Vínculo Mágico

7 Nihil Occultum


Notas iniciais
A imagem da marca da Nihil Occultum também foi feita pela Samyra. Eu amei! xD Boa leitura!

Capítulo VII — Nihil Occultum

Erza abriu os olhos sentindo a lateral do rosto chocar-se contra o piso do veículo em que estavam. A cada buraco que eles passavam, uma pancada ela levava. Observou brevemente em volta, e apesar da pouca luz pôde perceber que o espaço onde estavam confinados era completamente fechado. Jellal ainda estava desacordado. Ela nada podia fazer.

Estava com as mãos atadas para trás, o que comprometia seu equilíbrio. Tentou se levantar duas vezes, e nas duas vezes tombou por causa do movimento. Na terceira tentativa, quando conseguiu algum progresso, outro buraco e outro chacoalhão no comboio onde estavam fez com que ela caísse ao lado de Jellal, seus rostos a centímetros de distância. Ele abriu os olhos.

– Você está bem? — Perguntou o mago, olhando fixamente nos olhos da maga da Fairy Tail, que corou levemente.

– Estou. — Ela respondeu, revoltada por não poder cobrir a face vermelha. – Idiota, agora não é hora de pensar nesse tipo de coisa! – Completou mentalmente, repreendendo a si mesma pelas sensações que Jellal lhe causava.

De certa forma, a ruiva se sentia constrangida. Quando ela voltou para encontrar Jellal e percebeu que ele estava sendo cercado, tinha a intenção de ajudá-lo. Mas ver os dois juntos era tudo o que o inimigo queria. De outra forma, Kotaro não poderia ter lançado e ativado a maldição neles.

Ainda agora, seu pescoço latejava por causa da queimadura feita quando Jellal tentou usar magia. Provavelmente, o mago estava sentindo o mesmo. Erza estava se reequipando quando a maldição foi ativada.

O que tranquilizava a maga, é que ela não tinha trocado para nenhuma armadura que consumiria sua magia, e sim para as faixas brancas e a calça vermelha de algodão que a deixavam mais confortáveis. Caso contrário, teria que despir-se sem magia e ficar sem nada para que a maldição não afetasse novamente o parceiro.

– Eu acabei atrapalhando você. — Erza falou, desviando o olhar. — Me desculpa.

– Você não tinha como saber ao certo o plano do inimigo. — Respondeu ele.

– Mas você supunha. — Falou ela, encarando-o novamente.

– Me ocorreu pouco depois de saírmos do apartamento de Yukino. — Jellal falou, fechando os olhos. — Quando foram amaldiçoados, todos estavam juntos. Além disso, todas as duplas tem um vínculo forte entre si. — Disse o mago, tentando se levantar. — Quando percebi que estávamos sendo seguidos, pensei que seria melhor nos separarmos no caso de sermos possíveis alvos.

– E eu detonei a sua estratégia quando apareci. — Erza expressou finalmente o que vinha incomodando-a.

– Talvez se você não tivesse aparecido, estaria livre agora. — Falou o mago, finalmente sentado.

– Eu não podia deixar que você lutasse sozinho. — Erza falou, também tentando se levantar.

– Eu sei. — Respondeu Jellal, sorrindo. — E isso, de alguma forma me deixa feliz. — Erza, que finalmente tinha conseguido se sentar, corou novamente.

– De qualquer forma, isso é estranho né? — A maga tentou desviar o assunto, sorrindo sem graça.

– O quê? — Jellal perguntou.

– Se eles nos amaldiçoaram, supõem que temos um vínculo. — Explicou a ruiva. — E logo você que tem uma noiva e tudo mais…

– Hã? — Inicialmente, Jellal olhou para Erza confuso. Mas logo em seguida, a lembrança do momento em que eles apenas não se beijaram porque ele afastou Erza com a desculpa de um falso noivado o acertou como uma pedrada. — Ah, sim! Noiva, claro! — Emendou, tentando concertar a situação.

– Claro. — Completou Erza, sorrindo triunfante. – Você sempre foi péssimo em mentir. – Acrescentou mentalmente a mesma frase que dissera no dia do quase-beijo.

– De qualquer forma, não podemos dizer que não temos um vínculo forte. — O mago falou, corado. — Seja bom ou ruim, estamos ligados pelo passado. — Concluiu. Erza meneou a cabeça em concordância.

– Considerando que já estamos em uma situação crítica, você pode me dizer quem são os caras que estão atrás da gente? — Questionou a ruiva.

– Eu não tenho certeza. — Jellal explicou.

– Mas tem um palpite. — Pressionou Erza. O mago ficou calado alguns instantes antes de prosseguir.

– Nihil Occultum. — Falou.

– O quê? — Perguntou a garota, se aproximando.

– A seita Nihil Occultum. — Explicou Jellal.

– Eu nunca ouvi falar. — A ruiva comentou.

– Eles prezam pelo anonimato. — Começou Jellal. — Ao mesmo tempo, lutam contra tudo que é secreto. Estamos falando de uma das organizações mágicas mais antigas ainda ativa. São um grupo de estudiosos que sempre estiveram agindo nas sombras, desvendando mistérios e desenvolvendo os mais diversos tipos de magia.

– Se esse é o objetivo deles, por que eles sempre agiram nas sombras? — Questionou a maga.

– Porque desde os tempos remotos o conhecimento é considerado perigoso quando entregue a qualquer um. — Respondeu o mago. — Nunca foi do interesse de nenhum governo que o conhecimento fosse entregue as massas, fazendo com que a Nihil Occultum fosse sempre perseguida, tendo sempre que mudar sua base para vários lugares do mundo, através das gerações.

– E o que a Fairy Tail tem haver com isso? — Perguntou Erza.

– Na verdade, eu acredito que toda essa situação gira em torno de Lucy Heartfilia. — Respondeu Jellal.

– Você acha que a Lucy ou a família dela tem alguma ligação com essa seita? — Questionou Titânia.

– Embora não tenha descartado essa possibilidade, acho que o interesse deles está relacionado com a magia que Lucy usa. — Supôs Jellal.

– Magia celestial. Assim como Yukino.

– Que de alguma forma, acabou morrendo. — Lembrou ele. — Quero que você entenda que eles não são um grupo que se reúne para buscar magia e conhecimento inofensivamente. Eles buscam isso a qualquer custo, chegando a usar magos e pessoas que não usam magia como cobaias de seus experimentos.

– Mas isso é horrível! — Indignou-se a maga. — Como você sabe dessas coisas? — Indagou.

– Ultear. — Respondeu Jellal. — Ela teve acesso a muitas informações valiosas no tempo que esteve na Grimoire Heart.

– Entendo. — Ao ouvir o nome da filha de Ur, Erza não pode evitar de sentir uma pontada de ciúme. Mesmo que ela já não fizesse mais parte da Crime Sorcière. Enquanto ela ainda remoía esse sentimento, uma freada brusca a arremessou para frente juntamente com Jellal.

– Porcaria! — Exclamou ela, sentindo a face direita latejar por causa da pancada.

– Devemos estar entrando na base deles. — Jellal supôs, caído de bruços. Logo depois o carro voltou a andar, um pouco mais devagar.

– Erza — Chamou Jellal — Eu não tenho a mínima ideia do que eles farão conosco agora. — Falou, se equilibrando de joelhos. — Mas eu gostaria de pedir que você use a sua magia se acreditar que pode escapar.

– Eu posso pedir o mesmo para você? — A ruiva perguntou.

– Não. — Respondeu ele, objetivo.

– Isso me dá o direito de ignorar o que disse. — Erza concluiu, autoritária. Jellal suspirou contrariado.

Parando pela segunda vez, o carro fez com que Erza e Jellal fossem novamente impulsionados para frente, porém com menos violência, já que eles ainda estavam colados a parede em razão da última freada..

Atentos aos ruídos externos, os dois magos ouviram passos do que pareciam ser várias pessoas se aproximando. Quando porém a porta do compartimento foi aberta, machucando os olhos deles que já estavam habituados ao lúgubre ambiente, apenas um mago mascarado vestido de branco entrou.

– Estão acordados! — Falou, para fora.

– Então vende os olhos deles. — Uma voz de fora ordenou.

Jellal observou o mago de branco tirar uma tira de pano preta do bolso e colocar sobre os olhos de Erza. Naquele momento, sentiu a raiva tomar o seu peito subitamente. Ter que ver a maga em uma situação de perigo. Ver a pessoa mais importante da sua vida ser ameaçada e não poder fazer nada.

A última imagem que viu antes de ter os próprios olhos tampados foi dos cabelos escarlates da maga caindo desgrenhadamente pelo seu rosto parcialmente coberto.

– Espero que você tenha escutado tudo Meldy. — Pensou enquanto era arrastado para fora do comboio.

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A grande e velha lacrima de comunicação que Meldy vinha segurando em suas mãos na última parte da viagem já não transmitia a voz de Jellal nem de Erza. Para a sua preocupação, e também para a de Gray e Juvia, que estavam inclinados sobre o objeto, a última coisa que puderam ouvir claramente foi uma ordem para que eles fossem vendados. Agora, só ouviam ruídos.

– Eles já chegaram a base da Nihil Occultum. — Gray comentou. Graças a conversa que Jellal teve com Erza dentro do veículo, agora ele entendia melhor a situação.

– E estão sendo conduzidos para algum lugar. — Juvia completou.

– Temos que nos apressar. — Meldy falou, preocupada. — A única coisa que sabemos é que provavelmente o maior interesse deles seja Lucy Heartfilia. Mas com a captura de Erza e Jellal, bem como a de Mirajane e Lisanna, sabemos que eles também têm interesse nas pessoas amaldiçoadas.

– Mas a Wendy não chegou a ser amaldiçoada. — Observou Gray — Mesmo assim ela foi levada.

– Eu sei. — Meldy concordou, com uma pontada de culpa. Wendy tinha sido pega por causa da sua distração. Ambas investigavam o café onde as magas da Fairy Tail tinham traballhado como Maids, e no minuto que levou para que a membro mais nova da Crime Sorcière usasse o banheiro, a pequena dragon slayer e a exceed branca tinham sido atacadas. — De qualquer forma, tenho certeza que virão atrás de vocês. — Falou apontando para os dois magos da Fairy Tail.

– E pelo que ouvimos, as chances de escaparmos da maldição são maiores se nos separarmos. — Juvia falou, com o coração apertado. Se separar de Gray era a última coisa que queria fazer, mas faria se fosse pela segurança dele.

Juvia e Gray tinham escapado do ataque de mais cedo pela água invocada com a Water Source. O mago precisou nadar arrastando Juvia, que estava completamente esgotada, até uma área segura. O máximo que a maga da chuva pode fazer foi se esforçar para manter-se acordada, caso contrário a bolha de ar que permitia que Gray respirasse seria desfeita.

Os dois magos se embrenharam na floresta da montanha e pararam para descansar. Tão logo Juvia sentou apoiada numa árvore, desmaiou de cansaço. Gray não podia falar muita coisa. Estava com seu poder mágico no limite e com o corpo arrebentado.

Como se não bastasse a condição em que se encontravam, ainda tinham que decidir o que fazer. Voltar para Datra parecia a pior opção, pois era provável que os homens que os perseguiram ainda estivessem por lá. Se eles soubessem do grupo que estava investigando em Zamúria, muito provavelmente estariam vigiando a estação de trem.

Os dois magos também tinham que entrar em contato com os outros grupos e descobrir se estava tudo bem. Mas Juvia acabou perdendo a lacrima de comunicação portátil que recebeu quando invocou a Water Source.

A opção restante era caminhar ou pedir carona até a próxima cidade, e de lá pegar o trem para Zamúria. E foi o que eles optaram fazer.

Quando voltaram para a estrada, começaram a caminhar em ritmo preocupante. Se realmente precisassem andar até a cidade seguinte, não chegariam antes do anoitecer. Felizmente, por incrível coincidência, uma carruagem se aproximou deles pouco depois. E para a surpresa de ambos, Meldy era quem conduzia a carruagem.

– Céus! Vocês também foram atacados? — Perguntou, ao ver o Estado deplorável em que Juvia e Gray se encontravam: Exaustos, machucados e com as roupas todas estropiadas.

– Por um grupo de magos que vestiam roupas brancas estranhas. — Juvia respondeu.

– Assim como os que levaram Wendy. — Disparou Meldy. — Eu tentei segui-los por esta estrada, mas eles estão em veículos motorizados. Não conseguirei alcançá-los.

– Temos que avisar o resto do pessoal. — Disse Gray. — Mas nós perdemos nossa lacrima durante o ataque.

– E a nossa estava com a Wendy. — Meldy contou, desanimada. — mas subam aí, a gente rouba uma na próxima cidade.

– MELDY! — Exclamou Juvia, assustada com a naturalidade da garota.

– Medidas desesperadas Juvia-chan! — Respondeu ela, com uma voz doce.

– Sabe, nós também roubamos uma moto, lembra-se? — Gray falou para Juvia, enquanto subia na carruagem.

– Agora que você mencionou, o mestre vai ter um ataque quando souber de todas as lojas que destruímos. — A maga da chuva falou desanimada, enquanto era puxada por Gray para dentro do veículo.

– É, a Fairy Tail é mesmo animada. — Observou Meldy, rindo.

Os três magos seguiram viagem para a cidade seguinte, Serceria, com o objetivo de pegar o trem. Entretanto, achar um lacrima não foi tão fácil como imaginavam. Serceria é uma cidadezinha pequena, sem nenhuma guilda de magos, cuja economia é movimentada pela agricultura.

Sem muitas opções, Meldy invadiu uma casa, e a única lacrima que conseguiu encontrar já estava velha e com rachaduras.

Os três magos pegaram o Trem para a cidade seguinte, onde trocaram de estação e pegaram outro trem em direção a Zamúria. Porém, mesmo após várias tentativas, não conseguiram fazer a lacrima funcionar. Ainda assim, Meldy continuava tentando.

Já era tarde da noite quando Meldy finalmente conseguiu fazer contato com Jellal. Ao narrar brevemente a situação para ele, o mago revelou que também estava prestes a ser atacado.

– Meldy, estou ficando sem tempo. — Falou, alarmado. — Vou deixar a lacrima transmitindo. Ouça tudo que puder.

Meldy, Gray e Juvia conseguiram ouvir Erza se aproximando e falando com Jellal. E o que ocorreu depois, os três magos só puderam imaginar.

Ruídos estranhos os fizeram supor que eles estavam em batalha. Uma voz desconhecida gritou palavras que eles não conseguiram identificar o significado, fazendo com que Erza e Jellal gritassem por um momento e depois se calassem.

Em seguida, a voz desconhecida, identificada como Kotaro-sama por outra voz também desconhecida, explicou o funcionamento da maldição. Kotaro mandou que amarrassem e levassem Erza e Jellal para a base. Depois disso, por mais de quarenta minutos, não puderam escutar mais nada além de fracos ruídos.

O trem já estava chegando em Zamúria quando a voz de Jellal e Erza voltou a ser transmitida. Eles provavelmente estavam desacordados. Aliviados por estar em um vagão completamente vazio, a não ser por eles mesmos, os três magos escutaram toda a conversa que se desenrolou dentro do compartimento do carro, com direito ao sentimento de vergonha alheia nos momentos embaraçosos.

Agora, com trem já se aproximando da estação de Zamúria, a transmissão foi cortada de vez.

– Acharam o lacrima. — Gray falou.

– É o mais provável. Mas ele também pode ter sido quebrado ou talvez Jellal tenha dado um jeito de cortar a transmissão. — Meldy comentou, esperançosa.

– Mesmo tendo escutado tudo isso, não temos idéia de onde procurá-los. — Disse Juvia, desanimada.

– Mas é certeza que virão atrás de nós. — Gray lembrou.

– Nesse caso, vamos nos separar. — Sugeriu a integrante da Crime Sorcière, assim que desceram na estação.

– Então vocês duas ficam juntas, e eu me viro sozinho. — Falou o mago do gelo.

– Tem certeza que está tudo bem em ficar sozinho, Gray-sama? — Questionou Juvia, preocupada.

– Eles nos querem juntos. Então, se nos separarmos, pelo menos iremos atrasá-los. — Explicou o mago.

– Eu sei, mas Juvia não se importa de ficar sozinha, Gray pode ir com a Mel... — Juvia tentou, mas Gray interrompeu.

– Juvia, sua magia já foi recuperada? — Perguntou o mago do gelo, olhando fixamente nos olhos da maga da chuva, que desviou o olhar.

A verdade é que ao invocar a Water Source, Juvia esgotou todo seu poder mágico instantaneamente, do mesmo modo que para conseguir fazer o Unison Raid consumiu toda magia fornecida pela segunda origem de uma só vez. A maga nunca tinha queimado uma quantidade tão grande de poder mágico em tão pouco tempo. Talvez por isso seu poder estivesse se restaurando em ritmo tão lento. Mesmo depois de ter passado um bom tempo, ele só tinha retornado em cerca de quarenta por cento.

– Viu só? — Falou Gray. — Não há como permitir que fique sozinha. Você estará mais segura se ficar com a Meldy. — Concluiu. Juvia corou.

– Tudo resolvido então. — Meldy falou enérgica.

– Procurem um lugar seguro para tentarem entrar em contato com a Fairy Tail. — Gray orientou. — A situação é mais séria que imaginávamos. Talvez precisemos de reforços.

– Ok. — Juvia respondeu. Gray virou de costas e caminhou para fora da estação.

– Acho que o romance de alguém está progredindo. — Meldy comentou, maliciosa.

– Nã… Não é bem assim! — A maga da chuva respondeu, desconcertada.

– Você viu como ele estava todo preocupado com você? — A maga de cabelos rosas falou, com corações nos olhos. — Acho que agora esse relacionamento vai para frente.

Juvia abaixou a cabeça, constrangida. De certa forma, estava feliz por Gray ter se preocupado com ela. Mas agora, ela estava ainda mais preocupada com ele. Sabia que era questão de tempo até serem atacados.

– Por favor, fique bem Gray-sama! – Pensou, aflita. – Por favor!

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Lucy sentia a cabeça doer. Antes de abrir os olhos, levou as mãos até as têmporas e as esfregou. Quando os abriu, a claridade do ambiente feriu suas vistas, intensificando a dor que sentia.

Ela estava deitada no chão frio. Entretanto, não reconheceu o lugar. Na verdade, ela precisou de alguns segundos para se lembrar do que havia acontecido. Quando as lembranças surgiram torrencialmente em sua cabeça, levantou-se num ímpeto. Zonza, apoiou-se na parede.

A última lembrança que a loira tinha era de ser arrastada, juntamente com Natsu e Happy para fora do Hotel. Quando eles se aproximaram de um veículo mágico, alguém tampou seu nariz e sua boca com um pano úmido, fazendo com que ela perdesse a consciência.

– Natsu… — A loira, vendo o amigo caído a poucos metros de onde estava, chamou baixinho, levando as mãos a cabeça.

– Ele está bem. — Falou uma figura se aproximando. Lucy reconheceu a voz.

– Caprico! — Exclamou aliviada, encarando o espírito. — O que aconteceu? — Falou, olhando o ambiente, que aparentava ser um depósito para materiais de limpeza.

– Quando Taurus voltou ao mundo celestial, contou-nos que vocês estavam em perigo, então apareci para ajudar. — Quando o espírito terminou de falar, Lucy arregalou os olhos apavorada.

– NÃO! — Gritou, preocupada. — Você não pode ficar aqui! Volte! — Pediu, correndo até Natsu. Porém ao abaixar-se ao lado dele, reparou que ele continuava respirando.

– Você está aqui com a própria magia. — Constatou aliviada.

– Taurus narrou a situação por cima. — Falou o espírito.

– Bem, talvez as coisas não estejam tão perdidas assim. — Disse a maga celestial virando-se para o espírito. — Onde estamos?

– Na base do inimigo. — Ao ouvir sua localização, Lucy murchou desanimada.

– Você não poderia ter nos tirado daqui? — Perguntou, chorosa.

– Carregar duas pessoas sem que nenhum de nós fosse atingido seria complicado. — Respondeu o espírito. — Além disso, eles tem o Caelum. O que quer dizer que até seus espíritos terão que circular com cuidado.

– Caelum? — Lucy perguntou, incrédula. — Mas ele pertencia a Angel! E depois que ela foi presa, o contrato deve ter sido desfeito!

– Perdão Lucy-sama, mas não consegui ver quem o invocou. Estava usando uma roupa toda branca, além de estar de máscara.

– Entendo. — A loira falou.

– Lucy-sama, tem mais um problema. — Caprico avisou.

– Mais um?! — Perguntou ela, preocupada.- O que mais pode ser?

– Suas chaves, não estavam com você quando a resgatei. — Lucy, imediatamente levou a mão até seu cinto, e constatou que era verdade.

– Droga! — Falou revoltada. — Não posso ir embora antes de achá-las.

– Isso dificultará a percepção dos espíritos quanto aos perigos que a cercam. — O espírito alertou. — De qualquer forma, minha energia se consome muito mais depressa quando estou nesse mundo apenas com a minha magia. Se tiver que lutar, provavelmente terei dificuldades.

– Entendo. Nesse caso, melhor nos apressarmos. — Falou. — Vamos Natsu, acorda! — Disse, virando-se novamente para o amigo e o sacudindo. — Depressa! — Insistiu.

– Talvez você precise de uma ajuda. — Caprico ofereceu.

– Seria bom. Sinceramente, minha criatividade está se esgotando e ainda não consegui encontrar um modo totalmente eficiente de acordá-lo.

– Permita-me ensinar um novo. — O espírito falou, caminhando em direção ao garoto. Sem a menor cerimônia, agarrou-o pelo calcanhar e o suspendeu no ar, sacudindo-o fortemente em seguida. Os olhos de Lucy quase saltaram das órbitas tamanha foi sua surpresa. — Acorda folgado! — Ordenou Caprico. — Você está atrasando Lucy-sama!

– O q-que? — Natsu perguntou, abrindo os olhos meio grogue. — Lucy, mas que por… — Tentou dizer, mas um tradicional enjoo pelo movimento o acometeu. — P-para, por f-favor! — Pediu o garoto.

– Chega Caprico, ele está passando mal! — Pediu a maga. — Veja, ele já acordou!

– Certo. — Obedeceu Caprico, soltando Natsu imediatamente, que despencou no chão.

– Desgraçado… — Resmungou o mago. — Pera aí, por que você está usando magia? — Perguntou, levantando-se. — Eu já posso usar também?

– NÃO! — Lucy e Caprico gritaram em uníssono, ao ver que o mago já levantava os punhos. — Caprico veio usando a própria magia. — Lucy explicou.

– Ah sim. E onde nós estamos? — Perguntou Natsu, olhando em volta.

– Na base do inimigo. Caprico nos escondeu nesse depósito. — Falou a loira.

– E onde está o Happy? — Perguntou o mago do fogo.

– Happy? Quem é esse? — O espírito perguntou a Lucy.

– Você deixou o Happy para trás?!! — Dessa vez, Natsu e Lucy gritaram ao mesmo tempo.

– Mas quem é Happy? — Repetiu Caprico.

– O gatinho azul que você conheceu em Tenroujima. — Lembrou Lucy.

– Ah sim, o Sr. Gato. — O espírito falou. — Sinto muito, mas ele não estava no mesmo carro que vocês. Caso contrário, o teria resgatado também.

– Porcaria, o número de coisas a se fazer antes de dar o fora daqui só está aumentando. — Disse Lucy, a beira do choro.

– De qualquer forma, temos que achar o maldito que fez isso com a gente e fazer ele reverter. — Natsu disse, puxando o cachecol e mostrando a marca, que agora estava parcialmente queimada em sua pele. — Vamos aproveitar e procurar.

– Também temos que ver se encontramos a irmã de Yukino e suas chaves. — Observou Lucy. — Mas sem usar magia, isso fica quase impossível. Mesmo que eu possa contar com Caprico por algum tempo, a energia dele logo se esgotará.

– De qualquer maneira, não podemos ficar parados aqui. — Natsu falou. — E ainda temos que saber se todos estão bem.

– A lacrima de comunicação! — Lembrou Lucy, levando a mão até o pescoço. — Droga, eles a levaram também.

– Nesse caso, vamos. — Natsu chamou, já se dirigindo a saída. — Eu vou dar uma surra no desgraçado do Kotaro nem que seja com as mãos nuas.

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Jiro estava parado, no meio da sala, sob o olhar de desaprovação de seu irmão. Ele sabia que seria reprimido. Afinal, tinha cometido um erro terrível, deixando três de seus alvos fugirem.

Mesmo sabendo que seu irmão o encarava fixamente, o irmão mais novo fingia manter a atenção em qualquer outro ponto da sala. Passou os olhos pela elegante mobília antiga, que contrastava violentamente com todos os dispositivos tecnológicos presentes no ambiente.

De fato, aquele era o único lugar da sede da Nihil Occultum que não era completamente branco. Funcionava como um refúgio para os dois irmãos, que cresceram em meio aos gritos e gemidos de dor das cobaias confinadas ali. Mesmo que nunca tivessem se incomodado ou tido qualquer tipo de transtorno por ter crescido em um ambiente macabro, acabaram por associar a cor branca a tudo que é desagradável.

– Jiro, eu não preciso dizer que você foi imprudente e colocou nosso plano em risco, não é? — Kotaro perguntou, em um tom polido.

– Não, Onii-san. — Respondeu Jiro.

– Não é a primeira vez que a sua falta de inteligência e impulsividade nos faz passar por situações difíceis. — O homem gordinho falou, massageando as têmporas. — Nossa mãe tentou lhe educar, eu mesmo o treinei pessoalmente, mas você continua nos colocando em perigo por erros idiotas.

– Perdão, Onii-san! — Jiro pediu, com a cabeça baixa.

– Sua imcompetência nos deixou algumas horas mais distantes de realizar o sonho da nossa mãe. — Kotaro falou, dirigindo-se a porta. — Fique aqui e dê andamento aos procedimentos para a execução do Projeto Heaven.

– Mas Onii-san, e os que escaparam? — Questionou o irmão mais novo.

– Eu mesmo cuidarei da ativação da maldição nos dois que escaparam. — Respondeu o gorducho. — Quando ao dragon slayer e a Hertfilia, os aprendizes cuidarão deles. Afinal, sair desse complexo é praticamente impossível. — Falou de costas, já com a mão na maçaneta. — Não ouse estragar tudo.

– Entendido. — Assentiu Jiro.

Assim que o irmão mais velho saiu, Jiro caminhou até o painel onde várias telas visão de lacrima exibiam diversas áreas da sede da Nihil Occultum. Por elas, constatou que os procedimentos que Kotaro mencionou estavam sendo realizados com sucesso.

Em uma tela, podia ver os magos da Fairy Tail capturados. Mirajane o demônio, sua bela irmã mais nova, o dragon slayer de ferro, a dragon slayer do céu e a pequena maga da escrita de cabelos azuis. Todos estavam amarrados em macas, sendo mantidos desacordados, enquanto sua magia se recuperava naturalmente.

Mesmo que Jiro estivesse um pouco ressentido com as palavras de seu irmão, sabia que ele não deixava de ter razão. Quando Gray, Juvia e Meldy fossem capturados, provavelmente estariam com um baixo nível de magia em seu corpo e para realizar o Projeto Heaven, todos deveriam estar com a magia completamente restaurada. O objetivo da maldição Maledicite vincla não era só conter a revolta dos magos capturados, mas também evitar que seu poder mágico se consumisse.

Esperar a magia deles restaurar naturalmente é o ideal para o projeto, mas demandaria algum tempo. E a essa altura talvez outros magos da Fairy Tail já estivessem alertas, cuidando da situação. Logo, não podiam se dar ao luxo de perder tempo.

O que eles teriam que fazer é restaurar o poder mágico do corpo dos fugitivos artificialmente. Seria mais rápido, mas também deixaria seu corpo afetado e consequentemente a execução do Projeto Heaven seria mais instável.

Eles já tinham perdido Ultear. Para dar andamento ao projeto, também contavam com o vínculo emocional que a filha de Ur tinha com Meldy, além do seu excepcional poder mágico. Mas a maga não apareceu. Talvez tivesse acontecido algo com ela que a Nihil Occultum não soubesse. Não podiam se dar o luxo de perder mais ninguém.

Ao olhar outra tela, Jiro pulou de susto ao ver Natsu, Lucy e Caprico correndo por um corredor.

– Um espírito do zodíaco! — Falou sozinho, aproximando-se da tela até quase tocá-la com o nariz feioso. — Como aquela vadia conseguiu invocá-lo? — Perguntou, incrédulo.

De modo atabalhoado, Jiro saiu correndo as pressas na esperança de alcançar o irmão mais velho.

– Preciso avisá-lo! - Pensou, entrando no elevador. – Preciso avisar o Onii-san que há uma falha na maldição.

Notas finais
- O nome da seita Nihil Occultum foi baseada na expressão em latim "nihil diu occultum", que significa "nada oculto por muito tempo". Sinceramente, eu estava sem criatividade para criar o nome, então encontrei essa expressão e achei que se encaixou bem. O que vocês acharam do capítulo? Poderiam me dizer por comentários né? xD Até o próximo!