Vínculo Mágico
9 Escalada ao Paraíso
Notas iniciais
Capítulo IX — Escalada ao Paraíso
– É impossível que tenham burlado a maldição, Jiro-chan! — Kotaro insistiu, levemente irritado. — Você sabe muito bem. Nós a testamos várias vezes e em todas elas o resultado foi o mesmo.
– Eu sei. — Pelo lacrima, Kotaro ouviu o irmão mais novo concordar. — Mas eu tenho certeza que vi pelo monitor o Espírito de Capricórnio caminhando com eles. Eu tentei avisar o Onii-san, mas não o alcancei. — Justificou.
– Tudo bem Jiro. — Kotaro o acalmou. — O espírito pode ter aparecido para Heartfilia por conta própria, do mesmo jeito que Ophiuchus veio até nós. — Explicou. — Nossos planos não serão minados por tentativas inúteis de fuga. Apenas mande que os Aprendizes os peguem de uma vez.
– Entendido. — Respondeu Jiro, obedientemente.
– Ótimo. — Kotaro falou. — Tente não se envolver diretamente ou fazer besteiras. — Orientou. Jiro apenas acenou positivamente com a cabeça. — Vou cortar a transmissão. Ainda precisamos capturar o Mago do Gelo. — Disse, antes de ver o irmão desaparecer no lacrima de comunicação portátil.
Kotaro suspirou incomodado. Não sabia que a conexão dos espíritos de Heartfilia com ela fosse forte ao ponto de permitir que eles viessem até ela por conta própria. Isso poderia gerar uma pequena dor de cabeça. Entediado, olhou pela janela de seu luxuoso veículo mágico. Se algum forasteiro visse o carro passar, certamente admiraria um modelo tão requintado. Entretanto, ninguém em Zamuria iria estranhar. Para todos os efeitos, Kotaro Nomura era um cidadão respeitável, dono de uma rede de hospitais mágicos, com filiais em toda Fiore.
Sua posição social constituía uma fachada formidável. Sendo um rico médico e empresário, ninguém estranharia que tivesse uma enorme fazenda aos arredores da cidade, fazenda essa que abrigava em seu subterrâneo a sede da Nihil Occultum. Para garantir a tranquilidade da organização que liderava, tinha escolhido o local de sua base cuidadosamente. Seu hálibi era mais que perfeito. Ninguém desconfiaria de pessoas vestidas de branco na propriedade de um grande médico.
Ainda que sua dedicação fosse mais voltada para a liderança da Nihil Occultum, não se podia negar que sua rede hospitalar lhe rendia mais do que o suficiente para viver uma vida luxuosa com seu irmão gêmeo Jiro, e ainda investir pesado nas pesquisas da seita. Graças a essas pesquisas, podia desfrutar de regalias que nenhuma outra pessoa possuia. Um claro exemplo era o modelo do carro que estava usando. Um veículo mágico que não precisava de um mago conectado a um Plug SE para se movimentar. A magia era mandada diretamente para o motor. Para isso, era necessária que primeiro ela fosse drenada de um mago por meio do Seranium, substância mágica descoberta e aperfeiçoada por ele próprio, e depois, fosse armazenada em um tanque, podendo o carro funcionar perfeitamente, mesmo se dirigido por uma pessoa comum. Com centenas de magos capturados e sendo usados como cobaias pela Nihil Occultum, conseguir poder mágico não era o problema.
Outro privilégio que a liderança da organização lhe trouxera foi a oportunidade de conhecer e explorar outros mundos. Graças a seus aparatos científicos, ao perceber que a magia da terra começou a ser sugada pelo Ânima, Kotaro conseguiu uma maneira de ter acesso a Edolas. Foi de lá que retirou o conceito dos veículos com tanque de magia ao invés do Plug SE. E foi de Edolas também que transportou alguns Legions, conseguindo fazer com que eles fossem criados em cativeiro e se reproduzissem.
Kotaro esteve a frente do desenvolvimento de inúmeros avanços científicos. Porém, a humanidade não os conheceria, nem mesmo teria acesso a eles. Desde os primórdios, a Nihil Occultum vinha sendo perseguida por sua incessante busca pelo conhecimento e pela verdade. Com o passar do tempo, compreenderam que esse privilégio era para poucos: apenas para os escolhidos. Desde então, a organização selecionava seus membros cuidadosamente. Pessoas com potencial mágico diferenciado, com a mente avançada e, é claro, com posições políticas convenientes e um patrimônio avantajado poderiam ser escolhidas. Entretanto, a maior parte dessas pessoas tinha o acesso limitado ao conhecimento de magias perdidas e partes ocultadas da história.
Pouquíssimos membros tinham acesso aos projetos mais inovadores. As únicas pessoas que tinham pleno conhecimento do Projeto Heaven, por exemplo, eram Kotaro, Jiro, a cúpula da organização, os Aprendizes e uns poucos funcionários de confiança. Ainda assim, esses últimos eram renovados com certa frequência, para evitar que o projeto vazasse. Quando se tornavam desnecessários, eles viravam cobaias, se tivessem bom potencial mágico. Caso contrário, eram simplesmente eliminados.
Kotaro suspirou, observando as luzes da cidade ficarem mais próximas. Finalmente, ele completaria o sonho de sua mãe. Realizaria o maior feito mágico de todos os tempos. Talvez o mais almejado. Sentia, prazerosamente, a expectativa crescer dentro de si. Talvez por isso não conseguisse evitar os flashes do passado que insistiam em invadir sua mente.
A mãe de Jiro e Kotaro, Chiye Nomura, era uma grande e influente cientista da Nihil Occultum. Ocupando uma importante posição dentro da ordem e administrando o Hospital Particular que herdou de seu falecido marido, não sobrava a Chiye muito tempo para cuidar de suas crianças. Consequentemente, ambos cresceram praticamente largados pelos corredores da sede.
Claro que não se tratava do melhor ambiente para criar dois garotos. Mas desde a morte do marido, Chiye tinha se tornado completamente obstinada.
Koji Nomura, pai de Kotaro e Jiro, era um dos principais membros investidores da Nihil Occultum. Em determinado momento casou-se com Chiye, que já empregava seu talento na a organização. Quando ela engravidou, seu marido exigiu que a criança fosse um varão, para assumir os negócios da família e levar seu nome adiante. Infelizmente, Koji morreu antes de descobrir que seria pai não de um, mas de dois meninos.
Decidida a fazer com que o marido soubesse de seus dois filhos, a cientista começou a pesquisar formas de se comunicar com as almas que partiram desse mundo. Com o passar do tempo, decidiu que apenas falar com Koji não seria suficiente. Queria trazê-lo de volta a qualquer custo. Assim, timidamente, iniciou-se o Projeto Heaven.
O que começou mais como uma busca pessoal, acabou chamando rapidamente a atenção da cúpula da organização. Logo, Chiye dedicava-se unicamente ao projeto, ignorando tudo mais a sua volta. Inclusive os filhos.
Após anos de buscas infrutíferas, a cientista finalmente encontrou indícios históricos que de tentativas passadas de trazer os mortos de volta a vida por meio de uma espécie de portal. Fazendo inúmeras viagens e pesquisas a respeito, Chiye finalmente encontrou registros que mencionavam a relação dos magos celestiais com essa suposta magia. Contudo, essa foi sua última contribuição. Tendo a saúde consumida pelo intenso trabalho, ela faleceu antes de ver o seu projeto ganhar forma.
Mesmo que não tenha tido um relacionamento caloroso com sua mãe, Kotaro herdou seu sonho. Vendo-a dedicar-se unicamente ao Projeto Heaven, cresceu com a certeza de que o veria completo. Quando a morte interrompeu os planos dela, colocou em sua cabeça que o concluiria de qualquer maneira.
Não foi preciso muita persuasão para que Kotaro conseguisse adentrar a cúpula da Nihil Occultum. Ele sabia o quanto eles desejavam ver o projeto concluído. Além disso, a pesquisa de sua mãe era codificada. E ela teve o cuidado de ensinar apenas os próprios filhos a decifrá-la.
Pouco a pouco, Kotaro escalou até o topo da Nihil Occultum, vindo eventualmente a se tornar o próprio topo. Graças ao seu brilhantismo, simultaneamente conseguiu transformar o hospital que herdou de seu pai em uma rede considerável, crescendo em influência perante o reino e o Conselho Mágico.
Assim como sua mãe, Kotaro e Jiro dedicaram seus melhores anos ao Projeto Heaven e a administração de todas as pesquisas da ordem. E eles acreditavam firmemente que nada daquilo era em vão.
Mais alguns anos gastos, outros registros revelaram a existência de um livro ligado as doze chaves de ouro, fazendo-os concluir que apenas magos que possuíam contrato com esses tipos de espíritos poderiam construir o portal.
Na época que Kotaro chegou a essa conclusão, imediatamente buscou em todas as informações que havia coletado sobre os magos celestiais de sua era — que ele tinha tido o cuidado de juntar cuidadosamente na possibilidade deles serem úteis no projeto — os que possuíam contrato com Espiritos Zodiacais.
Três magas foram as que lhe chamaram mais atenção: Karen Lilica, uma famosa maga membro da guilda Blue Pegasus, que possuía contrato com os espíritos zodiacais Leo e Áries; Angel, uma criminosa procurada, membro da guilda das trevas Oración Seis, que possuía contrato com os espíritos zodiacais Escorpion e Gemini; e também Lucy Heartfilia, filha de um poderoso aristocrata, dona das chaves de ouro Câncer, Taurus e Aquarius.
Embora fosse Heartfilia que possuísse o maior número de contratos, a maga que lhe pareceu mais promissora foi Angel. Ninguém sentiria falta de uma criminosa procurada afinal. Mesmo assim, o lider da organização passou a monitorar as três jovens esperando o momento certo para abordá-las.
Paralelamente, Kotaro tentava encontrar uma maneira de ler o livro que descobriu, já que ele estranhamente tinha todas as páginas em branco. Sabendo da Existência do Duque Everlue, outro mago celestial que possuia a chave de ouro do Espírito de Virgem, sendo também dono de uma biblioteca invejável, pediu que um dos aprendizes levasse o estranho livro até ele, perguntando o que achava.
Enorme foi a sua satisfação ao descobrir que o duque conseguia ler a capa do livro, que segundo ele se chamava "Segredos Zodiacais" e também o sexto capítulo, que ensinava uma magia possível apenas para magos celestiais, chamada "Urano Metria". Entretanto, as outras páginas continuavam em branco.
Intrigado pelo duque ter conseguido ler apenas o sexto capítulo, Kotaro imediatamente elaborou uma teoria em que cada espírito zodiacal representava um capítulo do livro. Sendo Virgem a sexta constelação do zodíaco, o capítulo sexto poderia ser lido por quem tivesse um contrato com ela.
O líder da Nihil Occultum sentiu então que estava mais próximo do que nunca de realizar o Projeto Heaven, pois existia uma grande possibilidade da magia que procurava estar registrada em um dos capítulos daquele livro. Porém, o destino mostrou que seus planos teriam que esperar ainda mais.
Karen Lilica faleceu em missão, pelas mãos da própria Angel. Embora tenha obtido informações que a assassina tenha se tornado a nova proprietária de Áries, Kotaro não teve notícias sobre o Espírito de Leão até que ele passasse a pertencer a Lucy, pouco depois dela entrar para a Fairy Tail.
A morte de Lilica fortaleceu a convicção de Kotaro sobre Angel ser a escolhida para o seu projeto. Todavia, pouco tempo depois, a mesma foi presa ao ser derrotada por Heartfilia, em uma missão conjunta de várias guildas oficiais para destruir a Oración Seis. Sendo proprietária então de nove dos doze portões do zodíaco, Lucy finalmente começou a chamar a atenção do lider da Nihil Occultum.
Mesmo que Lucy tenha se tornado a opção mais viável, Kotaro receou por um momento usá-la no projeto. Isso porque sendo membro da Fairy Tail, a maga era, obviamente, uma das protegidas de Makarov.
Dois arrependimentos marcavam o tempo que Kotaro esteve a frente da Nihil Occultum. Um deles era ter sondado Siegrain, na época um ambicioso membro do Conselho Mágico sobre seu possível interesse em participar da Nihil Occultum. Mesmo que ao fazê-lo nem sequer tenha revelado o nome da ordem, mais tarde Kotaro descobriu que Siegrain era na verdade Jellal, servo de Zeref determinado a trazê-lo de volta a vida. Esse arrependimento transformou-se em alívio por um tempo, ao acreditar que o mago tinha morrido no incidente da Torre do Paraíso, mais voltaria a incomodá-lo anos depois, quando o mesmo retornasse integrante da Crime Sorcière, guilda neutra que lhe deu muito trabalho.
Seu outro — e maior — arrependimento foi ter raptado anos antes um dos membros da Fairy Tail para ser usado como cobaia em seus projetos.
O rapto tinha acontecido mais de 20 anos antes. No ano de X763, Alonse Ryan, um jovem mago da Fairy Tail, foi internado em um dos Hospitais Mágicos da família Nomura, após se acidentar em uma missão que realizava na cidade de Acalypha. Kotaro, que na época visitava aquele hospital, ficou impressionado com o potencial mágico que o mago possuía. Sem pensar duas vezes, o sequestrou para que fosse um de seus experimentos, levando-o para a base da Nihil Occultum.
O que ele não contava era com a obstinação de Makarov em encontrar o membro de sua guilda. Sabendo que o hospital foi o último local em que ele tinha sido visto, Makarov investigou profundamente o desaparecimento de Alonse, e sugeriu várias vezes — até mesmo em conselho — que Kotaro estava relacionado com isso. Daquele dia em diante, Kotaro soube que não poderia facilitar com Makarov, que sempre manteve-se atento as atividades que realizava.
Por essa razão, usar Lucy Heartfilia seria um problema. Kotaro sabia que Makarov começaria uma Guerra caso desconfiasse dele novamente. A recente dissolução da Phanton Lord provava isso. Mas estava decidido. Não se importaria em destruir a Fairy Tail inteira se fosse necessário para que sua ambição se concretizasse.
Resoluto, o mago finalmente colocaria em ação o Projeto. Contudo, mais uma vez, o destino interferiu em seus planos.
O suposto exterminio de toda a Fairy Tail junto com a destruição da Ilha Tenrou quase fez com que Kotaro desistisse de seu sonho. Junto com Lucy Heartfilia, desapareceram as suas — agora — dez chaves.
Kotaro sabia que ainda existiam duas chaves de ouro, mas sabia também que existia a chance da chave que revelasse o capítulo que ele precisava ter se perdido com Lucy. Mesmo assim, ele dedicou cada um dos sete anos que a Fairy Tail ficou desaparecida para procurar as chaves restantes, sem sucesso algum.
Para intensa satisfação de Kotaro, a Fairy Tail reapareceu. Após um lapso de sete anos, era natural que a guilda mais forte fosse extremamente prejudicada, tornando-se a mais fraca. Era a hora perfeita para agir. Kotaro, então, começou a arquitetar um plano de captura de Lucy Heartfilia e destruição da decadente Fairy Tail.
Enquanto fazia os preparativos, estudou e desenvolveu a magia "Maledicite Vincla", maldição que descobrira nesses sete anos que poderia ser extremamente útil em seus planos. E pela ultima vez, seus sonhos quase foram arruinados novamente.
Kotaro não era o único interessado em Lucy Heartfilia e suas chaves. O próprio reino, secretamente, desenvolveu um plano durante os sete anos que a Fairy Tail ficou desaparecida, o Projeto Eclipse. Após o retorno da Fairy Tail e durante sua participação nos Grandes Jogos Mágicos, Lucy foi presa e suas chaves foram usadas para abrir o Portão do Eclipse, que foi responsável por trazer sete dragões a está era e quase culminou na destruição de Fiore. O lado positivo de toda a confusão é que graças aos Grandes Jogos Mágicos, Kotaro descobriu Yukino, maga celestial proprietária não só das duas chaves de ouro restantes, mas também de uma nova chave zodiacal totalmente desconhecida para ele até então: Ophiuchus.
Compilando todas as suas descobertas, o líder da organização concluiu que o livro "Segredos Zodiacais" provavelmente teria 13 capítulos, um para cada chave de ouro. Decidido a colocar as mãos em todas elas, começou a pesquisar a vida de Yukino.
Descobriu tudo sobre a maga: Chamava-se Yukino Aguria. Seus pais foram mortos por seguidores de Zeref, e sua irmã, Sorano, foi levada para ser escrava. Era uma novata da guilda Sabertooth, mas foi expulsa ao perder para Kagura em uma batalha dos Grandes Jogos Mágicos. Em seguida, foi recrutada pelo exército para participar do Projeto Eclipse. Motivo? Queria voltar no tempo e matar Zeref, impedindo que seus pais fossem mortos e sua irmã fosse levada. E esse simples desejo eram a chave para que Kotaro conseguisse o que queria.
Não foi preciso muito esforço para que Kotaro encontrasse Sorano. Todas as peças do quebra-cabeça estavam a sua frente. Ele só precisou uni-las. Na verdade, Kotaro a conhecia de longa data. Também não foi difícil convencer Sorano. Até porque, Kotaro a tinha na palma da mão. Sabia todas as coisas ruins que ela esteve envolvida. E, em troca de sua colaboração, lhe daria a liberdade. Também tinha lhe prometido sua antiga vida, junto de seus pais e Yukino, mas sabia que essa parte provavelmente não se cumpriria. Ainda assim, sua consciência não pesava nem um pouco.
Seguindo as orientações dele, Sorano encontrou-se com Yukino, e pouco tempo depois passou a viver com ela em Zamuria. Eventualmente, entregou o Livro Segredos Zodiacais a ela e a incentivou a tentar sua leitura, invocando seus espíritos para tal. Mas, segundo as informações que Sorano forneceu, nenhuma daquelas chaves permitia a leitura do capítulo que interessava a Kotaro. Porém, numa incrível virada de sorte, Sorano foi procurada, secretamente, por um dos espíritos de sua irmã.
O espírito de Ophiuchus se dispôs a contar tudo o que sabia sobre o livro a Sorano e Kotaro, com a condição de participar do projeto. Ao ser questionado da razão pela qual trairia sua dona, o serpentário, como era conhecido o espírito, contou sua história mais que extraordinária a eles. Quase que coincidentemente, Kotaro viu-se diante da única coisa que faltava para que seu sonho finalmente se tornasse real.
Agora, ele só precisava lidar com um último problema: Yukino. De alguma forma, ela desconfiou dos planos de sua irmã e pediu ajuda a Fairy Tail.
Considerando que já estava em seus planos envolver a Fairy Tail no projeto, Kotaro não encarou a situação como um obstáculo, mas sim como uma isca. Então, ele só precisaria eliminar a ameaça que Yukino se tornou. E ele eliminou.
Yukino não tinha sido a primeira vida perdida para que o Projeto Heaven se realizasse. Pelo contrário. Em um determinado momento, Kotaro simplesmente desistiu de contar quantas pessoas haviam partido em prol de sua pesquisa. Isso era irrelevante. E ele sabia que mais vidas se perderiam. Talvez ainda naquela noite.
Com a ansiedade ameaçando apoderar-se dele, continuou fitando os vultos tortuosos da cidade pela janela de seu carro. Seu sonho agora estava tão próximo de acontecer que era quase palpável. Não permitiria que qualquer tipo de rebelião dos magos da Fairy Tail o destruíssem.
– Só mais um pouco, mãe. — Pensou, sentindo o veículo parar.
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Jellal e Erza passaram o pulso do soldado desmaiado em frente ao lacrima de identificação, destrancando de imediato a porta da sala três. Olharam para ambos os lados do corredor inteiramente branco antes de entrarem e fecharem a porta. Sabiam que estavam sendo monitorados. Era questão de tempo serem alcançados.
A ruiva largou o soldado que vinha arrastando em um canto qualquer. Juntamente com o membro da Crime Sorcière, pôs-se a procurar por suas armas.
– Elas também são classificadas por cores. — Erza observou as diferentes lacrimas de identificação que trancavam as inúmeras redomas de vidro que protegiam as armas.
– Por sorte Libra estava certa. — Falou Jellal do outro lado da sala. — Nossas armas realmente são nível laranja. — Completou, levemente curioso com aquela classificação.
– Você as encontrou! — Exclamou a maga, animada. Mais que depressa ela pegou o mago desacordado pelo pé e correu até Jellal, sem se preocupar com as pancadas que o desmaiado levava pelo caminho ao se chocar com os móveis.
– Vamos destrancá-las. — Disse o membro da Crime Sorcière, com urgência. Erza pegou o pulso do mago e destrancou as redomas que guardavam as cajados de Mystogan.
– Você acha que pode usá-los? — Perguntou ao mago, apreensiva. Jellal, que já estava guardando os cajados em suas costas, pegou um deles e testou. Erza observou o mago da Nihil Occultum que estava desacordado começar a flutuar. Como uma marionete, ele foi conduzido até outra redoma e manipulado para que a destrancasse. Ainda controlando o corpo, o mago do cabelo azul fez com que ele pegasse a espada que a redoma guardava e entregasse para a ruiva.
– Talvez tenhamos uma chance afinal. — Falou, pegando a espada que lhe fora tomada horas antes. — Entretanto, mesmo com minha espada, ainda serei incapaz de usar magia.
– Tenho certeza que você continua uma espadachim fantástica! — Jellal elogiou.
– Que não pode usar magia. — Titânia insistiu.
– Precisamos sair daqui. — Finalizou ele, sorrindo, sem querer alongar o debate. O mago então virou-se em direção a saída e pôs-se a caminhar. Sabia que se estavam sendo observados, os inimigos já deveriam estar perto.
Erza observou as costas largas do mago por um momento. Teve uma sensação estranha. Uma sensação que não parecia combinar com o ambiente em que estavam. Sem entender exatamente o porque, segurou o membro da Crime Sorcière pela mão, impedindo que ele continuasse a caminhar.
– Algum problema, Erza? — Ele perguntou, preocupado. Erza corou, constrangida. — O que aconteceu? — Insistiu.
– Jellal... — Começou ela, tentando afastar a imagem do corpo de Yukino que invadira sua mente novamente. — Sairemos vivos daqui, ok? — Sua pergunta soou mais como uma ordem. Jellal sorriu, encarando-a.
– Está nos meus planos. — Disse, ainda sorrindo. Erza também sorriu.
– Vamos escapar com vida e nos encontrar em outro lugar. — A maga propôs. Jellal arqueou a sobrancelha, curioso. — Assim, se você quiser, poderemos fazer isso novamente.
– Isso? — Perguntou, confuso.
Sem dar-lhe o tempo necessário para que compreendesse a situação, Erza aproximou-se de Jellal, colando seus lábios nos dele. Sua intenção era dar-lhe um beijo rápido. Porém, quando fez mensão de se afastar, sentiu duas mãos firmes prendendo sua cintura e trazendo-a mais para perto.
Inicialmente, Jellal ficou sem reação com a atitude da ruiva. Porém, não demorou para perceber que o que estava acontecendo era algo que ele desejava a muito tempo. Algo que ele tinha tido a oportunidade de fazer naquela vez que rolaram morro abaixo, mas deixou escapar. Algo que ele não perderia novamente. Tão logo percebeu que a maga se afastaria, tratou de impedi-la, fazendo com que seus corpos ficassem o mais próximo possível. Puxando a maga contra si, movimentou a boca de modo que os lábios de Erza se entreabrissem e aprofundou o beijo de forma prazerosa.
A maga sentiu a língua morna de Jellal explorar cada canto de sua boca com voracidade. Sem opor resistência, se deixou ser levada quando ele caminhou um pouco para frente, fazendo com que suas costas fossem pressionadas contra o vidro gelado de uma das redomas. Quase sem fôlego, incomodou-se levemente com a lembrança que estavam com a guarda baixa em território inimigo.
Ignorando o pensamento, permitiu que Jellal a beijasse novamente, tão furiosamente quanto antes, entranhando as mãos em seus cabelos.
– Dane-se. - Pensou, rendida. — Agora nós temos magia. — Complementou, sentindo os lábios de Jellal devorando os seus.
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Natsu, Lucy e Caprico caminhavam praticamente a esmo pelos corredores brancos da Nihil Occultum. Muito embora o Espírito de Capricórnio pudesse identificar onde sua chave estava, os caminhos que encontravam não levavam na mesma direção. Além disso, todas as portas estavam trancadas, e nenhum deles fazia a menor ideia de como abri-las.
– Se continuarmos assim seremos pegos antes que sequer tenhamos chance de escapar. — Chiou Lucy.
– Perdão Lucy-sama. — Caprico pediu. — Posso sentir suas chaves, mas não consigo achar um caminho que nos leve a direção certa. — Explicou a situação.
– Então a única magia que dispomos no final das contas é totalmente inútil. — Reclamou Natsu.
– Melhor que magia nenhuma. — Rebateu a maga estelar, levemente ofendida. Ambos fizeram biquinhos de birra. — Você não consegue sentir o cheiro de ninguém? — Perguntou ela, quase com deboche.
– O cheiro de éter desse lugar é insuportável. — O dragon slayer justificou, esfregando o nariz. — Estou confundindo todos os rastros.
Natsu odiava aquele cheiro forte de esterilizante, característico de ambientes hospitalares. Ele não sabia exatamente o porque, mas era o tipo de lugar que mais o incomodava.
Sem muitas opções, o trio continuou seguindo pelo longo corredor.
Mesmo que escapar com vida fosse a maior prioridade, Lucy não conseguia deixar de pensar no pedido de Yukino para que ajudassem sua irmã. Na carta que enviou a loira, a ex-Sabertooth deixou bem claro que ela poderia ter se metido com coisas perigosas. Ou seja, a possibilidade de que a irmã de Yukino estivesse envolvida com a captura de seus amigos existia e era grande.
As palavras que Foram ditas por Kotaro antes de ser arrastada para fora do hotel ainda ecoavam em sua cabeça, reforçando sua tese.
– Aparentemente, vocês tem muitas informações sobre nós. Então pense um pouco, e saberá quem foi o responsável pela morte da sua amiguinha. – Lucy repetiu mentalmente as palavras do minúsculo homem e as analisou.
Segundo Arcadios, a causa da morte de Yukino foi asfixia. O corpo dela foi encontrado com a mesma marca gravada no pescoço da maga celestial e de seus companheiros, porém parecia ter sido feita com ferro em brasa. Agora ela podia entender porque a marca tinha sido queimada no pescoço da amiga: Ela também tinha sido vinculada magicamente a alguém. E essa pessoa teria usado magia até o ponto de provocar sua morte. Se o palpite de Makarov estivesse certo e as duplas marcadas fossem escolhidas por afinidade, então a pessoa que foi ligada pela maldição a falecida maga celestial só podia ser sua irmã: Sorano.
– Oi, Lucy, você está me escutando? — Natsu chamou, impaciente.
– O quê? — A maga respondeu, ainda arrepiada pela conclusão que chegara. — Perdão, não ouvi. — desculpou-se.
– Eu disse que senti o cheiro da Erza. — O dragon slayer falou. — Mesmo que o éter esteja dispersando seu rastro, tenho certeza que senti o cheiro dela vindo dessa direção. — Disse, indicando outro corredor a direita.
– Entao vamos procurá-la! — Lucy decidiu, repentinamente animada. — Até onde me lembro, Erza não foi atingida pela maldição.
– Mas existe a possibilidade de ter sido atingida. — Caprico lembrou. — Afinal, ela está aqui.
– De qualquer forma, a Erza é um monstro. — Natsu falou. — Se existe a possibilidade dela lutar, então nossa melhor chance é estar ao lado dela. — Lucy meneou a cabeça, assentindo.
Os três seguiram o mago do fogo que ia fungando pelo corredor, mas não demorou muito e ele estacou em frente a terceira porta. Lucy o olhou interrogativamente. Natsu cheirou tentando certificar-se do que diria a seguir.
– Eles vieram até aqui. — Falou, apontando a porta.
– Mas nos não temos a mínima ideia de como destrancar essas portas. — Lucy lembrou, revoltada.
– Posso tentar derruba-la. — Natsu sugeriu.
– Ela não vai cair apenas com força bruta. — Caprico avisou. — Está protegida por magia. Natsu soltou um palavrão. Lucy murchou, desanimada.
Repentinamente, fazendo com que o trio desse um salto de surpresa para trás, a porta se abriu, revelando um mago vestido de branco. Quando encontrou o trio, o mago gritou assustado e recuou.
Embora Natsu e Caprico tivessem se colocado em posição de combate pela suposta ameaça inimiga, Lucy permaneceu petrificada em seu lugar. Não por medo, mas por surpresa ante cena que tinha a certeza de ter presenciado, mesmo que apenas por um segundo. Assim que a porta foi aberta, pode ver claramente Jellal pressionando Erza conta uma espécie de redoma de vidro, enquanto a beijava de forma voraz.
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