Capítulo XIII

Após o golpe de decaptação segui um silêncio absoluto na arena, nem o próprio vencedor esboçava reação de vitória ou comemoração. Tudo estava simplesmente estagnado, ninguém acreditava, mas acreditava ao mesmo tempo. Todos achavam que essa luta acabaria por cansaço ou por sem condições dos dois participantes, ninguém afirmava certeza de vitória por um dos lados e as apostas foram todas feitas em cima de preferidos e não por melhores pontos de determinados candidatos. Depois de aproximadamente uns trinta segundos a galera levantou gritando eufórica, e todos comemoravam o espetáculo que teve tudo para ser a luta do século. Mesmo a galera explodindo de euforia, Titânio saiu da arena sem comemorar, simplesmente saiu cabisbaixo e desanimado.

Após ter presenciado o combate mais excitante quis comentar com Karmedis o que tinha acabado depresenciar.

Claud- Carlos nunca vi nada parecido. Acho que virei mais vezes ao Coliseu.

Karm- Não valerá à pena. Essa foi a única luta que valeria a pena em todo o século.

Claud- Tá bom. E as outras lutas antes dessa?

Karm- Não foram tão excitantes como essa.

Claud- Claro que não! Nenhuma outra luta será igual a essa. Mas outras também terão seus ataques e defesas espetaculares.

Karm- Você acredita mesmo nisso?

Claud- Claro que sim, você não?

Karm- Sou totalmente descrente para esse ponto.

Claud- Ouça o que eu digo. Esse muleque que acabou com o experiente Dinossauro, será o maior lutador até encontrar um oponente a sua altura ou diferenciado. E vai ser emocionante ver ele evoluir em suas lutas. Sei até as estratégias que ele usará.

Karm- Sabe? E como você pode saber disso?

Claud- Obvio. Ele terá que diminuir seu nível para brigar com seus adversários, porque senão ninguém vai querer lutar com ele. Então ele enrolará o máximo que conseguir numa luta. E quando ele ver que o adversário tem uma capacidade diferenciado ele dará mais chance e acabará com algum golpe incrível.

Karm- Faz sentido, mas acho que ele vai lutar como nunca. Ele entrará no auge da sua forma. As lutas serão fáceis e ele vai entrar com louvor na mídia, será o queridinho do esporte.

Claud- É o que veremos, temos pelo menos um mês para acompanhar sua carreira. Mas agora vamos embora que eu estou cansado, mas que essa luta foi incrível, isso foi. Nunca tinha visto nada igual. E sabe o que mais me surpreendeu nessa luta?

Karm- Até agora não sei. Mas sei o que mais te surpreenderá nessas férias. E que você verá agora e não esboçará reação alguma.

Claud- Do que você esta falando?

Karm- Olhe nessa direção e você verá quem esta indo embora.

Claud- De quem você esta...Eita, porra!

Karm- Nem eu acredito. Vai falar com ela?

Claud- Luna! Luna! Vamos até ela, quem sabe consigo passar a noite com uma das duas irmãs e você com a outra?

Karm- Não vai ser uma boa ideia, mas você nunca tem ideias boas mesmo. Luna!

Continuamos gritando e correndo atrás de Luna, não sabíamos ser era a Lu ou a Nah, mas sabíamos que as duas eram bonitas e já nos conhecíamos, isso eram dois pontos a favor. Quando chegamos perto avistamos uma mulher muito diferente do treinamento. Ela estava com os cabelos grandes e loiros, unhas bem feitas, muito maquiada (diferente da lama que víamos nos rostos de todos), com um longo vestido azul que era grudado ao seu corpo que fazia todo tipo de cara parar e observar a mulher elegante que passava ao seu lado. Quando chegamos mais perto e ela conseguiu ouvir nossos gritos virou-se rapidamente e quando nos viu levou a mão esquerda a boa e segurou um sorriso. Acenou de volta e pediu para que chegássemos mais perto, quando chegamos demos um longo abraço, claro que abracei ela primeiro que Karmedis, nem tempo queria perder.

Claud- Vou ser sincero. Você é a Lun ou a Nah?

Nah- Nah. O problema de ser gêmea e igual é que nem pelo sobrenome da pra diferenciar. Vamos para fora, vai ser melhor conversar.

Karm- Claro. Cadê sua irmã?

Nah- Deve estar lá no bar da esquina festejando.

Claud- Festejando? A Lun era tão quieta.

Karm- Vocês duas eram muito quietas.

Nah- Vocês tem que ver como nós mudamos depois daquele treinamento. Vocês não estavam no exército?

Karm- Sim, mas levamos uma suspenção de no mínimo um mês. Dependemos do nosso companheiro para voltar.

Nah- O que vocês aprontaram com ele?

Claud- Longa história. Contamos lá fora, mas e você? Porque se me lembro bem ela seguiu para o campo militar.

Nah- Deixa-me contar lá fora. Mal consigo ouvi vocês. Sigam-me.

Seguimos até a saída e quando passamos por ela Nah saiu corrando em direção a uma mulher que usava roupas estranhas, usava uma calça jeans preta, uma camisa preta com figuras cinzas que não davam para dissernir, uma jaqueta jeans cinza bem apertada, botas pretas, uma maquiagem escura que dava uma impressão de melancólica. Quando olhei aquela mulher que tinha o rosto parecido com a nossa amiga Nah e percebi que era sua irmã gêmea e que foi minha parceira de treinamento e que deveria ter a mesma profissão que a minha entrei em choque.

Claud- Lu? É você?

Lu- Nossa Clauder, como você engordou?

Karm- E muito, nem tem noção. Como vai Lu?

Lu- Karmedis, o chefão do batalhão. Como vai senhor?

Karm- Vou muito bem. Ainda continuo na liderança.

Claud- Via tão bem que esta suspenso.

Lu- Suspenso? Vocês estão suspensos? Os dois queridinhos do Capitão? Os mais fortes, atléticos, lindos...

Claud- Mente que eu gosto. Agora que tal sairmos pra jantar e colocarmos o papo em dia?

Karm- Eu topo.

Lu- Tô nessa. E você patricinha?

Nah- Vamos lá rebeldinha.

Lu- Rebeldinha não. Já te falei que tinha um monte de idiotas que auto-intilulavam rebeldes e como eles eram idiotas. Na verdade eles eram tão imbecis que nem idiotas eles conseguiam ser.

Colocamos o papo em dia e trocamos muitas risadas. Contamos, Karmedis e eu, tudo o que escrevi até agora e mais um pouco e delas descobrimos que Nah quis ir para a área de botânica e que Lu tinha se demitida do exército por ter deixado o chefe louco por ela e que estava afetando o andamento da equipe, então resolveu desistir do exército e foi para a área pública, sendo organizadora dos relatórios enviados pelos outros continentes. Mesmo Nah sendo botânica ela estava na Europa por querer fazer experiências no clima da Europa, mas nada artificialmente e sim naturalmente.

O tempo passou e a conversa foi junto, quando fomos perceber já tinha se passado das quatro horas da manhã e além de nós quatro no restaurante tinha o garçom, que era filho do dono, e o dono que era o chefe. E ambos nos olhavam feio.

Claud- Que horas são? Por causa do fuso-horário tô sem sono.

Nah- Jesus!

Karm- Nunca imaginei que vocês eram religiosas.

Lu- A Nah virou. E ainda sou atoa.

Nah- São quatro e vinte dois.

Lu- Jesus!

Karm- Agora eu sei por que o garçom e o chefe nos olharam feio o tempo todo.

Claud- Só pra saber, que horas vocês saem do serviço hoje?

Nah- Eu não trabalho hoje nem amanhã. Então quando acordar te dou um toque.

Lu- Já eu saio as quatro da tarde e entro daqui a três horas. Nah vai dirigindo enquanto eu tiro um cochilo até em casa? Dá uma carona para os garotos. Porque eu vou dormindo, ok?

Nah- Tudo bem.

Karm- Não precisa. Nós não estamos hospedados longe daqui. São o que? Seis quilômetros?

Claud- Oito quilômetros. Isso não é nada. Vou num pé e volto no outro.

Nah- Mas e se vocês forem pegos? Lu vai pro carro que pago o jantar. Porque aqui na Alemanha esta tendo muitos ataques dos GTs.

Lu- Boa noite meninos.

Karm- Boa noite. Nah, se um desses idiotas para na minha frente eu arranco a medula deles. Minha maior vontade era lutar contra eles, mas minha equipe não foi designada para isso.

Claud- E além do mais, quem vai querer arranjar briga conosco? Mesmo que não saibam quem nós somos vão acabar se dando bem.

Nah- Garçom me vê a conta. Julio entenda isso. Enquanto mais descansado você for para a casa, mais rápido nos veremos.

Claud- Vamos com elas.

Karm- Mais é um vagabundo mesmo. Tudo bem. Vocês ganharam.

Nah nos deu carona até o apartamento e nos despedimos. Subimos para nosso quarto, Karmedis e eu, e não sei quanto a ele, mas nem quis saber de mais nada a não ser da minha cama. Tirei a roupa e coloquei uma calça confortável e deitei, antes de pegar no sono vi que Karmedis estava na cozinha, devia estar bebendo água, mas adormeci antes dele chegar ao quarto.

Quando acordei vi que o quarto estava uma bagunça, nenhuma lâmpada esta acesa, mas mesmo assim o quarto estava iluminado, a janela não estava aberta, mas o vidro estava desregulado, deixando passar completamente a luz, como se a janela estivesse aberta. Olhei para Karmedis e vi que ele dormia tranquilamente. Cheguei perto da janela e regulei para deixar o quarto totalmente escuro, para Karmedis dormir sossegado, após deixar o quarto um breu completo segui para a fora do quarto e vendo que a sala estava com minha roupa usada até pouco tempo e pensei “Quem ver que dois caras dormem juntos e que nossas roupas ficam na sala vão pensar outra coisa, ainda mais quando uma garota deixa eles em casa e ela leva outra para a casa”. Soltei um sorriso leve e lembrei do rosto de Nah sorrindo discretamente e senti meu coração acelerar e logo em seguida olhei para a porta do quarto e lembrei de uma conversa com Karmedis que ele falava que o pai dizia a mesma coisa que eu “Não quero constituir família, quero viver só, sem mulher, sem filhos, etc” e hoje tinha nove filhos, Karmedis era o segundo mais velho.

Claud- Nove filhos. Nem ferrando, no máximo três.

Karm- Eu sabia!

Claud- Carols? Você ta acordado?

Karm- Depois que você alterou a janela acordei. Mas voltando ao assunto, eu sabia que você estava sentindo algo, e que isso era falta de mulher.

Claud- Do que você esta falando?

Karm- Para de ser idiota. Meu Oculivro esta mostrando que seu coração começou a bater mais rápido, além de suas ondas cerebrais estarem trabalhando mais rápido, isso pode ser que você deve estar inventando mentiras.

Claud- Sai desse quarto. Você esta me examinando com seu Oculivro, seu bosta!

Karm- Que bonitinho! O Juliozinho ta apaixonadinho.

Claud- Abre logo essa merda e para com isso que quebro sua cara.

Karm- Agora o sangue esta se espalhando mais rápido. Ela mexe tanto assim com você?

Claud- Destranca logo essa porta!

Karm- Só destranco se você admitir que você estava depressivo antes da suspenssão porque era falta de mulher.

Claud- Ta ok. Era por falta de mulher. Era por isso que estava tão para baixo.

Karm- Agora admite que quem preencheu esse vazio foi a Nah.

Claud- Aí você esta forçando a amizade.

Karm- Fala logo.

Nesse momento achei meu Oculivro e enviei o sinal para abrir a porta. A porta se abriu e eu entrei no quarto e vi que nele estava Karmedis sentado na cama com o Oculivro ao seu lado. Ele dava risada, levantou-se e falou.

Karm- Julio, meu Oculivro estava desligado o tempo todo. Só usei psicologia com você. Eu só queria ter certeza. Meu Oculivro nem tem esse aplicativo.

Claud- Não me importa. Você vai apanhar do mesmo jeito.

Kamr- Para de frescura, estamos de férias. Já brigamos de mais. Vai tomar um banho que eu vou tomar no outro banheiro. Saímos e tomamos um café e você vai atrás dela. Tenho uns assuntos a resolver.

Claud- Que tipo de assunto?

Karm- Tenho que ir ver o Terbatus e quando voltaremos à base e coloca-lo, a saber, de que quando for voltar terá que nos levar.

Claud- Vou tomar uma ducha. Tô precisando e depois disso vamos tomar café.