Kol

Força de vontade. Era o que eu tinha pra me segurar e não partir Finn em um milhão de pedacinhos nojentos, tentar me matar já fazia parte de nossa rotinha, mas ameaçar Elizabeth era demais. Fazer ela quase perder o bebe pior ainda e a única coisa que eu conseguia pensar era arrebentar aquela cara patética que meu irmão tinha.

– Como se sente agora que sua namoradinha esta a salvo? – Finn me provoca.

– Ela é minha esposa. – Eu o corrijo seco e irritado. – Muito bem, obrigado.

– Esposa? – Ele franze a testa pra mim e depois para Niklaus.

– Estou tão surpreso quanto você. – Niklaus diz dando os ombros.

– Não é surpresa, todos já sabiam sobre esses dois. – Finn me entrega enquanto me sento em uma das cadeiras. – A surpresa é ele ainda estar vivo.

– Bom quando eu ia terminar o meu trabalho, você nos arrastou até aqui. – Klaus deu um mínimo sorriso sádico.

– Levantamos uma boa questão. – Elijah disse se sentando na outra cadeira. – Porque Elizabeth não deixou que Niklaus o matasse?

– Obviamente Kol a hipnotizou. – Eu rolo os olhos com a resposta de Klaus.

– Ela é uma bruxa, não pode ser hipnotizada. – Finn disse. – Fora o fato de beber verbena feito água.

– O que você quer com a minha filha, Kol?! – Klaus tenta agarrar o meu pescoço e eu quebro a sua mão.

– Pensei que meus sentimentos por Effy estivessem claros, Niklaus. – Eu respondo.

– Se você realmente sentisse algo por ela, porque não lutou por ela? – Klaus me olhava com fúria.

– Eu lutei por ela! – Eu já não aguentava mais os meus irmãos. – Ou você acha que eu não quero arrancar o seu coração?

– Então porque não faz isso?! – Berrava enquanto Finn e Elijah nos assistiam.

– Porque eu amo ela, Niklaus! E se isso for um pecado me crucifique! – Eu berrava com ele. – Já pensou por um segundo como ela se sentiria se eu o matasse na frente dela!

– Muito provavelmente ela não iria ficar feliz, não sei. – Eu conheço meu irmão e eu sei que ele se sentia traído. – Não a reconheço mais.

– Deixa de ser hipócrita Niklaus! – Eu o empurrei contra a parede. – Ela é a mesma, você é que nunca a conheceu realmente!

– E você a conheceu?! – Ele me empurrou. – Um mês juntos e já acha que a conhece melhor que eu.

– É claro que a conheço melhor que você. Effy é forte, mas você nunca percebeu que ela é delicada. – Era só falar o que estava preso por anos. – New Orleans é um pesadelo, Nik! Você já viu de tudo o que ela passou durante séculos naquele lugar e ainda insiste a arrasta-la pra lá por sua ganância. – Ele ficou mudo. – Eu sou um monstro, mas sua filha tem a teimosa mania de ver o bom em todos, inclusive em você. Assassino, cruel e possessivo. — Eu atirei. – Até mesmo no traidor sujo do Finn, quando ele assistiu as bruxas a torturarem e ela pedia por ajuda que ele se recusou a dar, ela ainda acreditava no fundo que ele não era esse filhinho de mamãe sem escrúpulos!

– E você, Kol. – Niklaus abaixou um pouco a bola. – Como ela vê você que decididamente é o pior entre nós.

– A diferença é que entre mim e vocês eu nunca tentei me esconder sobre uma casca. – Respondi frio. – Sempre mostrei o monstro cruel e depravado que sou sem nunca por um segundo recusar a minha própria natureza, mas ainda como eu disse ela gosta de ver o melhor nas pessoas. Mesmo que isso só exista pra ela.

– Claro! Kol, o honesto. – Finn ironizou.

– Não preciso ser honesto com vocês, seus inúteis e sim com ela. – Dei os ombros. – Até onde sei não me casei com nenhum de vocês.

– E sim com sua sobrinha. – Elijah disse depois de só observar.

– Ela realmente se considera filha de Klaus, mas todos nós sabemos que o pai verdadeiro dela é o Deus cujo nós burlamos a visita por mil anos. – Respondo ao meu irmão e recebo um olhar irritado do outro. – Querendo ou não aquele lá deu apoio invés de tentar a arrastar pra uma cidade onde nunca esteve segura.

– E desde quando você sabe tanto sobre paternidade. – Finn atira venenoso.

– Sei o que é melhor pra ela. – Contornei o assunto, Klaus era o único que não havia escutado os batimentos da criança.

– Casados por duas horas e já acha que sabe o melhor pra ela. – Ironia era o sobrenome da família.

– E você cuida dela por um século e quer a arrastar pra uma cidade onde vai ter que se fingir de morta. – Ergui as sobrancelhas. – Também acho estranho você contestar paternidade já que matou os nossos pais e o seu pai, o verdadeiro é claro.

– Se libertar o cordão umbilical pode mostrar o verdadeiro potencial das pessoas. – Ele responde passivo. – Quando as relações sanguíneas me atrapalham muito eu simplesmente me livro delas.

– Elizabeth não matou você. – Disse seco. – Ela simplesmente foi embora sem incomodar ninguém.

– E achou mesmo que não iria me incomodar eu não saber onde ela estava. – Voltou a ficar furioso. – Sem saber onde estava e si iria voltar.

– Acha mesmo que ela nunca iria voltar? Ela sentiria saudades de você e talvez em alguns anos eu a levasse de volta!

– E por que fugiram feito coverdes? – Ele atirou.

– PORQUE ELA TEM MEDO DE VOCÊ! – Eu olhava o meu irmão com todo o desprezo que eu sentia. – Você nunca parou pra pensar em como ela se sentia, no fundo, apavorada com atrocidades que essa família comete?! Em como seria ver sangue e cabeças rolando por todo o lugar quando é apenas uma criança?! – O silencio volta na cabana. – Fugir de lobos e achar que um psicopata é a melhor companhia pra uma tarde de verão, Deus, Niklaus! Como você a deixava sozinha com tantos inimigos na porta!

– Como sabe disso?

– POR QUE EU ERA O PSICOPATA QUE A FAZIA COMPANHIA! – Não havia porque esconder. – Solitária é a palavra que descreve a sua filha! – Ele se agarra ao meu pescoço. – Vá em frente! Me mate! E mostre a criatura sem perdão egoísta que você é, deixe-a sozinha novamente, mas me prometa! – Ele me encarava. – Dessa vez faça seu trabalho direito e cuide dela de um jeito mais cauteloso e zeloso do que você nunca fez.

– Ai é que se engana meu irmão... – Ele disse soltando o meu pescoço. – Eu sou capaz sim de perdoar. – A magia começava a oscilar. – Você Finn permaneceu durante séculos no javali, mas aqui é onde se encontra a sua verdadeira culpa. Você nunca aprendeu que os laços de família superam qualquer coisa. – Meu irmão é um bipolar maluco, mas entendi a sua tática com Finn. – Tais laços que vencem ciúmes mesquinhos. Eles superam rixas antigas e, sim, eles são capazes de permitir um monstro... – Ele se virou pra mim. – Perdoar os grandes pecados do outro.

– Como isso é possível?! – Finn se levanta enquanto as cabeças eram queimadas.

– Sua magia é tão falha quanto a sua percepção de seus próprios irmãos. – Eu disse. – Imagino, o quanto intocável é você? — Nos aproximamos dele e antes que ele nos mandasse de volta pude quebrar o seu belo pescoço, o que me satisfez mesmo que eu soubesse que ele vai voltar à vida. – Isso foi pela minha esposa.

Acordei sujo de sal torrado e pude ver ela graciosa sorrindo pra mim antes que caísse eu a segurei em meus braços. Mesmo depois de cansada ela ainda se esgotava pra nos salvar. Seu nariz sangrava, mas ainda conseguia ouvir os dois batimentos o que me fez ter certeza de que ambos estavam seguros.