Vivendo Do Passado

20 Cap 20 - Uma Visita Inesperada


Olívia estava sentada no sofá observando as malas de Mickey, que havia arrumado na noite anterior.

Toc toc.

– Quem é ? — Disse, enquanto abria a porta. Ao ver a expressão aflita de Lília, Olívia reagiu instintivamente tentando fechá-la novamente, no entanto, Lília a impediu com seu pé esquerdo.

– Não feche a porta, preciso que você saiba, eu sei aonde a Mickey está.

Sem obter a reação que esperava, Lília se calou. E Olívia reagiu, com repulsa.

– Ah, sabe? Então se você sabe onde ela está, também deve saber que não estou nenhum pouco interessada em saber isso.

– Ela nunca quis trocar você por mim.

– E eu deveria acreditar em você por que? — Riu sarcasticamente.

– Olha, eu sei que você não tem nenhuma razão para acreditar em mim, e infinitas para desacreditar. Mas estou aqui, falando a verdade, e não teria porque vir, se não estivesse realmente tentando fazer algo certo aqui. Eu atrapalhei vocês, intencionalmente, mas Mickey nunca quis ficar comigo. Ela é uma pessoa muito boa, e ficou preocupada comigo, por isso não compareceu a festa de casamento. Sei lá, pode te parecer estranho, mas ela meio que foi sequestrada. — concluíra, embora achasse suas palavras meio esquisitas.

– E você seria a sequestradora por algum acaso? — disse, soltando um sínico sorriso mórbido, mas sem disfarçar sua voz mortificada por tudo que estava ouvindo.

– Sim, eu pedi para uma amiga ligar para ela e dizer que eu estava correndo perigo. Que tentava me matar na Avenida Pero Vaz, próxima ao escritório.

Olívia silenciou, encarando-a de modo diferente, como se estranhasse a aparente sinceridade da jovem. Seria outra armação?

– É a pura verdade. Olha, eu disse que meio que a sequestrei, porque ela estava saindo do escritório para vir pra cá, quando minha amiga ligou. Ela não ia faltar aquele evento por nada no mundo, se realmente não achasse que era mais importante.

– E pra ela socorrer você era mais importante do que vir ao nosso casamento. Claro. Faz total sentido pra mim. — afirmara, amarga.

– Para ela ir me encontrar seria uma questão de vida ou morte, pelo amor de Deus! É claro que seria mais importante, naquele momento. Fosse quem fosse.

– Eu deixaria de socorrer até o papa, minha querida. Se ele fosse tão bonito e estivesse dando em cima de mim, como você.

– Eu que fiz tudo. A ligação na conferência, fui eu que troquei o meu celular com a Mickey para parecer que estávamos no mesmo quarto.

Olívia a olhou, com raiva. Não sabia o que aquela menina estava querendo, mas de qualquer forma não queria mais continuar aquela conversa. Aquilo não iria chegar a lugar algum.

Não importava mais quem teria feito o que, Mickey simplesmente não comparecera em sua última chance de resolver a situação delas. A deixara plantada na frente de toda sua família, uma humilhação que não perdoará nunca.

Tentou fechar a porta, e Lília a impediu novamente. Vendo que não conseguiria escapar dela facilmente, decidira cortar o assunto de uma vez por todas.

– Olha, Lília. Eu não tenho mais interesse nenhum na vida amorosa de sua queridinha chefe, então faça-me o favor de me deixar em paz.

Nesse momento, Mickey apareceu na esquina da casa, daonde dava para ouvir tudo que estava sendo dito.

Lília deixara escapar um suspiro. Por mais que quisesse, não conseguia deixar de sentir ódio daquela mulher. Ela tinha tudo que a outra queria, mas não dava nenhum valor pra isso.

– Sabe, eu queria deixar de sentir ódio de você, Olívia, mas é difícil. Você não ajuda.

– Ódio de mim? Você deve estar brincando. — rebateu, em desprezo, dando a entender que ela é quem deveria sentir ódio da jovem.

– Por que você tem tudo! Tem tudo o que eu queria. Tem o amor de Mickey. E está sempre a desprezando, a afastando. Você até a deixou dormir na rua, em um hotel! Pelo amor de Deus, você é uma péssima esposa.

Lília concluíra sua argumentação, e partira pelo mesmo lugar que viera. Um instante depois, vira finalmente Mickey parada na esquina, ao mesmo tempo em que ouvira Olívia bater a porta de sua casa, enraivecida. Uma lágrima descia dos olhos de Mickey, enquanto via Lília se aproximando. Sabia que ela não estava vindo exatamente em sua direção, mas que apenas estava indo para o mesmo lugar, daonde ela mesma teria vindo. Observara Lília, triste, caminhar até ela.

Ao passar do lado de Mickey, Lília parou por um instante e continuou olhando pra frente, evitando encará-la, e simplesmente disse:

– Espero que você consiga ser feliz com ela. — desejou sinceramente, embora não acreditasse em uma palavra.

E depois partiu.

Mickey acabara ouvindo muita coisa do que Olívia dissera a Lília. Mas, diante de tudo o que já havia ouvido da esposa no dia anterior, nada mais lhe atingiria. Percebeu que tudo havia chegado a um ponto, que dificilmente voltaria atrás. Mas era seu dever tentar... recuperar... algo que já havia sido destruído há muito tempo.

Suspirou amargamente, e caminhou até em casa.