Wait Me Forever...
21 A Guerra Começa - parte I
Notas iniciais
Marianne ofereceu xícaras fumegantes de chá para os jovens elfos sentados à sua frente. Haldir conversava sem parar, perguntando sobre o que se passara durante sua “ausência” e parabenizando o casal de amigos pela descoberta da gravidez. Rúmil e Orophim permaneciam calados, com as expressões fechadas nos belos rostos.
— Haldir, por favor, diga-nos o que os traz até aqui – pediu-lhe Marianne, sentando-se ao lado do marido.
— Lady Galadriel pediu que viéssemos. – começou ele, soltando a xícara sobre a mesa de centro. – No instante em que ouvi sua voz, soube que algo a afligia, nunca testemunhara tamanha apreensão tomar o coração de minha senhora.
— A esposa de Celeborn mandou os melhores guerreiros de Lórien para protege-los, pelo tempo que for necessário. – completou Orophim, com os olhos cinzentos pousados no rosto da guardiã. – A dama branca preocupa-se com a senhorita acima de tudo e todos, ainda mais agora, que está a esperar um filho.
— Quem protegerá as fronteiras da floresta dourada? – perguntou Legolas de cenho franzido, envolvendo a cintura da esposa com os braços e depositando-lhe um beijo no topo da cabeça.
— Elrond levou metade de sua guarda para Laurelindonórien. O senhor de Imladris cuidará, pessoalmente, que nenhum mal atinja os habitantes da floresta. – Rúmil alisava a corda de seu arco. – Galadriel pediu que orassem para os Valar e as Valier*, rogando por sua proteção.
Mary baixou os olhos para o tapete claro, pensando na gravidade daquelas palavras. Os Poderes de Arda eram seres de poder inimaginável, de importância igual a de Ilúvatar, cujas forças residiam naquele exótico e tumultuado mundo. Se necessitavam orar por suas bênçãos, significava que a situação era mais complicada do que imaginavam.
— Chamem os três grandes: Ulmo, senhor das águas; Manwë, senhor dos ventos e Aulë, mestre de todos os ofícios e senhor de todas as substâncias que neste mundo existem. Peçam, também, que Varda e Estë olhem por seus entes queridos, que não os deixem sós nestes dias tão delicados. – entoou Haldir, parecendo deixar-se levar por palavras que não eram suas, mas sim, de um ser muito mais poderoso.
— Faremos isso. – concordou a neta de Tolkien, lançando um olhar cúmplice para Legolas.
— Há mais uma coisa, que precisam saber. – continuou Orophim, com um sorriso brincando no canto dos lábios. – Sua irmã, a senhorita Alícia, foi convocada por Manwë para proteger Rohan.
— O quê?! – exasperou-se Legolas, erguendo-se de salto. – Mas Ali é só uma menina! Disse que foi convocada por... Isso é loucura!
— Querido, se acalme. – pediu-lhe Marianne, achando a atitude do marido mais acalorada do que o necessário. Ela riu. – Senti a energia de minha irmã afastando-se de nós, no momento em que nossos amigos chegaram.
— Sentiu? – Rúmil enfim erguera os olhos, subitamente surpreso. – Ela pulou a janela, assumindo a forma de uma fênix de penas azuladas, partindo na direção de Edoras para auxiliar seus amigos.
— Há algo de errado? – perguntou Mary, com um vinco de preocupação lhe marcando a testa.
— Nada com que devam se preocupar, Alícia cuidará de tudo – Legolas não compreendia os motivos que levavam Orophim a sorrir daquela maneira, mas acreditou nas palavras do elfo.
— E o que deve ser feito, a partir de agora? – volveu a guardiã, pousando uma das mãos sobre o ventre, distraidamente.
— Cuide da criança que carrega em seu ventre, sem deixar de praticar as artes da guerra. – instruiu Haldir. – A ajudaremos a adaptar seu treinamento para todos os estágios da gravidez. Rumará para os salões de Thranduil quando o dia do nascimento se aproximar. O nono mês será o mais turbulento e acreditamos ser a data mais precisa para o confronto final com nossos inimigos.
— Haverá guerra... – balbuciou Legolas num muxoxo, olhando para a face da esposa, com o medo lhe consumindo por dentro.
— Sim. – concordou Rúmil, revezando olhares entre os irmãos. – E nenhum dos participantes deste embate o esquecerá, pois, esta guerra será a mais dolorosa entre todas, mas também criadora de possibilidades incríveis para a Terra Média.
— Não percam a esperança. – Orophim tomou as mãos de Marianne e Legolas nas suas, olhando-os com a altivez de um verdadeiro líder. – Estaremos com vocês até o fim.
— Até o fim – entoaram os outros dois elfos, provocando ondas de alívio nos corações inquietos do casal.
***
— Senti falta disso.
Lindir acariciou os cabelos loiros de Margareth, lhe beijando o rosto jovem e belo, fazendo com que arrepios percorressem o corpo da garota. Ela virou-se para encara-lo, cravando os olhos azuis nos lábios do elfo, provocando-o com beijos que subiam por seu peito desnudo.
— Também senti falta disso – murmurou ele fechando os olhos, deixando-se levar pelas carícias.
— Não mais do que eu. – contrapôs ela, apoiando-se nos cotovelos e depositando um beijo ardente em seus lábios.
— Como se sente? – quis saber ele, deixando que a filha de Tolkien pousasse a cabeça em seu braço.
— Mais nova, mais ágil, mais bonita – Meg riu, passando a mão pelos cabelos compridos. – Sedenta por novas aventuras e por partir alguns orcs ao meio. – ela simulou um golpe, segurando uma machado imaginário e fazendo cair o lençol que lhe cobria, revelando a roupa íntima preta.
— Venha cá jovem guerreira. – Lindir agarrou-a pela cintura, pressionando seu corpo esculpido contra o da “avó” de Mary.
— Tenho a impressão de conhecer essas palavras – sussurrou ela, ao passo que o noldor lhe distribuía beijos e mordidas pelo pescoço e colo. – Não foi, exatamente, isso que me disse quando chegamos a Valfenda? Com a companhia de Thorin.
Ele parou, mirando o rosto que nunca esquecera, deleitando-se com momentos que pensava não vivenciar mais.
— Está correta. – aquiesceu Lindir, sorrindo. – Estava coberta de grama e musgo, dos pés à cabeça e encarava-me como se fosse...
— A criatura mais linda que vira em toda minha vida – completou Meg abraçando-o e enterrando os cabelos loiros em seu peito.
— E você, Margareth, foi e continua sendo a dama mais bela a pisar na Terra Média.
— Não posso acreditar no que me diz por completo. – o elfo afastou-se, intrigado. – Afinal, minhas netas também pisaram na Terra Média.
Margareth ergueu-se, ainda em meio a risadas, jogando a túnica de Lindir sobre os ombros e servindo um pouco de água em um copo.
— Algo a preocupa, não é mesmo? – perguntou o braço direito de Elrond.
— No dia do ritual, quando... Quando voltei a ser jovem, na realidade, no exato instante em que voltei a esta condição. – ela apontou para o corpo, provocando um sorriso malicioso da parte do noldor. – Acho que vi o palácio de Mandos.
— O palácio de Mandos? – tornou ele, embasbacado.
— *Námo, em pessoa, estava lá. – prosseguiu, voltando a sentar-se na cama improvisada. – Sentado em um trono simples, ao lado de Vairë*.
— Ele lhe falou alguma coisa? – Lindir mal podia acreditar no que Meg lhe dizia.
— Disse que a maldição a que minha família está submetida possui uma espécie de... – ela procurou a palavra correta, com o dedo indicador martelando o queixo. – “Bônus adicional”.
— Bônus adicional? Desculpe, não compreendo o que quer dizer.
— Os poderes, que Marianne e Alícia mantém dentro de seus corações, aumentam a cada geração. – explicou Meg brincando com fios soltos do lençol. – A pequena Ali é ainda mais poderosa do que Mary.
— E isso significa que sua bisneta deterá quantidades homéricas de força – concluiu o elfo, surpreso.
— Isso tem deixado minha mente inquieta, Lindir. Marianne sofreu desventuras demais num curto período de tempo, sabe-se lá o que pode acontecer com Alícia, ou com Elenna, que nem conheceu o mundo! – a jovem tornou a andar pelo quarto, marchando de um lado a outro, a procura de uma solução plausível para aquele enigma.
— Acalme-se, tudo irá se resolver conforme a vontade de Ilúvatar, você bem sabe disso – o noldor a envolveu em um abraço afetuoso.
— Essa certeza não me impede de temer pela vida daqueles que amo – volveu Meg dedilhando o rosto do elfo.
— Nada vai nos impedir de vencer esse obstáculo – prometeu Lindir, voltando a beijar os lábios sedentos da mulher que amava.
***
— Consegui estancar o sangramento, mas ela está muito fraca – Turelië cobriu o corpo da irmã com cobertas quentes e lhe depositou um beijo na testa, culpando-se por ter lhe dado aquela ideia estúpida.
— O que acha que provocou a hemorragia? – perguntou Alagos, que segurava a mão pequena de Almarvarnë entre as suas, não tirando a atenção das batidas fracas do coração da elfa.
Turelië hesitou, sem ter provas concretas do ocorrido. O senhor de Mordor a chamara às pressas na cela, pedindo que levasse Eldarion consigo e cuidasse da irmã. Almarvarnë contorcia-se de dor sobre a cama quando chegou aos aposentos de Alagos, manchando o vestido amarelo de sangue. Ela abraçava o ventre, grunhindo coisas sem sentido e pedindo perdão pelo que cometera, alucinando por conta da febre.
— Não faço a mínima ideia – grunhiu a ruiva, lavando as mãos na bacia ao canto do quarto.
— Por favor, sei que suspeita de algo. – o elfo fez menção de segura-la pelo braço, mas retraiu o gesto diante do olhar de repulsa que a dama lhe deu. — Diga
— Tratei poucos casos como esse, não é um fato comum entre as elfas. – prosseguiu Turelië, desviando o olhar para as nuvens de tempestade assomando no horizonte. – Acho que ela abortou, senhor. Estava esperando um filho seu.
Ela viu o rosto do elfo empalidecer, curvando-se em uma máscara de puro horror. Sentiu nojo de si mesmo pelo que fizera com aquela pobre moça, tão jovem e tão dedicada a agrada-lo. “Um filho... Meu filho...” pensou, com lágrimas escorrendo por suas bochechas.
— Perdoe-me – disse, num murmúrio.
— Como? – Turelië uniu as sobrancelhas finas, vendo Alagos demonstrar fraqueza pela primeira vez.
— Peço-lhe perdão, por tudo que lhes causei – repetiu ele, realmente arrependido. – Não deveria ter feito isso com Almarvarnë.
A ruiva tomou coragem, reunindo as forças que lhe restavam, preparada para assumir qualquer consequência.
— Eu dei a ideia de lhe envenenar – pronunciou ela, ainda de olhos fixos no rosto do elfo.
— Já imaginava. – balbuciou, para o espanto da dama élfica. – Mas não a castigarei. Ordeno que permaneça ao lado de sua irmã até que retorne.
— Sairá novamente? Num momento delicado como este?
— Preciso resolver assuntos pendentes – rosnou Alagos, transformando-se no enorme corvo de olhos negros. – Em Rohan. – grasnou alçando voo.
***
— Precisa descansar, está ouvindo? – pedia Alícia, olhando fundo nos olhos de Éomer.
— Lhe devo minha vida, senhorita, nem sei como agradecer-lhe. – murmurou o Rohirrim, agarrado a mão da irmã mais nova de Marianne.
— Não fale mais nada, isso é uma ordem! – riu-se a garota.
— Nem sei o que faríamos sem a sua ajuda, Ali – Suzan a abraçou, lembrando-se dos tempos em que ela e Mary tinham a idade daquela menina, inocentes e intocadas por qualquer tipo de magia, ou dor.
— Já disse que não há necessidade de agradecimentos. – ela sorriu, dirigindo-se a Faramir. – Preciso ter um particular com você e sua esposa, a sós.
Éowyn levou o pequeno Boromir nos braços, acompanhada do marido e da neta de Tolkien.
— Escutem com atenção. – disse Alícia, um tanto apressada. – Seu filho ainda corre perigo.
— O quê? – exclamou a esposa de Faramir, abraçando o bebê protetoramente.
— No dia do nascimento de Boromir ele quase foi sequestrado por Alagos, sei disso porque Manwë me revelou essas imagens. – explicou a garota. – Acontece que ele não desistirá de rapta-lo.
— Podemos fazer alguma coisa para impedir que isso ocorra? – Faramir abraçou a irmã de Éomer, formando um escudo ao redor da família.
— Deixem que eu cuide da segurança do palácio dourado, não precisam ficar tão alarmados. – Alícia passou a mão pelos cabelos castanhos, trançando-os rapidamente. – Só trouxe notícias ruins desde que cheguei, me perdoem.
— Não há motivos para isso, senhorita – Faramir deu um sorriso de compreensão.
— Toda essa coisa de transformação e gente morta voltando têm me deixado confusa. – a caçula dos Greyhood permitiu que o cansaço a abatesse por breves segundos, antes de voltar a postura alerta. – Nem lembro da última noite decente de sono que tive.
— Pois providenciaremos o melhor quarto desta morada para lhe oferecer – o gondoriano saiu a passos apressados, atrás de alguma camareira que pudesse arrumar um cômodo para a ilustre convidada.
— Posso pega-lo? – questionou a menina, meneando a cabeça na direção de Boromir, que lhe abriu um pequeno sorriso.
— Tome cuidado, ele adora agarrar-se aos cabelos de moças bonitas – instruiu Éowyn, rindo.
— Olá pequenino – saudou Ali, sentindo o menino pegar-lhe o polegar.
Visões distantes a atingiram antes que pudesse reagir. Viu Alagos sentado no topo de uma torre negra, berrando ordens ao imenso batalhão de orcs e uruk-hais, que marchavam na direção das terras livres de Arda. Almarvarnë jazia no trono, ao lado do elfo, com lágrimas escorrendo por seu rosto magro. Um de seus olhos tinha uma feia mancha roxa e ela envolvia a barriga com as duas mãos, protegendo algo que Alícia não conseguia ver.
— Senhorita Greyhood? – a voz de Éowyn fê-la voltar a si.
— Está tudo bem. – respondeu embalando o bebê, que choramingava, estendendo os bracinhos para a mãe. – Preciso tomar um pouco de ar fresco.
— Fique à vontade – concordou a esposa de Faramir, pegando o filho no colo.
Alícia escancarou as portas do palácio, puxando o ar para dentro dos pulmões aos borbotões, sentindo a corrente de adrenalina percorrer seu corpo. Ergueu os olhos para oeste, a tempo de divisar uma nuvem negra movendo-se na direção de Edoras.
— O que é aquilo? – Suzan aparecera repentinamente a seu lado.
— Um bando de pássaros, senhora, acho que estão migrando para algum lugar. – respondeu um soldado, aproximando-se e erguendo os olhos na direção que a jovem apontara.
— Não, está vindo depressa demais e contra o vento. – a irmã de Mary, virou-se para Suzan, agarrando-a pelos braços. – Encontre Faramir, diga que temos problemas.
A outra correu, aos tropeços, rumando atrás do marido de sua cunhada.
— Reúna os arqueiros. – balbuciou Ali, com os olhos embebidos em chamas azuis. – Posicione-os nos baluartes e traga o maior número de escudos que encontrar.
— A senhorita tem certeza? – tornou o rapaz, receoso.
— Como se chama, soldado?
— Inadred. – ele a reverenciou, sorrindo. Parecia demasiado jovem para ocupar aquele posto. – Às suas ordens.
— Se está às minhas ordens fará o que lhe ordenei, sem questionamentos – ela baixou os olhos incandescentes para o rosto do rapaz, que concordou com um aceno. – Soe o sino, as pessoas precisam voltar a suas residências.
Inadred levou a trombeta, que trazia atrelada ao cinto, até os lábios, soprando-a com vigor. Um som parecido juntou-se ao primeiro, seguido do soar dos sinos sobre a torre de guarda.
— O que está acontecendo? – Faramir juntou-se a Alícia, com a aljava cheia de flechas emplumadas.
— O inimigo partiu para o ataque. – esclareceu a fênix, distinguindo o enorme corvo encabeçando a multidão de sombras que voava na direção do palácio. — Mantenha sua esposa e filho a portas fechadas, isso vale para você também, Suzan. Podem não ter notado, mas desenhei runas de proteção no quarto onde Éomer repousa e peço que fiquem lá, até que isso tenha fim.
— Claro – concordou ela preparando-se para sair.
— Mais uma coisa. – a garota a interrompeu. – Pegue a espada que seu noivo carregava e use-a, se for necessário.
— Mas eu nunca... – ela recobrou o fôlego, decidida a cumprir o que prometera a Éomer. – Farei o possível.
Alícia meneou a cabeça positivamente, vendo os soldados movimentarem-se na alameda principal, vindo na direção de Faramir, aguardando instruções.
— Meu senhor, quais são suas ordens? – questionou o mais velho.
— Senhorita Greyhood – disse o jovem, passando-lhe o comando.
— Mantenham as flechas prontas e protejam-se sob os escudos ao ouvirem três sinais sonoros emitidos por mim. – disse-lhes ela, mais uma vez lembrando a imagem da irmã mais velha. – Vou dar um jeito em Alagos, garanto que ele voltará correndo para o buraco de onde veio, com o rabo entre as pernas.
— Assim seja – concordou Faramir com uma vênia, vendo a garota assumir a forma de fênix e estender as asas na direção das criaturas sombrias que encobriam os céus.
Alícia sentiu as asas queimarem, ansiando pela sensação que as correntes de ar lhe causavam. O poder percorria suas veias com a intensidade de um furacão e ela se lançou de encontro ao monstruoso corvo, desferindo toda a raiva que sentia na forma de um potente golpe com as garras afiadas.
Alagos desviou-se com rapidez, grasnando ordens para as outras criaturas aladas que lhe acompanhavam. Ele voltou a investir contra a fênix, tentando segurar o pescoço delgado da ave e lhe desferir bicadas nos olhos. A irmã de Marianne soltou o primeiro trio de gritos agudos, vendo as flechas zunirem, atingindo grande parte dos monstros. Sentiu as forças aumentarem e abriu a envergadura total de suas asas, fortes e brilhantes, ofuscando o servo da escuridão por alguns segundos. Foi o suficiente para que lhe pudesse atingir em cheio no peito emplumado, causando-lhe um feio talho e lançando-o na direção do chão.
Ele recuperou o ritmo constante de voo, apesar da dor que sentia, tomando uma postura de defesa e afastando-se ao máximo do bico feroz que teimava em lhe arrancar algumas penas. Não contava que a pequena garota estivesse ali e tampouco achava que detivesse tanto poder.
Viu seus aliados caírem, um a um, desaparecendo em meio às nuvens. Nenhum soldado fora, sequer, atingido nesse meio tempo e o ódio que sentiu o cegou. Ele lançou o corpo robusto contra Alícia e os dois caíram na alameda principal.
Alagos ergue-se, assumindo sua forma usual e sacando duas enormes espadas negras. O corte em seu peito sangrava e latejava de maneira insuportável, mas negava-se a perder para uma menina.
— Está ciente de que esta luta é causa perdida para você, certo? – rosnou Alícia, erguendo-se, com os olhos ainda consumidos por chamas.
— Como ousa proferir estas palavras? Não passa de uma menina estúpida, que mal saiu das fraldas! – ele gargalhou, controlando-se para não tossir, cambaleando um pouco.
— Menina estúpida, você diz – a jovem riu, com as mãos pousadas nos quadris.
Ela fechou os olhos, erguendo as mãos para o alto e sussurrando palavras em élfico arcaico. A luz azulada a envolveu, causando-lhe arrepios pelo corpo. O turbilhão cessou, revelando uma garota ricamente trajada em armadura, portando uma alabarda. Alícia girou a arma, testando seu peso e sabendo que era a hora de mostrar-se digna da missão da qual fora incumbida.
— Vai se arrepender, amargamente, do que disse – gritou ela, partindo para o ataque.
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