Violin

8 Dia 8 — Fancy


Notas iniciais
GENTE, QUE MÚSICA DIFÍCIL, HELP. Sério, não prometo nada sobre o capítulo. Ele não ficou ruiiiim, mas não ficou lá essas coisas lindas. Prossigam com cautela. * O nome Bryce foi sugestão do Raphú :v * Also, na tradução da música, "fancy" pode ser encarado tanto como luxuoso, extravagante ou ostensivo. Hope you like it :**

Sherlock nunca iria para um lugar daqueles sozinho, não era a sua praia. As luzes, o barulho, as pessoas… o cheiro. Aquela mistura de álcool e sexo não o conquistava tanto quanto o cheiro de sangue e assassinato.

Não que ele fosse mórbido. Não, realmente não se considerava assim. Só preferia resolver um caso complicado a entrar numa balada em pleno funcionamento.

Naquele momento, fazia ambos.

Ele deixou que John entrasse primeiro, e o seguiu de perto. Uma música qualquer tocava, e a letra não possuía o menor significado ou profundidade. Sherlock bufou, ajeitou os cabelos e tentou não parecer muito desconfortável.

Como era um ótimo ator, conseguiu.

Eles se espremeram entre as pessoas que dançavam e chegaram ao escritório do gerente. Sherlock bem sentira algum prazer ao perceber que John ficara com ciúmes dos olhares que lhe foram lançados — se tudo o mais naquele caso fosse como ele esperava que seria, teria valido a pena só por aquilo.

O que não era algo que ele comentaria com alguém.

A primeira coisa que Sherlock deduziu do gerente foi que ele era extravagante. O fato era tão óbvio, porém, que até Anderson seria capaz de notá-lo: seus cabelos estavam tingidos num tom loiro pouco natural e ele usava lentes de contato azuis, uma blusa dourada chamativa e uma calça preta. Inclusive, tinha no rosto mais maquiagem do que seria indicado para um homem daquela idade.

Devia ter por volta dos trinta anos, o que tornava a aparência um pouco ridícula. Naquele ramo, porém, devia ser necessária. O gerente sorriu — e seu sorriso era mais sugestivo que amigável. Sherlock se sentiu como se estivesse sendo analisado, e John provavelmente reparou a sugestão do sorriso, porque bufou.

— Oh, você deve ser o Sherlock! — exclamou. Sua voz era afetada. A maneira como ele falava, demorando-se em algumas palavras, demonstrava sua possível sexualidade. — Mickey disse que você viria.

Sherlock quase sorriu. Mickey. Ninguém chamava seu irmão assim além de sua mãe.

Aquilo, é claro, levantava algumas dúvidas.

Afinal, fora Mickey quem lhe pedira para assumir o caso. De início, Sherlock achara que era mais um daqueles casos em que a segurança do país estava envolvida e quase chegara a recusar, mas então seu irmão usara as palavras mágicas: favor pessoal.

Mycroft Holmes nunca pedia um favor.

O que significava que ele provavelmente estava muito desesperado para ver aquele roubo resolvido. Se a segurança do país não estava envolvida, só havia mais outros dois motivos possíveis: ou ele tinha interesse pessoal no gerente — de nome Bryce —, ou isso o envolvia e mancharia sua imagem de alguma forma.

Sherlock estivera mais inclinado a aceitar a segunda, porque era muito estranho imaginar seu irmão mais velho com alguém — e Bryce nem fazia o tipo dele! —, mas “Mickey” mudava tudo.

— Esse sou eu. — Entrou no escritório, seguido por John.

O escritório, por dentro, era exatamente como ele imaginara que seria: chamativo como seu dono. As paredes eram roxas e possuíam pôsteres de bandas famosas. A mesa era vermelha, as cadeiras possuíam uma cada cor e o tapete era o arco-íris LGBTA. Sim, a voz tinha tudo a ver com a sexualidade.

A aparência e o escritório também.

Sherlock também deduzira alguns outros detalhes do cara — comprometido, amante de gatos, dançarino frequente, fumante casual e extremamente arrogante. Nenhum dos quais ajudava na resolução do caso ou dava alguma pista sobre o que Bryce significava para seu irmão.

Isso tudo, é claro, nos primeiros segundos em que o vira.

Bryce não foi muito útil. Quando não estava exaltando alguma qualidade própria, estava reclamando de alguém ou alfinetando John. Também parecia ter definido como meta pessoal atingir Sherlock com seus comentários sugestivos.

— Eu não gostei desse cara — John reclamou quando abandonaram a boate. Sherlock também não tinha gostado, mas o motivo era completamente diferente. Porque o motivo de John fazia bem para o seu ego, ele sorriu antes de responder:

— Não tem porque ficar com ciúmes.

— Eu não estava com ciú- — John percebeu o sorriso arrogante na cara de Sherlock e resolveu não continuar. Em vez disso, surpreendeu-lhe ao puxá-lo para baixo pela gola da blusa e beijá-lo impulsivamente.

— Você sabe… ele realmente não era meu tipo. Muito extravagante.