Elizabeth

– Elizabeth se acalme! – Ele segurava os meus ombros enquanto eu surtava.

– Ela esta morta. Ele me mostrou a minha mãe, que esta morta. – Eu disse olhando em seus olhos.

– Quem?! – Ele estava agachado ao meu lado.

– Hades. – Eu respirava fundo tentando me acalmar. – Hades me mostrou e deu um aviso.

– O que ele falou? – Ele não pareceu gostar da idéia de eu ver o meu pai biológico.

– Meu poder tem limites. – A voz de Klaus me acalmava aos poucos. – Só mais dois feitiços antes do grande dia que se aproxima.

– O que isso significa? – Ele falou.

– Que se Kol for trocar de corpo. – Eu o olhava nos olhos. – Vai ter que ser agora.

Ele me olhava com uma expressão ilegível. Eu só percebi que ainda chorava quando ele limpou as lagrimas com o seu polegar e beijou a minha testa.

– Me desculpe, por não estar com você hoje. – O ataque as bruxas parecia ter sido há anos atrás. – Foi minha culpa.

– Não se preocupe com isso. – Eu o abracei. – Elas vão ter o que merecem na hora certa.

– Vamos ter o sangue delas na nossa palheta de tinta. – Ele realmente queria vingança.

– Vamos ver o Mikael queimar. – Eu o prometo.

Eu dormi um pouco antes de fazer o feitiço. Eu não me preocupava com o excesso de magia, me preocupava com Kol. Ele não parecia querer mudar de corpo, mas aceitou mesmo assim. Ele sabia as conseqüências que eu teria se o fizesse e tentou me impedir, mas não consegui vencer a minha teimosia.

Ter sonhos incomuns e visitar o passado durante o sono era comum para os semideuses. Aquela lembrança era tão antiga, mas ela ainda era vivida em minha mente.

Sonho / Flashback

Como de costume os Mikaelson tinham saído e me deixado em casa sozinha. Eu não saia muito, lá fora era perigoso e eu preferia ficar em casa. Morei nessa casa por anos com eles eu conhecia cada pedaço com a palma da minha mão, mas uns lugares nunca me deixaram entrar. O porão. Eu sabia o que tinha lá, mas nunca tive curiosidade suficiente para entrar.

Era um dia de sol quente de verão e o único lugar sombreado da casa era o porão. Apesar dos constantes avisos eu entro mesmo assim. Eu estava com tédio. Eu observo o grande espaço que tinha lá, era vasto vazio ao mesmo tempo cheio, no chão tinha quatro caixões. Eu podia ler os nomes gravados neles. Elijah, vazio. Rebekah, vazio. Finn, com o corpo empalhado. E Kol, eu observo o seu corpo empalhado com a adaga no peito.

Eu ouvia falar sobre Kol. Um garoto que aparentava ser dois anos mais velho que eu. Engraçado, inteligente e sempre com a adaga no peito por sua fome e extinto homicida. Eu não sinto medo. Ele parecia apenas estar dormindo, parecia quase ter a face inocente. Eu arranco a adaga de seu peito e o observo. Vejo lentamente a sua pele cinza e as veias voltarem ao normal pouco a pouco até ele acordar com uma lufada de ar.

– Quem é você? – Ele me olha estranho.

– Elizabeth, pelo caixão você deve ser o Kol.

– Porque tirou a adaga? – Ele me pergunta desconfiado.

– Queria alguém pra conversar. – Eu respondo. – Seus irmãos estão fora e a casa é muito grande.

– Esta com medo de ficar sozinha? – Ele ri de mim.

– Se eu estivesse com medo eu não tiraria a sua adaga. – Eu levanto uma sobrancelha.

– Diga, Elizabeth. – Ele andava em minha volta. – Você sabe quem sou eu?

– Kol Mikaelson. Vampiro original. – Eu respondo sem temor. – E você, sabe quem eu sou?

– Não faço idéia. – Ele me olha com uma sobrancelha levantada, como se decidisse se ia ou não me matar. – Quem é você?

– Elizabeth Mikaelson. Bruxa.

– Explique.

– Seu irmão, Niklaus, me datou. — Eu o respondo

– Se ele se importasse com você. – Ele ri. – Ele teria lhe avisado sobre mim.

– E avisou. – Eu digo. – E me proibiu de descer até aqui.

– Então porque veio? – Ele para de andar e me encara.

– Gosto de quebrar regras. – Eu sustentava o seu olhar.

– Sabe que eu posso te matar.

– Sabe que eu posso por a adaga de volta. – Ele parecia se divertir. – Você deve estar com fome.

– Faminto, na verdade. – Eu corto o meu pulso e vejo o vermelho do sangue escorrer e estendo o meu braço em sua direção. – O que esta fazendo?

– Um acordo. – Eu não abaixo o meu braço. – Te dou um pouco do meu sangue se puder tirar a sua adaga e você me fazer companhia.

– E por que eu faria isso? – Ele olhava pro meu pulso.

– Porque é tão sozinho quanto eu. – Eu digo. – Te darei uma pequena dose todas as vezes que vier te visitar, mas no final do dia terei que por a adaga de volta em seu peito.

– Onde estamos? – Ele tenta não olhar pro meu sangue.

– Espanha, 1857. – Eu digo em abaixar o braço que latejava.

– Quantos anos têm?

– 14. – Eu respondo. – Estou há dez anos com seus irmãos.

– Tem certeza do que faz?

– Absoluta. – Ele se aproxima e pega o meu braço com gentileza.

– Isso vai doer. – Ele olhava em meus olhos. – Tem certeza que quer continuar?

Eu aceno que sim e ele crava os dentes em meu pulso. Consigo sentir o meu sangue ser sugado. Era muito doloroso, não grito, mas segurava o seu ombro com força para me apoiar. Ele afastou a sua cabeça de meu pulso e me olhou nos olhos. Ele tira um lenço de seu bolso e limpa suavemente o meu pulso latejante. Eu ainda me apoiava em seu ombro, à perda eminente de sangue me faz ficar tonta. Ele me pega em seus braços e me senta em uma cadeira.

– Qual a desculpa que dará pelo pulso cortado? – Ele pergunta me olhando do alto.

– Eu me curo rápido, mas se eles perceberem direi que foi o arco e flecha. – Eu o encarava.

Depois desse dia eu comecei a o visitar uma vez por mês, depois uma vez por semana e quando eu percebi eu ia vê-lo todos os dias. E ele tomava menos sangue a cada dia que o via.