Voltando para o Começo

11 Capítulo 11: Te vi escapar das minhas mãos


Notas iniciais
Oi! Só apareceu um leitor, mas queria agradecer. Sei que meus antigos leitores já não devem mais ler fic, mas quem sabe não surgem novos? Queria deixar claro que na minha história o Cobra não é irmão da Karina e a Bianca acaba com o João e não com o Duca (porque não gosto muito dele). Música do capítulo: Cecília - AnaVitória (meu mpb deprê favorito).

Assim que Karina ouvira aquelas palavras de Pedro ela não soube o que sentira. Era estranha a ideia de criar uma criança que não sabia a origem, mas no fundo, ela gostava.

—- Como assim, Pedro? – pergunta, com os olhos arregalados.

O guitarrista se aproxima mais da esposa e larga o notebook na mesa de centro, pegando sua mão logo em seguida.

—- Ka, eu sei que não era essa a forma que você pensou em construirmos uma família, mas pensa bem... adoção ajudaria tanto nós quanto uma criança sem família. – diz ele, olhando no fundo de seus olhos azuis.

Ela engole em seco.

—- Você devia ter falado comigo antes disso...

—- Eu sei, mas não tem nada certo, ainda preciso dos seus documentos, sermos entrevistados, preenchermos várias fichas, passarmos pelo treinamento. Podemos desistir a qualquer momento...

—- Será? – pergunta ela, interrompendo-o. – Sabe, e se não der certo? Tem gente que nunca chega a adotar.

Então ele entende sua hesitação. Ela tinha medo de quebrar a cara novamente com suas expectativas, assim como fora com as tentativas falhas de gravidez.

—- Karina, se não der certo nós continuaremos sendo uma família: eu, você e o Flux. Sei que falamos muito em “construir uma família”, mas isso não significa que já não sejamos uma.

Ela desvia o olhar e funga.

—- Eu sei, Pê.

—- Eu te amo minha chorosinha, pra sempre. – murmura ele e ela sorri de lado com seu apelido.

—- Eu também te amo. – responde, olhando-o nos olhos.

—- É isso mesmo? Minha chorosinha sorriu? – indaga ele, alegre e ela o olha pelo canto do olho, envergonhada enquanto o sente abraçá-la.

—- Preferia Esquentadinha...

—- Então tem que fazer por merecer. – rebate ele, voltando a encara-la e lhe dando um beijo singelo nos lábios.

5 meses depois...

—- Alô, quem fala? – pergunta Karina, atendendo rapidamente o celular. – O quê?! – ela quase grita. – Sim, sim, claro que eu vou! Não tô em acreditando, seria uma honra! Certo, depois passo meu e-mail.

Ela desliga a ligação e fica parada sorrindo por alguns instantes antes de dar um grito, a que o cachorro Flux responde com muita agitação.

—- Não acredito! Ai meu Deus! – e se joga no sofá, até que ela se lembra de um pequeno detalhe e se senta, desmanchando o sorriso. – Como será que ele vai reagir...

—- Quem vai reagir? – pergunta Pedro, arrastando sua mala de viagem. – Eu perdi alguma coisa? – completa, sorridente, estava separando as coisas para sua turnê anual que iniciaria semana que vem -- e que Karina não respondera muito bem, então era estranho vê-la alegre daquele jeito.

Ela engole em seco.

—- É... – suspira. – um tricampeão em Muay Thai acaba de se oferecer pra ser meu treinador.

Pedro sorri e a pega no colo.

—- Que ótima notícia, minha esquentadinha! – murmura ele, lhe abraçando forte.

Ela ri: -- Sim... só que... eu teria que ir pra Tailândia. – ele a solta no chão. – Seria só um ano... até o campeonato de lá. Então eu... eu voltaria.

—- Mas... a gente não pode néh? Tem o processo adotivo, minha turnê, tudo aqui... – diz ele, encarando-a seriamente.

—- Você sabe que esse processo não andou mais depois daquele “curso” de como ser um pai adotante. – responde ela, se referindo às aulas que ela e Pedro fizeram obrigatoriamente logo quando iniciaram o processo a quase meio ano atrás.

—- Sim, Ka, mas isso demora e...

—- E o quê? É só você ficar aqui então e a gente se vê em 1 ano... já vamos ficar afastados alguns meses mesmo por causa dessa turnê.

A expressão dele cai ainda mais.

—- Ka... tanto tempo longe...

—- Você não quer mesmo que eu desista de uma chance dessas, quer!? – ela aumenta o tom de voz. – Eu poderia me tornar a maior campeã! Eu ganhei só um campeonato até hoje.

—- Não, não quero. Mas a gente já não ta muito bem... – diz ele, tocando em seu braço, ao que ela responde se afastando, enojada.

—- Você esperava o quê? Você anda completamente ausente... a gente nem... a gente nem transa mais depois... daquilo.

Ele sente seu peito latejar.

—- Ka... isso... é natural casais se afastarem depois de um tempo.

—- Não a gente. Nós sempre fomos fogo. – responde ela, engolindo o choro. – Admite que você tem medo de me tocar.

—- Não... quer dizer... eu não quero te machucar e... a banda ta crescendo, é nossa primeira turnê mundial. Você sabe que demorou néh... pra chegarmos aqui.

Ela assente. – Sei sim.

Ele volta a pegar em seu braço.

—- A gente vai dar um jeito. – e beija o topo de sua cabeça.

A verdade: ele sentia sua esquentadinha tão frágil, quase como se fosse se quebrar e não queria se aproveitar dela, afinal, ela também não andava muito no clima romântico e passava seus dias desbundada pelo que ocorrera.

Ela o abraça de volta, chorosa. Não sabia que jeito dariam, seu casamento estava nas ruínas novamente, faziam meses que eles não possuíam bons momentos.

O celular de Karina toca e ela seca as lágrimas rapidamente antes de atender, meio grosseira:

—- Oi! – ela arregala os olhos e Pedro se preocupa. – Que ótima notícia! Claro... nós vamos agorinha para aí. – desliga a ligação e abaixa o telefone. – Parece que Jade e Cobra tiveram seu filho ontem... – explica ela, séria.

Pedro assente, encarando-lhe e silenciosamente ambos sentem a mesma sensação de perda e inveja.

A viagem até o Rio de Janeiro fora completamente silenciosa e torturante e ao chegar ao hospital, Karina fora direto até o quarto de Jade, sem falar ou olhar para o marido, que fez o mesmo.

Ao entrarem no quarto, Gael, que visitava seu melhor lutador, se retira devido ao limite de visitantes, dando um beijo na testa da filha e um olhar de reconforto para o enteado, sabendo que seria doloroso ver um recém-nascido tão cedo depois do que passaram.

-- Ka! – murmura Jade, feliz e abre os braços chamando pela amiga. Karina a abraça e então faz o mesmo com Cobra enquanto Pedro cumprimenta-os com um sorriso e um aceno da cabeça.

-- Ele é um amor. – afirma a lutadora, se referindo ao pequeno embrulho nos braços de Cobra. – Parece muito com vocês dois. – completa, deixando uma lágrima escorrer pela bochecha. Não saberia dizer porque chorava, era um misto de emoções tão grande...

-- Verdade. – confessa Pedro atrás dela, apoiando uma mão em seu ombro. – Ele tem seus olhos, Jade.

A morena ri com a afirmação e começa a discorrer sobre cada detalhe do bebê e suas semelhanças.

-- Não sei não, Dama, acho que ele é muito pequeno pra você tá enxergando tudo isso...

-- Como assim, Vagabundo?! Você não vê, ele é a mistura perfeita de nós dois, olha... tem seu tom de pele, meus olhos...

Karina e Pedro se encaram e ele pega sua mão tentando confortá-la. Até que uma batida na porta os interrompe.

-- Karina... – era Gael novamente e parecia muito nervoso. – Sua irmã... ela... ela ta aqui também... entrou em trabalho de parto.

Karina assente sem muita emoção, parecia que o Universo ria de sua cara. Ela devia estar feliz pelos amigos e pela irmã, mas só conseguia pensar em sua dor.

—- Parabéns, Bi. – diz Karina, abraçando a irmã mais velha que ainda se encontrava chorosa depois de agarrar pela primeira vez sua filha. – Você nunca conseguiu me cuidar como uma bonequinha, mas agora vai ter mais uma chance. – brinca, tentando parecer animada, quando tudo que sentia era uma inevitável dor ao saber que com ela aquilo nunca ocorreria, por mais que quisesse.

Bianca sorria tanto que parecia que ia rasgar a própria boca, mas então começou a chorar descontroladamente.

—- Desculpa, Ka, eu não queria que...

—- Ta tudo bem. Relaxa... to feliz por você e pelo João. – interrompe a loira, querendo evitar pensar ainda mais em sua situação.

—- Você quer pegar ela? – pergunta sua irmã ao que ela assente, relutante.

Karina se curva sobre a irmã e cuidadosamente pega a bebê que esta segurava. Ela era tão pequena e frágil que assustava, mas Karina a manteve firme em seu colo e encarou seu pequeno rostinho avermelhado do parto com os olhos marejados.

—- Ela é linda, como você. – afirma, com dor no peito.

Ao chegarem em casa, no dia seguinte, Pedro e Karina deitaram-se lado a lado na cama e ficaram encarando o teto, sem falar, até que Flux apareceu e Pedro se levantou para lhe saudar, pedindo desculpas por tê-lo deixado um dia sozinho e abastecendo seu pote de ração e água.

Quando ele volta para o quarto, Karina está sentada na cama, a mão no ventre enquanto chorava intensamente. Pedro vai até ela, abraçando-a e querendo transmitir o quanto a entendia.

—- A gente... a gente vai superar. – diz ele, duvidoso e ela nega com a cabeça.

—- Não, não vamos.

Ele se afasta do abraço.

—- Para de dizer isso. É só a gente querer que...

—- Só a gente querer?! – interrompe ela alto e então ri em meio ao choro. – Não tem mais nada aqui! – afirma, apontando para ambos. – A gente ta acabando, você não percebe?

Ele nega, irritado.

—- Não, a gente não ta! Não sei onde você vê isso! Eu ainda te amo da mesma forma, talvez seja você que não sinta. – diz, magoado.

Ela vai mais pra trás da cama, querendo mais espaço e cruza os braços.

—- Você não devia... não devia se esforçar tanto. – diz ela, olhando-o de cabeça baixa para que ele não visse seus olhos.

—- Por quê? É claro que eu devo... você não se esforça, alguém tem que fazê-lo.

Ela levanta a cabeça e ele se senta ao seu lado, encarando seus olhos profundamente.

-- Eu já não sou a mesma garota. Não posso te dar o que você quer no momento.

-- No momento eu quero você de volta, feliz, esquentadinha...

Ela desvia seu olhar.

-- Então...

Ele puxa seu rosto em sua direção, bravo.

-- Karina, temos que aceitar e seguir em frente!

-- Mas dói...

-- Eu sei, mas não devia. A gente não deve sofrer por ver os outros bem.

Ela se levanta rapidamente.

-- Como eu não vou sofrer?! Vendo um bebê... dois na verdade, nos colos de suas mães felizes... sabendo que nunca poderei sentir isso... vendo todo mundo chegando nesse estágio da vida enquanto eu continuo aqui... – ela estica os dois braços para fora, sinalizando o aqui como aquela casa.

-- O que tem aqui? Aqui é ótimo! Nós temos um ao outro, o Flux, uma bela casa...

-- Uma bela casa com um cômodo amarelo claro que vai tá sempre vazio. Ao menos você ainda pode ter filhos, devia aproveitar.

Ele bufa com sua teimosia, sentindo o sangue ferver.

-- Não aguento mais esse seu lenga-lenga. Chega Karina. – ela se surpreende com suas palavras grosseiras.

-- É! Chega! Acabou neh... – murmura ela.

-- Cala a boca! Não acabou, mas talvez você esteja certa e eu esteja só nadando contra a correnteza.

Ela assente, mais uma lágrima escorrendo.

-- Eu me esforço também, ta. Não é só você que sofre nessa merda! Eu vejo todo dia você dormir mais cedo pra não ter que me dar boa noite, você chorar escondido no banheiro...

-- Eu choro por te ver mal. – diz ele.

-- Eu fico mal por te ver mal. – rebate ela e ele ri.

-- Você fica mal porque só pensa nessa droga de filho! Não ta nem ai mais pra Perina!

-- Claro que eu tô! Eu queria um bebê Perina!

Ele se levanta também, tão rápido que ela pensa por um segundo que vai ir contra ela.

-- Eu também! – grita ele.

-- Bem, você ainda pode ter filhos...

Ele assente, se deita na cama e se cobre com o cobertor, ao que ela responde fazendo o mesmo, virando para o outro lado.

-- Talvez eu devesse mesmo ter... – sussurra ele, e ela escuta sua fala em silêncio, engolindo uma lágrima que teimou em cair, silenciosamente.

No dia seguinte, Pedro saiu cedo de casa. Era seu último dia em São Paulo e então eles iniciariam a turnê a começar por Minas Gerais. Karina não o vira sair e estava em choque pelo que ele dissera. Talvez ele devesse... ter um filho? Mas ela não podia, então... Estava tudo confuso em sua mente e sua garganta parecia prestes a fechar. Ela ficou na cama o dia todo e Pedro chegou apenas de madrugada para pegar suas malas.

Ele se troca e pega suas coisas no quarto, enquanto ela continuava deitada, sem parecer tê-lo visto, mas mesmo assim ele não diz uma palavra, apenas para na porta antes de sair e olha para seu corpo deitado, suspira e sai.

Quando Karina vira Pedro sair ela esperou que ele dissesse algo. Não sabia o que significara o final daquela última discussão para seu relacionamento, mas pensar nisso lhe dava náuseas. Quando ela levantou já anoitecia novamente e Flux estava deitado aos seus pés, chorando, ela o abraçou forte.

-- Queria algum sinal de que ta tudo bem, que não acabou. Desculpa acabar com nossa família. – seus olhos marejam e ela aperta mais o cachorro em seus braços, até que vê um papel cair de sua boca e corre para ler o que estava escrito nele:

Apesar de todo choro,

Ainda pode ser duradouro

É só deixar essa dor ir,

Pra todo amor surgir

Mas não vou te prender com meu lamúrio,

Nem abrir espaço pra nenhum orgulho

Vou trazer leveza pro teu coração,

Vou ser tua canção

Vou te curar com meu amor,

Trazer de volta a cor

Bons tempos virão,

As marcas cicatrizarão.

Ela olha novamente para Flux e depois para o papel. O sinal que esperava.

Depois do show em Minas Gerais, a banda se reunira em uma pós-festa ali mesmo, a que Pedro não quis se juntar, ficou no camarim, precisando ficar sozinho e depois de um longo banho ele se deitou no sofá, só de cueca, pensando na merda que sua vida estava entrando. Sim, ele estava bem financeiramente e profissionalmente, mas não podia dizer isso sobre seu coração. Se arrependia tanto do que dissera para sua esquentadinha e não sabia em que pé estavam atualmente já que não dirigiram nem mesmo uma palavra depois daquela discussão horrorosa. É claro que ele não queria ter filho com ninguém que não fosse a Karina, mas ele estava tão bravo noite passada que falara bobagem.

A verdade era que ele focara tanto na dor dela, que deixou a sua de lado. Tinha que chorar escondido e fingir que estava tudo bem, quando não estava. Ele queria que eles pudessem ser uma família normal: ter seus filhos, enriquecer, viajar, envelhecer... e nunca imaginara que perderia a chance de ter uma dessas coisas, então sim, fora um baque, mas não, isso não significava que ele sentia menos amor por sua lutadora, ele ainda a amava intensamente, as coisas só estavam... complicadas.

Ele suspira. Sentia tanta falta de seu corpo quente em seus braços, seu beijo, seu sorriso de lado, seus tapas na nuca, tudo. Ele dá um soco na mesa de madeira em frente ao sofá e uma taça cai no chão, quebrando. Ele corre para juntá-la.

—- Droga! – pega os cacos e acaba por cortar a mão então os joga longe, a raiva aumentando. – To ficando esquentado como a esquentadinha... – murmura, ri e então fica sério novamente. – Para de pensar nela, idiota. – ele limpa a mão cortada com algodão que tinha para maquiagem e se senta novamente, até que ele vê o conteúdo que compunha a taça: uma cesta de bebidas alcóolicas: whiskey, rum, vinho e mais uma taça... Ele sorri e começa a beber. – Obrigada Universo, isso vai fazer eu parar de pensar nela. – murmura, virando uma dose de rum.

Não devia agradecer...

Karina chegara uma hora após o show, mas esperava que Pedro ainda estivesse no estabelecimento, por isso ainda tentou procurá-lo lá. Ela estava com o coração na boca, mas bastante determinada. Respirou fundo quando o segurança não quis deixá-la entrar.

—- Eu sou a esposa do guitarrista...

—- E eu sou o Harry Potter— respondeu o homem alto, rindo de sua cara.

Karina bufa.

—- É sério! Não conhece as músicas...? Ele compôs todas pra mim. A clássica Rockstar, Esse seu Jeito... Eu sou a lutadora destemida, cabelinho curto – ela levanta uma mecha pra provar que ele é mesmo curto --, sorriso assim de lado... – sorri de lado.

—- Não é querer dizer nada, mas tem muita mulher assim por aí...

Ela fica séria, finge ceder, olhando para outro lado e então... Karina dá um chute direto na cara no segurança, que cai no chão, surpreso e ela aproveita a deixa e entra para dentro do prédio.

Sai correndo por um corredor cheio de portas, aquela era a entrada dos músicos que possuía diversas portas de seus camarins, um salão ao fundo e uma porta pra entrar para o palco. Ela não tem tempo de pensar muito então olha rapidamente as portas, até que vê que a segunda possui o nome de seu marido e entra lá às pressas, segurando a maçaneta bem a tempo de o segurança aparecer tentando abri-la.

Mas quando ela se vira pra dentro do quarto ela solta a maçaneta, perdendo as forças, o segurança adentra o recinto e puxa seu corpo com agressividade enquanto Pedro acorda de seu torpor, o corpo mole da menina colada ao seu também cai e ela reclama no chão, completamente bêbada enquanto ele tenta cobrir seu corpo quase nu.

Tudo acontece muito rápido.

—- Desculpa, senhor, essa moça me deu um golpe e entrou...

—- Deixa. – diz Pedro, firme, e o segurança larga Karina sem entender muito a situação. Ela ainda continha no rosto aquela expressão de choque. Seu marido estava só de cueca no camarim, com uma garota deitada em seu peito. – Por favor... é... você pode tirar essa garota daqui? – pede o guitarrista e o segurança pega a garota caída no chão no colo e a tira dali.

—- Ela deve ter uns 18 anos, Pedro. -- diz Karina, pasma.

Pedro passa a mão pelos cabelos.

—- Eu não sei quem é essa garota... eu não lembro...

—- Não lembra?! Você dormiu com uma adolescente? Eu to com nojo de você...

—- Não, eu não devo ter dormido...

Os olhos de Karina se enchem de água e Pedro a pega pelos braços.

—- Ka... eu só bebi demais. Não... – mas nem ele mesmo sabia o que acontecera e o que dizer naquele momento.

—- Sabe, todo mundo fala a mesma coisa dos músicos: só pegam as novinhas, mas eu nunca pensei que você...

—- Mas eu não quero nenhuma novinha... na verdade... nós somos novos ainda. – diz ele, se enredando nas palavras.

—- Pelo visto não suficiente. Não sou suficiente em nada. – diz ela, olhando no fundo de seus olhos.

—- Karina, ta tudo uma droga.

—- É. E eu tava certa quando pensei que você ia procurar outra! – grita ela, soltando um berro em seguida.

—- Eu não... eu não tinha intenção -- ele aperta mais o aperto nos braços dela e ela o empurra pra longe.

—- Acabou, Pedro. E não é nem por causa disso. – diz, apontando para o corpo seminu dele. Ela limpa as lágrimas e sai correndo dali.

Notas finais
Então? Se estiver aí me manda um feedback. O que achou? Não me matem, eu não faria o Pedro ter uma perda de caráter dessas, as coisas só foram mal interpretadas, mas tudo vai melhorar. No próximo capítulo teremos uma passagem de tempo e mais porradaria. Comentemmm