Kol

Nos dois dias depois que eu tinha beijado Effy eu resolvi não atormentar mais a sua cabeça com isso. Apesar de toda vez que eu olho para os seus lábios carnudos e rosados eu tenho vontade ensandecida de tomá-los para mim, mas eu não podia fazer isso com ela. Ela estava confusa e frágil ainda mais depois que a cadelinha foi embora. Eu sei que ela me ama e eu tenho a eternidade para esperar por ela.

Nós passamos os últimos dos dias como passávamos em 1800. Eu a assistia pintar, deitávamos na grama e estudávamos feitiços. Tudo parecia calmo e em paz o suficiente pra me fazer esquecer toda a merda que chamamos de vida. Elijah tinha saído com a loba deixando eu e a Elizabeth sozinhos sem noticias de Rebekah e Klaus. Eu tentava distraí-la de todos os modos que eu podia e até chegava a dar certo e pode-se dizer que eu gostava de às vezes roubar-lhe um beijo de seus doces lábios.

– KOL! ELIZABETH! – Ouvi a voz de Klaus berrar.

Eu me levanto e dou uma última olhada em Elizabeth que nem sequer acordou. Eu andei até a sala onde meu irmão estava berrando nossos nomes. Ele parecia meio aflito e aliviado ao mesmo tempo como se tivesse roubado doce de criança e estivesse se aprontando para roubar à próxima vitima.

– Se importa de parar de gritar, Niklaus? – Eu digo me jogando no sofá.

– Onde esta Elizabeth? – Ele me ignora.

– Dormindo. – Eu respondo. – Como foram as coisas?

– Bom nossa mãe agora é uma vampira. – Ele deu os ombros. – Ou esta morta.

–O que?

– Antes de ela terminar o feitiço em Rebekah eu a matei. – Ele me explicava com um sorriso no rosto. – Porém antes disso Rebekah tinha posto seu sangue em uma taça de vinho.

– Genial. – Eu sorri apesar de minha mãe vampira não ser uma boa idéia. – E onde esta Bekah?

– No corpo de uma jovem desconhecida. – Ele disse. – Falando em corpos o seu esta na sala de jantar.

–Maravilha! – Eu me levantei. – Já estava com saudades do meu belo físico.

– Imagino que o corpo frágil de um bruxo não lhe agrade. – Meu irmão, sempre irônico.

– Agrada, mas para os meus planos preciso de um corpo mais... – Eu olhei para o meu “cadáver”. – Resistente se é que você me entende.

– O que pretende fazer?

– Primeiro uma vingançinha rápida. – Eu sorrio. – Depois tentar não ser morto pelo pai.

– E falando no diabo. – Ele parece ter ficado mais serio. – Nosso pai é um problema pendente.

– Vamos sentar e esperar ele chegar? – Eu me sento-me em cima da mesa. — Já temos a estaca.

– Não gosto muito de sentar e esperar. – Meu irmão se levanta. – Primeiro vou caçá-lo.

– E depois?

– Vou matá-lo e começarei a restaurar a paz em New Orleans.

– Brincando de ser rei de novo? – Eu digo irônico.

Antes que ele me desse uma resposta Effy apareceu no cômodo descalça e belamente desarrumada. Ela abraçou Klaus e conversou com ele enquanto eu preparava o chá pro feitiço. Eu conhecia Elizabeth e sabia que ela irá querer fazê-lo o mais rápido possível.

– Preparada? – Eu pergunto pra ele que estava abraçada com meu irmão.

– Senta ai. – Eu sorrio quando ela diz isso.

Eu me sento na cadeira e bebo parte do chá, que por sinal era uma merda, e molho as mãos dela com o que sobrou. Ela põe as suas mãos delicadas nas minhas têmporas e na primeira palavra eu sinto como se um arpão de pescador puxasse o meu cérebro pra fora do crânio.

– Phesmatos Tribum, Nas Ex Veras, — Ela recitava enquanto eu não podia evitar berrar de dor. — Uenes Fes Matos Et Sonos! – Eu escutei sua voz vacilar se ela errasse eu iria morrer no corpo humano. — Ex Totum Exum – Mas apesar da dor eu confiava nela. — Maleo Matos!

Eu senti outra fisgada seguida de falta de ar. Quando eu abro os olhos eu vejo o corpo do bruxo que eu usava caído e Elizabeth sentada no chão se apoiando na cadeira. Eu me levanto do meu leito, mas antes que eu pudesse chegar perto dela Klaus já havia a pegado no colo. Isso me fez hesitar por um momento.

Eu amava Elizabeth desde o dia que ela tirou a maldita adaga de meu peito, mas se Niklaus sequer desconfiasse disso ele me mataria ou usaria a adaga em mim e me mandaria para Sibéria. Eu não podia arriscar perde-la ou magoá-la ela não agüentaria outra emoção turbulenta e Nik me matar com certeza seria uma delas.

– Você esta bem, sweetheart? – Ele perguntou pra ela.

– Estou. Só com um pouco de sono. – Ela deu sorriso fraco. – Com grandes poderes, vem a grande necessidade de tirar um cochilo.

Elizabeth

Quando acordei eu estava em minha cama e Kol estava em sentado na beirada. Sorri em saber que tinha dado certo, se eu tivesse errado ele teria morrido e ele sabia disso, mas tinha confiado sua vida em minhas mãos.

– Deu certo. – Eu digo a ele.

– É. – Ele parecia um pouco diferente.

– Cadê meu pai? – Eu olhei pros lados.

– Na cozinha. – Ele falou baixo. – Effy meu irmão quer que eu vá com ele.

– Eu vou ficar sozinha aqui, não é? – Só de pensar isso me deixava triste.

– Você nunca vai ficar sozinha de novo. – Ele segurou a minha mão. – Eu vou voltar todas as noites.

– Como sabe disso?

– Por que é uma promessa. – Ele beijou os meus cabelos. – Vou voltar pra cá todas as noites até tudo isso acabar e você estar segura de novo.