Violin

5 Dia 5 — Eu preciso dizer que te amo


Notas iniciais
Estão surpresos? Eu também. Não esperem que aconteça de novo, porque né, huahuahahaahu. Mas ficou muito amorzinho s2 Espero que gostem :3

Sherlock gostava das manhãs. O costume de acordar cedo viera da infância e, na época, não significava muita coisa. Ali, porém, morando com John, era possível tirar algum proveito da situação. Como quando ele levantava, os cabelos bagunçados, o rosto ainda marcado pelo sono, e dizia:

— Bom dia! — arrastando as palavras daquele seu jeito particular.

Sherlock nunca respondia, mas vez ou outra escondia um sorriso atrás da caneca fumegante de chá.

Como fizera naquele dia.

Além de, é claro, segui-lo com o olhar enquanto dominava vagarosamente o ambiente com sua presença. Era engraçado como o próprio apartamento só parecia acordar quando John estava de pé. Ele ligou a televisão, colocou a chaleira no fogo e foi pegar o jornal.

Por todo esse tempo, Sherlock nem se moveu, nem fez barulho.

— O que houve? — perguntou John a certa altura, o café da manhã já tomado, sentado em sua poltrona com o laptop no colo. Percebera o olhar de Sherlock sobre si, mas só se atrevera a perguntar quando todo o silêncio começou a incomodar.

— Tédio — respondeu. Era sua desculpa de sempre, meio verdadeira naquele momento, mas John sempre a aceitava sem questionar, mesmo quando era absolutamente óbvio que era falso.

Pessoas normais eram assim.

Sherlock, obviamente, não era normal.

— Não recebemos nenhum cliente?

— Nenhum que valha a pena — Sherlock suspirou. Já checara o e-mail, o blog e o correio. Nada.

Fato que John desconhecia, é claro. Sherlock não se deu ao trabalho de avisá-lo quando começou a procurar por alguma coisa que pudesse ser interessante para seu amigo, porque gostava de ouvi-lo ler. A voz dele se modificava, tornava-se mais cadenciada e musical.

Ele jogou a cabeça para trás, fechou os olhos e fingiu que se concentrava na leitura dos casos, quando na verdade reparava os detalhes da voz de John. Mesmo que já soubesse de muita coisa — a maneira como ele puxava o “r” às vezes, de um jeito muito pouco britânico, ou como aparecia um quê de satisfação quando se deparava com alguma palavra que fazia parte do jargão militar.

Sherlock não precisava, realmente, prestar muita atenção nas palavras. Sabia exatamente quais dos casos John leria — deduzira pela manhã.

— Chato — disse antes mesmo que chegasse ao fim. Não, ele não queria investigar o roubo de umas jóias de família. Principalmente porque tinha quase certeza de que fora o marido que vendera para pagar as dívidas de algumas apostas. Qualquer detetive medíocre chegaria a esse resultado sem sua ajuda.

John continuou. O próximo era um pouco mais interessante — deixara Sherlock com três hipóteses diferentes — mas não era interessante o suficiente. Ele tinha certeza de que seria capaz de resolver em meia, talvez uma hora. Então ficaria com tédio de novo, e de nada teria adiantado.

O terceiro, o quarto, o quinto, tudo igual. Era um daqueles dias em que os criminosos pareciam ter tirado folga. Sherlock odiava-os — e o motivo não era somente o tédio. Sempre que esses dias aconteciam, sempre que havia essa quietude em sua vida, ele era deixado com tempo para pensar.

E quando você tem tempo para pensar, mas nada sobre o que pensar, acaba pensando sobre si mesmo.

O que é particularmente perigoso quando você tem algumas coisas para esconder de si próprio.

Sherlock tinha muitas.

Uma delas era aquele sentimento que aparecia vez ou outra em seu peito, especificamente quando John sorria ou dizia alguma coisa que ele não esperava. Era bom, caloroso, e desse ele gostava. Outra era aquele sentimento que aparecia quando ele falava sobre Mary.

Mas qualquer que fossem as coisas que ele escondia, havia um elemento em comum.

No final das contas, era sempre John.

— Já acabou? — Havia um quê de certeza em sua pergunta, mas John não reparou.

— Tem mais um. — Ele abaixou os olhos para o laptop. Por essa Sherlock não esperava. Quase imediatamente, mudou de postura. Endireitou os ombros, chegou para a frente e apoiou o queixo nas mãos: sua pose pensativa característica.

Se John percebeu sua mudança de postura, não disse nada. Começou a ler o texto, que logo se provou mais do mesmo. Suspirou mais uma vez. Jogou a cabeça para trás e fechou os olhos enquanto John terminava de ler.

— Foi o mordomo — disse por fim. John o encarou.

— O mordomo? Sério? — Então ele riu, e lá estava aquele sentimento caloroso de novo. — Não, é claro que não. Ah, Sherlock, quando eu digo para a Mary que você tem senso de humor, ela custa a acreditar!

E lá estava aquele sentimento desagradável.

Sherlock forçou um sorriso.

— Sinto muito não ter nenhum caso interessante — disse John por fim.

— Eu também — resmungou. Deitou-se e apoiou a cabeça no braço do sofá. John voltou a fazer o que quer que estivera fazendo antes e Sherlock voltou a observá-lo.

Aquele sentimento ruim, porém, ainda não fora embora.

Incomodava — mais do que Sherlock admitiria para si mesmo (outra das coisas que ele tentava esconder) — saber que John pensava em Mary em cada momento de felicidade. Principalmente porque o próprio Sherlock só pensava em John.

Era nesses momentos que ele tinha vontade de colocar tudo para fora. Tudo o que sua enorme mente guardava para si. Sabia, no entanto, que seria um peso grande demais para John carregar. O peso de seu amor.

Eu o amo, pensou.

Mas pensou alto demais.

(e nunca conseguiu descobrir se foi proposital ou inconsciente)

Notas finais
Ficou muito amorzinho, né? Aaah. Aliás, obrigada pelos reviews, gente s2 É a minha história com o máximo de reviews até agora, hauauah. (Aquela, pobre de reviews uahsauhajas)