Violin

6 Dia 6 — Pra sonhar


Notas iniciais
DOIS MINUTOS, AINDA TÔ NO PRAZO S2S2S2 Ainda não terminei de revisar, mas eu tinha que postar antes de dar meia-noite por questão de princípios. Ó, eu até gostei do capítulo s2 E foi beeeeeem mais difícil do que esperava, mas gostei do resultado. Espero que gostem também. EDIT. Revisei meio porcamente, mas está tarde e eu estou morrendo de sono, então relevem s2 Amanhã eu reviso de novo.

John estava estranho. Sherlock já percebera há algum tempo, e essa estranheza o preocupava. Ele conseguia listar, mentalmente, todos os motivos que podiam fazer seu namorado — e usar essa palavra para descrever John ainda era meio surpreendente, mesmo depois de quase um ano — ficar assim, e nenhuma delas era muito boa.

Geralmente, a culpa era sua.

Geralmente, também, ele sabia exatamente o que fizera.

O que não era o caso, dessa vez.

Sherlock já repassara vezes e vezes sem fim os últimos dias — e ele era capaz de lembrar de quase todos os detalhes dos últimos dias, dada a sua capacidade mental — e não conseguira achar nada que pudesse ter chateado John.

Nada acima do normal, pelo menos.

Houve aquela vez em que ele esqueceu um dedo (de verdade) dentro da caneca de chá. Estava promovendo um estudo sobre digitais e acabara deixando-o lá. Ainda assim, não era a primeira vez que John encontrava uma parte humana dentro de casa e, das últimas vezes, não reagira dessa maneira.

Sherlock também atirara na parede e manchara as cortinas de sangue.

Para não comentar o fato de que tinha partido o tapete da sala ao meio.

O que não era nada demais, se comparado a vez em que manchara quase todo o guarda-roupa de John para que pudesse verificar qual era o efeito de alguns produtos químicos nos diferentes tipos de tecido.

(tudo em nome da ciência!)

O pior de tudo é que, mesmo quando fizera isso, John não ficara tão estranho.

Não admitia para si mesmo, mas tinha certo receio sobre o que aquilo significava para a relação deles. Apesar de não demonstrar tão intensivamente quanto John gostaria que ele fizesse, prezava o relacionamento dos dois mais do que tudo.

Surpreendentemente, até mais que o próprio emprego. O único detetive consultor do mundo desistiria de tudo se John pedisse — ou precisasse.

Mesmo que nunca fosse dizê-lo para ninguém.

— Sherlock? — John chamou. Todas as possibilidades passaram por sua mente, mas nenhuma delas chegou nem perto da realidade. — Sherlock, eu preciso falar com você.

A voz dele tremia, percebeu, e as mãos também. Ele parecia nervoso. Sherlock sentiu o coração pular uma batida, com medo do que viria a seguir.

— E então? — arriscou quando o silêncio se instaurou. Seu rosto exibia uma tranquilidade impassível, mesmo que não se sentisse assim. Era um ótimo ator, e o fato de a maioria das pessoas pensar o contrário só provava que estava certo.

Sua tranquilidade se transformou aos poucos em surpresa, quando enfim percebeu o que estava acontecendo. Nem mesmo um ator tão bom quanto ele seria capaz de manter qualquer fingimento num momento como aquele.

John se ajoelhou.

— Sherlock Holmes — disse. E o próprio Holmes não podia acreditar, mesmo que a cena se desenrolasse em frente aos seus olhos. — Casa comigo?

Não respondeu, porque sua boca não se movia, mas sua mente gritou sim.

E John provavelmente viu a resposta em seus olhos, porque o beijou.