o elfo tomando a elfa nos braços — como estás minha bela?

- Melhor agora que posso ver-te Ada (Pai) — Eldarion choramingou em protesto, lançando os braços na direção do avô

- Não sentiu saudades de teus irmãos? — questionou Elrohir com um típico sorriso nas faces

- Mas é claro que senti — a esposa de Aragorn franziu as sobrancelhas ao ver o estado em que o irmão encontrava-se -
o que ocorreu?

- Fomos atacados por Orcs, estavam muito próximos a Passagem Escondida — esclareceu Elladan em tom soturno — não consigo imaginar um motivo para tal aproximação.

- Estes ataques e inquietações que trazem-me até teu reino, precisamos falar — esclareceu Elrond

Os elfos seguiram os senhores de Gondor até o salão principal onde puderam então bebericar um pouco de água e beliscar alguns petiscos.

- Deves ter notado que uma nova e pestilenta sombra toma a Floresta Verde — comentou Elrond após uma longa pausa em que devolvia aos braços da filha a criança que lhe era herdeira — o mal pesteia o ar e Orcs voltaram a aparecer por estes prados.

- Sim, tivemos alguns relatos de Éomer sobre pequenos grupos de Orcs vagando na direção de Isengard. Faramir também afirma ter barrado a passagem de tais criaturas através do Anduin — aquiesceu o filho de Arathorn

- O que os motivaria a reagruparem-se? Quem os estaria a instigar? — questionava-se Arwen a um canto

- Isto é o que embaralha meus pensamentos, há a necessidade de discutirmos sobre este tema — sugeriu Elrohir

- Um novo conselho deve ser formado — sugeriu Elladan — como o que ocorreu nos tempos em que um Necromante apareceu em Dol Guldur.

- E onde reuniríamos? — questionou Aragorn

- Na fazenda de Margareth Tolkien, afinal ela é detentora de grande parte da história deste mundo — respondeu-lhe Elrohir — e assim também poderemos rever Marianne e Legolas!

- O quanto sinto falta de minha cara amiga — murmurou Arwen

- Legolas também me foi um ótimo conselheiro — confirmou Aragorn em tom pensativo — quando partiremos?

- Ao anoitecer — concordou Elrond — por hora, aproveitarei o tempo que ainda tenho com meu neto.

Eldarion retornou aos braços do avô, que cuidou de observar atentamente os traços de seu querido neto, pois em seu íntimo o elfo sabia que poderia ser uma das últimas vezes que o veria.

***

Scadufax mantinha um ritmo acelerado, o mago que lhe servia como carga tinha de segurar seu surrado chápeu cinzento para que este não fosse carregado pelo vento.

Alatar e Pallando apressavam-se para acompanhar o mago que lhes servia de guia, os irmãos azuis nunca haviam participado de uma reunião como aquela e portanto sentiam-se extremamente lisonjeados por tal.

- Gandalf! Vá mais devagar! Você não é o único que perderá o chapéu se continuar nesta velocidade! — grunhiu Alatar

- Meu caro, devemos nos aligeirar! Já estamos praticamente atrasados — argumentou o Istari observando as estrelas

- Se perder meu gorro azul, encontrar-me-a um novo! — objetou Pallando rindo

Logo os três descendentes dos Maiar puderam observar um grupo de cerca de dez elfos adornados com reluzentes armaduras, no centro destes encontrava-se o rei de Gondor.

- Mithrandir! — saudou-lhe Aragorn num abraço — Há quanto tempo não vemo-nos!

- Estás certo Aragorn, há tempo não tornamos a nos ver — concordou o mago branco como estão seu filho e esposa?

- Ambos bem, mas Arwen permaneceu em Gondor a contragosto — o Dunedáin sorriu — a cidade precisa de uma liderança em minha ausência.

- Chegaste encima da hora Gandalf! — Elrohir ria fazendo agitar-se o braço ferido

- Creia em minhas palavras meu amigo elfo Pallando acendeu um comprido cachimbo — viemos o mais rápido possível.

- Tão rápido que quase perco meu chapéu — complementou Alatar parecendo profundamente aborrecido a alisar as abas de seu chapéu azul

- Pois bem, já que estamos todos aqui, começaremos nossa jornada — decidiu Elrond por fim — Margareth nos aguarda.
***

Marianne ressonava ao peito de Legolas, este observava o sono da esposa zelando-lhe os sonhos. O sorriso da noite anterior não lhe fugira dos lábios, a notícia de que teria um filho lhe era ao mesmo tempo estranha e entusiasmante.

O Sindar calculara que àquela hora, já haviam perdido a consulta agendada por Margareth e não apresentava nenhuma vontade de despertar a bela dama.

Um ruído que já lhe era reconhecível, foi facilmente detectado pela apurada audição. O leve roçar de pneus contra a entrada da casa lhe alertou para a presença de visitas.

O elfo direcionou-se para a porta de frente já pressentindo a identidade do matutino alento, Suzan apareceu-lhe encasacada dos pés a cabeça, uma toca lhe cobria a cabeça loira, pequeninas nuvens de vapor escapavam-lhe pela boca.

- Po-po-pposso ent-t-trar? — perguntou a jovem batendo o queixo freneticamente

- Mas é claro Suzan — riu-se Legolas — afinal, o clima não está nem um pouco convidativo para se ficar aí fora.

- Nisso você tem razão — concordou a moça — Mary não foi até a consulta, ela ainda está dormindo?

- Sim, mas creio que consultas não serão necessárias. Marianne já descobriu o porquê de seu mal estar.

- Como assim já descobriu? — quis saber Suzan deixando aflorar seu lado investigativo

- Creio que vocês mulheres saibam reconhec...

- Não me diga que ela está grávida?! — exasperou-se a moça dando uma boa dose de abraços no elfo — Parabéns! Isso é realmente incrível!

- Suzan? — Mary apareceu ao topo da escada com um profundo bocejo — Por que raios está agarrando meu marido?

A jornalista nem ao menos esperou que a amiga galga-se os degraus, subindo até o encontro da Guardiã e enchendo-lhe de abraços carinhosos.

- Meus parabéns!

- Meus Deus Suzan! Pare de me apertar deste jeito! — protestou a morena entre risos — Está me parabenizando pelo que exatamente?

- Ora bolas Marianne! Você vai ser mãe! É claro que vou ser a madrinha, afinal já sou madrinha de casamento e...

- Espere, você já sabe? Contou a ela? — perguntou a jovem ao marido

- Acredito que Suzan tenha deduzido — defendeu-se o elfo

- Muito bem Srta. Jones, aí está você descobriu meus segredos — confirmou Mary em tom soturno — mas o que me intriga é o motivo que a trás até aqui.

- É uma longa história suspirou a loira — e que será melhor contada se durante um bom café da manhã, creio que ainda não tenham tomado o desjejum.

Os três encaminharam-se para a mesa de café, o qual
Legolas fez questão de preparar (sob protestos de ambas as moças que quiseram ajuda-lo), as amigas pareciam não ver-se há séculos e os assuntos sobre os quais discutiram foram vários, no entanto não irei delongar-me sobre.
Após devidamente alimentados, sentaram-se em torno da mesa de centro da saleta de estar, Suzan mordiscava o lábio inferior, gesto que Marianne conhecia, pois denunciava a ansiedade e preocupação de sua amiga.

- Vamos Suh, diga-nos o que houve. — pedia a guardiã de modo suplicante

- Vim para avisar a vocês que haverá uma reunião na fazenda de sua avó — esclareceu a loira — um encontro entre magos e governantes, no qual objetarão sobre os fatos das últimas semanas.

- Foi bom ter avisado-os, este é um assunto que está a nos confundir a mente — agradeceu Legolas lançando um cúmplice olhar a Mary

- Realmente será uma boa oportunidade para esclarecer algumas dúvidas — concordou a jovem

- Então é melhor apressarem-se, a não ser que queiram chegar atrasados — adiantou-se Suzan levantando de salto

A editora chefe do principal jornal de Toronto serviu de motorista ao casal, o humor de Suzan havia variado após conhecer Éomer, pois a tez tristonha e melancólica fora deixada de lado devido a alegria que a invadia ao avistar o Marechal dos Cavaleiros.

Mary permanecia escorada ao corpo de Legolas, que lhe acariciava os sedosos cabelos castanhos, o elfo sentia a mesma aflição que percorria o corpo da Guardiã, não tiveram tempo para comemorar a notícia da gravidez da bisneta de Tokien sem que uma nova ameaça surgisse-lhes no horizonte.

A beira da estrada, uma figura alta e robusta tomou-lhes a visão, suas vestes refletiam a luz do sol com uma incidência desnorteante. Suzan pisou fundo no freio e os pneus de seu carro cantaram no asfalto fazendo com que o veículo girasse 180º graus.

- Mas que diabo é isso? — questionou-se Srta. Jones
saltando do carro e encaminhando-se para a estranha figura

No entanto, o sorriso da moça não poderia ser maior ao reconhecer o homem como Éomer, este ricamente trajado com uma prateada armadura, o Marechal dos Cavaleiros curvou-se para beijar os lábios pedintes de sua amada.

- Senti falta de teu cheiro, teu gosto, teus olhos — murmurava o irmão de Éowyn

- Senti mais contrariou Suzan teimosamente — quase fez-me causar um acidente! — deu-lhe um tapa no ombro

- Desculpe-me, quem estás transportando? — questionou o loiro estreitando os olhos para enxergar o interior do carro

- Marianne e Legolas, creio estar indo para o mesmo local para onde vamos. A fazenda de Margareth Tolkien é o local de encontro escolhido.

- Exatamente, mas antes de seguirem, gostaria de rever meus amigos — pediu o sobrinho de Théoden

- Vamos — puxou-lhe a moça pela mão

Marianne já havia saído do carro, Legolas ficara tenso até perceber que não tratava-se de nenhum tipo de ameaça. O sorriso estampado e refletido na face do casal era o mesmo que manchava o rosto nobre de Éomer.

- Meus caros! Não sabem o quanto lhes senti falta! -declarou o homem envolvendo ambos num abraço

- Também sentimos tua falta Éomer — concordou o elfo

- Você anda sumido, ou só tem ido ver a Suh — a guardiã argumentou

- Não cobre-me, afinal estar ao lado da mulher a quem se ama é fundamental para o homem apaixonado — rebateu ele agarrando-se a cintura de Suzan que soltou uma breve risada

- Estavás indo a casa de Meg? — perguntou Legolas

- Sim, mas como já estou acostumado a estas estranhas máquinas de locomoção — disse o Rohirrim dirigindo-se ao carro — reconheci o automóvel como sendo pertencente a minha bela dama.

- Muito bem, com esta surpreendente abordagem nós já perdemos o início da reunião — falou Suzan conferindo seu relógio de pulso

- Temos de continuar — concordou Mary sentindo o estômago a agitar-se novamente

A sala de estar de Margareth nunca estivera tão abarrotada, a pobre senhora andava de um lado para o outro tentando atender a todos os visitantes da melhor forma possível. Robert viera trazendo uma espevitada e cada vez mais falante Alícia, que já andava aos calcanhares de Merry e Pippin.

Frodo e Sam conversavam animadamente com Gimli e Glóin (este sentia-se incomodado com a súbita presença de Thranduil), enquanto os outros dispunham-se de canto a canto ocupando todos os espaços possíveis da ampla saleta.
Kendhra permanecera preparando alguns refrescos na cozinha na companhia do pai de Marianne com o qual mantinha uma bem-humorada conversa.

- Morro de saudades de Mary, mas o que posso fazer? Não poderia impedir que ela viesse morar aqui, não queria interferir-lhe na felicidade — discutia o homem terminando a preparação de alguns petiscos

- Ela sente-se bem perto de Dona Meg, além disso tem uma relação muito especial com a Terra Média — aquiesceu a moça sorrindo

- Tem razão. Vou levar estes sanduíches até a sala, volta já — disse-lhe o gentil homem com uma bandeja repleta de coloridos e convidativos sanduíches

Kendhra riu-se. Aquele simpático homem lhe fizera esquecer por alguns breves instantes sobre o delicado incidente ocorrido na noite anterior.

A dunedáin bufou, batendo com os nós dos dedos na pia, a empáfia com que fora tratada nos Salões de Thranduil lhe pusera em profunda indignação.

Um pigarro abafado fê-la virar-se e a donzela só não tornou a esmurrar a pia pois a proximidade com o intruso impedia-a de realizar movimentos bruscos.

- O que vieste fazer aqui? — grunhiu ela

- Ora não venhas receber-me com quatro pedras em cada mão! — esbravejou Trhanduil — Venho aqui para redimir-me pelo ocorrido na noite passada e tu tratas-me como a um nada!

- Redimir-te? — Kendhra deixou a raiva em sua face desvanecer gradativamente

- Sim...peço-te perdão — as palavras pareciam requerer grande esforço do elfo

- Aceito tuas desculpas, na verdade ver que tiveste a boa vontade de vir até mim já serviria — a morena deu as costas ao Sindar rindo com escárnio

- Ah claro! Pode tripudiar-me — bufou o pai de Legolas tamborilando os longos e pálidos dedos no balcão pintado em pátina

- Realmente aqueles hobbits...Oh!Desculpem-me! — apressou-se a dizer Margareth ajeitando delicadamente o coque que mantinha os cabelos grisalhos em ordem

- Não desculpe-se, estás na tua casa sendo assim podes entrar onde quiseres — Trhanduil retirou-se do recinto ainda parecendo inquieto

- Kendhra, o que estava acontecendo aqui? — perguntou Meg curiosa

- Acabo de presenciar "Sua Majestade" descer de seu pedestal até o mundo dos mortais — respondeu em sátira — Thranduil veio desculpar-se comigo.

- Bem, considerando que o gênio daquele rei élfico não é dos melhores, pedir desculpas já é um grande avanço. Talvez o coração de Tharnduil esteja recomeçando a bater — objetou a senhora

- Meg! — protestou Kendhra encaminhando-se a sala com uma jarra de suco entre as mãos

***

Mary deitou a cabeça ao ombro de Legolas inspirando profundamente, os enjoos tornaram a atormentar lhe e o marido não sabia exatamente o que fazer para ajuda-la. O elfo tomou as mãos da esposa cantarolando baixo para acalmar lhe.

Suzan lançava olhares preocupados a amiga pelo retrovisor, sabia que havia felicidade no semblante de Mary, mas esta não mostrava-se suficiente para ocultar-lhe a inquietação.

A jornalista ultrapassou o portal de Valley, estacionando junto a varanda. Os três saíram do carro e logo foram engolfados por uma heroica dose de cumprimentos.

A saudade residia em todos os rostos e corações, A Sociedade do Anel estava novamente reunida (embora Faramir não estivesse presente em forma física, sua aura abençoava os amigos) e as histórias e felicitações eram várias.

- Mary! Será possível que consegues ficar ainda mais bela? — questionava-se Merry

- Meça as palavras Meriadoc, nossa Mary agora é uma mulher casada! — ralhou Peregrin

- Como queria vê-la Srta. Anne — saudou-lhe Samwise -Rosinha continua a cobrar-te uma visita.

- Desculpe Sam, ainda não consegui achar tempo para visitar vocês, mas prometo que irei — garantiu a jovem

- Pela graça dos Valar! Marianne, minha pequena! — Aragorn girou a moça no ar

- Aragorn! Não faça isso — aconselhou a jovem entre risos — Como estão Arwen e Eldarion?

- Bem, porém alguém tinha de tomar as decisões em Gondor enquanto estiver aqui — esclareceu o Dunedáin

- Parece que aquele elfo orelhudo só consegue os melhores prêmios não é? — brincava Gimli

- Nem sempre mestre Anão — respondeu Legolas rindo

- Minha querida, não parece-me muito bem — comentou Gandalf aproximando-se da Afilhada

- É apenas um pouco de enjoo — respondeu ela sendo amparada por Legolas

- Marianne? O que houve filha? — Robert acorria a moça de maneira preocupada

- Mary! Nossa, eu estava morrendo de saudades da minha irmã preferida! — gritou Alícia atirando-se aos braços da irmã mais velha

- Muito engraçado Ali, considerando que sou a única irmã que você tem — respondeu a jovem — senti a falta das suas comidas pai...

- Só das comidas? — perguntou o homem sisudo

- É claro que não — a jovem entregou-se a um abraço apertado

- Vão ficar tagarelando aí fora, ou começar este conselho? — ouviu-se a voz altiva de Margareth que tinha meio corpo para fora da janela da cozinha

***

A mesa fora ocupada da melhor forma possível, todos os lugares foram preenchidos, sendo que alguns integrantes tiveram de ficar em pé. Elrond sentou-se a cabeceira, a atenção estava concentrada nas palavras do rei de Imladris.

- Os tempos de paz parecem ter findado meus caros amigos. Uma nova sombra arrasta-se sobre nossas terras que por um curto espaço de tempo foram o recanto de grande tranquilidade — iniciou o elfo — Orcs e Wargs tornaram a aparecer, saques e pilhagens são empreendidos por estas criaturas e pelo que Radagast informou-me isto não é nem ao menos ao o começo de nossos problemas.

- As teias são agora comuns na Floresta Verde, há veneno por todos os lados, sombras movem-se na escuridão e Dol Guldur agita-se sobre a possibilidade de uma nova guerra — confirmou o mago Castanho

- Isto é possível? — questionou Frodo intrigado — Sauron foi destruído, o Um fora destruído e, no entanto o mal agita-se no âmago da Terra Média?

- Esta é uma das questões que nos atormenta Frodo Bolseiro — Gandalf ergueu-se — Alguém sucumbiu aos poderes negros de Mordor e eu dirijo agora uma pergunta a alguém especialista na arte das joias. Há maneiras de fazer um novo anel Glóin?

- Hipoteticamente...

- Sem delongas Glóin, a pergunta lhe foi clara, a resposta deve ser igualmente clara — desafiou-lhe Kendhra

- A possibilidade existe sim, porém é necessária uma fonte de poder extremamente grande para abastecer este novo anel de poder — o anão despejou sobre a mesa quatro pedras de cores distintas

- O que são estas pedrinhas? — Alícia pronunciou-se

- Estes são os fragmentos da pedra Arken, encontrada nas entranhas da montanha no tempo em que Trhor era rei sob a montanha — explicou o pai de Gimli com um brilho de orgulhos nos olhos — utilizando estas "pedrinhas", o inimigo poderia forjar um novo anel.

- A pedra foi enterrada junto de Thorin — objetou Margareth

- O túmulo de nosso líder foi profanado por algum verme há duas luas — grunhiu o anão ruivo entredentes — porém não conseguiram roubar-lhe estes artefatos, ao que tudo indica alguma poderosa magia impediu que a pedra fosse tirada de seu antro.

- Então temos a solução nas mãos meus caros companheiros — declarou Pippin acendendo seu cachimbo — guardamos as pedras e ponto final, sem guerras e principalmente sem Orcs!

- Não é tão simples assim, há outras formas de atingir-se o poder — pronunciou-se Alatar — o sacrifício de uma alma pura por exemplo...

Marianne ergueu os olhos num reflexo animalesco, as mãos pousadas no ventre e a expressão de horror nos olhos esverdeados, lágrimas escorriam pelas faces e Legolas abraçou-lhe os ombros.

- Mary... — pediu o elfo ao que a jovem levantou-se para abraça-lo

- Vai explicar-me agora o que está ocorrendo Marianne Greenleaf Greyhood! — exigiu Robert com as faces vermelhas

- Não queria contar-lhe desta forma, mas o senhor vai ser avô — respondeu a moça entre sorrisos e lágrimas

- O quê? perguntaram Thranduil e Robert em uníssono

- Estou grávida — confirmou a jovem

- Meu bem, parabéns! — gritou Margareth em júbilo

- Eu...minha filha — o pai correu para abraçar a morena

Thranduil deixou esboçar um sorriso de contentamento, deu breves tapinhas no ombro do filho e um abraço desajeitado na nora.

- Não entendo o que há de tão desesperador em ter uma criança — continuou Mariadoc

- O problema Merry, é que creio que esta criança seja a alma pura da qual Alatar falava — esclareceu a guardiã sentindo-se impune

- Um filho de uma poderosa guardiã e de um elfo sem dúvida será dotado de grande poder — concordou Elladan

- Creio que teremos de resguardar Marianne daqui para frente — objetou Elrohir

Mary apenas ouvia, ao passo que o conselho discutia sobre a sua vida e de seu filho (um inocente que nem ao menos nascera), Legolas envolveu-lhe o tronco num afetuoso abraço, entre os braços forte do elfo a jovem sentia-se realmente segura.

Por tal óptica, a bisneta de Tolkien pôde perceber a súbita mudança na expressão de Suzan, que escorada a janela esperava pela chegada de Éomer, o maxilar contraíra-se e os músculos tensos.

- Suh, o que houve? — interrompeu Marianne

- Creio termos companhia — a loira apontou para algo existente ao lado de fora da janela

Um grupo de wargs direcionava-se a casa, estavam cercando-todos os cantos pelos quais poder-se-ia escapar, Aragorn já estava de posse de sua espada que reluzia ao brilho fraco do sol que adentrava as janelas.

- Só pode ser uma brincadeira! E de muito mau gosto! -grunhiu Samwise de modo assustado

- Espero que tenhas trazido armas mestre elfo — provocou Gimli

- Nunca iria separar-me de meus apetrechos, porém deixei-os no carro — interpelou Legolas

- Tenho aqui aljava e arco — ofereceu Elrohir — não vou usá-los.

- Le hannon (obrigado), Mary é melhor que você não...

- Não diga-me nada, estou em plenas condições de defender a casa de minha avó e meu bisavô — brigou a filha de Robert resoluta

- Não acho que seja sensato lutar neste estado — objetou o pai

- Estou grávida e não doente — rebateu a moça — Tens alguma espada sobrando Kendhra?

- Tenho — concordou a dunedáin percebendo a irredutibilidade da jovem

- Esperem — pediu Frodo espremendo-se contra o vidro embaçado — não estão cercando a casa, estão correndo para o celeiro.

- Joe e Mark... — balbuciou Marianne saindo em disparada na direção da porta da frente com Legolas em seu encalço

***

- Estamos perdendo o grande conselho que Meg organizou — comentava Joe tornando a arrumar as pilhas de feno umas sobre as outras

- Ora pai, do jeito que aquela sala está abarrotada de gente... — Mark deu de ombros voltando a escovar o luzidio pelo de Trovão

Pheb agitou-se dentro da baia, as patas ficando-se na palha que cobria o chão de seu alojamento, as narinas infladas e as orelhas murchas denunciavam que algo estava errado. Trovão repetiu o gesto empurrando o jovem Mark para fora da baia.

- O que há com estes cavalos? — perguntava-se o caseiro

- Não faço a mínima ideia — o rapaz caminhou até as portas duplas que cerravam o recinto podendo notar que avultuadas figuras aproximavam-se — mas o que...

Não houve tempo para continuar, pois o pai havia-lhe puxado para dentro do imenso celeiro de Valley, fazendo-o subir por uma frágil escada de madeira até alçarem as vigas que davam sustentação ao teto.

Os uivos eram cada vez mais próximos e agourentos a medida em que os gigantescos descendentes de Draugluin chegavam, a cabeçorra negra do alfa apontou para o interior do estábulo.

Os cavalos estavam encurralados e também encontravam-se assim os pobres amigos de Marianne. Ao lado de fora a cena parecia ainda mais desesperadora, os lobos espumavam mostrando os dentes amarelados.

Uma flamejante ave traçou o ceu descendo em graciosas espirais na direção das criaturas, Mary agarrava as feras com as potentes garras, que lhes cravavam na carne causando lacerações.

A guarda élfica trazida por Elrond e Aragorn já surgia, armaduras e lanças reluziam ao pálido sol, as cordas de vários arcos zuniam em uníssono em uma bela e arriscada sinfonia. Kendhra era dotada de grande habilidade, por vezes escorregara por debaixo dos imensos lobos acertando-os pela retaguarda.

Legolas possuía uma mira certeira, não importando a distância a qual o alvo encontrava-se, o elfo estava movido pela vontade de proteger a esposa que nos ares lutava solitária.

Radagast agitava seu cajado lançando espirais de todas as cores para todos os lados, errando por milímetros a cabeça do pobre Glóin. Os wargs foram dissipando-se sendo assim mais fáceis de serem abatidos.

Marianne dirigiu-se ao principal membro do grupo, negro como a morte e possuidor de um brilho nefasto nos olhos igualmente negros, a bocarra escancarada deixava a mostra dentes que mais pareciam a cerrilha de uma faca.

As garras da Fênix erraram o animal que desviou-se com grande leveza, a guardiã atacou novamente e mais uma vez tivera a tentativa frustrada.

Legolas acompanhava atônito a luta de dois preciosos oponentes sem nada poder fazer, não tinha mais flechas e os outros estavam ocupados em ajudar os feridos.

Marianne ofegava, as asas tremelicavam e por alguns instantes tudo girou a seu redor, a ave perdeu o equilíbrio despencando na direção do solo a uma velocidade irrefreável.

- Mary! — gritou o elfo em desepero

Apenas um milagre poderia salva-la de tamanha queda, pois milagres existem e surgem aos mais necessitados nos momentos de maior desalento.

Tal milagre surgiu na forma de uma graciosa águia castanha que segurou gentilmente a jovem Greenleaf entre as garras afiadas, mantendo o cuidado de não feri-la.

Gwaihir não viera só, trazendo consigo duas outras companheiras, uma das quais encaminhou-se de capturar o único Warg restante, porém este já havia escapado.

Marianne foi posta ao solo, Legolas já corria na direção da esposa amparando-lhe a cabeça no colo e descobrindo lhe os olhos fechados, as pálpebras rosadas cerradas e imóveis.

- Acorde, por favor — murmurava o elfo

- Legolas, deve ter sido apenas um mal estar, é melhor levarmos ela para dentro — objetou Elrohir

- O filho de Elrond tem razão meu filho, a moça não estava sentindo-se bem quando chegou até este local — concordou Thranduil

- O que se passa? — perguntava Joe correndo mais do que as pernas lhe permitiam

- Mary?! — era o grito de Mark que também parecia em profundo desepero

- Está apenas desacordada — constatou Kendhra passando as mãos pelo rosto da outra — a pulsação não alterou-se e ela respira normalmente.

- Levem-na — ordenou Gandalf por fim

Notas finais
Mereço reviews e mais leitores?
Ou será que perdi total crédito depois desta pequena "sumida"?
Bjoss