Você é a Minha Família
51 Capítulo 51
Elizabeth
– Por quê? – Ele me pergunta. Não gritava, mas a voz magoada era pior. – Pegue suas coisas e vamos pra casa.
– Casa? – Eu olho em seus olhos. – Ainda acha New Orleans de casa? Depois de tudo o que aconteceu?!
– New Orleans é segura.
– Não é segura, nunca foi! – Eu rebati. – Olhe pro que essa cidade fez conosco! Olhe pro quanto já perdemos pra reconquista-la. – Eu dizia em apelo. – Bruxas, vampiros e lobos nunca irão atrás de você, mas eles iram atrás de mim.
– Eu posso proteger você. – Ele disse.
– Eu sei que pode, mas não quero me fingir de morta.
– E só por isso você fugiu, como ele! – Ai estavam os gritos. – Meu irmão!
– Sim! – Eu gritava também. – E eu faria outra vez!
– SEU CRETINO! – Ele avançou pra cima de Kol segurando o seu colarinho. – Hipnotizar a minha filha pra fazê-la dizer esse monte besteiras e ainda por cima ter coragem de se casar com ela. – Ele ia matar Kol e ele não revidava apenas o olhava firme.
Normalmente Kol revidaria e já falaria aos montes, mas agora ele o encarava serio. Sem sorrisos, só o olhava frio e firme. Klaus ia mata-lo isso era obvio e ninguém, nem sequer Elijah interferia e ai eu soube o que ele queria fazer. Kol deixaria meu pai matar ele, desde que eu ficasse imune e apenas fingisse estar hipnotizada e sairia ilesa. Sem ser culpada, sem ressentimentos. Kol seria o único culpado e tudo “voltaria ao normal”.
– Não vai mata-lo! – Eu entrei entre os dois os deixando surpresos e coloquei o corpo de Kol atrás do meu.
– Saia da frente Elizabeth! – Os dois disseram.
– Não! – Eu fechei os olhos com força e depois abri de novo encarando meu pai. – Se matar ele vai ter que me matar antes!
– Saia Elizabeth. – Kol disse firme colocando as mãos no meu ombro.
– Eu não vou deixar você. – Senti lagrimas rolarem pelo meu rosto.
– Amo você. – Ele disse baixinho antes que Elijah me tirasse da frente dos dois.
Era cruel. Por um momento eu estava feliz e no outro a felicidade escoria entre meus braços. Não posso deixar arrancarem Kol de mim, não sem lutar. Meu pai estava cego pelo ódio ele iria matar Kol na minha frente, sem dó ou piedade. Kol poderia lutar, por mim, por nosso filho, mas ele nunca tiraria a vida de Klaus na minha frente porque ele sabia que isso acabaria comigo, então ele prefere se entregar sem lutar e me deixar a salvo do que viver e me magoar.
– Me solte! – Eu me debatia desesperada nos braços de Elijah, tentando me libertar, mas o seu aperto era firme e ele me olha com espanto. Provavelmente ele ouviu o coração do pequeno batendo dentro do meu ventre, mas nada disse. – KOL! – Eu ainda tentava me libertar e me juntar a ele, se ele não vivesse eu também não queria ficar aqui nesse mundo cruel.
Antes que meu pai matasse Kol uma enorme barreira negra se abriu entre os dois me fazendo ficar surpresa e os dois se chocarem contra ela. Eu tentei me desvencilhar dos braços de Elijah, mas antes que pudesse ele me encarou com certa severidade e depois pra minha barriga e eu só balancei a cabeça em confirmação. Antes que eu pudesse fazer algo as minhas forças se esgotaram e eu cai na inconsequência.
Eu abri os olhos e estava em uma sala estranha. Era uma cabana de madeira com cinco pilastras sustentando o teto e em cada uma delas havia uma cabeça de animal. Uma raposa, um lobo, um veado, um corvo e um javali. Escuto alguns passos percebo que era Elijah e do outro lado era Kol. Corri pros seus braços, nunca fiquei tão desesperada e com medo como hoje e ele me conforta afagando os braços nas minhas costas nuas. Quase não percebo meu pai entrando do outro lado da sala.
– É um chambre de chasse... – Diz Kol separando devagar os nossos corpos e logo reconheço o feitiço. – Uma sala de caça.
– É onde as bruxas trazem as suas presas pra uma prática mental de alvo. – Eu explico olhando em volta. – Nossos corpos estão no mundo real deitados no chão e nossas mentes estão aqui, representadas por essas esquisitas cabeças de animais.
– Deixe me adivinhar que é o autor desse pesadelo. – Meu pai disse sem nos olhar. – Finn apareça!
Segurei a mão de Kol e a porta se abriu revelando Finn ainda no corpo de bruxo. Meu pai tentou arrancar o seu pescoço, mas nem conseguiu chegar perto fazendo uma cara de dor.
– Poupe suas forças. – Finn disse calmo. – Aqui eu sou intocável. – Disse fazendo movimentos teatrais. — Minha mágica, minhas regras. Então fiquem a vontade... – Ele olhou diretamente pra mim. – Ficaremos aqui por um tempo. Ao menos essa prisão é mais confortável que a caixa que você me manteve preso por 900 anos. – Ele acusou meu pai.
– As cabeças são um toque legal. – Klaus começou a caminhar em volta sem nem sequer me olhar. – Deixe me adivinhar... Eu sou o lobo mal. – Ele disse irônico. – Kol a raposa astuta, Elizabeth o corvo guardião da magia. – Ele aponta pra Elijah. – Elijah é o veado nobre e você, muito apropriadamente, é o javali. – Ele disse em um tom divertido. – Bem obvio, na medida do simbolismo. Porque estamos aqui? – Ele falou sombrio e subitamente mudou o seu tom. – Não me diga! É sobre a nossa mãe. Não a forcei a beber sangue e trair o que preza. Ela escolheu.
– Isso não é sobre a mãe, isso é sobre você! – Finn rebateu enquanto eu e os outros observávamos. – Quero que saiba como é importante se sentir impotente. – Meu pai me olhou rapidamente. – Então eu vou tirar o que é mais importante de você. A cidade que você ama tanto. – Rolei os olhos.
– Estamos quase aqui? – Elijah se pronunciou. – Você ira nos libertar... Agora.
– Eu irei... Depois do por do sol. – Eu não entendia o que estava havendo, mas era algo relacionado à New Orleans e aos vampiros. – Por que ai quando os manifestantes da passeata estiverem nas ruas, meu feitiço de barreira ira cair. – Eu não fui a única a olhar confusa. – Marcel e seus vampiros famintos serão libertados pra fazer uma matança no Quarter. Imagino que depois dessa atrocidade, os sobrenaturais de New Orleans serão forçados a procurar outro lar.
– Eu não me importo com a cidade. – Disse Kol. – Eu me importo com Effy, sua briga é conosco e não com ela. – Ele não parecia nem um pouco descontraído e me colocava atrás dele e parecia prestes a rasgar o irmão em pedaços.
– Tudo o que você se importa é ela, e se eu a tornasse vulnerável? – Ele levantou a mão e senti um baque que me fez segurar a barriga de dor que passou tão rápido quanto veio, mas a minha cabeça continuou a latejar.
– A devolva para o corpo! – Kol disse me ajudando como se fosse um suporte. Ele disse auto e autoritário que quase fez eles recuarem. – AGORA!
– E se eu não o fizer? – Finn ergueu uma sobrancelha.
– Vai desejar estar em um caixão no inferno. – Kol disse tão frívolo que quase me fez estremecer. Nunca o tinha visto dessa forma. Antes que alguém falasse algo Finn estalou os dedos e eu já estava acordando em meu corpo.
– Effy! – Uma garota negra um pouco baixa e com longos cabelos cacheados segurava o meu corpo. – Você esta bem?!
– Rebekah?! – Eu a olhei confusa e desnorteada. Eu levantei sem ao menos esperar resposta e comecei a agir.
– O que esta fazendo?! – Ela me olhava confusa enquanto eu pegava uma das velas da cerimônia. – O que aconteceu?!
– Sem querer ofender, mas você como bruxa é deplorável. – Eu dei um sorriso torto fazendo um grande pentagrama com sal. – Finn aconteceu. – Ignorei o enjoo e pude ver Ester e Mikael inertes no chão com marcas na testa sendo canalizados.
– Mas como ele descobriu onde estávamos? – Ela perguntou.
– Do mesmo jeito que vocês tentaram abalar meu feitiço, abriu uma brecha na proteção para Finn e ele puxou a minha mente por engano. – Eu expliquei tentando puxar o corpo de Kol para o circulo. – Obrigada. – Eu disse quando Hades o levou até lá e fez o mesmo com meu tio e meu pai.
– O que pretende fazer? – Rebekah me olhou.
– A diferença entre mim e Finn é que ele conhece magia há séculos. – Eu olhava para Rebekah nos olhos. – E eu pratico magia há séculos. – Bati o pé no inicio do circulo o fazendo incendiar em fogo grego. – Vou trazer nossa família de volta.
Fale com o autor