Voltando para o Começo

16 Capítulo 16: As paixões, meu amor, são tontas


Notas iniciais
Gentiii, só quero dizer que eu ameeeei esse capítulo suahsaush Música: Uma atriz – A banda mais bonita da cidade (amo essa banda s2)

Nem mesmo amanhecera e todos já estavam de pé para pegar a lancha para a ilha em que aconteceria o casamento Cobrade. O caminho fora de muitos beijos e abraços de seus conhecidos da academia e da Ribalta, sempre tendo que apresentar Aninha e fugir dos comentários que sua filha era igualzinha a eles, para não confundir a pobre coitada que pouco entendia sobre adoção e parentalidade.

Chegando lá, a pequena Ana olha para tudo com encantamento.

—- Uau! Parece até cartão postal! – diz ela, olhando do mar para o hotel, o movimento de pessoas para lá e para cá.

Era uma ilha pequena, mas mesmo assim possuía um pequeno comércio à beira mar, hotel de luxo, spa, bares... lugar perfeito para um casamento perfeito.

—- Gostou? – pergunta Jade, aparecendo na frente deles vestindo um vestido elegante de praia colado ao corpo, com uma fenda na lateral da perna.

Karina sorri de lado para sua amiga que lhe dá um abraço e em seguida é paparicada por todos seus amigos da lancha. Devia haver umas 20 pessoas: Joanca e Julieta, Gael, Dandara e Miguel, Delma, Tomtom e René, Lucrécia e Edgar, Joaquina e Lírio, amigos de faculdade, ringue, trabalho.

Ana se sente deslocada e pede colo para o guitarrista, que a pega, distraindo-a ao mostrar o mar. Karina se junta a eles.

—- E ali tem golfinhos? – pergunta a pequena, curiosa.

—- Pode ser que sim. – responde Ka.

—- Que família linda, em?! – diz uma voz, e os dois se viram a ponto de ver Cobra, com seu sorriso no rosto.

Ka lhe abraça, emocionada.

—- Quanto tempo, pequena. – fala ele. – Tanto que agora você até já tem uma pequena. – brinca.

—- E eu? Não ganho beijinho? – indaga Pedro, fazendo bico.

—- Não precisa disfarçar seu ciúme não, guitarrista. – fala o lutador, abraçando seu amigo. – Que sumiço em, cara? A Karina vai viajar e você quem some.

A garota ergue a sobrancelha. Era a segunda vez que ouvia que Pedro sumira. Não entendia, por que ele não vira seus amigos e familiares durante o ano que se passou?

—- Cobra! Me ajuda aqui a mostrar as instalações pro pessoal. – chama Jade e o rapaz vai atrás dela.

—- Que história é essa de sumir, Pê? – pergunta Karina, no ouvido de Pedro.

Ele sorri sem graça, seguindo as pessoas em direção ao hotel.

—- Ah eu não saí muito de Sampa. – murmura, displicentemente.

—- Mas por quê? Nós sempre visitávamos o Rio ao menos a cada trimestre pra ver o pessoal. – sussurra ela, não querendo que ninguém ouvisse sua conversa.

Ele pigarreia, colocando Ana no chão e segurando sua mãozinha.

—- Muito trabalho... – diz, tentando fugir do assunto.

—- Isso é desculpa. – diz ela.

—- Oh casal vinte? – chama Jade, fazendo-os interromperem-se e olharem para ela. – O quarto de vocês é o 320. – ela joga uma chave nas mãos de Karina. – O que vocês querem fazer primeiro? Tem spa, restaurante, praia, compras... eu já combinei com as meninas de irmos às compras, mas acho que não é muito a sua cara, néh Karina.

A lutadora assente e Aninha chama ela com a mão, ficando na ponta dos pés quando ela se agacha e sussurrando:

—- Diz que quer praia. – Karina dá seu sorriso de lado.

—- Minha chefa mandou dizer que vamos para a praia. – comunica a loira, fazendo a morena sorrir.

—- Ai! Essa menina é um amor! – ela corre para perto de Ana e aperta suas bochechas, deixando a menina enraivecida. – Ta legal, mas Perina vai ter que ficar de olho nas outras crianças também que tão loucas pra brincar na praia.

Ka olha para Pedro, que dá de ombros, e os dois enfim aceitam, fazendo as crianças no saguão chiarem de alegria.

Aninha sai correndo para a água junto de Miguel, Felipe e Julieta, deixando Karina e Pedro rindo atrás dele, sentados na areia. Mesmo depois de pararem de rir, Pedro continua ofegante, suor escorrendo sob sua regata.

—- Agora você tem que me dizer, Pê... por que você sumiu assim de todo mundo? – indaga a loira, passando protetor solar na pele enquanto ele lhe observa naquele maiô preto vazado, seus peitos realmente quase vazando daquele decote.

Ele chacoalha a cabeça e desvia o olhar de seus seios, levando-os aos seus olhos enfurecidos com aquele olhar.

—- Er... – murmura ele, suando ainda mais. – Na real, Karina, que eu tava deprimido. Foi difícil, sabe, superar nossa separação. Mesmo sendo culpa minha... – ele abaixa a cabeça.

—- Mas você superou néh? – pergunta ela, tensa, engolindo em seco.

Ele concorda levemente com a cabeça, ainda a encarar seus olhos.

—- Sim. – fala, em um fio de voz.

Karina encara-o e então desvia o olhar, tentando disfarçar o sentimento que despertava quando eles falavam de coisas assim do coração.

—- Nossa, você ta pingando suor, Pedro! Olha só, seu cabelo ta todo grudado na sua pele. – fala, enojada.

—- Sério? – pergunta ele. – É... ta calor néh... – murmura, olhando para o corpo dela.

Ele engole em seco e ela ri, sem notar seu olhar, pegando a colinha que ele carregava em seu pulso e fazendo sinal para ele se virar.

—- Deixa que eu prendo.

Ele obedece, mas quando ela começa a erguer o seu cabelo, ele estanca, tentando voltar a posição anterior.

—- Espera aí, Pedro! – ralha ela, forçando-o a ficar de costas para ela. – O que é isso aqui?! – indaga, mas ele é rápido e tira as mãos dela de seu cabelo, deixando-as cair em seus ombros.

Ela ergue a sobrancelha, teimosa, e persegue suas costas enquanto ele foge dela, se arrastando no chão.

—- Não, não, Karina! Deixa que eu mesmo prendo. – diz ele, nervoso.

Ela estreita os olhos e se joga em cima dele, que trava, a respiração ofegante. Mas o que ela queria ver era sua nuca: ergue seu cabelo e tenta olhar para suas costas, os seios dela quase topando com os olhos do rapaz que enfraquece e a deixa olhar o que tentava esconder.

—- Você tem uma tatuagem? – pergunta a moça e ele pega em sua cintura e empurra seu corpo contra a areia em resposta, ficando sobre ela, que arregala os olhos. – Pedro! – ralha, mas ele segura seus braços, prendendo-a.

Ela fica tensa, mas aproxima sua boca da dele naquele jogo de gato e rato, roçando seus lábios propositalmente e fazendo ele soltar levemente o aperto em seus pulsos. Ela aproveita o momento para jogá-lo para o lado.

—- Agora você vai ter que mostrar essa tatuagem. – fala, seus braços apoiados no peito ainda mais suado dele, que solta um gemido.

Ela sai de cima e ele se senta, dando um sorriso sem graça, enquanto cobre sua própria nuca com as mãos trêmulas. Ela puxa suas mãos em um momento de distração dele e abre a boca ao constatar o que havia ali atrás.

—- Você... isso não é...? – murmura, chocada. – Você tatuou um “K”?— pergunta, confusa.

Ele assente, nervoso.

—- Mas por quê... – ela ri de nervoso, arregalando os olhos em seguida: -- Você não fez isso pensando em mim, fez?! – completa, um pouco alto demais.

Ele põe o indicador sobre seus lábios, pedindo silêncio.

—- Shhh... É... eu tatuei por causa de você. – admite ele. – Mas não espalha. – pede, tirando seu dedo e olhando para o mar, onde as crianças brincavam na beirada, construindo um castelo de areia.

—- Como assim? Por que você tatuou isso? – pergunta ela, agora mais baixo.

Ele olha para o chão, envergonhado.

—- Não me diz que...

—- É... foi logo que a gente terminou. – explica o guitarrista.

—- O que você estava pensando, Pedro?! – murmura ela, chocada.

—- É uma longa história...

—- Ah mas agora você vai ter que me contar essa longa história!

Ele suspira. – Eu sai com o Wallace uma vez lá em Curitiba. Fazia um mês que... – ele hesita. – um mês depois do camarim. – fala, engolindo em seco ao lembrar daquela situação. – A gente não tinha show naquele dia aí ele insistiu que eu saísse com ele...

Karina encarava-o enquanto ele contava a história, a testa o tempo todo franzida.

—- Eu juro que não bebi mais depois daquilo. Mas naquela noite com o Wallace... eu acabei cedendo... eu bebi pra caramba, aí...

—- Aí você se tatuou em homenagem a ex?— interrompe ela. Ele concorda com a cabeça.

—- Eu não lembro muito bem, mas o Wallace disse que eu tranquei ele do lado de fora do estúdio e paguei 500 reais em suborno, pois o tatuador não queria fazer isso comigo bêbado.

Ela ergue as sobrancelhas. – 500 por um... um K de 5 centímetros?

Ele assente. – Pois é... parece que eu tava bem louco. De alguma forma, eu achava que isso te aproximaria de novo de mim. – admite o músico, olhando nos olhos da moça.

Ela olha de volta para ele. -- Você não se arrependeu? – pergunta.

Ele fica na dúvida.

—- É... no dia seguinte eu enlouqueci ao ver, tentei até bater no Wallace. Imagina, eu, batendo naquele Negão que é até segurança... Mas é um lugar bem escondido até e por isso eu tenho mantido meu cabelo nessa altura.

Ele fica em silêncio, tenso por ela não dizer nada, apenas olhá-lo, de boca aberta. Até que, de repente, ele acha que ela vai avançar e bater nele ou xingá-lo, mas ela cai na gargalhada.

—- Não acredito, Pê! – murmura, rindo sem parar. – Eu não acredito... que você fez isso. Até para os seus padrões, isso é muita burrice!

Ele não se sente ofendido, ao contrário, concorda e ri junto, contagiado com sua risada.

—- Ah, vai! Não foi a maior burrice minha. – diz, depois que as risadas se calmam.

Ela desmancha o sorriso e ele desvia o olhar. Realmente, não fora, sua maior burrice não podia ser batida.

Ela pega a colinha de cabelo que caíra na areia e se volta novamente para as costas dele, puxando seus cabelos e prendendo-os em um mini coque desengonçado, enquanto ele sente seu corpo arrepiar com seu toque e proximidade.

Ela olha uma vez mais para a tatuagem durante o ato, sorrindo de lado ao vê-la, era brega, mas ela tinha que admitir que gostara da história que ele contara. Ri, de novo.

—- Ah qual é, Karina, vai me tirar pra palhaço agora? – resmunga ele.

—- Quem mandou você ser tão estúpido. – rebate ela, se deitando na areia.

—- Até parece que você não faz coisas estúpidas...

Ela fica pensativa. Ta, era verdade, ela também já fora muito burra na vida.

—- Não nesse nível. Eu nunca tatuaria alguma coisa em homenagem a macho. – diz, erguendo as sobrancelhas em uma expressão de superioridade.

Ele bufa, se deitando ao seu lado e olhando as crianças.

À noite, Jade insistira que houvesse a presença de todos os adultos em sua festa de gala. Ela até mesmo contratou babás para cuidar de todas as crianças, afirmando que, seu casamento seria o casamento do ano não só pela riqueza, mas porque” reascenderia as chamas dos casais”.

Karina revirara os olhos para sua afirmação, é claro, farta de tudo aquilo e ainda mais quando havia ouvido isso sobre gala... não levara roupa adequada, apenas a roupa da cerimônia de sexta-feira, apesar da informação ter estado no convite: “levar pelo menos duas roupas formais e roupas de banho”. Mas, pensando em tudo, até mesmo nisso, a estilista disponibilizara os vestidos de sua grife para suas melhores amigas.

Todas enlouqueceram com a notícia, Joaquina passando a mão em cada peça como se elas fossem de ouro, as amigas do balé murmurando, empolgadas, o quão maravilhosas eram todas as peças. Bianca, que depois que Karina viajara ficara muito próxima da antiga inimiga, abraçava Jade com afinco e Ka... ela olhava tudo com ânsia. Vestidos longos, brilhosos, rodados, rendados, transparentes... não era muito a praia dela.

Jade, parecendo ter notado, se aproxima da amiga, que tenta disfarçar.

—- Sei que você não gosta dessas coisas, lutadora. Mas pro meu casamento você vai ter que caprichar... – diz a morena.

Karina tenta sorrir.

—- Eu sei... trouxe um vestido daqueles até a canela, sabe. – fala, nervosa.

—- Se chama mídi. – corrige Jade e vai até os cabides. – Mas você pode usar ele em outro lugar, porque a roupa da cerimônia a noiva quem escolhe e hoje eu deixo você não usar vestido.

A lutadora ergue as sobrancelhas, confusa.

—- Sério? Posso pôr alguma roupa normal minha? – pergunta, descrente.

Jade tira uma peça do cabideiro e a esconde atrás das costas.

—- Não é bem assim. – responde, mostrando a roupa. – Hoje você vai vestir isso.

Ka coloca uma mão na boca, chocada.

—- Mas isso é muito... – começa, sendo interrompida por sua irmã, que observava tudo:

—- Sim, o Pedro vai ter que se segurar hoje.

Karina arregala os olhos enquanto as duas pulam de animação.

—- Aonde ta a Karina? – pergunta Cobra, vendo Pedro sozinho em uma mesa. Ele dá de ombros, incerto.

—- Deve ta se arrumando... apesar que a Ka nunca foi de demorar para essas coisas.

Cobra sorri. – Pois é, nisso você tem muita sorte, amigão. – e corre para receber Jade, que estava deslumbrante em um vestido longo e vermelho.

Pedro desvia o olhar quando eles começam a se agarrar e vê Gael ao longe, encarando-o. Acena e seu suposto sogro se aproxima.

—- A Karina não vem? – pergunta o lutador.

—- Deve ta vind... – mas ele interrompe sua fala ao ver uma mulher se aproximar.

Ela vestia um macacão preto que ia até os pés, uma fenda cortando nas duas pernas e subindo até a altura de suas coxas, a parte cima com um longo decote. Em seus pés: sandálias de salto reto com tiras de cordão que subiam por suas pernas torneadas.

Pedro arregala os olhos e abre a boca, perplexo, enquanto Ka se aproxima, séria, o cabelo repartido ao lado e a boca preenchida por batom vermelho.

—- Oi. – diz, seu rosto imitando a coloração da boca.

—- Você ta linda, filha! – murmura Gael, cutucando seu genro para que ele também elogiasse.

—- Er... sim, ta. – diz Pê, também vermelho.

Dandara surge, vestindo um conjunto social de blazer e saia e o mestre se distrai.

Karina olha para os pés de Pedro, envergonhada.

—- Você também não ta nada mal. – cobre seus seios quase expostos naquele decote, fazendo-o rir. Ele vestia apenas uma camisa social preta e calça jeans escura.

Eles se sentam e assim ficam: comendo os aperitivos e bebendo vinho caro naquela festa chique. De vez em quando, algum conhecido surge e eles trocam uma palavra e outra, até que começa a tocar músicas românticas e Ka revira os olhos, enojada. E, enquanto Pedro tagarela com João, ela resolve escapar dali. Não era o tipo de festa que a agradava.

Ela se senta na areia, à beira do mar, uma garrafa de vodka que roubara entre seus dedos. Bebe gole atrás de gole, pensando sobre a tatuagem de Pedro: por que será que ele nunca cobrira? Era uma tatuagem pequena e de traço fino, qualquer coisa mais memorável poderia ocupar seu lugar. Só se...

Ela sacode a cabeça. Não podia se iludir pensando que ele pudesse sentir alguma coisa por ela. Até porque era perigoso se ele sentisse. Era perigoso que a relação deles voltasse a ser explosiva como antes e fizesse-a perder a chance que tinha de ter uma filha. Além de que, se ele descobrisse que ela escondera todo esse tempo a verdade sobre o camarim, sabe-se lá o que ele faria. Não podia deixar aquilo estourar sobre Ana.

—- Ei... posso te acompanhar? – pergunta uma voz familiar como a sua própria.

Ela se vira, vendo Pedro sentar-se ao seu lado, pegar a garrafa de vodka e virar um gole pela garganta.

—- Uh.... forte, em Esquentadinha?! – murmura ele, sentindo o líquido queimar em sua garganta. – Você não costumava beber tanto assim antes.

Ela olha para o chão. Realmente, depois da separação ela começara a beber bastante. Não chegava a ser diário, mas toda vez que ela se estressava, descontava no álcool.

Pedro engole em seco, ainda sentindo a garganta como fogo e ela ri dele.

—- Você continua frouxo. – ele estreita os olhos enquanto ela bebe aquilo como água. E, então, rouba a garrafa dela e vira um longo gole por sua garganta, bebendo quase meia garrafa quando ela arranca de suas mãos. – Você ta louco, Pê?!

—- Viu... não sou fraco. – diz ele, ofegante, sentindo o corpo inteiro aquecer – e agora não era só por vê-la com aquela roupa sexy...

Ela acena negativamente com a cabeça. – Vocês homens são sempre tão neandertais...

—- Ué, mas você bebeu praticamente isso. – protesta ele.

—- Mas você não ta acostumado, vai ferrar com seu estômago!

—- Na verdade eu to sim. – afirma o rapaz, olhando ao longe, para o mar, os efeitos do álcool já surgindo. – Desde essa situação das costas... – completa, olhando-a enquanto ri.

Ele ri de volta. – Ainda não consigo acreditar que você fez isso.

-- Pois é. O que um louco apaixonado não faz, não é mesmo?! – murmura ele, olhando em seus olhos azuis, iluminados pela grande lua lá no céu.

Ela desvia o olhar para o mar agitado.

-- E aí... o casalzinho Perina não vai pra festa, não? – pergunta Cobra, surgindo em suas costas. Karina nem precisa falar nada, apenas erguer suas sobrancelhas. – Ta, ta... Eu sei! Também não iria pra essa festa se eu pudesse, mas sabe como é a Dama, néh, gosta de pomposidade.

Pedro oferece a garrafa e ele nega.

-- Nem pensar. Até queria, pra esfriar a cabeça, mas se a Jade me pega com bafo de álcool ela me mata. Não vai querer que eu dê vexame na festa.

A lutadora ri. – Entendo. Pobre Cobrinha, em? Mas finalmente cedeu, a Jade esperava por isso há anos. Ela merece mesmo que você se doe um pouquinho.

-- Falando assim parece até que eu sou um crápula.

-- Ah não isso. Mas a Jade é toda tradicional, ela gosta de tudo direitinho e engravidou antes do casamento.

Cobra assente. – É, eu sei. É que eu queria dar o melhor casamento pra minha Dama, sabe. Por isso esperei ganhar o campeonato, mas aí surgiu o Felipe e adiou um pouco.

-- Espera, vocês estão gastando mais de 100 mil nesse casamento? – pergunta Pê, chocado.

-- Bem mais... tem até helicóptero pra passear. – responde Cobra. E os dois no chão ficam boquiabertos. – E ai Francisco! – diz o lutador, cumprimentando um amigo seu que se aproxima.

-- Olá. Tudo bem, casal?! – diz o homem, desconfortável. Ele tinha os cabelos castanhos, olhos escuros e tatuagens dispersas nos braços com mangas dobradas.

-- Esse aqui é o casal mais doido que eu conheço, Fran: Karina e Pedro. – apresenta Cobra, apontando para os dois. – Esse aqui é o Francisco, gente, meu tatuador e amigo. – completa.

-- Você tem tatuagem, Cobra? – pergunta Pedro, surpreso.

O lutador assente, apontando para seu ombro. – Tatuei o nome do Lipe e o pézinho dele. – fala, emocionado. Karina ergue uma sobrancelha, surpresa com esse lado sentimental do amigo. – Então, o Fran vai fazer tatuagens com descontos aqui na ilha, se quiserem.

Karina ri, fazendo todos olharem.

-- Ah, desculpa. É que eu lembrei que o Pedro adora tatuagem! – o músico nega com a cabeça, os olhos arregalados e o cotovelo cutucando o corpo da ex.

-- Sério? Achei que o Pedroso fosse cagão até pra agulha. – murmura Cobra, e Karina puxa a gola da camisa de Pedro para baixo em resposta. – Eita, Ka, acho melhor vocês irem para um quarto... – brinca o lutador.

Ela pega o celular e liga a lanterna, apontando para a tatuagem de Pedro, que tinha uma expressão de pavor no rosto.

Eles olham para tatuagem.

-- Nossa! É sério, Guitarrista? Acho que tatuagem pra namorada é demais até pra você.

-- Pois é, néh... – diz Ka, rindo. – Ele me ama tanto que quis fazer uma homenagem. --Beija a bochecha vermelha do ex, bravo.

O tatuador não se surpreende: -- O que tem de gente que surge pedindo esse tipo de coisa e depois se arrepende...

Pedro faz uma careta.

-- Pior que capaz desse maluco aí não se arrepender nunca, cara. – murmura Cobra. – Nunca vi alguém tão apaixonado quanto o Pedro.

Karina precisa segurar ainda mais o riso.

-- Já vou indo, então gente. Fugi demais. Desejem-me sorte. – diz Cobra, despedindo-se. Francisco faz o mesmo e o antigo casal fica a sós novamente.

-- Pô, Karina, precisava disso? Se eu dissesse que fiz isso porque tava bêbado pelo término, nosso plano ia por água a baixo. – fala o guitarrista, já meio alterado pelo álcool.

-- E você ia abrir o bico?! Se abrisse eu quebrava sua cara. – ameaça ela, bebendo mais um gole. Ele ri.

-- Sempre delicada... – resmunga. -- Mas você tem razão, eu não ia deixar tudo a perder por causa de suas provocações. – completa, pegando na mão dela.

Ela afasta sua mão bruscamente, bebendo um longo gole. Depois que ela bebe, Pedro rouba a garrafa e faz o mesmo, emburrado.

Não muito tempo depois, Pedro e Karina já estavam caindo de bêbados, a garrafa vazia atirada ao lado deles e seus calçados largados pela areia. Não pensaram nas consequências do álcool quando resolveram beber tanto e, a principal delas: burrice e amnésia.

Agora, os dois estavam rindo feito idiotas, olhando para o movimento das ondas.

-- Você se lembra, Ka... da vez que você me jogou água... em cima de mim?! – diz o garoto, com a voz embargada, embaralhando-se com as palavras.

-- Qual delas? – pergunta ela, rindo.

-- Aquela água lá... do chão que você tava limpando de quatro. – ele sorri bobamente, lembrando da cena.

-- Sim, sim, sim! Você falou que eu era linda de quatro.

-- E realmente, é linda por cima, por baixo, de quatro ou oito...

Ela dá um tapa na cabeça dele, que reclama.

-- Ai! Precisava disso? – murmura, manhoso.

-- Você também é lindo de quatro. – fala ela, aos risos.

Ele faz uma cara de confusão. – Quando que eu fiquei de quatro? Não lembro de ter dado o...

Ela ri ainda mais.

-- Ah, ta zoando com a minha cara. – diz ele e se aproxima dela, que foge, caindo com a cabeça na areia.

Ele olha para a boca borrada de batom dela, seu corpo por cima.

-- É... o que você ta fazendo, Pê? – pergunta ela, um pouco mais sã.

-- Te peguei. – diz ele, apertando o nariz dela e rindo feito criança.

Ela arregala os olhos, a boca dele próxima a dela. Ele levanta e ela fica no chão, meio desnorteada.

-- Af! Por que você faz isso? – ela se senta e seu olhos marejam, a sensibilidade devido ao álcool vindo à tona.

-- Tudo bem, Esquentadinha? – pergunta ele, preocupado, vendo-a secar uma lágrima.

-- É que você... – ela chora mais um pouco e ele dá um abraço nela.

-- Calma, Ka. Ta tudo bem. Eu tô aqui.

Ela se acalma em seu colo e logo vê um vulto caminhando à beira do mar.

—- Oi Francisco! – grita, animada como se não estivesse aos prantos segundos antes. Pedro cobre os ouvidos.

O tatuador olha para eles: -- Pelo visto vocês já beberam toda a garrafa.

Karina concorda, rindo como se houvesse feito arte. – Na verdade eu bebi a maior parte. Esse fracote não aguenta muito. – diz, pegando a garrafa vazia e virando-a na boca para ver se havia alguma bebida ali.

—- Acho melhor vocês irem pro quarto, em? Daqui a pouco dão vexame e a Jade mata vocês. – diz o homem sóbrio, apontando, em seguida, para o hotel. – Eu to no quarto 69 qualquer coisa.

Karina tenta se levantar, mas acaba caindo de bunda na areia e é acudida por Pedro, enquanto Francisco sai de fininho dali.

—- Sessenta e nove... meia nove. – fala Karina, se divertindo como uma criança. Pedro ri junto.

—- Meia nove é aquela posição, lembra?! – ela concorda, ainda rindo.

—- Nunca gostei dessa posição, você era muito fracote pra me manter lá no alto. – ela não fica vermelha, como de costume, apenas olha para ele, séria e ele cai na gargalhada novamente. – Para de rir de mim! – ela faz bico.

—- Desculpa... é que você é muito fofa. – ele aperta suas bochechas. – Olha essa boquinha... – ele dá um selinho nos lábios dela, que vai para trás, assustada.

A loira começa a chorar de novo. – Não faz isso! – ralha, berrando.

—- Desculpa, Ka. O que eu fiz?

—- Você tocou sua boca na minha. – ela coloca o dedo na boca dele e depois na dela, encenando.

—- Eu sei. Você não queria...?

Ela nega. – Eu queria. – diz em meio ao choro.

—- Eu gosto de você, Ka. – declara ele e ela olha para o nada como se não tivesse escutado, por mais que tivesse.

—- Mas to muito ansiada pra beijar. – admite ela, engolindo em seco.

Ele assente.

—- Tudo bem, a gente pode só se abraçar. – fala, abrindo os braços para ela, que se encaixa ali.

Os dois ficam aninhados naquela praia deserta. O vento fazendo carinho em suas peles. Karina coloca a cabeça sobre o ombro dele e espia sua tatuagem embaixo da camisa. Ela começa a chorar copiosamente.

—- Não chora, Ka. – ele a aperta mais em seus braços.

—- Eu... você me ama tanto... e eu fiz aquilo. – ele não pergunta sobre o que ela se referia pois estava tão dormente pelo álcool que às vezes as palavras lhe fugiam, assim como também lhe saltavam sem pensar. -- Você fez até essa tatuagem. Ela é tão linda. – ela cutuca o “K” com seu dedo.

—- É verdade. Eu pensava que assim Perina não ia acabar... mas acabou. – diz ele e ela chora ainda mais.

Depois de alguns segundos, ela limpa os olhos e se levanta, meio trôpega.

—- Aonde você vai, Ka? – pergunta ele.

—- Eu vou provar pra você... – não diz mais nada, deixando-o completamente desnorteado.

O músico se levanta atrás dela, quase caindo a cada passo que dá, mas conseguindo agarrar o corpo dela.

Quando amanhece, Karina vê tudo rodar a sua volta. Uma dor de cabeça enorme e seu corpo fraco sobre uma cama, o calor de um abraço envolvendo-a. Ela ergue o tronco, sentindo uma ardência forte atrás de seu pescoço. Olha para o lado: Pedro está ali, graças a Deus vestindo uma camisa semiaberta e calça com a bragueta escancarada, os cabelos como um ninho, espalhados pelo travesseiro e a boca aberta babando.

Ela olha tudo, apavorada. Sua mente um turbilhão e sua mão coçando suas costas que ardiam. Será que se queimara no sol?

Ela joga a mão de Pedro que a agarrava para longe, se levantando devagar devido à tontura. Vai para frente do espelho que preenchia toda a parede, tentando ver o que causava aquela dor e coceira.

Quando ela consegue enxergar, arregala os olhos e solta um grito.

—- Ahh!!! – o guitarrista acorda, pulando assustado da cama, sua cabeça a latejar.

—- Que foi, que foi... que foi?! – diz ele, rapidinho, apavorado, a mão segurando a cabeça que doía.

—- Pedro, seu maldito filho da puta! – grita ela, avançando contra ele, que se joga de novo na cama, confuso. Ela sobe em cima do corpo dele, alheia ao fato de que vestia apenas uma camisa sua e calcinha.

—- O que aconteceu?! – pergunta o rapaz, olhando para seus trajes. – Relaxa. Posso garantir que nós não... – completa, tentando se explicar.

Ela se levanta, ainda desesperada, a mão atrás de seus cabelos.

—- Mil vezes que a gente tivesses transado. – murmura, sentando na beira da cama.

Ele se senta também, confuso e então olha o que ela tentava esconder.

—- Espera... o que é isso atrás da sua nuca? – pergunta.

—- É exatamente esse o problema, seu idiota! – resmunga ela e ele tira sua mão dali, arregalando aos olhos ao constatar o que ela não queria mostrar. – Se a gente tivesse transado, não seria definitivo como... isso.

Ele encara a tatuagem com a letra de seu nome estampada ali: “P”.

Notas finais
Então? shasuahusah esse é um capítulo bem comédia mesmo, mas gostaram? O que será que vai rolar por agora? No próximo tem flashback do restante da noite Perina e mais cenas engraçadas! Comentem nem que seja um olá pra mim saber se tem alguém aí :)