Wait Me Forever...

22 A Guerra Começa - parte II


Notas iniciais
Olá pessoas lindas!! Como estão? Capa da semana: Robert, Katherina e Alícia. Bueno, fiz o capítulo atendendo aos pedidos de leitores, que ansiavam por mais ação e mais participação de nosso lindo príncipe da Floresta! Espero ter atendido às expectativas! Dessa vez temos música! *ebaaa* Vou deixar os links aqui, beleza? Parte I - Alícia e Alagos em Rohan: https://www.youtube.com/watch?v=XbqVtvO5g3k Parte II - Marianne, Legolas e Bolg: https://www.youtube.com/watch?v=Z7YM9gAVeMs Parte III - O Homem da Lua: https://www.vagalume.com.br/tolkien-ensemble/there-is-an-inn-a-merry-old-inn-traducao.html Boa Leitura!

Alícia se lançou contra o elfo com sua armadura prateada retinindo e a albarda disferindo círculos perigosos na direção do rosto do oponente. As espadas negras de Alagos pararam o golpe antes que lhe atingisse os olhos, jogando o peso de seu corpo contra a garota, que cambaleou alguns passou antes de se recompor.

Eles giravam, de um lado para outro, estudando o melhor momento para investir. A irmã de Marianne era movida pela força de Manwë e a frieza em seus olhos se assemelhava à postura dos mais experientes guerreiros de toda Terra Média.

O elfo tomou impulso, tentando alcançar a lateral esquerda do corpo da jovem com um chute potente, errando de forma primária e sendo derrubado pela haste da alabarda que esta segurava. Alícia ergueu a ponta curva e afiada – em formato de meia lua — visando o peito, já ferido, do antigo servo de Thranduil.

— Por favor, por favor! Não o faça! Eu lhe rogo! – gritou ele, soltando as espadas e escondendo o rosto com as mãos.

— Pare com esse teatrinho! – grunhiu ela, aproveitando o momento para olhar os arqueiros, que ainda lançavam flechas no grupo disperso de criaturas aladas. – Não lutarei com ninguém que esteja no chão.

— Então, junte-se a mim – Alagos lhe sorriu, cheio de malícia, passando uma rasteira nas pernas da menina, que tombou sob o peso da armadura.

Segundos antes de ser cortada em três partes, a irmã de Mary conseguiu pôr-se em pé; usando sua arma para amortecer um golpe que lhe chegara pela frente e outro, pelas costas. Ela apurou os sentidos, buscando sinais de que tivessem invadido o palácio dourado atrás de Boromir e naquele maldito momento, Alícia deparou-se com um grupo de Orcs correndo desajeitados pelas ruas. A situação era pior do que imaginara.

— Faramir! – gritou, vendo o sorriso sarcástico de Alagos enevoar seus pensamentos.

O marido de Éowyn atendeu a seu chamado juntando um grupo pequeno de guerreiros para defender a fronte oeste. “São muito poucos...” pensou “Serão massacrados.”

— Esse é o momento em que nos despedimos – o elfo lhe reverenciou, não contendo um esgar de dor, quando o ferimento em seu peito derramou gotas de sangue no solo poeirento.

— Como pôde?! Traiu seu próprio povo e ainda tem a coragem de achar graça da situação! – exasperou-se Ali, no exato instante em que Faramir chocara-se contra o inimigo.

— Estou rindo, por que este circo não passa de uma distração patética – o elfo bateu palmas, apoiando-se ao punho de uma das espadas.

— O quê?! – a garota revezava olhares entre o palácio, Alagos e os Orcs. Aquilo estava a ponto de lhe enlouquecer.

— Se bem me recordo, e minha memória costuma ser ótima, mandei uma tropa de wargs para a casa de sua irmã. – Alícia sentiu o sangue sumir de seu rosto e as pernas vacilaram. – Não é um maravilhoso presente?

Com um grito de ódio a garota girou, em velocidade alucinada, conseguindo cortar a bochecha esquerda do elfo e alguns fios de seu cabelo loiro. Ele ergueu a mão, desconcertado, vendo o sangue lhe manchar os dedos. Pensou em reagir, mas estava cansado daquela luta sem objetivos. Assumiu a forma do corvo e ergueu-se, com dificuldades, até uma altura segura.

— Arqueiros! – esbravejou a jovem, apontando para a ave.

“A janela do quarto de Éomer” lamuriou-se ela, dividida entre auxiliar Faramir e salvar o pequeno bebê de Éowyn. Cuspiu uma série de impropérios, coisas que nem mesmo Margareth diria, forçando as asas azuladas a seguirem o traidor.

Suzan segurava a espada de Éomer com as duas mãos, apertando-a de modo aos nós de seus dedos ficarem brancos. Éowyn embalava o filho, que esperneava em seu colo.

— Está ouvindo? – balbuciou a amiga de Marianne.

— Típicos sons de batalha – respondeu a cunhada, num tom sonhador.

— Não, não é isso! – volveu Suh, aprumando os ouvidos. – É mais parecido com... O bater de asas de um pássaro enorme.

A janela de madeira escura estilhaçou em mil pedaços ante ao peso do corpo de Alagos. O elfo estatelou-se no chão, fraco e ferido, teimando em se colocar de pé e alongar as costas.

— Senhoras – reverenciou num gemido. – Vim buscar algo.

— Afaste-se! – as mãos de Suzan tremiam, enquanto ela colocava-se à frente de Éowyn, erguendo a espada até o peito de Alagos.

— Pobre homem! Não queria que terminasse assim – o elfo passou a mão pálida pela cabeceira do leito onde Éomer repousava.

— Saia daqui, antes que... – o nó apertou-se ao redor da garganta da amiga de Marianne, impedindo-a de prosseguir.

— Antes do que? Acredita mesmo que uma humana desprezível, como você, pode me causar algum mal?

— Ela não – respondeu a voz rouca a suas costas. – Mas talvez eu possa.

Éomer forçara o corpo para fora da cama, com o peito forte e largo à mostra, vestindo apenas calças leves. Ele puxara uma espada longa debaixo do leito, a rodopiando na mão esquerda, tentando adaptar-se a falta do braço direito.

— Mas é claro que pode! O aleijado contra o senhor de Mordor! – desdenhava o elfo, às gargalhadas. – Ah, isso será divertidíssimo.

Prestes a desferir um golpe contra o sobrinho de Théoden, Alagos nem ao menos percebera a aproximação de Alícia, que encostou a lâmina fria da alabarda contra as costas do noldor.

— Deixe este quarto e este reino – sussurrou a garota. – Isso é uma ordem.

— Preciso daquela criança – rosnou ele, voltando os olhos azuis na direção de Boromir.

— Pois não a levará – Suzan e Éomer juntaram-se a garota, espetando Alagos de maneira ameaçadora com suas espadas.

— Poderia mata-los com um estalar de dedos – continuou, rendendo-se. – Mas não agora, não aqui.

Ele explodiu, numa confusão de sombras negras que espiralaram ao redor do filho de Faramir, puxando-o para longe dos braços da mãe. Éowyn debateu-se, lutando com um inimigo que não era palpável. O desespero a tomava por completo e ela não sabia mais o que fazer para impedir que levassem seu pequeno bebê.

Alícia enfiou as mãos delgadas no redemoinho escuro, exigindo o máximo de seus poderes para encontrar Boromir no meio daquela confusão. Conseguiu segurar-lhe os pés, lançando labaredas azuis para iluminar o caminho de volta até a luz.

Puxou-lhe no último segundo, caindo com estardalhaço ao lado de Éomer. Boromir estava salvo, mas a garota não podia imaginar o que iria acontecer a Marianne. Só torcia para que os elfos de Lórien pudessem ajuda-los naquela luta.

***

Legolas e Haldir caminhavam, silenciosos, em meio a neve que se depositara na frente da casa. Trinta pares de olhos acinzentados os acompanhavam, sob os capuzes escuros. Os elfos deslizavam no ar frio da noite, qual sombras das árvores pertencentes ao jardim.

Hantanyel tulesselyanen (Obrigado por vir) — dizia o loiro, com as mãos fortemente presas atrás das costas.

— Mae omentaina (É bom vê-los) — respondeu-lhe o arqueiro de Lórien. – Espero que nossa ajuda seja útil.

— Acredite, precisávamos de certo direcionamento para continuar. – Legolas passou a mão pelos cabelos longos, jogando-os por cima dos ombros largos. – Pelo menos sabemos o que fazer, daqui para frente.

— A pequena Tári (Marianne) é mais forte do que pensamos ser possível – Rúmil voltara a suas meditações silenciosas, com a voz transformada num eco de seus pensamentos. – E sua filha, certamente a dará estímulos para completar a jornada.

— Algo mais lhe preocupa? – questionou Orophim.

— Minha... Mãe retornou. – respondeu, com a mente sacudida por diversas dúvidas. – Não faço ideia de como me comportar na presença dela.

— E por que não? Deveria ser algo bastante natural, considerando seus laços sanguíneos – rebateu Haldir.

— Tenho memórias alegres relacionadas a ela e meu pai, mas também existem momentos negros, de dor e sofrimento – explicou o filho de Thranduil, meneando a cabeça de um lado a outro.

— Já chegou a falar-lhe sobre? – volvia Orophim, agora de cenho franzido, distinguindo sons distantes de galhos se partindo sob o corpo de algum animal.

— Não ouve tempo para maiores discursos – Legolas interrompeu-se, passando a ouvir os mesmos sons que o irmão de Haldir escutara. – Nad no ennas (Há algo ali atrás). — murmurou, interrompendo a caminhada.

Em meio a grunhidos abafados e rosnados, conseguiram discernir palavras em Orkish. As mãos dos quatro elfos moveram-se em sintonia, posicionando flechas de plumas coloridas aos arcos.

Marianne viu o grupo de Wargs aproximando-se, da janela de seu quarto. Pegou a espada que fora de sua avó, a qual guardava com carinho ao lado da cama, calçando botas e luvas confortáveis. Estava na hora de agir, afinal, a gravidez não era motivo para manter-se inerte, esperando que o marido resolvesse todos os embates sozinho.

Ela escancarou a porta da frente e Legolas lançou-lhe um olhar agoniado, partindo para cima do primeiro animal. O elfo escapou da bocarra cheia de dentes amarelados, girando de lado para acertar uma flecha no meio dos olhos de um segundo warg. Haldir já matara dois e partia para o terceiro quando a criatura mais asquerosa apareceu.

— Bolg... – balbuciou o príncipe da Floresta das Trevas, sem acreditar.

O filho de Azog O Profano, surgiu dentre as árvores, segurando a maça de espinhos afiados na mão direita. Ao que parecia, os aliados de Marianne não haviam sido os únicos a voltarem, quando o ritual se realizou.

O enorme Orc berrava ordens na língua negra de Mordor, incitando os companheiros a destroçarem os arqueiros. Marianne continuava a marchar, altiva, no meio do tumulto de vozes exaltadas e reclamações por parte de seu marido.

— Volte para casa – exigia o elfo, costas a costas com a esposa, abatendo inimigos com as flechas que ainda lhe restavam.

— De jeito nenhum! Não vou deixar o trabalho todo para você – devolveu ela, sentindo o poder da fênix preencher seus sentidos, dando vazão ao poder dentro de si.

Bolg a aguardava, paciente, com um sorriso monstruoso na face deformada. Ele girou a clava, tentando acertar Mary enquanto ela corria para confronta-lo. A guardiã abaixou-se, escorregando de joelhos sobre a neve e voltando a se erguer num átimo. A espada élfica que segurava brilhou com as inscrições douradas que lhe conferiam proteção.

Legolas e Haldir bailavam, com os pés mal tocando a neve fofa, costas a costas, desferindo golpes de espada e adaga nos Orcs que surgiam. De tempos em tempos, o Sindar erguia os olhos para procurar a esposa.

Marianne aparou o golpe dado por Bolg, segurando a espada com as duas mãos e voltando a ataca-lo com estocadas na altura do abdome. Ele parecia incansável e seus olhos estavam sedentos por sangue. Os ouvidos da jovem foram preenchidos por um grito de lamento, o qual achou pertencer ao marido.

O filho de Azog aproveitou-se daquele breve instante de distração. Mary viu Orophim cair aos pés de Rúmil, atingido por um flechada no ombro esquerdo, mas já era tarde demais. Ao voltar ao combate, só teve tempo de ver o enorme punho de Bolg vindo na direção de seu rosto. Conseguiu abaixar-se alguns centímetros, mas foi lançada para trás, caindo de costas e perdendo a espada. Legolas tomou impulso, saltando por sobre o corpo de um warg e fincando-lhe as adagas nas vértebras. A criatura guinchou, tombando diante do elfo, que correu para socorrer Marianne.

A jovem rolou de lado, desviando-se das pontas afiadas da clava de Bolg, erguendo-se com rapidez, à procura de algo com que pudesse acerta-lo. Antes mesmo que pudesse enxergar a espada, viu Legolas saltando nas costas do Orc, passando os braços longos e fortes ao redor do pescoço do oponente, na tentativa de enforca-lo. O coração de Marianne acelerou, tomado pela fúria que começou a consumi-la, causando-lhe espasmos múltiplos.

Bolg lutava contra o aperto do filho de Thranduil, acertando-lhe uma cabeçada no queixo e fazendo-o perder o equilíbrio. O Sindar fincou uma das adagas no ombro da fera, que soltou um urro de dor, rodopiando descontrolado e tropeçando nos próprios pés. Legolas soltou-se antes de ser esmagado pelo corpanzil do adversário. Um fio escarlate descia-lhe pelo canto dos lábios e o elfo tinha um corte profundo na testa.

A guardiã sentiu chamas aquecerem seu ventre, de maneira inicialmente desconfortável, fazendo sua pele brilhar num tom alaranjando. Seu corpo elevou-se alguns metros no ar, envolto na costumeira luz dourada, iluminando a escuridão como um verdadeiro sol noturno. Era capaz de sentir a energia de Elenna pulsando dentro de si, doando-lhe doses cavalares de vitalidade.

Katherina e Robert desciam as escadas pulando os degraus de dois em dois. O pai de Marianne carregava a espingarda que fora de seu pai, conferindo se ainda havia munição em seu interior. Não soube discernir o momento em que começou a atirar contra os Orcs, mas os corpos desfalecidos começaram a acumular-se a sua volta com velocidade alarmante. A filha de Margareth correu para acudir o genro, tomando a espada, que Mary perdera e chegando a tempo de proteger o elfo de um golpe certeiro.

— Legolas! – gritou ela em desespero, vendo os olhos do filho de Thranduil presos no corpo de Marianne. – Precisamos sair daqui!

O vento castigava as árvores, fazendo pequenos redemoinhos de folhas aparecerem no jardim. As copas dos pinheiros curvaram-se, quase tocando o solo, reverenciando o poder da escolhida de Ilúvatar.

— Alda! Talan! (Árvores! Terra!) — a voz de Mary transformara-se num ribombar poderoso, semelhante ao rufar de mil tambores.

Galhos e raízes rangiam e estalavam, saindo debaixo do solo para engolir os Orcs restantes, puxando-os para um abraço fatal. Alguns wargs escaparam, desviando-se de gavinhas que lhes apareciam pelo caminho. O solo tremeu, derrubando elfos e os pais de Marianne.

— Mantenham-se abaixados! – gritou Robert, puxando o corpo ferido de Orophim para perto da varanda, soltando-o num lugar seguro.

Beorn irrompeu da mata, destroçando um pinheiro jovem com sua força descomunal. O urso negro urrou, estapeando Bolg e prendendo-o sobre as patas enormes de garras afiadas. Os olhos amarelados se fixaram nos da guardiã – duas brilhantes esmeraldas, decoradas com fios do ouro mais brilhante.

— Firinn (Mate-o) — ordenava ela, apontando para o Orc.

— Mary! Espere! – gritou Legolas, tentando manter-se em pé devido a força do vento.

Ela girou a cabeça lentamente, analisando o elfo como se não o conhecesse. Chegou a erguer as mãos pequenas para acertar-lhe com uma descarga de energia, mas a compreensão lhe cegou a mente, antes que fosse capaz de agredi-lo. Bolg aproveitou o momento para derrubar Beorn, erguendo sobre a cabeça do urso um longo punhal.

Katherina correu, lançando todo o peso de seu corpo contra a criatura. Os dois caíram embolados, numa confusão de armadura e mechas de cabelo loiro. A mãe de Marianne ficou de joelhos, com a espada erguida pressionada contra o peito do filho de Azog. Ela viu Legolas aproximar-se de sua filha, com a mão direita estendida para toca-la.

— Mary, sou eu, Legolas – dizia o elfo, tomado pelo medo.

— Legolas— ela repetiu a palavra, pesando as letras com cuidado.

— Saia já daí! Ela não está pensando com clareza! Pode acabar lhe machucando! – Robert tornara a atirar, cuidando para que nenhum Orc ultrapassasse os limites da casa.

— Isso não vai acontecer – murmurou o Sindar, cabisbaixo, tocando um dos pés de Marianne, sem olhar em seus olhos. A jovem estremeceu.

Katherina relanceou os olhos para o marido, que lhe enviou um aceno de confirmação. Ela ergueu a espada acima da cabeça, baixando com rapidez no peito do Orc. Sua face se contorceu, ao passo que sangue negro maculava a brancura da neve. Mary sofreu uma micro-explosão de energia, jogando Legolas de encontro ao tronco de um pinheiro e sendo lançada ao solo com brusquidão.

Havia acabado. Os companheiros restantes de Bolg sumiram por entre os arbustos e os elfos tiveram tempo de avaliar suas perdas. Haldir contara dois mortos e cinco feridos, incluindo o próprio Orophim, que se contorcia de dor na varanda. Rúmil correu de encontro a Legolas, que tentava se levantar, balançando a cabeça e limpando o sangue que lhe escorria pelo nariz.

— Marianne... – balbuciou o filho de Thranduil ao outro elfo. – Vá ver se ela está bem.

O irmão de Haldir se erguia no instante em que a jovem apareceu, jogando os braços ao redor do pescoço de Legolas e chorando copiosamente.

— Me perdoe – dizia ela distribuindo beijos por toda a face do Sindar. – Por favor, não tive a intenção de lhe machucar.

— Eu sei, meu amor – respondeu ele devolvendo o abraço, mergulhando o rosto nos cabelos da guardiã. – Como você está?

— Bem, eu acho. Embora me sinta um tanto confusa com tudo o que aconteceu – ela rasgou um pedaço da roupa de baixo, pressionando-o contra o corte na testa do elfo.

— Acho que sou capaz de lhes dar algumas explicações.

Os presentes ergueram os olhos, mirando o rosto delicado da figura a sua frente. O homem era mais alto do que qualquer elfo e seus cabelos castanhos caíam em ondas por suas costas. Ele usava túnica longa e botas e seus passos eram tão delicados quanto os de Galadriel. Mas o que mais surpreendeu a todos foram as grandes asas fechadas a suas costas, extremamente parecidas com as asas dos filhos de Thorondor*.

***

Tauriel tocou os flancos da égua com os calcanhares, a incentivando a acelerar. O animal resfolegou, obedecendo rapidamente e iniciando a corrida na direção de Green Valley. A mente da elfa viajava por tempos em que fora feliz e completa, tempos nos quais seu coração alegrava-se cada vez que o sol surgia no horizonte, banhando as imagens do rosto de Kili.

Ela limpou as lágrimas que lhe escorriam pelas bochechas coradas. Prestando atenção ao caminho que deveria seguir. Estava na metade da jornada quando os ouviu. As vozes abafadas pareciam lamentos de eras passadas, mescladas ao assovio contínuo do vento norte. Tauriel puxou as rédeas, desmontando com agilidade e dando de mão no arco que levava junto às costas.

Os sons aumentavam à medida que ela se aproximava da caverna, parcialmente oculta pela vegetação e neve. Os sons rudes e altos não lhe deixavam dúvida, aquele tinha de ser o grupo de anões que abordara na Floresta das Trevas, há muitos éons atrás.

— Vamos lá, Bofur! Toque algo mais animado, isso está parecendo um lamento fúnebre! – grunhiu Dwalin, jogando um pedaço de pão a cabeça do outro.

— Dê-me um momento para pensar! – protestou ele passando a flauta de uma mão para outra. – Faz tempo que não nos divertimos dessa maneira.

— Por que não canta sobre o Homem da Lua? – sugeriu Kili, puxando o irmão pela manga das vestes e ensaiando alguns passos de dança, que fizeram Tauriel rir.

— Isso mesmo! – concordou Gimli, tocado por aquele momento tão especial.

Bofur preparou-se para tocar, insistindo para que Dori o acompanhasse com seu bandolim. Thorin pensou ter escutado risadas baixas e deixou que os companheiros prosseguissem com seu divertimento para averiguar o estranho ruído, acabando por encontrar Tauriel escondida em meio aos arbustos.

A elfa deixou o corpo aparecer, mirando os olhos claros do anão com receio. Ele apenas lhe ofereceu uma reverência, convidando-a a juntar-se a confraternização.

— Senhores! – entoou o descendente de Durin, interrompendo a música que Bofur acabara de começar. – Temos uma convidada.

— Tauriel? – Kili mirava a elfa ruiva, sem acreditar no que seus olhos lhe mostravam, com o coração aos galopes no peito.

— Sejam bem-vindos de volta – começou ela, controlando a vontade de atirar-se nos braços fortes do anão. – Fico feliz que estejam bem.

Os outros trocavam olhares maliciosos e Fili acabou por empurrar o irmão na direção da chefe de guarda de Thranduil. Ele fitava a elfa com admiração e respeito e quando ela se abaixou para ficar de sua altura, mal pôde se conter.

— Senti sua falta – murmurou envolvendo-a com os braços e inspirando seu perfume de flores e almíscar.

— Eu também – ecoou, sem importar-se com os outros anões ali presentes.

— Muito bem, senhorita, diga-nos. – Bofur levou a flauta novamente aos lábios. – Gostaria de ouvir uma canção?

— Seria uma honra – concordou, sentando ao lado de Kili e sentindo sua mão ser envolvida pela dele.

Notas finais
*Thorondor: Senhor das Águias, na primeira Era da Terra Média. E então? O que acharam? Leitores fantasmas, sei que estão aí haha, não tenham medo de se pronunciar!