Voltando para o Começo

20 Capítulo 20: Tenho um segredo


Notas iniciais
Música: Secret – The Pierces

—- Karina. – chama Pedro, puxando a mulher pelo braço. Ela olha para ele, mas logo desvia o olhar. – Relaxa, Ka. – murmura o músico, soltando seu braço e ofegando por ter corrido atrás dela depois de alguns minutos sem respirar durante aquele beijo intenso. – A gente... a gente tinha que fazer isso.

Ela assente. – Sim! É... eles estavam pressionando néh. – parecia que ela queria convencer mais a si mesma do que a ele.

—- Ia ficar muito suspeito se a gente não tivesse se... – ele deixa implícita a palavra “beijado”.

A lutadora passa a mão na boca, recordando do momento, mas ele pensa que é por nojo.

—- Era só encenação. – afirma o rapaz, pensando que seria melhor para não dar a entender nada que... fosse real.

Ela concorda. – Sim, Pê. Eu sei disso. – sua voz tinha um tom de decepção que ele pareceu não notar. – Agora eu vou deitar, tô... cansada. – ela tenta sorrir para apaziguar a atmosfera e então sai dali.

Pedro também queria ficar sozinho no quarto, porém, tendo que dividi-lo com ela, achou melhor ficar por ali mesmo, caminhando na beira da praia enquanto seus pensamentos vinham em um turbilhão. Pensava em tudo o que sentira e tudo o que fizera, especialmente o beijo, algo que ele sonhara e desejara por muito tempo, mas que não acontecera nada da forma que esperava. Mesmo assim, ele sorri, bobo, ao pensar nela, se repreendendo em seguida e voltando a ficar sério. Você a traiu. Você não é mais nada pra ela e nem deveria ser.

Enquanto isso, a lutadora, no quarto, estava deitada agarrada ao travesseiro, o coração ainda palpitando no peito e uma sensação de ansiedade e adrenalina percorrendo toda sua espinha. Ela queria fugir dali, pra qualquer lugar, mas em qualquer lugar sentiria o que sentia, então ela queria era fugir de seus próprios pensamentos e sentimentos. De repente, ela começa a chorar de desespero: não sabia o que fazer e não aguentava mais guardar dentro do peito o que sentia e queria. Entretanto, não podia forçá-lo e ele sempre a deixava confuso com suas atitudes: ora parecendo amá-la, ora tentando fugir dela. Ela sabia que não agia muito diferente dele, mas ela tinha seus motivos.

Karina começa a soluçar, como sempre acontecia quando ficava nervosa demais. Ele deixara bem claro em sua última conversa que a relação atual deles era puro teatro, como os que ele encenava em sua adolescência, na Ribalta. Eles eram atores naquele relacionamento, mas a atuação dele era tão boa que ela ficava zonza. E eles não conversavam sobre o que estavam fazendo exatamente. Quem ficaria com a guarda de Ana depois daquilo? Até quando esse show continuaria? Aquilo não podia respingar na menina, de forma alguma. Tudo estava ficando muito perigoso, e ela precisava dizer isso para ele, deixar tudo às claras sobre o que sentiam.

E o que ela sentia? A respiração trava por um segundo ao se perguntar, seus olhos cobertos de preocupação. Ela sentia a mesma coisa que sentia há anos atrás, quando ele lhe beijava e depois fazia graça e ela ficava em dúvida sobre a veracidade de seus sentimentos. Reagia com agressividade, não muito diferente de agora, mas hoje era mais controlada. Karina sentia a intensidade de seu olhar e toque, mas por trás era só teatro. Ela se lembra de quando descobrira que Bianca o pagara para que ele a conquistasse, quando sentiu que tudo havia sido teatro. Hoje ela sentia similar a isso e a dor também surgia, junto dela, culpa por sua mentira. Se ela tivesse aparecido aquele dia na frente da casa de shows e falado que sabia que ele não a tinha traído, como seria? Eles seguiriam infelizes no casamento? A distância os separaria de qualquer forma? Ou então ele teria ido para a Tailândia com ela ao terminar a turnê e os dois fariam uma viagem linda, para então voltar e receber a ligação da adoção?

Ela não sabia ao certo, mas imaginava que seria a primeira opção: casamento infeliz, mais brigas e mágoas e talvez um término mais para frente, quando ficassem tempo suficiente longe para duvidarem da fidelidade um do outro.

E se eles voltassem agora? Seria alegria no início e tristeza mais pra frente? Ana teria mais uma família despedaçada? Era duro demais pensar e por mais que seu corpo e coração pulassem para ficar com ele, ela não queria arriscar. Não era só seus sentimentos que estariam em jogo. Ainda mais se ele soubesse que a culpa que sentia era invenção.

Na época em que decidira não voltar atrás e lhe contar sobre a história do camarim, pareceu correto que ela se afastasse, já que o fazia infeliz e que nunca poderia lhe dar o que ele queria – ser a menina quem ele amava no passado --, pois ela mudara depois de tudo o que aconteceu, depois de tanto seu coração ser maltratado. Hoje, ela não era mesmo sua pequena Esquentadinha, mas também estava bem longe de ser aquela mulher fraca e amargurada de depois da cirurgia. Ela conseguira seguir em frente, por causa de Ana, por causa do tempo que cicatrizou seus machucados. Pena que, mesmo assim, essa utopia de que eles poderiam ser uma família era apenas isso, uma utopia. Ela adormece, pensando em seu amor impossível.

Quando a mulher acorda, Pedro já havia dormido ao seu lado e levantado novamente, estava sentado na poltrona, vestindo seu all star. Ela o olha, mas não fala nada, apenas escuta o som de alguém batendo na porta. Ao abri-la, Karina se depara com Tomtom, com um sorriso de orelha a orelha e um caderno debaixo do braço.

—- Nosso combinado, lembra?! – murmura a jovem, erguendo uma sobrancelha.

Karina treme nas estribeiras. – Ah... Tomtom, eu to louca de fome, preciso tomar café da manhã! – mente.

—- Mas o horário do café da manhã já foi. São onze horas, Karina. – diz a irmã de Pedro.

A lutadora suspira, sentindo-se enrascada, quando Pedro surge às suas costas.

—- Tomtom?

—- Sim, a sua esposa não te contou, Pedro, que eu viria fazer a entrevista pro meu livro?

—- Entrevista? – ele se faz de bobo.

—- É! A entrevista sobre a relação de vocês. Pra mim me inspirar e deixar minhas histórias mais realistas.

Ele não consegue evitar grilar os olhos.

—- Não vai rolar... – diz, tenso.

—- Por que não? – indaga a cacheada, desconfiada.

—- Ah... porque... porque... porque eu e a Ka já temos um compromisso!

—- Mas eu já tinha marcado com ela! Que compromisso que é esse?

—- Eu sei, mana, mas era uma surpresa pra... minha Esquentadinha. Eu marquei um spa de casal pra nós. – inventa ele, fazendo Karina olhá-lo, surpresa por seu pensamento rápido. Ele beija o topo de sua cabeça para parecer ainda mais convincente.

Tomtom faz um bico.

—- Ah... mas...

Antes que ela termine a frase, ele olha para o celular, como se estivesse atrasado e puxa Karina.

—- Desculpa, Tomtom, mas a gente já tem que ir. – ele sai correndo, puxando sua ex pelo braço e parando apenas quando as portas do elevador se fecham.

—- Nossa, foi por pouco! – murmura Ka, ofegante.

Ele concorda. – Pois é! Mas que história é essa de marcar com a Tomtom?

—- Ah eu pensei que podia enrolar ela até lá, mas tinha até me esquecido depois de... – nos beijarmos naquele jogo de adolescente... completa em pensamento.

—- Pelo menos acho que essa história de spa colou.

Karina ri. – A gente vai mesmo pro spa? Porque eu bem que ia gostar de uma massagem. – debocha, fingindo uma dor nas costas.

—- Olha... eu acho que vamos ter mesmo porque a Tomtom provavelmente vai investigar. Ela nunca perdeu esse instinto de investigadora. – ele ri.

—- Essa mentira teve seu lado bom... – murmura a loira e ele por um instante lembra daquele beijo na praia. – Agora... eu sai até de pijama, Pê. – ela olha para sua blusa cavada, quase mostrando seus seios, shorts xadrez e chinelos.

Ele segura a risada. – Ta estilosa. – ela se lembra de sua juventude, quando eles se entenderam pela primeira vez, em sua casa, durante a festa de Bianca, Tomtom como mediadora e ele elogiando seu pijama.

As bochechas dela ficam vermelhas. – E eu também nem escovei os dentes. – ela tenta sentir o cheiro do próprio hálito.

—- Você não tem mau hálito. – diz ele, sinceramente.

—- Você diz isso porque já se acostumou.

—- Na verdade não, faziam quase dois anos que não sentia seu hálito, e mesmo assim ainda acho isso.

A lutadora trava, encarando-o, lembrando-se de quando ele sentira seu hálito quando ela acordou com ele acariciando-a e ela se aproximou para beijá-lo. E ele fugira— pensa, mas esquece isso quando ele a puxa novamente pela mão ao saírem do elevador e irem para o spa, ao lado do hotel.

Depois disso, os dois passaram a tarde realmente no spa. Não se falam mais, absortos em massagens, exceto quando vão para a sauna. Como o pacote era de casal, ambos entraram na sala completamente nus. Cada um em uma ponta do banco, cobrindo suas partes intimas enquanto as bochechas avermelhavam, seus olhos evitando olhar um para o outro.

—- Estranho néh... – começa ele, despertando a atenção dela, que tenta olhar apenas para o rosto do rapaz. – um calor de quarenta graus lá fora e eles consideram relaxante ficar nessa sala quente como o inferno.

Ela ri, concordando. – E pior que é relaxante mesmo. Quer dizer, seria se a gente não estivesse pelado.

Ele não diz nada, apesar de concordar. – A gente já se viu pelado um milhão de vezes, mas mesmo assim é estranho ficarmos de novo. Irônico.

Ela olha para o chão. Eles já se viram pelados milhões de vezes e mesmo assim vê-lo desse jeito ainda lhe despertava desejos como na adolescência.

O guitarrista olha para ela, parecendo entender o que pensava e concordar com aquilo. Só de vê-la nua ele já precisava acalmar suas partes íntimas. Não, isso só acontecia porque ele não transava há muito tempo. Era carência.

Mas quando ela se levanta e coloca o roupão para sair, ele sabe que não era só carência. Ela olha para ele por sobre o ombro, suas curvas ficando lindas até mesmo naquele roupão de tecido toalhado. Engole em seco, a mão empurrando seu membro para não ser exposto. Ela não consegue segurar uma risada e ele não sente apenas seu membro criando vida, mas também seu peito retumbar. Ela sai e ele fica ali, tentando se acalmar daquela paixão. Repreendendo a si mesmo por ser tão fraco ao seu lado. Por sentir o mesmo de quando era mais novo.

Depois de banharem-se, Pedro e Karina aparecem no bar ao lado. Karina usava um vestido azul claro solto de praia, semitransparente, mostrando seu biquíni preto básico, as costas nuas e o tecido caindo irregularmente sobre suas pernas. Ela não gostava de vestidos, mas fazia um esforço pela amiga Jade e, afinal, vestidos soltos até que eram confortáveis.

Eles iam sempre naquele bar, mas dessa vez são surpreendidos pela banda dele, que acabara de chegar para o casamento. Wallace vem correndo cumprimentar o amigo, e quando o vê ao lado de Karina ele arregala os olhos.

-- Aí parceiro! Então quer dizer que... – ele aponta da lutadora para o guitarrista.

O ex-casal se olha, não sabendo o que responder, e então o resto da banda também surge para cumprimentá-los.

-- Não to crendo que você foi aceitar esse traidor depois... – mas Pedro coloca a mão na boca de Sol, vendo que Gael se aproximava.

-- Oi Sol, quanto tempo! – diz o mestre, sorridente, mas desmancha o sorriso ao ver Pedro calando a boca da cantora. – Que isso, Menestrel? – indaga, confuso.

Pedro sorri. – Ah é só uma brincadeira. – Sol tenta protestar, irritada.

-- Não entendi muito essa brincadeira não. – murmura Paula.

-- É, parece até que vocês tão escondendo alguma coisa. – completa Rominho, desconfiado.

Gael ergue a sobrancelha.

-- Não, que isso gente... é só que a Sol ia falar a música surpresa que vai ter no casamento aí o Pedro impediu. – mente Karina.

-- É! Agora vamos ali pra trás, pessoal, combinar isso direitinho. – diz Pedro, puxando a cantora para rua enquanto Karina empurra o restante da banda.

Todo mundo encara o casal, confusos.

-- Agora vai ter que me dizer direitinho que porra é essa?! – murmura Solange, furiosa. Ela olha para a lutadora. – Não vai me dizer que o Pedro faz essa papagaiada toda no camarim e você volta pra ele. E ainda por cima não conta pro seu paizinho pra ele não quebrar a cara do bofe. Af, Karina, você parecia bem melhor que essas mulheres que aceitam chifres. – ela olha para seu colega de banda. – Desculpa, Pedro, eu te adoro, mas você errou feio, errou rude.

Karina arregala os olhos.

-- Não! Não é isso.

-- Ah então cês não tão juntos? – pergunta Luiz, confuso.

Pedro estreita os olhos. – É...

-- Como assim, compadre. Ou ta junto ou não ta. – diz Wallace.

Karina engole em seco, olhando para Pedro e perguntando-se se deveria dizer a verdade, já que eles sabiam demais. Ele assente com a cabeça, parecendo entender sua pergunta mental.

-- A gente não ta junto oficialmente, Sol. – a cantora estreita os olhos, descrente. – Mas todo mundo acha que estamos.

-- Ué, mas pra quê isso? É pro mestre não bater no Pedrinho? – pergunta Rominho.

-- Não. É porque a gente precisa ta junto pra conseguir adotar uma criança e todo mundo tem que pensar que estamos juntos. – explica o rapaz.

-- Como assim adotar? – pergunta o segurança de Sol.

-- Eu e o Pedro demos início a um processo adotivo quando estávamos juntos. Mas infelizmente eles nos chamaram agora que estamos separados.

-- E por que vocês não adotam separado? – pergunta Sol, de sobrancelhas erguidas.

-- Não é bem assim. A gente ia ser rebaixado na lista e encontramos a criança perfeita. – explica Karina, olhando para os lados para ver se ninguém escutava sua conversa.

-- Então vocês são um casal de mentira? – pergunta Paula, chocada.

-- Tipo isso. – afirma Pê, mas quando vê que a banda ainda está confusa, completa: -- Olha... sei que é doideira...

-- Doideira é apelido. – afirma Sol. – Parece até que eu to voltando no tempo e vendo suas tramóias, Pedro. – ela faz sinal de não com a cabeça, desaprovando. – Vocês tão enganando todo mundo.

-- Eu sei, Sol. Mas você não sabe o que é passar anos lutando para ter um filho. – afirma Karina, chorosa.

A cantora não se apieda e Pedro suspira.

-- Olha só, isso se trata só da nossa vida. Se vocês aprovam ou não... só lamento. Eu e a Karina queremos muito essa criança, ela é perfeita pra nós e a gente vai fazer qualquer coisa por ela. Agora eu preciso que vocês fiquem de bico fechado. Isso não vai durar pra sempre, só até termos a guarda definitiva da Ana.

-- Ana? – pergunta Sol, lembrando-se de sua mãe sempre falando da falecida de Gael.

-- Sim, o nome dela é o mesmo da minha mãe. – afirma Karina, séria.

A cantora apenas assente, ainda dura sobre aprovar a atitude deles.

-- Ta certo, Pedro, ninguém tem nada que ver com sua vida. – diz Luiz batendo nas costas do guitarrista.

-- Pois é, se isso vai te trazer felicidade, vai nessa. – afirma Paula, sorrindo.

Rominho também concorda e Wallace dá um abraço em cada um deles.

-- Ta bom, chefia, vou ajudar vocês ficando de boca fechada, só cuidem em, não vão enrolar muito o povo que depois eles ficam putos.

Pedro e Karina concordam, rindo e então se voltam para Sol, a única em silêncio.

-- Quê? Eu acho isso uma loucura, mas a vida é de vocês, néh. – o ex-casal relaxa ao ouvi-la. – Só abre o olho em Karina. Porque essas histórias começam de mentirinha e daqui a pouco tu ta de novo embrenhada com esse patife aí. Sem ofensas, Pedro...

Pedro assente, mostrando que não estava ofendido, afinal, ele concordava que Karina não podia se envolver com alguém que fizera o que ele fizera.

A lutadora engole em seco e Sol vai para dentro do bar, seguida pelo restante. Ela fica pensativa por alguns segundos, até que Pedro sacode a mão na frente de seu rosto.

-- Ta aí, Karina? – indaga, preocupado.

Ela sorri de lado, concordando e dois entram no bar. Ela, engolindo a culpa por deixar que ele se achasse um traidor.

Mais tarde, depois da apresentação da Galera da Ribalta, Sol começou a cantar solo no palco, somente sua voz e um violão em suas mãos. Ela aprendera a tocar durante aqueles anos, sonhando em fazer apresentações como as de Mari, sem precisar de mais ninguém. Ela cantava uma música romântica em homenagem ao casal Cobrade, que chama todo mundo para dançar, bêbados como estavam.

Heart beats fast (o coração bate acelerado)

Colours and promises (cores e promessas)

How to be brave? (como ser corajoso?)

How can I love when I'm afraid to fall? (como eu posso amá-lo quando estou com medo de cair)

But watching you stand alone (mas vendo-o aí sozinho)

All of my doubt (todas minhas dúvidas)

Suddenly goes away somehow (do nada vão embora)

—- Ah não, vocês têm que dançar essa música! – afirma Tomtom, animada, puxando Pedro e Karina da mesa em que estavam sentados.

—- Ela tem razão, Ka, vem dançar. – chama Bianca, fazendo sinal para irmã vir.

—- Vai, guitarrista, pega sua esquentadinha! – grita Jade, enquanto dançava agarrada ao seu noivo.

Pedro engole em seco e olha para Karina, que pega sua mão e os dois vão para o meio dos casais. Os braços dela agarrados ao pescoço dele enquanto ele segurava sua cintura, o rosto da moça virado para o lado.

Mas aquela música... aquela música parecia rir dela, Karina olha para ele, que não tirava os olhos da única mulher de sua vida. Seus olhos se grudam novamente, intensos como sempre eram.


And all along I believed I would find you (e o tempo todo eu acreditei que fosse te encontrar)

Time has brought your heart to me (o tempo trouxe seu coração para mim)

I have loved you for a thousand Years (eu tenho te amado há mil anos)

I'll love you for a thousand more (e eu irei te amar por mais mil)

Ele se aproxima, seu hálito mesclando com o dela, sua boca tão perto que ela sentia dificuldade em raciocinar. Mas mesmo assim ela é forte, seus olhos marejam pelo esforço e ela sai correndo dali. Ele não pensa duas vezes, vai atrás, grato pelas pessoas estarem tão absortas umas nas outras que não perceberam.

—- Ka. – chama o rapaz, vendo-a na beira do mar, encarando-o. – Fala comigo. – pede e ela se vira para ele, seu rosto cheio de lágrimas fazendo-o sentir uma dor no peito de culpa.

—- Chega, Pedro! A gente não pode. Sem romance, lembra?! – ela grita e ele se aproxima mais, tentando acalmá-la. – Para! Não encosta em mim. – ele afasta seus braços, erguendo-os no ar.

—- Eu sei que a gente ta confuso, mas...

—- Não tem mas! Você ora me aproxima, ora me afasta. Esse jogo de gato e rato vai fazer eu perder minha filha.

Ele assente, compreendendo-a. – Eu sei. E eu não te mereço. – afirma, cabisbaixo.

—- Não é questão disso, Pedro! A questão é que é muito arriscado. – ela andava de um lado para o outro, desesperada, seu vestido largo flutuando ao seu redor.

—- Eu sei que eu errei no passado. Eu sei que você deve ter medo de eu te machucar.

Ela coloca a mão na nuca, coçando os cabelos de nervoso ao ouvi-lo falar aquilo.

—- Pedro, não dá! Eu não vou arriscar a Aninha por... isso!

—- Não to falando em arriscar a Ana... eu nem tava falando em a gente ficar jun...

—- Não tem ficar junto!

—- Você nem me deixa terminar o que eu to falando! – grita ele, começando a se irritar.

—- Ta bem, então, fala! – ela faz uma carranca, o pé batendo incansavelmente no chão.

—- Não quero que a gente fique junto. – afirma o rapaz, mas ela ri, descrente. – O quê? Eu dei a entender isso?

—- Você acabou de tentar me beijar! – grita ela. – Isso não ta funcionando, Pedro! – ela coloca a mão no rosto, bufando.

—- Ta legal, rolou um clima, tava todo mundo olhando, seria legal que parecêssemos apaixonados...

—- Mas nós não estamos! Isso é tudo teatro, Pedro. Nós não estamos mais juntos!

—- Não estão? – pergunta uma voz, que ouvira os gritos de Karina em meio à praia deserta.

Karina e Pedro se viram e veem Tomtom, os olhos grandes arregalados de surpresa pelo que ouvira.

Notas finais
Puts, e agora? Será que a Tomtom vai aprovar a atitude desses dois? E será que eles aguentam muito mais essa farsa? Sobre a novela, vocês estão assistindo a reprise? Notaram que eles cortaram 80% das cenas de perina? Que ódio gente saushaus Domingo tem mais, mas só se tiver comentários! ;)