Voltando para o Começo
13 Capítulo 13: Decida sobre nós
Notas iniciais
Em todo aquele tempo que passara, Pedro e Karina nunca mais souberam nada sobre o processo adotivo e, sinceramente, mal pensaram sobre o assunto, esquecendo-se, inclusive, de avisar sobre sua separação. Mas depois que Pedro ligara para Karina, eles começaram uma árdua discussão sobre quem assumiria a guarda da criança agora que se divorciariam:
—- Óbvio que deve ser eu! Eu quem sou a infértil aqui! – murmura ela, se escondendo no quarto para que Nat não a escutasse.
Pedro bufa ao telefone.
—- Mas eu quem dei entrada e não fugi pra outro país! – rebate ele.
—- Eu não fugi pra outro país, to aqui a trabalho! E além disso, já estava pra voltar em breve! – ela andava de um lado para o outro, nervosa. – Você pode arranjar qualquer groupie (fã organizada) aí dos teus shows pra engravidar. – completa, enojada.
—- Não sou um babaca, e não quero mulher nenhuma, vocês são o diabo na Terra.
Ela ri.
—- Por que você não teve que conviver com um músico “sensível”. – ironiza.
—- Pois é, é isso que falta em vocês mulheres, um pouco de sensibilidade, parece que só vocês têm problemas.
Karina para de andar por um segundo, encarando a janela, tentando se manter calma.
—- Ah sim, fui eu quem...
—- Ta, chega. – ele interrompe antes que a discussão se torne mais intensa. Ela suspira.
—- Por que não fazemos assim: eu te aviso o próximo voo disponível, você marca lá no orfanato e a gente se encontra? Depois a gente vê o que faz...
Ele fica em silêncio por alguns segundos.
-- Ta... eu te espero aqui.
Agora, Karina corria para sua antiga casa. Pegara correndo o voo das 18 horas (no fuso-horário de lá) e chegara pouco antes das 10 da manhã do horário de Brasília, seu coração palpitante não deixando que comesse nem dormisse durante o voo. Não dera tempo de dar explicações para seus colegas de casa, ela apenas pagou o aluguel do mês que faltava. Duca e Nat haviam combinado de ficar ali mais uns meses depois do torneio, aproveitando as férias dele, e Karina topara, querendo evitar voltar para sua vida no país. O lutador fingira acreditar na falsa história de que Pedro tinha medo de aviões e por isso não viria, quando na verdade o lutador já sabia que havia algo de errado entre sua amiga e o músico. A Karina apaixonada nunca ficaria quase dois anos fora sem motivos.
Acontece que, todos os planos de Karina continuar na Tailândia foram para os ares com aquela ligação. Ela ajusta a postura e bate à porta de sua antiga casa, nervosa, pensando que antes planejava chegar ao país e vender ela, dividindo seu valor com o ex-marido, mas agora já nem sabia mais que rumo sua vida tomaria. Ela estava melada de suor, seus cabelos sujos e sua roupa desengonçada.
Pedro abre a porta e os dois se encaram firmemente por alguns segundos em que sentiram um aperto no peito, mas então Flux aparece, animado, quase derrubando ele e avançando feliz nela, que se agacha e o abraça forte, os olhos brilhando de alegria enquanto recebia lambidas em todo o rosto.
—- Também senti sua falta, Flux! – ela ri, caindo para trás enquanto o cachorro sobe nela e Pedro corre, tentando acalmá-lo. – Deixa, ele ta com saudades. – diz ela, rindo, tenta pegar o cachorro dele, suas mãos por cima das do homem, e os dois acabam se encarando novamente.
Ele solta, e ela se levanta com o animal no colo, sofrendo com seu tamanho e peso.
Pedro pega suas malas e faz menção para ela entrar na casa.
Ela o segue e quando vê a casa do mesmo jeito que era sente uma pontada no peito: o sofá e a grande televisão logo na entrada, a bancada separando a cozinha da sala, a mesa de madeira, as bancadas escuras... embaixo da televisão: fotos dos dois espalhadas, Gael, Dandara, Joanca, Tomtom e Delma. As únicas coisas que ela notou de diferentes eram as pilhas de papéis que Pedro correra para esconder em uma gaveta, o rosto vermelho de... raiva? Vergonha? Karina não saberia dizer... deviam ser pornôs.
—- Então... marcaram de a gente ir lá conhecer ela às 15h. – diz ele, coçando a cabeça, nervosamente e olhando seu relógio de pulso. – São 11h, você quer alguma coisa para comer?
—- Não, ta tranquilo. – diz ela, mas seu estômago entrega a mentira e ronca alto. Ele segura uma risada. Era estranho eles se tratarem como se fossem dois desconhecidos.
—- Você pode tomar um banho e dormir no quarto enquanto isso, se quiser, eu troquei os lençóis da cama. – diz ele, como se ela fosse sentir nojo de dormir com seus lençóis. Ela assente e se direciona para o quarto.
Karina sente seu estômago revirar ao olhar para sua cama de casal e sorri ao ver que está tudo em seu lugar. Havia um misto de sentimentos dentro dela no momento: dor, medo e saudade. Ela se senta na cama e passa a mão no travesseiro, e então vê uma foto no bidê que costumava ser seu: ela, Flux e Pedro e ao lado um porta-retrato quebrado. Ela se pergunta por um instante o que acontecera com ele, mas a exaustão faz com que não consiga pensar muito, deita-se e pega no sono em questão de poucos minutos.
Não muito tempo depois disso, Pedro adentra o quarto com o amado sanduíche da família: xis Gael – o.k., talvez ele não fizesse mais parte da família...—-, ele coloca o prato na mesa de apoio e encara o corpo mole dela adormecido, Flux aos seus pés. Seu coração palpita e ele diz para si mesmo que era normal, afinal, a última vez a vira eles ainda estavam juntos. Engole em seco. Ela nem mesmo tirara os calçados, estava de tênis, jeans e camiseta cavada, roupa similar às que ela usava quando eles recém se conheceram, seu cabelo estava mais curto também do que quando ele a vira da última vez, os fios, na altura das orelhas, rebeldes, mas seu corpo estava muito maior e torneado e em suas mãos estava a foto que Flux derrubara no dia anterior.
Pedro pega a foto, envergonhado que tenha se esquecido de guardá-la. Ele resolve ajudá-la a ficar mais confortável e tira os tênis de seus pés, colocando-os no chão, ligando o ar-condicionado e cobrindo-a com uma manta, como ele sabia que ela gostava de dormir. Sente um deja vu preenchê-lo, era como quando ela chegava esgotado do treino e capotava depois do banho, com a diferença que naquela época ele beijava sua testa e deitava com ela, o corpo dela encaixando no seu ao senti-lo perto e seu sorriso de lado se abrindo.
Ele olha para baixo e resolve sair do quarto e deixá-la descansar, afinal, seu voo fora longo e cansativo, demorando mais de um dia para estar ali.
—- Ka... – Karina acorda de supetão com a voz de Pedro chamando-a. Num primeiro momento ela fica confusa e então lembra-se de toda a situação que passava, encara o rosto do ex, ele parecia desconfortável e tinha um prato com um sanduíche no colo.
Pedro pigarreia, indicando com o olhar sua blusa e Karina olha para baixo, vendo que seu peito estava quase aparecendo. Arregala os olhos, cobrindo-os rapidamente, se vestira tão rápido que não colocara nenhum top.
—- Eu trouxe um xis Gael mais cedo, mas você já estava dormindo, então resolvi deixar pra te entregar antes de sair.
—- Que horas são? – pergunta ela, desnorteada, arrumando seu cabelo e blusa compulsivamente.
Ele se segura para não rir, costumava ele ser o atrapalhado.
—- 13 e meia. Dá tempo de você comer e se ajeitar, relaxa. – responde ele, colocando o lanche no colo dela e se levantando.
Ele sai do quarto e ela acaricia o cachorro e sorri para o sanduíche. Dá uma mordida e murmura de prazer. Sentira tanta falta da comida de Pedro! Por mais que fosse um simples xis Gael. Sorri novamente e então desmancha o sorriso lembrando dele falando do sanduíche de seu pai como se fossem íntimos e lembrando que de fato eles eram, mesmo depois de tudo o que acontecera... Ela sacode a cabeça, afastando seus pensamentos. Não era hora de devanear, termina de comer, abre uma gaveta do roupeiro e fica feliz que o restante de suas roupas ainda estivessem ali.
Ela vai para o chuveiro, olhando para aquele box grande e se lembrando de Pedro sempre implorando para que transassem ali. Ela ri, envergonhada, enquanto ensaboava seu corpo rapidamente e deixava a água limpar suas memórias.
Quando ela termina de se banhar solta um palavrão, esquecera de pegar uma toalha, ela pensa em chamar por ele, mas resolve o problema sozinha, não seria legal que ele a visse assim... abre o box e vê sua antiga toalha branca com uma figura dando um chute desenhada ao centro. Sorri, mas nota que a toalha está meio úmida e percebe que Pedro havia a utilizado.
—- Ah moleque... – murmura ela, irritada, mas mesmo assim se seca com ela, pensando que ele não haveria de saber e ela não tinha frescura. Passa a toalha nas orelhas e seca seu rosto, inconscientemente inspirando o cheiro Pedro contido nela. Ela suspira, com saudade, então arregala os olhos e se repreende. Que doentio, Karina!
Ela larga a toalha no chão, querendo afastá-la de si o mais rápido possível, coloca uma calça menos despojada e uma camisa de botões e manga curta para parecer mais formal, mas nem tão arrumada, arruma o cabelo, prendendo um de seus lados com um grampo, passa perfume e veste sapatilhas. Depois de pronta, se olha no espelho e respira fundo antes de sair do quarto.
Chegando ao local, Pedro e Karina se encaram firmemente, nervosos, passaram a viagem toda até ali em silêncio e agora estavam em uma salinha com uma mesa, 3 cadeiras e estantes, quase como um consultório médico. Ele faz um aceno com a cabeça e cruza os dedos, desejando boa sorte para ambos e ela lhe imita, até que uma mulher de cabelos cacheados na faixa dos 40 anos senta-se na cadeira do outro lado da mesa, sorrindo para eles.
—- Olá! Vocês são um lindo casal. – diz, tentando acalmá-los.
—- Obrigado. – responde Pedro e Karina franze a testa, mas ignora o que ele fala.
A mulher então passa a hora seguinte perguntando sobre suas vidas, suas preferências e sua vida profissional para ver se precisaria atualizar os dados. Depois desses exaustivos minutos de investigação, a mulher os informou que a menina passaria essa noite na casa deles como teste e depois iria outra vez semana que vem caso eles topassem. O processo seria feito aos poucos para acostumá-la e então, se tudo desse certo, ela ficaria lá definidamente, sendo visitada por uma assistente social ocasionalmente.
—- Mas e se... e se a gente se separasse antes desse processo, o que aconteceria? – pergunta Karina, trêmula.
A mulher a encara, surpresa.
—- Um de vocês teria que assumir a guarda sozinho. – responde a assistente social, o que ambos já imaginavam.
—- E isso é de boa? – pergunta Pedro.
A mulher arruma a postura na cadeira.
-- Não muito, é um processo muito estressante e damos prioridade para casais estáveis, sabe, para não traumatizar ainda mais essas crianças. – responde ela, desconfiada.—Se vocês se separassem quando já estivessem com a guarda tudo ocorreria como um divórcio norma, haveria uma discussão no tribunal por sua guarda. – explica. – Mas por que essas perguntas? Vocês não estariam...
-- Não, claro que não, é só dúvida mesmo. Bem hipoteticamente. – diz Karina, tentando parecer convincente.
-- É, não faríamos isso. – completa Pedro, pegando a mão dela de forma que ficasse aparente.
Ela encara-o e tenta abrir um sorriso para convencer a mulher de que estava tudo bem.
-- Certo, se são só essas suas dúvidas, vamos conhecer a pequena. É uma menina, tem 3 anos e perdeu os pais em um acidente quando era bebê. Tem uma avó com Alzheimer impossibilitada de criá-la. – informa. – Algum problema com sua situação? – pergunta.
Tanto Pedro quanto Karina negam, ambos duas pilhas de nervos.
—- Ela não se lembra então...?
—- Não, ela só conhece aqui dentro. Não lembra de sua antiga família. – diz a mulher, e então a porta é aberta e uma pequena figura baixinha entra, agarrada a um ursinho de pelúcia puído.
A menina olha inocentemente para os dois e abre um pequeno sorriso tímido. Karina sente seu coração parar ao vê-la.
A garotinha se aproxima mais dos dois e olha de Pedro para Karina. Ela tira o cabelo cacheado e escuro do rosto, incomodada e a moça atrás dela ri.
—- Ela ta sempre brigando com os cabelos. – Karina sorri com o fato, se lembrando de quando era pequena e sempre pedia pra cortar seus cabelos curtos porque eles incomodavam e Bianca sempre queria penteá-los.
—- Vocês são bonitos. – diz a pequena, baixinho e encara firmemente os dois adultos, seus olhinhos pequenos e puxados como os de um gato, mas também escuros como a noite.
—- Você que é linda, com esses olhinhos... – diz Pedro, emocionado.
Karina se agacha e oferece a mão para ela e ela a segura como que cumprimentando-a.
—- Meu nome é Karina, e o seu? – pergunta a loira, segurando as lágrimas de emoção.
A pequena sorri.
—- Meu nome é Ana. – Karina tem que disfarçar ainda mais suas emoções ao perceber que ela tinha o nome de sua mãe.
Pedro se agacha ao lado da lutadora e apoia uma mão em seu ombro enquanto oferece sua mão para a criança também.
—- Eu sou o Pedro, Ana. – ele beija sua mão. – Você parece uma princesa, mas melhor, qual o nome do seu amigo? – pergunta, apontando para o ursinho de pelúcia na mão dela.
—- É Pimpão. – responde a pequena, levantando mais o brinquedo. – Ele... o cachorro tentou comer ele, mas eu salvei. Eu gosto do cachorro, mas ele foi malvado. -- ela ri, fofa, seus olhinhos fechando ao falar e Karina entende o que Pedro estava fazendo: tentando quebrar o clima enquanto ela disfarçava as lágrimas que não pôde mais segurar ao ouvir seu nome.
—- A Aninha já está ciente que vai dormir essa noite na casa de vocês.
A pequena assente.
—- Vocês têm piscina? – pergunta, curiosa e Karina ri em meio às lágrimas.
—- Infelizmente ainda não, mas quem sabe a gente não coloca pra você nos visitar mais vezes.
Karina olha para Pedro, repreendendo-o, não existia a gente.
—- Vamos lá?
Assim que Ana chega à casa de Pedro e Karina – ou só a casa de Pedro? – ela é recepcionada por Flux, que é segurado rapidamente pelo homem, mas consegue dar alguns lambeijos na menina, que ri, se divertindo.
—- Ele é muito fofo! – diz ela, passando as mãozinhas no pêlo ruivo do cão.
Pedro e Karina riem, encantados e os quatro entram na casa, a pequena olha tudo com curiosidade enquanto Pedro coloca sua mochila no quarto e a chama.
Ela segue o som de sua voz e Karina vai atrás, confusa, encontrando o rapaz no quarto amarelo que agora não estava vazio: continha uma cama de ferro pintado em branco, um roupeiro colorido como o arco-íris, tapete imitando grama, um abajur no canto, cômoda, caixa de brinquedos e espelho na parede.
—- Eu não sei do que você gosta ainda, mas você pode me dizer e a gente preencher esse quarto com o que falta.
Aninha olha para tudo, encantada, especialmente com a cor do guarda-roupa. Karina cobre a boca, impressionada com seu ex-guitarrista.
—- Ficou lindo. – diz ela, sorrindo para Pedro. Ele sorri de volta, mas sua troca de olhares é interrompida por uma batida na porta.
Pedro franze a testa, confuso. Havia avisado que hoje não poderia tocar e não havia mais ninguém que pudesse visitá-lo assim de repente. Ele vai até a porta e quando a abre encontra com Gael. Ele arregala os olhos, não via o ex-sogro faziam alguns meses e dá última não fora nada agradável ter que fingir que sabia sobre Karina e ainda estava com ela, mas Gael, apesar da pose, adorava seu genro, por isso passara ali para ver como ele estava algumas vezes.
—- Eu soube que a Karina voltou! – diz o mestre, animado e Pedro não tem tempo de responder, Karina aparece no cômodo. – Oh filha! – o homem corre para abraçar sua caçula, mas é interrompido por um bracinho que se estende para ele.
—- Oi, meu nome é Ana. – fala a pequena, sorridente, e Gael olha para os dois adultos, confuso e emocionado.
—- A-Ana?
—- Sim, Ana. Você não gostou do meu nome? – pergunta ela, tristonha. Gael se agacha para ela e a puxa para um abraço, uma lágrima escorrendo por seu rosto.
—- O seu nome é lindo. – a garotinha o abraça de volta, confusa e depois que ele a solta. Ele encara seus olhinhos puxados com curiosidade, a mão tocando em uma mecha de cabelo cacheado dela e olhando de Pedro para Karina. Ela puxa seu cabelo, brava e volta correndo para o quarto.
—- Alguém quer me explicar o que ta acontecendo?! – pergunta Gael, limpando o rosto.
—- Ela não gosta que mexam no seu cabelo. – responde Pedro, bobo.
Gael franze a testa, não era exatamente isso que ele estava perguntando. Karina engole em seco e dá um longo abraço de saudades no pai.
—- Eu quase morri de tanto que senti sua falta. – diz a baixinha, chorosa e Gael a abraça de volta.
—- Eu também, filha. Mas sério... você escondeu uma filha esse tempo todo? Eu achei que você e o Capiroto estavam mal, mas...
—- Na verdade... – começa Karina, mas Pedro a interrompe.
—- Na verdade nós não estamos mal não. Eu e a Kari... a Esquentadinha, estamos adotando essa menina. – ele passa seu braço sobre os ombros de Karina, em um abraço, tentando parecer que tudo estava certo.
Karina tem que se segurar para não esmurrá-lo.
—- E o nome dela é Ana...
—- Isso foi só uma coincidência, pai, por incrível que pareça. – diz a lutadora, sorrindo emocionada.
—- Ela até se parece com vocês, deve ser destino. -- os dois concordam. – Isso... isso é surreal. – ele abre um sorriso e abraça os dois. – Parabéns, eu sei que vocês sempre quiseram um filho. – diz ele, feliz, beija a bochecha de Pedro e a bochecha de Karina em seguida. -- Então tudo bem? Perina... como vocês falam, achei que vocês estavam mal, que besteira a minha. – ele dá um tapinha na própria cabeça e Karina engole em seco.
Pedro nega rapidamente. – Não, estamos ótimos, apesar desse tempo distante. Ele puxa Karina para mais perto, deixando-a assustada.
—- Imagino que vocês queiram ficar sozinhos néh, mas eu queria pedir pra passar essa noite aqui, sabe, pra matar a saudade da minha filhota. – fala o lutador, constrangido.
—- Claro, pai, a gente pode dormir na cama e o Pedro dorme no sofá. – Pedro olha pra ela, protestando, mas ela empurra ele com o braço e ele sorri, assentindo.
Gael parece relaxar depois de ouvi-los, ele passa a noite ali, os três brincando alegremente com a pequena enquanto comem uma pizza até tarde e então Ana dorme em seu quarto amarelo, sendo paparicada até na hora do sono, Flux no chão e a porta entreaberta. Gael dorme com Karina na cama de casal, abraçando calorosamente a filha até que pegasse no sono, enquanto Pedro fica no sofá da sala. No meio da noite, ela foge do quarto e vai até a sala, onde Pedro estava sentado, olhando para a porta entreaberta do quarto amarelo.
—- Pê... – sussurra ela e ele a encara, já estava a seu aguardo. – O que foi isso com o meu pai... – indaga ela, sentando-se ao seu lado. Ela morde os lábios.
—- A gente não pode terminar tudo agora. – responde ele, deixando-a confusa, eles já haviam terminado...—- Acho que... acho que a gente deveria continuar casado.
Ela grila os olhos.
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