Violin
3 Dia 3 — Can't remember to forget you
Notas iniciais
Sherlock era diferente. Assim que o viu pela primeira vez, John teve essa impressão. Ainda ali, depois de tanto tempo, a impressão não mudara. Sherlock Holmes não podia ser mais diferente. Fosse pela aparência exótica — as maçãs do rosto altas e os cabelos negros cacheados — fosse pela personalidade excêntrica, era uma daquelas pessoas que, uma vez que você conhece de verdade, não consegue esquecer.
John, particularmente, considerava Sherlock um tipo viciante. Ele tinha lá seus muitos defeitos, mas alguma coisa estranha fazia com que John conseguisse relevá-los e se fixar apenas nas coisas boas como, por exemplo, o fato de a vida com ele ser excitante e imprevisível. Era impossível saber o que aconteceria a seguir.
John não conseguiria viver uma vida que não fosse assim.
Sempre preferiria a boa e velha tempestade às épocas de calmaria que a sucederiam. Sherlock entendia isso mais do que ninguém. Embora compreendê-lo fosse um exercício difícil — John raramente conseguia saber o que Sherlock pensava ou sentia —, havia algumas coisas que nem mesmo ele conseguia esconder.
Os dois podiam não se dar bem sempre, mas era sempre dos bons momentos que John se lembrava quando não estava com ele.
Havia um, em particular, que não conseguia esquecer. Que aparecia em sua mente toda vez que percebia o olhar de Sherlock queimando-lhe a nuca. Que trazia-lhe um arrepio de satisfação e um sorriso ao rosto à simples menção do acontecimento.
Um beijo — o primeiro deles — roubado sob o luar.
Quando ele percebeu que faria qualquer coisa por Sherlock.
Qualquer coisa mesmo.
Fale com o autor