Voltando para o Começo
7 Capítulo 7: Não se preocupe
Notas iniciais
Pedro olha para seus sogros e então, para sua esposa; um sorriso involuntário abrindo em sua face. Karina estava grávida! Ele não poderia estar mais feliz. Toda sua vida estava se encaminhando para o que ele queria. Assim ele acreditava...
Mas quando os olhos azuis de Karina batem com os dele, seu sorriso recai. Ela tinha lágrimas nos olhos e ele sabia, não eram lágrimas de alegria. Ela estava assustada.
–- Ai meu Deus, minha linda! Meus parabéns pra vocês dois! – murmura Dandara, quebrando o silêncio atordoante e correndo para os braços de Ka.
A morena abraça a enteada com força e nem mesmo repara que não foi retribuída, Karina permaneceu ali, parada, enquanto suas lágrimas escorriam por sua face e molhavam o ombro da cantora.
–- Vocês não estão entendendo... – murmura ela, com a voz embargada, e Dandara se afasta, preocupada, enquanto Gael se agacha ao seu lado e encara Pedro como se fosse enforcá-lo.
Karina funga, enquanto sente os braços de Pedro a envolverem por trás.
–- Ta tudo bem, Esquentadinha? – pergunta ele, calmamente.
Ela engole em seco e tenta sorrir.
–- Ta sim, Pedro... quer dizer... – ela suspira. – Eu ainda não to grávida. – ela se vira para o seu marido e se concentra em seus olhos confusos.
Gael agradece em pensamento. Ele nunca havia parado para pensar na possibilidade de ser avô. Quando Duca apareceu falando que Nat estava grávida, a pouco mais de um ano atrás, ele quase saltara da cadeira, mas era muito pior com suas filhas de sangue. Era difícil não vê-las como suas crianças e a ideia de presenciar elas tendo outras crianças deixava-o irado.
–- Como assim, Karina? Você não ia dize...
–- Eu ia dizer, Pedro, que eu fui ao médico – ela engole em seco e limpa seus olhos molhados. --, e que ele disse que eu ainda não engravidei por causa do meu ovário policístico. Eu tenho dificuldade de engravidar e posso até mesmo ser infértil.
A sala fica em silêncio por vários segundos enquanto todos tentam assimilar o que ela dissera. Até mesmo Gael arregala os olhos, ele não queria vê-la grávida tão cedo, mas também não queria ver sua tristeza.
–- Você... você tem certeza disso, Karina? – pergunta Pedro, nervoso.
A garota morde dentro do próprio lábio antes de respondê-lo:
–- Eu vou tomar alguns remédios e é muito provável que, com isso, o problema se resolva, e caso não dê, ainda tem a possibilidade de uma fertilização assistida, mas ela é muito cara e tem uma chance de não dar certo...
Pedro assente, pensativo.
–- Quer dizer que vocês estavam tentando ter um filho...? – indaga Dandara, confusa.
O casal encara a mulher, parecendo se lembrar de sua presença.
Eles assentem.
–- Nós ainda estamos. – murmura Pedro, cruzando seus dedos com os da esposa e encarando firmemente seus olhos. – Nós vamos ter esse filho, Karina. -- ele leva suas mãos até seus lábios e completa, depois de beijá-las: -- Vai dar tudo certo.
(...)
Depois daquele momento levemente constrangedor, ninguém mais falou sobre aquele assunto. Gael e Dandara tentaram dar apoio e incentivo para os jovens casados e descontrair levemente o ambiente e então, o homem puxou sua filha para um canto da casa para que conversassem á sós.
–- É verdade então, Karina, você e o capiroto estão tentando ter um filho? – pergunta o treinador, de olhos arregalados de expectativa.
Ela assente, ainda meio cabisbaixa.
–- A gente decidiu já faz dois meses, mas não ta sendo fácil, principalmente com essa descoberta...
Gael assente, constrangido. Não sabia como dizer, mas se preocupava com ela, não só por causa da possibilidade de ser infértil, mas também porque já perdera uma das mulheres de sua vida em um parto e, se ela tinha dificuldade, a chance era muito maior.
Engole em seco e então suspira.
–- Vai dar tudo certo. Como seu marido doido diz, está nas mãos das forças superiores.
Karina sorri.
–- É verdade... mas e você pai, já ta pensando na ideia de ser vovô?
Ele arregala os olhos.
–- Er... eu acho que ainda sou muito novo, sabe... principalmente vô do bebê da minha segunda filha...
Ela ri.
–- Mas eu sei o quanto você e Pedro são apressadinhos. Casou primeiro que sua irmã, do dia pra noite e ainda por cima quer filhos antes dela...
–- Bem, eu acho que dois anos de casamento já seria a hora mesmo... e talvez Bianca ainda não esteja preparada para isso.
Ele acaba por concordar.
–- Você sempre foi mais madura e decidida que sua irmã, mesmo ela sendo mais velha...
Ela abre um sorriso constrangido, por mais que não se desse mais tão bem com Bianca, não gostava de ser comparada como melhor á ela. As duas eram tão diferentes... e ela se lembrava do ódio que sentia quando todos achavam-na mais bonita e simpática do que ela alguns anos atrás. Era angustiante não ter a aprovação das outras pessoas simplesmente por ser diferente.
Gael encara sua face enquanto ela tem esses pensamentos e então, consegue tomar coragem para perguntar o que queria:
–- Vocês ainda estão brigadas, não é mesmo?
Ela concorda.
–- A Bianca é meio cabeça-dura. Eu sei que errei, que fui um tanto egoísta, mas faz tanto tempo... e mesmo assim ela não me perdoou.
Gael assente.
–- É verdade, ela é orgulhosa. Mas você tem que ter paciência. Uma hora, quando vocês menos esperarem, estarão amigas novamente. – ele suspira. – E eu espero que isso aconteça logo, pois odeio ver minhas filhas afastadas desse jeito.
Karina concorda. Ela também não gostava daquela distância de Bianca, mas não estava mais em seu poder fazer as coisas voltarem ao normal.
(...)
Depois daquilo, eles foram para o salão onde ocorreria a festa de aniversário de Miguel.
O lugar estava incrivelmente decorado com mesas e cadeiras cobertas de feno ou grama, animais selvagens decorando as mesas e as paredes e a frente do arco de balões verde, laranja e marrom. Karina e Pedro tinham que admitir, a festa estava muito bonita.
Pedro se direciona para uma mesa, e puxa a cadeira para a jovem, com um sorriso debochado no rosto. Ela se senta, rindo.
–- Para que tudo isso? – pergunta, risonha.
Ele ergue as sobrancelhas.
–- Como assim? Você é a minha dama e eu tenho que te tratar bem. – responde ele, olhando-a de cima a baixo.
Ela revira os olhos. Estava vestindo uma jardineira branca naquele dia, blusa também branca e all star.
–- Não sou nenhuma leiga, Pedro. -- e então descansa o queixo sobre suas mãos.
–- Por que você está assim, tão pensativa? – pergunta o rapaz, de repente preocupado, colocando uma mão sobre a perna dela em sinal de apoio.
Ela suspira.
–- Você sabe por que eu estou assim... a gente pode nunca ter filhos. Estou preocupada...
Pedro aproxima sua cadeira da dela e envolve seus braços envolta de seus ombros enquanto beija sua bochecha.
–- Relaxa, Esquentadinha. Pensa positivo... nós ainda temos muitas chances de conseguir o que queremos.
Ela dá um leve sorriso de lado, sem graça, e então alguém interrompe sua conversa, quando puxa sua mão, animadamente.
Karina franze a testa e então abre um sorriso ao ver os dedinhos pequenos de um garotinho a puxarem. Ela olha para trás dele e vê Nat rir.
–- Ele te adora mesmo, lutadora... – murmura a morena, se aproximando.
Karina ri junto. Era verdade; não vira Alan muitas vezes naquele seu um ano de vida, mas apenas duas ou três vezes bastaram para o filho do casal Dunat a amar.
Ela se levanta, pegando o garoto no colo durante o movimento e correndo para os braços da amiga para abraçá-la em conjunto.
–- Que saudades, Esquentadinha! Mas quem é vivo sempre aparece, não é mesmo? – murmura Natália.
Karina concorda, rindo ao ver Alan mexer em seu cabelo curto.
–- Andei meio enrolada com a mudança esse último mês...
Nat assente.
–- Bem, eu vou ali parabenizar o aniversariante, já volto ai... – ela estende seus braços para pegar o pequeno garotinho, mas, vendo sua distração com a amiga, acaba por deixá-lo com ela.
Karina se senta novamente, colocando Alan de pé sobre seu colo enquanto o segurava pelas coxas e olhava para seus movimentos com um brilho no olhar. Ele era tão calminho que nem parecia uma criança de um ano de idade.
Pedro, que encarava a tudo de longe, sorri ao ver o seu olhar e um pensamento se passa por sua mente, era quase como se aquela fosse a sua família, ele conseguia imaginar, em um futuro próximo, a mesma cena se repetindo com o seu filho.
–- Oi, lutadora! – murmura uma voz, animada, e Karina parece despertar, olha para Jade enquanto ri de seu jeito.
–- Oi, doida. – murmura, aconchegando Alan em seus braços enquanto se levanta para abraçá-la.
Jade sorri.
–- Eu sou mesmo muito boa... fiz você gostar tanto de criança que já está treinando para ter o seu. Como vai a fábrica?
Karina franze a testa por um segundo, até que consegue entender o que ela disse e arregala os olhos enquanto cora.
–- Jade! Não dá bola para o que essa maluca fala, Ka, ela tem uns parafusos soltos. – diz Cobra, mandando um olhar repreendedor para a noiva.
Jade ergue as sobrancelhas.
–- Olha como fala... é essa maluca que ta carregando o seu bebê. – murmura ela, ameaçadora, passando uma mão sobre sua barriga ainda magra enquanto sorria, brincalhona.
Cobra a abraça por trás e depois de beijar sua bochecha, coloca suas mãos sobre as dela.
Karina, vendo que estava sobrando, se afasta, com um sentimento estranho dentro do peito. Ela senta Alan em seu colo e fica o resto da tarde daquele jeito, pensativa, enquanto Pedro, brincalhão como era, tentava entreter o menino.
(...)
Naquela noite, assim que Pedro e Karina chegaram em casa, ela se atirou no sofá com a mesma expressão que passara o dia inteiro.
Pedro tranca a porta e então a encara pelo canto dos olhos. Até tentara puxar assunto durante a viagem e demonstrara preocupação, mas nada adiantou, ela continuou daquele jeito morto.
Suspira. E então sobe seu corpo por cima do dela e encara seus olhos de perto.
Ela ri de seu jeito.
–- Eu já falei pra você não ficar assim, Esquentadinha. – murmura o garoto, sério.
Ela morde o lábio.
–- Desculpa, Pedro, eu devo ta muito chata com essa cara emburrada, mas não consigo evitar, é muito agoniante depender apenas do tempo pra saber se vou poder ter filhos ou não.
–- Eu sei, Ka... mas você tem que ter paciência, essa é a vida. Ela que vai planejar e dizer a hora certa. – diz o garoto, levando uma mão ao rosto dela e acariciando-o.
Karina suspira.
–- Você tem razão.
Ele sorri, convencido.
–- Eu sempre tenho razão, baby. – ela revira os olhos para sua arrogância. – Mas... – ele desce levemente seu tronco em direção ao corpo dela e beija a ponta de seu queixo. – sabe... – ele desce sua boca por sua mandíbula e alcança seu pescoço. – pra se ter um filho... – ela treme diante de seus movimentos, até que a boca dele sobe novamente e alcança o seu lóbulo. – é necessário fazê-lo.
Ela sorri enquanto se arrepia e então ele desce novamente seus lábios e finalmente a beija. Ela involuntariamente leva suas mãos para os seus cabelos e geme enquanto ele acaricia suas nádegas, suas mãos que desciam cada vez mais fazendo-a arfar. Ele sorri contra sua boca e, depois de morder seu lábio, ergue levemente o seu tronco para que ela tirasse sua camisa. Ela leva suas mãos para o primeiro botão, mas só tem tempo de desabotoar um, quando Flux pula para cima de seus pés e começa a lambê-los, animado.
Pedro ri contra o seu pescoço.
–- Bem... acho melhor a gente fazer isso... num lugar mais reservado. – murmura Karina, enquanto ria.
Pedro acaba por concordar, ele se ergue de cima dela e acaricia a cabeça do cachorro.
–- Ele só ta com ciúmes porque sabe que a gente ta fazendo um irmãozinho para ele.
Karina cora enquanto se senta sobre o sofá.
–- Ta vendo... – diz Pedro, encarando seus olhos azuis. – nós já somos uma família e já temos um filho, vamos apenas partir para o segundo... – completa, se esticando para beijá-la novamente enquanto puxa seu corpo em direção ao quarto.
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