Vínculo Mágico
8 Projeto Heaven
Notas iniciais
Capítulo VIII — Projeto Heaven
Gajeel observava, até onde seu campo de visão permitia, a suposta enfermeira caminhar por entre os leitos onde os membros da Fairy Tail estavam amarrados. Tratava-se de uma mulher que aparentava ser jovem para o ofício que exercia. Dona de uma beleza harmoniosa, a enfermeira possuía cabelos cor de palha que estavam presos em um rabo de cavalo, e olhos alaranjados. A roupa inteiramente branca, lhe dava uma aura angelical.
Cada vez que a enfermeira parava em frente a uma cama, olhava alguns dados em monitores lacrima e acenava positivamente com a cabeça.
Já havia algum tempo que o dragon slayer de ferro havia despertado. Quando tentou se mexer, percebeu que seus pulsos e seus pés estavam presos na cama em que se encontrava, por algemas grossas de metal que aparentemente o impediam de usar magia. Não que isso fizesse diferença. Ele não usaria de qualquer forma. Tinha presenciado momentos antes o efeito que isso causaria em Levy.
A enfermeira parou para analisar os monitores do leito a esquerda de Gajeel, onde a baixinha ainda estava desacordada. Da mesma forma que nas outras, acenou levemente com a cabeça. Antes de continuar seu trajeto, porém, a jovem mulher percebeu que o dragon slayer estava acordado. Olhando diretamente em seus olhos, ela sorriu cordialmente e começou a caminhar em sua direção.
– Que droga de lugar é esse? — Perguntou Gajeel, sem rodeios. — E o que vocês querem conosco?
– Eu não preciso responder suas perguntas. — A jovem enfermeira, que já estava ao lado de Gajeel observando o monitor de sua cama, avisou. — Mas não vejo problemas se o fizer. Vocês não tem muito tempo mesmo.
O dragon slayer irritou-se com o modo que a enfermeira falava. Ela simplesmente fez uma declaração mórbida de forma cordial. Além disso, tinha sempre um leve sorriso na face, dando a impressão de ser inofensiva. Como se fosse alguém confiável. Mas ele sabia que ela não era nada disso.
– Então responda. — Insistiu o ex-Phanton Lord, com sua habitual falta de delicadeza.
– Vocês estão na sede da Nihil Occultum. — A enfermeira respondeu, em tom educado. Ao ver a expressão de dúvida no rosto do rapaz, resolveu explicar. — Resumidamente, somos uma organização que busca a verdade e o desenvolvimento mágico, sem os limites impostos pelo governo e pelo Conselho.
– Você ainda não respondeu o que querem com a gente. — Pressionou o dragon slayer, encarando-a.
– A vida de vocês é necessária para a execução de um projeto que idealizamos a anos. — Falou ela, com naturalidade.
– Então era a isso que você se referia quando disse que temos pouco tempo. — Gajeel constatou.
– Sim, era. — Confirmou a enfermeira. — Na verdade, agora que o poder mágico de todos vocês está completo novamente, devo receber a ordem para levá-los a qualquer instante. — Avisou.
– Okay — Começou o mago. -, já que eu vou morrer de qualquer jeito, você pode me dizer que projeto é esse? — Perguntou com descaso. — Tem haver com essa marca idiota no meu pescoço?
– Você é engraçado. — A enfermeira disse, rindo de leve.
– Não vejo nada de engraçado em mim. — Gajeel rebateu, perdendo a paciência.
– Você está tentando me induzir a contar nosso objetivo agindo como se estivesse condenado, quando na verdade não acredita realmente que vai morrer. — Explicou a jovem.
– Eu nunca disse que acreditava nisso. — Falou ele. — E muito menos que aceitava. Até porque faltam alguns magos aqui não? — Perguntou em tom de deboche. Momentos antes Gajeel forçou o pescoço o máximo que pode, e teve a certeza que os únicos confinados naquele ambiente eram Levy, Elfman, Evergreen, Mirajane, Lisanna e ele próprio. — Aposto que os outros estão dando a vocês um trabalho desgraçado.
– Eles estão apenas adiando o inevitável. — Contou a enfermeira. — Todos eles receberam a mesma marca que você. Não podem usar magia, logo não podem se defender.
– Eles ainda podem fugir. — Disse confiante.
– Não vão conseguir. — Contou ela, triunfante. — Outros tão qualificados como eu foram enviados para capturá-los. Eles não terão a menor chance.
– Então você realmente não é uma enfermeira. — Constatou o rapaz.
– Apesar de ser qualificada para ser uma, não sou. — admitiu a jovem. — Meu nome é Randha, e faço parte de um grupo da nossa organização militarmente treinado chamado Aprendizes. Nós emprestamos nossas vidas e nossos poderes em troca de ver o Projeto Heaven concluído e em funcionamento. Minha função nesse momento é garantir que os fugitivos não poderão libertá-los, e conduzi-los em segurança até seu destino final, quando ordenarem.
– Então o nome do projeto é Projeto Heaven? — Quis saber o mago. — Afinal, que raio de projeto é esse? Você enrola, enrola, e no fim das contas não explica nada.
– Já disse que não tenho a obrigação de explicar. — Lembrou Randha, só para ser mais irritante.
– Mas está doidinha para se gabar um pouco mais. — Provocou o rapaz.
– Na verdade, apenas não tenho muito o que fazer enquanto espero. — Falou a jovem, entediada.
– Então fale de uma vez. — Insistiu Gajeel impaciente. A moça fingiu ponderar por um instante se falaria ou não, mas o dragon slayer estava certo. Ela estava realmente ansiosa para compartilhar o projeto com alguém que não fosse membro da organização. E se esse alguém estava condenado a morte, não haveria problemas.
– Em suma — Começou -, o Projeto Heaven tem o objetivo de permitir que as pessoas que já partiram desse mundo possam retornar. — Contou. Gajeel piscou algumas vezes até assimilar o que ouviu antes de perguntar.
– Ressurreição dos mortos? — Perguntou incrédulo — É sério que vocês vão nos matar por causa de uma ideia tão idiota?
– É realmente idiota para você? — A enfermeira perguntou, arqueando uma sobrancelha. — Pense bem. A maioria das pessoas tem o desejo de trazer alguém de volta para esse mundo.
– Muitos magos de gerações passadas tentaram esse feito sem sucesso. — Gajeel observou. — O que os faz acreditar que conseguirão?
– A maioria das tentativas foram realizadas em rituais de magia negra onde os magos tentavam atrair a alma do cadáver de volta para o corpo com palavras sem sentido e sacrifícios humanos. — Randha explicou — Nossa própria organização já participou de rituais assim no passado.
– E não é assim que vocês pretendem fazer agora? — Indagou o rapaz. — Afinal, não somos sacrifícios?
– Eu nunca disse isso. — Corrigiu a jovem. — Eu disse que vocês morreriam em prol do nosso projeto. Depois de séculos de pesquisa, digamos que encontramos um método que promete maior eficiência do que simples derramamento de sangue.
– E que método fantástico é esse? — Gajeel perguntou.
– Vamos criar um caminho do mundo dos mortos até o nosso mundo.
Naquele momento, Gajeel não pôde mais se conter. Gargalhou. Gargalhou com muita vontade. Randha, pela primeira vez desde que a conversa começara, parou de sorrir.
– Agora eu é que não entendo a graça. — Falou a moça, ainda séria.
– Um caminho do além até aqui? — Debochou Gajeel. — Eu nunca ouvi nada tão idiota em toda a minha vida.
– Não precisamos que acredite. O projeto é real e entrará em execução em poucas horas. — Falou, levemente alterada.
– O que eu não acredito é que eu vou morrer por uma causa tão sem sentido. — O mago continuou, entre risos. Randha, finalmente irritada, acertou-lhe um soco no nariz. — MALDITA! — Gajeel gritou.
– Não zombe dos nosso sonhos. — Falou a jovem, entredentes, o ódio completamente visível em seus grandes olhos alaranjados. Revoltada pela impertinência do rapaz, ela deu as costas e se afastou.
– Hei, volta aqui! Você não disse nem metade do que eu queria saber! — O dragon slayer gritou, revoltado.
– E nem vou dizer. — Randha respondeu. Gajeel mandou um palavrão como protesto, mas a suposta enfermeira fingiu não ouvir. Em passos largos, ela direcionou-se a porta, passou as costas da mão esquerda em algum dispositivo estranho na parede, e saiu quando a porta se abriu.
Gajeel encarou, o teto, pensando em tudo o que tinha acabado de ouvir. Apesar de não saber os detalhes, uma coisa era certa: Ele e todos os que estavam ali morreriam em breve, se não dessem um jeito de escapar. A certeza da morte deles por parte de seus captores era tamanha que Randha não se importara nenhum pouco de revelar parte do plano. Talvez o revelaria inteiro, se ele tivesse conseguido segurar o riso. Mas esse era um defeito dele. Rir em momentos de tensão.
Novamente, ele virou a cabeça de modo que pudesse olhar Para Levy. Mesmo que ela estivesse desmaiada, parecia apenas estar dormindo tranquilamente. Sua respiração era calma, característica de um sono bom. Sua expressão era branda. O dragon slayer tentou imaginar a expressão que ela faria, caso tivesse escutado o que ele escutou. Depois, pensou se ela acordaria antes que chegasse o momento de serem levados. Se ela despertaria antes de morrer ou se apenas faria a transição de um sono passageiro para um sono permanente. Repentinamente, a imagem do corpo de Levy inerte, sem qualquer movimento respiratório veio em sua cabeça.
Sem saber explicar porque, o dragon slayer provou de um sentimento terrível naquele momento. Ele definitivamente precisava dar um jeito de escaparem dali. Por ela.
Mal sabia ele que mais um dos magos capturados havia despertado e, muito quieto, tinha acompanhando atentamente a sua conversa com Randha. E ao contrário dele, que tentava manter a calma, o outro ouvinte estava beirando o desespero.
– Eu tenho que sair daqui! - Evergreen pensava em pânico. – Não posso morrer agora! Não antes do meu filho nascer. - Cerrou os olhos com força, tentando bloquear o choro. Porém, seu esforço não conseguiu impedir que uma lágrima solitária escapasse, riscando a lateral de seu rosto.
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Erza não sabia dizer a quanto tempo estava caminhando. Podia ser a dez minutos. Podia ser a vinte. O bloqueio de sua visão pela venda preta também estava afetando sua noção de tempo. Ela gostaria de acreditar que o calafrio que sentia decorria do contato de seus pés descalços com o piso gelado. Entretanto, sabia que não era. Estava com medo. Temia por si e, principalmente, por Jellal. Ainda assim, tentava desesperadamente manter uma postura confiante. Não queria demonstrar fraqueza em frente aos inimigos.
Pelo som dos passos que ouvia não ter se alterado desde que descera do veículo, sabia que Jellal ainda estava por perto. Provavelmente estavam sendo levados para o mesmo local. Imaginou que, assim como ela, o mago também estava sendo conduzido por duas pessoas, uma segurando em cada braço seu. As mãos também ainda deviam estar amarradas para trás. Nessas condições e sem poder usar magia, os dois magos não tinham nenhuma chance de fuga.
Em determinado momento, a ruiva começou a ouvir gemidos de agonia. Seu estômago pesou, gelando. Involuntariamente, começou a ter a mente tomadas por pensamentos diversos. Lembrou-se da fotografia de Yukino, morta, com uma marca similar a sua no pescoço. Pensou em seus companheiros de guilda, se eles estariam bem ou se também haviam sido capturados. A possibilidade de aqueles gemidos estarem vindo de algum deles a desolou por um instante. Porém, logo tentou se acalmar. Nenhuma daquelas inúmeras vozes lhe pareciam familiar. Porém, estava crente que logo se tornaria uma delas.
Então, seus pensamentos viajaram até a Fairy Tail. Erza pensou no quanto amava sua guilda, e o quanto desejava entrar nela novamente, sendo saldada gentilmente por Mirajane. Pensou no quanto queria pegar um trabalho desafiador, e sair com o seu time, "O Time Mais Forte da Fairy Tail", chutando bundas de criminosos e destruindo uma cidade qualquer. Mentalmente, riu de sua vontade sem noção.
Em seguida, uma lembrança surgiu em sua mente. Pela segunda vez naquele dia, ela lembrou-se da ocasião em que Jellal e ela quase se beijaram. Lembrou-se de como colocou as mãos convidativamente na face dele, logo após dizer que pensou que nunca mais o veria. Lembrou que ele secou uma lágrima que escorreu por seu rosto, antes de começar a se aproximar. Quase pode sentir o hálito quente dele, da mesma forma que sentiu naquele dia. E quando lembrou-se da forma brusca que foi afastada, sentiu uma raiva repentina, misturada com um sentimento de arrependimento. Agora que estavam sendo conduzidos sabe-se lá para que destino injusto, talvez nunca mais tivesse a chance de sentir os lábios dele colados aos seus.
A maga estava tão absorta em suas memórias, que nem mesmo percebeu que o som dos passos de mais uma pessoa tinha sido acrescentado aos que já ouvia. Só se deu conta de que algo estava errado quando os magos que praticamente a arrastavam pararam abruptamente, forçando-a parar também.
– Mas o que você está fazendo aqui? — Erza ouviu o mago que segurava seu braço direito perguntar. Pelos ruídos que seguiram, deduziu que ele tinha se colocado em posição de ataque.
– Como você chegou aqui? — A ruiva ouviu outro mago falar de algum ponto mais distante. Ela reconheceu a segunda voz. Era a voz do mago que havia vendado Jellal e ela. Talvez ele fosse um dos que estivessem conduzindo o membro da Crime Sorcière.
Nenhuma resposta porém adveio das perguntas feitas. E sem saber o porque, sentiu seu corpo ficar extremamente pesado e em seguida ser pressionado absurdamente contra o chão.
– Erza! — Jellal gritou, de algum lugar a sua esquerda.
– Jellal! — Ela gritou de volta. A maga estava deitada de bruços, sentindo toda aquela pressão que a mantinha caída.
A ruiva ouviu barulhos de golpes e gritos dos magos que estavam ao seu redor. Desesperada, tentou se mexer, inutilmente. Jellal podia estar em perigo.
– JELLAL! — Gritou mais uma vez, tentando forçar seus corpo a se mover.
Então, tão repentinamente quanto veio, a força que a tinha derrubado cessou. Atordoada, a maga sentou-se. Ouvindo um barulho metálico perto de si, ficou em alerta. Quando sentiu que alguém se aproximava, tentou se levantar e correr, mas foi segurada pelas algemas que prendiam suas mãos para trás. Inesperadamente, sentiu seus pulsos se soltarem.
Temerosa, Erza retirou a venda que cobria seus olhos. Novamente, sentiu a dor provocada pela claridade.
Mesmo com dificuldade para focalizar as imagens que via, percebeu que todos os magos de branco que os conduziam estavam desmaiados. Tentando encontrar quem havia lhe libertado, olhou em volta. Surpreendeu-se quando identificou seu libertador. O espírito de Libras já se encontrava próximo a Jellal, prestes a destrancar suas algemas também.
Jellal, ainda sentado no chão, descobriu os próprios olhos assim que foi solto. Num ímpeto, Erza correu, desengonçadamente, e jogou-se sobre ele, abraçando-o, totalmente ignorando o espírito celestial.
Ela sentiu o corpo dele se enrijecer, inicialmente chocado pelo gesto da moça, mas em seguida, timidamente, ele passou os braços por sua cintura, retribuindo o abraço.
– Você está bem? — Perguntou ele, ainda segurando-a.
– Uhum. — Ela respondeu, a voz abafada pois seu rosto estava afundado no peito do rapaz. — Veja! — exclamou ela, afastando-se gentilmente. Os dois, agora distantes, observaram os magos caídos em volta, e em seguida encararam o espírito zodiacal.
– Você! — Jellal exclamou. Libra estava parada no meio do longo corredor, inteiramente branco, com várias portas em seu comprimento.
– Você é um dos espíritos de Yukino. — Falou Erza. Ela lembrava de ter visto o espírito na luta da Ex-sabertooth contra Kagura, nos Grandes Jogos Mágicos. Assim como Kagura, o espírito tinha o poder de manipular a gravidade. Agora entendia de onde viera a força que a derrubou.
Era. — Libra enfatizou, com tristeza. — Nós não temos muito tempo. — Falou com urgência. — Não posso circular livremente pelos corredores. Logo Caelum estará aqui.
– Caelum? — Jellal perguntou, confuso.
– Não dá pra explicar tudo agora, mas ele é outro espírito celestial que pode atingir tanto humanos quanto espíritos. — Contou. — Se vocês retornarem por esse corredor e virarem a esquerda quando ele se dividir, encontrarão o setor de armas e objetos mágicos. — Explicou, apontando a direção. — Provavelmente na sala três encontrarão suas armas ou pelo menos algo com que possam se defender.
– Hei, você sabe porque nos trouxeram até aqui? — Erza perguntou. — Sabe que marca é essa no nosso pescoço?
– Não posso explicar nada agora. — Libras respondeu. — Todo esse lugar é monitorado por câmeras, logo estarão aqui. Por favor, vão! — Insistiu.
– Mas nós não podemos usar magia! — Erza rebateu.
– Talvez eu possa. — Jellal interrompeu. A ruiva, e até mesmo o espírito celestial o olharam curiosos. — Digo, se conseguir recuperar os cajados de Mystogan. Erza, num estalo, entendeu o que ele queria dizer.
– Mas é claro! — Disse. — Mystogan não possuia magia no próprio corpo. E você copia a magia dele.
– Me sinto um idiota por não ter pensado nisso na hora que fomos capturados. — O mago falou. No momento que foram atingidos pela maldição, Jellal lutava com a própria magia. Não tinha atinado que apenas magias que movimentassem seu próprio poder mágico iriam afetar Erza. — Vamos Erza! — Jellal chamou a ruiva, puxando-a pelo braço.
– Espere! — Libras pediu. — Só quem tem a marca da Nihil Occultum pode ter acesso as salas. — Falou, apontando uma lacrima de identificação em uma das portas próximas. — O setor de armas e objetos mágicos é de nível laranja. Então apenas os membros com a marca desse nível ou superior podem ter acesso. — Disse, ao mesmo tempo que tirava a luva de um dos magos desmaiados. Erza e Jellal puderam ver o estranho desenho de cor alaranjada que consistia na marca da seita: Uma mão esquelética segurando o símbolo matemático infinito. — Esse vai servir.
– Vamos ter que carregá-lo por aí? — Jellal perguntou, claramente desanimado.
– É a melhor chance que vocês tem de entrar. A menos que encontrem outro mago nível laranja e o derrotem.
– Não acho que estejamos em condições adequadas para isso. — Admitiu o mago. — Ainda assim, vamos pegar os armamentos deles para caso precisemos nos defender. — Disse, pegando um daqueles estranhos cajados que lançavam raios avermelhados e passando para Erza. Em seguida, pegou outro para ele próprio.
– Então vamos! — Erza falou, pegando o mago nível laranja desmaiado pelo calcanhar e o puxando pelo corredor, fazendo com que os olhos de Jellal e do espírito saltassem os olhos. Afinal, o peso dele não era nada se comparado com o peso das malas que carregava em suas missões.
– Infelizmente, não poderei acompanha-los. Preciso encontrar Lucy Heartfilia — Libra justificou.
– Ela também foi capturada? — Erza perguntou, aflita.
– Apenas três magos que estavam em Datra escaparam. Já enviaram forças para capturá-los. — Contou o espírito celestial. — Entretanto, assim como vocês, Lucy e Natsu estão escondidos em algum lugar do prédio.
– Então devemos nos apressar! — Jellal falou. — Assim que pudermos nos defender, sairemos para procurá-los. — Erza assentiu.
– Tenham cuidado. — Libra falou, ao vê-los se afastando, antes de desaparecer em meio a uma névoa branca.
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Assim que Meldy e Juvia deixaram a estação de trem, perceberam que a cidade estava anormalmente agitada para uma madrugada. Com facilidade, arrancaram de alguns curiosos a informação que o hotel que ficava perto da estação havia sido atacado, e alguns magos haviam sido capturados.
Aparentemente, outros ataques tinham ocorrido em diferentes pontos da cidade. Em razão disso, Cavaleiros Rúnicos andavam por todos os lados. Ao ver tantos funcionários do conselho espalhados, Juvia rasgou um pedaço da própria saia e amarrou no pescoço, escondendo a marca. O lenço de improviso não poderia ter vindo em momento mais oportuno, pois ao perceber a maga ferida e maltrapilha andando pela cidade, um soldado a abordou.
Mesmo insistindo que estava bem e alegando que não tinha sido vítima dos ataques, o cavaleiro pediu as duas magas que o acompanhassem. Juvia e Meldy começaram a suar frio. A situação ficava cada vez pior. Começando pelo fato de que Meldy era uma criminosa procurada, e ambas estavam sendo escoltadas por um soldado do conselho sabe-se lá para onde.
Sem opções momentâneas, as magas seguiram o soldado, que as conduziu até carruagens que estavam oferecendo improvisadamente os primeiros socorros aos funcionários do hotel e aos poucos hópedes atingidos no ataque. Em seguida, seriam todos lavados para o hospital local.
Meldy foi afastada de Juvia por dois magos enfermeiros e encaminhada a uma carruagem diferente. Mesmo sob protestos da garota, os dois tiraram a velha lacrima de suas mãos e começaram a verificar se tinha ferimentos. Revoltada, a garota se calou e esperou por uma oportunidade de escapar sem chamar a atenção.
Juvia, por sua vez, devido a sua terrível aparência, foi forçada a deitar-se em uma maca para ser examinada com mais cuidado. Da mesma forma que Meldy tentou protestar e se levantar, mas os enfermeiros a forçaram a permanecer ali. Quase em desespero, a maga começou a tramar uma forma de escapar. Estava pensando seriamente em usar sua magia e dispersar seu corpo, para que pudesse fugir. Entretanto, sabia que isso chamaria a atenção dos soldados ali presentes e, na pior das hipóteses, deixaria Meldy exposta.
A maga sobressaltou-se ao sentir um dos enfermeiros tentar tirar o tecido de seu pescoço. Assustada, sentou-se, praticamente implorando para que ele parasse.
– Moça, se você está ferida, temos que fazer os primeiros socorros logo! — Alertou o enfermeiro.
– N-não! — Esganiçava a maga da chuva. — Por favor não toquem na Juvia! — Implorou, as mãos protegendo o pescoço, temendo que a marca fosse revelada.
– Você pode ter fraturado o pescoço! Isso é perigoso, me deixe ver! — Insistiu o mago, crente que o tecido tratava-se de um curativo improvisado.
– NÃO! — Juvia gritou, batendo na mão dele que já se estendia em sua direção. Sem opções, um dos magos enfermeiros tentou imobilizá-la, para que o outro pudesse fazer seu serviço, mas a maga se debatia furiosamente.
– EI, VOCÊS DOIS! — Outro enfermeiro entrou na carruagem, gritando. — Uma mulher teve a perna decepada! Estão chamando todos os enfermeiros com urgência!
Imediatamente, os enfermeiros que atormentavam Juvia deixaram a carruagem. A moça olhou eles se afastarem, aliviada. Porém, logo reparou que o enfermeiro que havia os chamado permaneceu ali.
– Você não deveria ir ajudá-los? — Juvia perguntou, desconfiada.
– Estou cuidando de um caso especial. — Falou, fechando a porta da carruagem. A maga estremeceu.
– Juvia se sente melhor! — Disse, se levantando. — Juvia que ir para casa.
– Nós dois sabemos que você mora bem longe daqui. — O enfermeiro falou, segurando Juvia pelo braço. A garota congelou, aterrorizada. — Se você vier sem fazer barulho, pouparemos a vida da outra garota. — Falou, ao pé do ouvido da maga. — Eu dei a ordem para que a matassem se percebessem qualquer sinal de resistência.
– Não machuquem Meldy. — Implorou Juvia.
– Então se comporte. — Exigiu.
Juvia fechou os olhos por um instante. Mesmo que aquele homem tivesse dito que Meldy estava a sua mercê, podia ser um blefe. Mas a probabilidade era grande. A garota podia ter sido encurralada da mesma forma que ela: por um falso enfermeiro.
Numa tentativa desesperada, a maga virou-se lançando seu Water Slicer. Pego de surpresa, o enfermeiro tentou desviar com uma manobra atrapalhada, mas não conseguiu evitar de ter parte do rosto atingido. Ante a dor excruciante, o inimigo urrou.
– VADIA! — Ele gritou, com a mão nos olhos. — VADIA! — Repetiu. Juvia levou as mãos a boca horrorizada ao perceber que seu golpe, por ser lançado muito próximo do oponente, tinha perfurado seu olho direito. Mesmo chocada, a maga abriu a porta da carruagem, preparando-se para saltar. Porém, outro mago disfarçado de enfermeiro aguardava do lado de fora. Percebendo a tentativa de fuga da maga, empurrou-a com brutalidade para dentro.
– Como você é lerdo, Heitor. — O segundo falso enfermeiro zombou, entrando no veículo e fechando a porta. — Eu disse para deixar o serviço para um Aprendiz competente. Mas você insistiu em fazer. Vê? Sua desobediência lhe custou um olho.
– Cala a boca! — Heitor gritou, soltando inúmeros palavrões em seguida. — Acabe com essa cachorra! — Pediu.
Juvia recuou ao perceber que o segundo enfermeiro se aproximava dela perigosamente.
– O corpo de Juvia é feito de Água! — Gritou. — Juvia não pode ser machucada!
– Está me desafiando, moça? — O enfermeiro disse, sorrindo de forma assustadora. — Eu vou mostrar para você que posso machucar qualquer pessoa. Peço só que fique quietinha e espere com paciência até que te levemos para um lugar mais afastado. — Falou, estendendo as mãos para frente.
Juvia sentiu uma onda de choque percorrer seu corpo, fazendo com que ela caísse, paralizada. Mesmo sem os movimentos, a moça viu o inimigo descer da carruagem e fechar a porta. Conseguiu também ouvi-lo falar com alguém de fora que a pessoa que estava ali dentro estava em estado gravíssimo, portanto precisava ser levada imediadamente ao hospital.
Impossibilitada de fugir, a moça sentiu a carruagem entrar em movimento, levando-a para longe. A única coisa que pode fazer foi desejar com todas as suas forças que Gray conseguisse escapar.
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