Violin
9 Dia 9 — True Love
Notas iniciais
Eles discutiram. Palavra atrás de palavra, disseram coisas das quais iriam se arrepender. John, pelo menos. Tudo o que Sherlock fez foi encará-lo enquanto ele colocava todas aquelas coisas para fora, como se não se importasse.
Mas se importava.
Quando respondeu, não levantou a voz. Não daria a John o gostinho de saber que o magoara — principalmente porque sabia que isso o magoaria de volta. Mesmo que soubesse que tudo aquilo fosse — de certa forma — culpa sua e que, por sua vez, magoara John primeiro, não pediria desculpas. Não de novo, pelo menos. Não depois de ouvir o que ele falou.
Para uma pessoa racional, podia agir bem estupidamente, às vezes.
— Eu me pergunto… — disse John logo antes de sair pela porta — Me pergunto se você alguma vez me amou.
Sherlock estancou. A máscara de indiferença que ele vinha mantendo desapareceu e, por um instante, ele deixou aparecer sua dor.
— John… — começou, mas foi interrompido.
Como uma pequena tempestade, John voltou para dentro de casa.
— Diga, Sherlock. Diga que me amou. — Silêncio. — Minta, se precisar. Só… diga que me amou. Faça parecer verdade.
Sherlock tentou. Ele sabia que se dissesse, John ficaria. Ele, porém, não se sentia pronto para colocar para fora. Já dissera algumas vezes, claro, mas nunca num momento como aquele. Nunca numa ocasião em que o sentimento que ele sentia era tudo o que os mantinha entrelaçados.
Não quando era extremamente necessário.
Ele pôde sentir os segundos se passarem, e o silêncio era sepulcral. John encarava-o, esperando por uma resposta que não chegaria, e que a cada segundo ficava mais distante.
Então ele foi embora.
E só quando estava bem distante, Sherlock foi capaz de dizer.
Mas então era tarde demais.
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