Vizinhos

4 Capítulo 4 - Dangerous Temptation


Notas iniciais
Ehhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!! Uru Take-Hime na área, trazendo o novo capítulo de Vizinhos! E ai pessoal, tudo bem? Pois é, eu sei que demorei pra atualizar essa fic, mas já estou de volta. Eu estava um pouco perdida, não sabia se já encerrava a fic com esse capitulo, mas decidi estender um pouco mais, então esse aqui vai ser o penúltimo capitulo. Aposto que estão curiosos para saber o que o Bunny fez depois de ver o Jack daquele jeito, né? Bem, vão descobrir agora e eu espero que gostem 8D Sem mais delongas: Boa Leitura!

Depois de praticamente assistir de camarote uma cena deveras inesperada, Bunnymund se afastou da porta do quarto do rapaz lentamente para não fazer nenhum barulho e ser descoberto. Agiu com muita cautela até sair da casa dos Frost e finalmente apertar o passo para voltar a sua própria casa. Ainda que tenha feito o caminho corretamente parecia que só o corpo do mais velho estava funcionando, pois sua mente estava travada nas cenas que havia acabado de ver. Era como um computador velho exibindo a famosa tela azul sempre que tentava reiniciar o sistema, sem muito sucesso. Mas não era de se estranhar todo esse choque, afinal nunca em sua vida imaginou ver um adolescente que o odiava – ou assim pensava – se masturbando com uma peça intima sua e ainda por cima chamando seu nome!

Em casa, Aster se jogou no sofá e tentou relaxar, restaurar o fôlego e recobrar o juízo, pois sentia que ele se esvaia pouco a pouco de si cada vez que pensava no garoto. Bem, isso sempre acontecia quando era provocado por ele, mas dessa vez a coisa era diferente e em sua opinião, mais grave. Porque diabos Jack Frost tinha feito aquilo? Talvez estivesse esperando pelo momento que o maior fosse até sua casa pedir de volta a cueca e assim armou toda aquela situação? Mas aquilo era uma “provocação” que superava qualquer coisa que Bunnymund esperava do mais novo, era algo completamente surreal. Se fosse mesmo um plano, o adolescente teria que ter contado muito com a sorte, as coincidências e com uma estratégia muito bem elaborada.

Quando conseguiu se acalmar um pouco, foi buscar um suco geladinho na cozinha para refrescar as ideias e repassar com cuidado tudo, desde o principio quando veio morar naquele bairro. Visitou a casa, achou tão aconchegante e confortável além do corretor garantir que se tratava de um lugar tranquilo onde pudesse viver e trabalhar sossegado. Certamente o corretor não conhecia seu vizinho em particular, por isso não o culpava. Comprou a casa assim que teve certeza de que ficaria bem instalado e por fim se mudou, trazendo todas suas coisas e já elaborando uma possível horta em seu quintal, seu hobby passageiro e relaxante. Se lembrava especialmente do primeiro dia, enquanto fazia um desenho do seu quintal novo e tentava planejar onde faria a horta.

Sra. Frost o chamou em seguida, acompanhada do filho e lhe deu as boas vindas, causando uma boa impressão em Aster que se sentiu mais a vontade por ter uma vizinha tão simpática. Em seguida cumprimentou o garoto... Este inicialmente foi educado consigo, mas bastou ser convidado para ir até a residência ao lado que o inferno começou. Jack lhe pregou uma peça, colocando um besouro de plástico dentro de sua xícara de chá e tomou um susto tão grande que só não mandou o adolescente para aquele lugar em respeito à mãe dele que estava presente e já tratou de dar uma bronca no filho. Se tivesse sido só uma brincadeira teria perdoado sem problemas, mas foi apenas à primeira de muitas que viriam em seguida, arrastando-se por dias, semanas, meses... Tinha como alguém como ele não declarar guerra a um pirralho como esse?

Sim... Um pirralho que sempre conseguia tirá-lo do sério com suas brincadeiras infantis e sua risada debochada, evidentemente se deliciando com a fúria de Bunnymund. Ah, como gostaria de fazê-lo engolir todos os desaforos e irritações que passou por causa dele, mas era um adulto com certa diferença de idade e não queria bancar o imaturo que entrava no joguinho de um adolescente mimado. Tentava se portar como o homem que era, debatendo com Frost apenas com palavras duras e até um pouco insensíveis se estivesse mesmo muito irritado, mas como isso nunca pareceu abalar o rapaz não se incomodava muito. Estava sempre atento para a próxima artimanha do garoto e agora... Bem, agora parecia que o chão tinha se aberto aos seus pés e sua mente estava prestes a explodir, tanto que nem o suco o ajudou a se refrescar.

O que aconteceu para fazer Jack fazer tudo aquilo? Em que ponto do caminho as coisas mudaram daquele jeito? Até onde se lembrava, continuavam sendo inimigos declarados... Embora, parando para pensar melhor, há dias o adolescente vinha agindo de forma estranha e até tentava evitá-lo, como se não pudesse mais olhar diretamente para o seu rosto. Estranhou muito essa atitude e chegou a se preocupar – sim, admitia isso – com o estado de saúde do menor, pois pensava que só estando doente lhe daria uma trégua. Não resistiu em entrar na casa dele quando sua mãe avisou que a porta estava aberta, quem sabe poderia lhe dar um susto e devolver pelo menos um pouco todas as brincadeiras já feitas por Frost contra si. Mas quem saiu abalado foi ele mais uma vez... E por algo que jamais imaginou antes.

Bunnymund se encostou no balcão da pia da cozinha e levou a mão livre até o rosto para massagear as têmporas, pensar naquele garoto sempre lhe causava dores de cabeça. Jack tinha mesmo o dom para mexer com suas estruturas como nenhuma outra pessoa havia conseguido antes e agora de uma nova forma. As cenas se repetiam novamente em sua cabeça como um vídeo em um replay infinito e cada vez mais pensava que tudo aquilo não foi uma armação, mais um truque bem elaborado dele. Era real demais para ser apenas um blefe... Intenso demais para uma simples farsa. E se tudo o que viu foi mesmo verdade então o mais novo agora tinha outras intenções consigo... Intenções nada castas por sinal.

Quando sentiu o rosto começar a esquentar e um tremor passar por seu corpo, usou suas próprias mãos para se estapear e “acordar” para a realidade. Céus, Jack era só um garoto! Devia estar na fase de ficar confuso quanto a sua sexualidade e querer experimentar outras coisas... Mas por todas as cenouras, como foi virar o objeto desses experimentos do adolescente? O roubo de sua peça intima estava muito bem explicado agora, mas ainda assim era uma situação na qual não esperava se ver e o maior não tinha a mínima ideia do que fazer em relação ao rapaz. Se Frost não conseguia encará-lo, agora ele muito menos! Mas em seu interior começou a brotar uma curiosidade para saber quando e como isso começou... Talvez fosse bom fazer um teste para ter certeza de que não estava sendo enganado outra vez.

... X ...

Quando a noite caiu, Aster tomou um bom banho relaxante e envolveu a toalha em sua cintura, subindo na direção do quarto. Ele havia checado se Jack estava em seu próprio quarto também, já que a janela de ambos ficava coincidentemente uma de frente para a outra – o que lhe rendeu muitas dores de cabeça também. Mas naquele momento seria diferente... Agora aquelas janelas eram perfeitas para colocar o seu plano em prática e tirar sua duvida de uma vez por todas. Quando entrou no quarto, espiou discretamente para a janela do garoto e esta continuava aberta, podendo ver o rapaz lendo quadrinhos enquanto estava esticado na cama. Se agisse naturalmente e deixasse ser visto propositalmente, logo teria a respostas para algumas perguntas em sua mente.

Bunnymund deu alguns passos e parou no meio do quarto, passando as mãos pelos cabelos úmidos como se estivesse os penteando com os próprios dedos e ao espiar pelo canto dos olhos, teve que segurar um sorriso triunfante quando pode ver os olhos azuis do menor fixos em sua direção. Continuou fingindo estar alheio a aquele olhar, deixando uma das mãos escorregar para a nuca enquanto pressionava a região em uma auto massagem e a outra mão segurou a ponta da toalha, como se fosse retirá-la a qualquer instante. Com observações discretas e bem calculadas, pode ver o garoto se erguer da cama lentamente e esgueirar-se para perto da janela, tentando se esconder atrás da cortina para não ser visto. Bom, não adiantava muito já que o maior também estava de olho nele.

Jack se colocou de joelhos rente ao parapeito de sua janela e mantinha uma boa parte da cortina a sua frente para impedir que o mais velho o descobrisse ali, sem saber que estava caindo em uma armadilha dele. Seu olhar percorria atentamente o corpo muito bem estruturado e amorenado de Aster, sendo exatamente como se lembrava ter visto naquele dia que foi tentar recuperar a bola de futebol em sua casa. Na verdade ele parecia mais sedutor naquele momento relaxado, sentindo pontadas significativas em seu baixo ventre. No começo se sentiu irritado quando notou a influencia que o corpo do maior causava em si, mas agora apenas se deixava levar por saber que era perda de tempo tentar discutir com seus próprios desejos.

A mão do albino desceu para o short que usava e tocou levemente seu membro que queria despertar, engolindo em seco ao ver Bunnymund colocar-se de costas para a janela e retirar a toalha que envolvia sua cintura. Pode ver o contorno perfeito das costas largas do mais velho, as nádegas e as coxas durinhas, além das pernas torneadas. Ah, que visão... Tanto que ficou duro mais rápido e teve que se tocar com mais empenho para acalmar o calor que subiu por seu corpo. Se Aster se virasse para frente, certamente teria um ataque de tanta euforia e excitação, mas o mais velho não parecia disposto a fazer isso ou mesmo com pressa para vestir alguma peça de roupa.

Inacreditável... Estava sendo espionado tão fixamente que o maior podia sentir os olhos de safira queimando atrás de si. Claro que tirou a toalha de propósito para ver o que acontecia, mas o garoto mantinha-se abaixado naquele canto e com a cortina impedindo-o de ver realmente o que ele estaria fazendo. Quem sabe não estaria se tocando de novo agora que podia ter o privilégio de ver seu corpo nu mesmo que apenas de costas. Imaginar Frost fazendo isso naquele instante fez Bunnymund morder os lábios, pensando no quão pervertido aquele garoto era. Bem, não poderia condená-lo totalmente afinal também já esteve naquela idade em que os hormônios estão à flor da pele e parece que a cabeça de baixo pensa mais rápido e melhor do que a de cima.

O adolescente mesmo se sentia um pervertido por estar se masturbando daquele jeito secando o seu vizinho com quem discutia intensamente há alguns dias atrás e com o risco de sua mãe bater na porta a qualquer momento para chamá-lo para jantar. Não é como se pudesse explicar facilmente por que desenvolveu aquele tipo de desejo pelo mais velho, talvez já estivesse oculto há certo tempo e só depois de vê-lo com tão pouca roupa finalmente percebeu que ele era bastante atraente, mesmo sendo tão cabeça dura. Jack começou a ficar ofegante e tentava ser o mais rápido possível, mas foi quando Aster virou o rosto um pouco de lado e pareceu mirá-lo diretamente por sobre o ombro que o mais novo sentiu seu sangue gelar e jogou o corpo para a parede ao lado, eufórico.

Um único olhar... Definitivamente sentiu que estava sendo encarado de volta por ele e o medo e a excitação daqueles olhos lhe fizeram jorrar em seguida. Tinha que tomar cuidado e não levantar suspeitas com suas roupas manchadas ou certamente sua mãe lhe pediria explicações, mas daquela vez foi impossível se conter, ainda mais pela surpresa de talvez Bunnymund tê-lo visto. Oh céus, que não tenha sido isso... Morreria de vergonha pelo resto da vida se ele descobrisse que o estava espionando, ou pior, que estava se tocando enquanto o observava. Imaginava o quão furioso e enojado ele ficaria, não poderia voltar a vê-lo de forma alguma! Só quando se sentiu um pouco mais calmo é que desencostou o corpo da parede e foi espiar uma ultima vez a janela alheia, mas as luzes já estavam apagadas e não havia sinal do mais velho, provavelmente tinha ido jantar e era melhor fazer o mesmo.

... X ...

Depois de ter certeza de que Frost não estava enganando-o com mais uma brincadeira infantil, Bunnymund se sentiu estranhamente animado. Tinha o garoto comendo na palma de sua mão, tendo a chance de revidar todos os momentos onde ficou transtornado por culpa dele e era uma chance boa demais para ser desperdiçada. Agora, sempre que percebia que Jack poderia estar olhando, fazia questão de andar com pouca roupa, aproveitando o clima mais quente que se iniciava aquela semana e sentia vontade de rir sempre que notava ser um tiro certeiro no adolescente. Era uma deliciosa sensação de estar provocando aquele que o provocava antes, o gostinho doce de uma vingança que era muito bem merecida em sua opinião.

Aproveitou o quanto pode até que num fim de tarde estava usando somente uma regata e uma cueca, sentado no parapeito na janela de seu quarto e ouviu barulho vindo da janela vizinha, mas não olhou naquela direção inicialmente. Frost havia voltado de um encontro com os amigos e queria tirar um cochilo antes do jantar, mas ficou paralisado no mesmo instante que olhou para seu vizinho ali tão próximo e com tão pouca roupa. Claro que havia notado que o mais velho estava se mostrando mais, provavelmente por conta do clima dos últimos dias e não sabia dizer se era uma bênção ou uma maldição, pois se sentia cada vez mais mexido por Bunnymund e não conseguia desgrudar os olhos dele tão facilmente.

– Você gosta mesmo de me olhar. – a voz do maior o pegou de surpresa, fazendo seus olhos se arregalarem – Desse jeito você falha completamente em disfarçar.

– D-Do que está falando?! – questionou ao se aproximar da janela, fingindo estar irritado com aquela insinuação – Eu não fico te olhando, se enxerga coelhão.

– Ah não, claro... Da pra sentir o seu olhar ardente na minha direção. – um sorriso largo surgiu nos lábios de Aster, muito seguro do que dizia – Eu me pergunto quanto tempo isso vai durar... Ou quando foi que você começou a ficar duro por causa de homens mais velhos. Será que sempre foi assim?

– Mas que merda você está falando?! – o albino podia apostar que estava com o rosto todo vermelho por causa da quentura que sentia em suas bochechas, engolindo em seco – Você pirou de vez? Acho que o seu mau humor prejudicou o seu cérebro!

– Estou muito lúcido, obrigado por se preocupar. – o rebate veio debochado e o sorriso se alargou, o que irritou mais o menor – E meus olhos ainda funcionam perfeitamente bem para saber que você tem me observando demais... Incessantemente. Eu diria até que está com intenções bem pervertidas em relação a mim.

– Intenções pervertidas...? – Frost se assustou mais ainda com aquelas palavras sendo ditas com tanta segurança.

– Exatamente. Eu sei de tudo, garoto. – Bunnymund estava tão empolgado por deixar o mais novo encurralado que não media suas palavras – Eu sei o que você costuma fazer sempre que me vê com pouca roupa aqui no quarto, assim como o que imagina quando não estou por perto. Achou mesmo que poderia esconder isso sendo tão descarado? Só assim pra eu entender porque roubou minha cueca... Se é que ainda resta algo dela, não é Jack?

Aster perfurava sem dó, focado em revidar daquela maneira as irritações passadas e pensava que o adolescente iria revidá-lo de alguma maneira como costumava fazer sempre que batiam de frente, mas deve uma surpresa que tirou o sorriso de seu rosto de imediato. O albino pareceu desmoronar ao ouvir aquelas palavras, seu rosto se contraiu em uma expressão de pânico genuína e ele podia jurar que Frost ia começar a chorar. Pode ver as mãos deles tremendo quando as ergueu e repentinamente fechou a janela com força, passando até o trinco como se o mais velho pudesse sentar passar ali. Em seguida deixou seu corpo cair no chão e se abraçou, sentindo os soluços romperem em sua garganta.

Jack não esperava ouvir aquilo, não esperava ser descoberto... Mas as palavras do maior não deixavam duvidas de que ele sabia de toda a verdade. Foi mesmo tão descuidado assim ao ponto de exibir claramente o que sentia e fazia? Não devia tê-lo encarado tanto, mesmo que muitas vezes fosse inevitável e seus olhos simplesmente o acompanhassem. Mas agora estava perdido... Não poderia olhar nunca mais para o rosto de Bunnymund, temia ver um olhar raivoso ou enojado em sua direção, talvez até que ele tentasse falar com sua mãe sobre o assunto. Naquele momento só queria sumir, fazer com que sua existência evaporasse do planeta por tempo indeterminado. A vergonha e o medo o corroíam por dentro de uma maneira que fazia o adolescente se questionar se conseguiria sair dali nos próximos dias.