Elizabeth

Eu estava sentada em frente à fogueira. Eu já tinha parado de chorar e agora fazia os pedidos pra minha família. Parte disso tudo era minha culpa e eu não podia fazer nada além de sentar e pedir aos deuses que Rebekah e meu pai ficassem bem depois dessa noite com Esther. Eu parava pra pensar eu tentava enxergar a onde a minha vida tinha começado a virar essa bagunça.

– Effy. – Eu me virei e vi Andrew parado em minha frente. – Preciso falar com você.

– O que foi? – Eu vejo a mochila em suas costas e ele estava estranho. – Aonde vai?

– Vou embora Effy. – Eu conseguia ver muito bem no escuro, mas não conseguia ler a sua expressão.

– Por quê? – Eu não conseguia entender e começava a me desesperar. – Vai me deixar?

– Eu não vou deixá-la. – Ele segurou as minhas mãos. – Nunca te deixaria, Effy eu te amo.

– Então porque vai? – Eu senti lagrimas nos meus olhos.

– Por que 2 semideuses no mesmo lugar não vai dar certo. – Ele me olhava nos olhos. – Você viu o que aconteceu na estrada eu não quero que aconteça de novo e você tem que admitir que a sua vida só ficou assim depois que eu entrei nela e toda vez que ficamos juntos a vida de nós dois fica ainda mais louca.

– Isso não é verdade. – Eu neguei com a cabeça.

– É sim e você sabe. – Ele disse pondo a mão no meu rosto. – Eu não quero que você se machuque por minha causa.

– Pra onde você vai?

– Primeiro vou ver a minha avó. – Ele disse. – Sinto saudades da velha e depois eu vou voltar pro acampamento. – Ele parecia me esconder algo.

– O que esta acontecendo. – Eu olhei em seus olhos cinza. – Andy!

– Gaia esta despertado. – Ele disse por fim. – Vai ter outra guerra e eu não quero que você se envolva nela.

– Mas ela é minha também!

– Não, não é. – Ele nega. – Effy você já tem demais com o que se preocupar. Não precisa dessa guerra em suas costas, vou deixar você no anonimato e tentar evitar que ela venha atrás de você.

– Esse não é o único motivo é?

– Não posso pedir pra você escolher Effy. – Ele balança a cabeça. – Eu sei que você também o ama e seria cruel com você pedir pra que escolhesse um de nós. – Ele acariciava os meus cabelos. – Eu sei que você me ama, mas você o conhece a mais de um século e no momento eu consigo ver que precisa mais dele do que precisa de mim. E você sempre você sempre escolher ele. – Eu ia falar algo, mas ele me impediu. – Eu te amo Effy, mas eu sei que isso é verdade. – Ele deu um sorriso sem querer. – Quando estiver em perigo, não hesite me chamar. – Ele me entregou um dracma e roubou um beijo meu e eu retribuo.

– Meu desejo é que você fique vivo, Andy. – Eu disse apertando a moeda em minha mão.

– E o meu é que você seja feliz, Effy. – Ele disse beijando a minha testa e atravessando a barreira sem olhar para trás.

Eu vi ele se afastar e me sentei na grama observando o fogo. E se ele estivesse certo. Eu o amava, mas se ele pedisse pra escolher entre ele ou Kol eu não tenho duvidas de que mesmo amando Andy cegamente eu escolheria Kol. Ele era o meu melhor amigo, sempre, literalmente sempre, esteve comigo em todos os momentos da minha vida sendo eles difíceis ou de alegria. Sempre me ensinou o que podia e o que não podia e eu não posso negar que ele faz de tudo pra me proteger. No passado eu o amava, não que eu não o ame agora, mas era outro tipo de amor. Era uma chama de fogo grego intensa que só aumentava com o tempo, mas agora estava apagada.

– Você esta bem Effy? – Eu me viro pra Kol parado atrás de mim olhando pras chamas. – Não ouse mentir pra mim. – Eu apensas aceno com a cabeça e ele se senta do meu lado. – Eles vão ficar bem. – Ele me abraça de lado e eu apoio a minha cabeça em seu ombro. — Sabem se cuidar.

– Você tem certeza? – Eu pergunto pra ele controlando as minhas lagrimas.

– Tenho certeza. – Ele aperta levemente o meu ombro. – Fiz um pedido pra você. – Ele se virou pra mim. – Feche os olhos. – Ele disse.

Eu obedeci e sinto a sua mão levemente em minha nuca e seus lábios encostarem contra os meus. Foi um beijo meigo e doce o beijo que eu esperei por 150 anos e que com certeza esperaria mais 150 pra ter um desses de novo. Ele se separa de mim e olha nos meus olhos e eu olho nos dele.

– Desculpe. – Ele diz.

A única coisa que eu consegui pensar foi que talvez aquela chama que representava o meu amor por ele não estava apagada e sim mais acesa do que nunca. Eu envolvo os meus braços em seu pescoço e o beijar de novo e ele retribuiu com uma coisa que eu identifiquei como paixão. Eu já sabia que o amava ele, só não tinha certeza se depois de todos anos ainda o amava, mas depois disso era mais que obvio.