Vivendo Do Passado
21 Cap 21 - Enfrentando Olívia
Notas iniciais
Mickey entrou em casa, e se deparou com suas malas prontas, esperando por ela ao lado da porta. Olívia, que acabara de derrubar voluntariamente um jarro que havia na sala, de tanta raiva que ficara de Lília, olhara para a esposa que acabara de entrar, e fora em sua direção transtornada.
– Sabia que aquela história era mentira!
– Que história? — Perguntou, sem entender.
– Foi você quem a mandou aqui não foi? Quem mandou ela falar aqueles absurdos! Quanto você pagou pra ela, hein?!
– Ela veio aqui por que quis, Olívia. Não tenho nada a ver com isso.
– Ah, é bem difícil de acreditar, querida. — Disse, sarcasticamente.
– Você nunca acredita em mim mesmo, então isso não é grande novidade. — Mickey sentou no sofá, fechou os olhos e inspirou.
– Ah, é mesmo, né? Por que eu sou a lunática que fica sempre alucinando sobre o seu comportamento, não é? Mas agora pare um minuto e pense se a "teoria da perseguição" que estou desenvolvendo não procede. Primeiro você dorme fora de casa por estar na casa dela, depois ela aparece aqui pela manhã falando um monte de maluquisses, tentando aliviar a sua barra, e imediatamente depois que ela vai embora, você chega. Tá na cara que vocês vieram juntas!
– Não viemos! E você pode não acreditar nisso também, mas agora eu vou explicar tudo o que aconteceu.
Mickey contou tudo que ouvira de Lília. Cada palavra. Olívia permaneceu em silêncio por todo o tempo, com a expressão de total incredulidade.
– E então eu vim pra casa e escutei você falando absurdos de mim pra Lília. O que foi uma coincidência, porque eu não tinha como saber que ela tinha vindo pra cá. — Finalizou.
– Acabou? Posso falar agora? — Perguntou Olívia, finalmente rompendo o silêncio.
– Sim.
– Não acredito em uma palavra sequer. — Mickey respirou fundo novamente, enquanto Olívia continuou transtornada — Se você pensa que eu nasci ontem, está muito enganada. Estou bem consciente do seu teatrinho, e de toda essa encenação ridícula. E honestamente... estou decepcionada com você. Lília vir aqui? Sério isso?! Você costumava ser mais cuidadosa com suas traições, afinal eu nunca consegui confirmar nenhuma suspeita antes. Mas agora com essa aí foi demais. Mandar a sua amante vir aqui para me ofender e ainda ficar assistindo?
Mickey a observava zangada. Mais uma vez Olívia a ofendia e a desrespeitava, e ela continuava calada. Por fim, disse.
– Lília te ofender? Você está brincando? Com um ego desse tamanho, ninguém consegue te ofender. Porque ninguém consegue chegar até você.
– Ah! Agora você também vai me ofender? Quando vai chegar a minha vez? — Perguntou, irônica
– Você já me ofende o tempo todo, Olívia. E eu já estou cheia disso! — Gritou– Olha, eu entrei aqui com as melhores intenções. Estava disposta a tentar conversar, explicar o que aconteceu, te falar toda a verdade, e tentar recuperar a nossa relação. Mas agora estou vendo que isso é tudo um erro. Chegamos em um momento, que...
Olívia fez silêncio, e Mickey começou a caminhar até a porta.
– Não dá mais. — Pegou as malas.
– Ah, então você pretende sair mesmo? — Perguntou, tensa.
– Não foi pra isso que você fez minhas malas? — Mickey levantou a sombrancelha, e foi se aproximando da fechadura decidida, quando Olívia correu até ela, e a impediu de abrir a porta.
– Você não vai sair assim. Temos que conversar.
– Para que? Já nos ofendemos demais! Estamos destruindo todas as memórias boas que algum dia tivemos juntas!
O silêncio tomou conta do ambiente, enquanto Olívia observava Mickey refletindo sobre o que havia escutado.
– Sabe o que me deixa mais irritada? É que eu vejo que você realmente gosta daquela vadia.
– Já disse para não chamar ela assim!
– Tá vendo? É verdade. Você gosta dela. Eu posso sentir...
Olívia permaneceu observando Mickey, que parecia constrangida com aquele olhar penetrante.
– Você ainda a defende, mesmo depois de tudo que você disse que ela fez. E honestamente, eu não sei se acredito ou não, mas... Pelo menos, estou tentando considerar. E considerando o que ela poderia ter feito, o que diga-se de passagem seria um completo absurdo, você ainda chegar a defendê-la, me diz muito.
– Não estou defendendo. Apenas acho que você não deve falar assim das pessoas. E, além do mais, ela se arrependeu. Isso também deve dizer muito sobre ela.
– Sim, é realmente muito conveniente se arrepender de tudo quando finalmente consegue o que quer. Se faz de santa pra você, e me coloca como um demônio.
– Ninguém é santa e ninguém é demônio aqui, Olívia. Nós três somos seres humanos, e por isso cometemos erros... E aprendemos com eles.
– Então tá. Me diga que não está apaixonada.
– Olívia! — Reagiu em seguida.
– Se não é verdade não deve ser tão difícil pra você dizer.
– Eu não preciso dizer nada, você está sendo completamente infantil!
– Você vai me dizer que não sente nada por ela? — Esperou por um tempo, analisando o silêncio repentino da esposa — Vai dizer? Admite de uma vez, Mickey, por deus!
– Para com isso, Olívia.
– Não, agora eu quero que você fale. Sente ou não sente?
– Não faz sentido isso ...
– Fala! — Gritou, interrompendo-a novamente.
Mickey fechou os olhos e levou as mãos à cabeça. Respirou fundo.
– Você nem consegue negar! — Se irritou Olívia.
– Eu não sei! — Mickey finalmente gritou, transtornada. Olívia a olhou cabisbaixa — Eu não sei o que estou sentindo, OK? Desde que ela admitiu o que fez, eu... Estou confusa. Satisfeita agora?!
– Há muito tempo você deve estar confusa, Mickey. E realmente não deve ser de agora.
– Se "de agora" significa nos últimos dois anos, eu acho que você pode ter razão.
Olívia saiu da sala, irritada. Mickey continuou em silêncio refletindo sobre o que acabara de dizer. De fato, sua confusão não poderia vir apenas de Lília. Muita coisa acontecera nesses dois anos, e a relação dela com Olívia já estava afundando a muito tempo.
Enraivecida, Olívia entrou no quarto e batera a porta por suas costas. Fora até o banheiro e lavara o rosto, que não parava de descer lágrimas. Ouvira o barulho da porta do quarto se abrindo, e de repente ouvira a voz de Mickey:
– Eu acho que... precisamos de um tempo. — Mickey retornara até a porta, e parou por um segundo — Se você preferir assim, eu deixo as malas aqui, mas nesse momento... eu estou indo para algum hotel. Não faz sentido eu continuar aqui nessas condições.
Olívia observou o espelho do banheiro, petrificada. E nada pode responder. Mickey assumiu seu silêncio como uma concordância, e foi embora da casa, deixando as malas para trás.
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