Você é a Minha Família
4 Capítulo 4
Elizabeth 2014
Minha reação para a nova escola? Simples, foi a conclusão que sempre tiro, é difícil ser gostosa.
Deixa eu me apresentar. Eu sou Elizabeth Keller, ou Elizabeth K. Mikaelson, como o meu pai adotivo prefere. Tenho aparentemente 16 ou 17 anos, na verdade tenho 171 aninhos tudo graças a um ótimo feitiço, feito por mim mesma, eu sou imortal de um jeito mortal. Vou explicar, quando eu tinha 15 anos eu descobri uma folha “solta” do grimório de Amélia Keller e nele continha um feitiço que era muito parecido com os de Silas e Esther, porém muito melhor, ele permitiu que eu continuasse usando magia, que eu seja forte, não preciso de sangue e o melhor não precisei morrer pra isso. Claro que é arriscado, ser a última Keller e usar o sobrenome Mikaleson era a mesma coisa que gritar HEY ME MATEM, E eu ainda estava viva, eu ainda poderia ser morta. Mas nada tão arriscado se você passa toda a sua vida aprendendo os feitiços de ataque da família, memoriza o grimório de Esther Mikaleson, às vezes manipula as pessoas e é claro aprende a usar armas porque autodefesa nunca é demais.
O fato era eu ainda ser aparentemente um adolescente normal, ingressado no primeiro dia de aula de uma nova escola. A mentira desta vez era que eu e minha família vínhamos de Londres porque Niklaus havia ganhado uma promoção irrecusável de emprego, oque não era totalmente mentira já que eu morei tempo suficiente com os Mikaelson em Londres para ter um forte sotaque como o deles e a promoção irrecusável era apenas tédio.
Então cá estou eu em Dallas, Texas morrendo de calor em minha terra natal. O lugar é árido quente e em alguns lugares tem cercas de arame farpado e vacas, mas tenho que admitir que gosto daqui. Eu estacionava o belo e amado Mustang Cobra 69 meu bebê azul e é obvio que isso atraiu atenção, não que eu gostasse, mas ser criada com os Mikaelson faz o seu ego inflar em uns 300% e eu também tinha certeza de que iam ficar ainda mais impressionados, eu era uma “adolescente” de 16 anos com 1,67 de altura com belos olhos azuis e um corpo que você só consegue se passar 150 anos fazendo exercícios, com uma alimentação balanceada e tendo genes perfeitos. Eu usava o que a minha querida Rebekah chamaria de básico demais, um par de botinhas marrom com salto, shorts pretos, um blusão xadrez azul e preto aberto com regata branca, brincos pretos, algumas pulseiras, um Ray-Ban e uma mochila de couro que tinha o meu grimório, o iphone, um macbook e um mapa. Minha cabeleira negra estava cuidadosamente jogada, minhas unhas sempre pintadas de preto, a pele branca que nem um verão do Texas consegue mudar e o rosto sem maquiagem já que os meus cílios eram longos e meus lábios naturalmente rosados.
Eu bato a porta do carro e analiso o pátio, comum, alguns carros que custaram suas mesadas e trabalho em lanchonetes horríveis, jovens exibidos, normais, excluídos, nerds, jogadores e patricinhas. Nunca fiz parte de nenhum deles, sempre fui muito na minha.
– Hey gata, está perdida? – Uau esse colégio é rápido, apenas rolo os olhos e continuo andando sem olhar pro sujeito.
– Você é nova aqui. Posso te levar até a sala do diretor. – Esse cara não se manca.
– Não valeu eu me viro. – Eu entro no prédio.
Infelizmente eu não sei onde é a diretoria então fico vagando pelo corredor. Pessoas ficam me encarando e murmurando, já estou acostumada, sempre que eu chegava a um lugar novo as pessoas costumam a me olhar aterrorizada ou só me encaram e cochicham, depois de um tempo eu simplesmente parei de importar.
– Com licença, você precisa de ajuda? – Me virei de costas e vi um garoto franzino, com cabelos castanhos encaracolados cobertos pelo capuz do casaco, percebi que ele mancava um pouco.
– Preciso achar a sala do diretor. – O carinha parece ser legal.
– Vem eu te mostro. – Ele disse fazendo um aceno com a cabeça seguindo direto pelo corredor, eu o sigo. Andamos pelo corredor da escola, era enorme com as paredes eram cobertas de armários, murais e às vezes portas que davam para uma sala de aula. Andamos por uns 3 minutos e ele para em frente a uma porta grande escrito Diretor Jakings no vidro.
– É aqui. – Ele diz apontando pra porta.
– Obrigada pela ajuda. – Eu dou um sorrisinho.
– Tranquilo. — Ele segue para o outro lado do corredor
Eu entro na sala, o diretor era um velho de meia idade calvo e barrigudo, coisa que faz qualquer um querer se revirar de rir.
– Ah, você deve ser a Senhorita Mikaelson.
– Sim, sou eu. – Respondo.
– Aqui está o seu horário e o código do armário. Sua primeira aula é biologia em 5 minutos. – Essa foi a minha deixa.
Lá estava eu procurando a sala de biologia. Escuto o sinal tocar e uma massa de pessoas da minha idade entrar em uma sala. Acho que é a minha já que no papel e na porta diziam Biologia 3, eu entro na sala que tinha cerca de uns vinte alunos com caras entediadas sentados em trios e um professor de trinta e pouco tentando chamar a atenção deles.
– Deve ser a senhorita... – Ele faz um cara de duvida eterna
– Mikaleson. –Sem caras de espanto, ótimo o sobrenatural ainda não chegou aqui.
– Isso, por favor, sente-se. – Ele faz um gesto com a mão para mostrar a turma.
Quase todos já tinham seus trios, me deixando com três opções, duas garotas com caras de sebosas, dois babacas que nem sequer disfarçavam o olhar repugnante de desejo e eu tinha certeza que um deles era o idiota do estacionamento e a uma dupla no fundo da sala um deles era é cara que me ajudou a achar a sala do diretor e o outro olhava para a janela com cara irritada e nem me olhava. Perfeito, eu vou andando até o fundo da sala e me sento entre o carinha e o esquentadinho o que faz todos me olhar com espanto, o carinha sorrir e o esquentadinho me olhar com a sobrancelha levantada.
– Ahhh, vamos continuar a aula. – Disse o professor piscando algumas vezes.
Ele explicava uma matéria, eu não prestava atenção, por que provavelmente já devo ter visto essa matéria umas quarenta vezes.
– Eu sou Caio. – Disse o carinha me tirando do meu devaneio de nada.
– Elizabeth. – Eu respondo com um sorrisinho.
O tal do Caio parece ser legal. Tinha um jeito meio tímido e de poucos amigos talvez, mas ele não era um babaca. Talvez eu finalmente vá ter outro amigo depois de quase um século.
– Hey cara não vai se apresentar? – Caio perguntou pro esquentadinho.
– Não. – Ele respondeu sem tirar os olhos da janela, com a testa franzida.
– Por que, tem medo de mulher? – Eu falo com a sobrancelha levantada.
Ele me encara com a testa franzida por alguns segundos depois levanta uma sobrancelha, da uma risadinha pelo nariz e um sorrisinho de lado.
– Andrew. – Ele diz ainda rindo um pouco e volta a olhar pra janela.
O sinal tocou e todos levantaram e eu vou pra fora da sala.
– Hey Elly, quer almoçar com a gente? – Caio perguntou com o tal Andrew do seu lado, pelo visto eram amigos.
– Primeiro dia e já tenho apelidos. Claro, só preciso achar o meu armário antes. – Eu disse dando os ombros.
– Se acostume, o seu nome dá pra fazer um monte de apelidos e eu sou muito criativo. Qual é o seu armário? – Caio perguntou rindo.
– Já até imagino. É o 241. – Na verdade eu não imagino, nunca tive muitos amigos.
– O Andrew pode te levar até lá, o dele é o 242. – O carinha falou.
– O que? – O tal Andrew finalmente se manifestou.
– Encontro vocês no refeitório. – E lá se vai Caio no meio da multidão.
– E ai vai me levar até lá ou ainda tem medo de mulher? – Pergunto com um sorriso de lado que admito que era arrogante.
– Anda logo porque eu to com fome. – Disse me puxando pelo pulso.
– Se me tocar de novo eu arranco a sua cabeça. – Eu detestava quando me tocavam. Ele me olhou de cima a baixo e riu.
Andrew era um cara grande, e quando digo grande é grande mesmo. Ele deve ter pelo 1,83 de altura e era bem devo dizer musculoso com um jogador de futebol americano. Tinha os cabelos castanhos cortado dos lados e um pouco grande em cima em um tipo de corte militar, olhos cinza calorosos e tinha uma longa cicatriz no pescoço. Ele usava uma camisa preta com cinco botões que ia da clavícula até o peito com as mangas dobradas no cotovelo, jeans azul escuro e botas de militar escondidas pelo jeans e um cordão também do tipo militar prateado. Qual é a dele? Com esse estilo militar e tudo mais, era estranho, porém sexy. Não to dizendo que ele é um gato, ta eu to dizendo sim.
Andamos mais um pouco e paramos em frente aos armários. Ele da uma cotovelada na ponta do meu armário e a porta abre.
– É assim que se abre os armários daqui. As fechaduras nunca funcionam. Agora anda logo. – Ele diz sem nem um pingo de pressa.
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