Violin
18 Dia 18 — Say something
Notas iniciais
— Diga alguma coisa, eu estou desistindo de você.
John olhou no fundo dos olhos de Sherlock, que o encarava atônito. Ele lançara o ultimato: não queria — e, nem que quisesse, poderia — retirá-lo. Ele sentia o próprio corpo tenso. Queria gritar até arrancar uma resposta, mas sabia que não conseguiria. Ninguém conseguia arrancar nada de Sherlock se ele não estivesse a fim de dar.
— Me desculpe por não ter conseguido te alcançar.
John sentiu as lágrimas queimarem em seus olhos, e lutou contra elas. Só recebera o silêncio — o maldito silêncio! — e não havia mais nada que pudesse fazer ali. Levou um longo minuto para tomar coragem e virar as costas.
Ele andava devagar na esperança de que o fato de estar indo embora fosse fazer Sherlock respondê-lo. Os segundos que levou até alcançar a porta foram os mais longos de sua vida. Só não foram piores, talvez, que os segundos em que ele viu Sherlock cair daquele prédio.
— Eu teria te seguido para qualquer lugar.
E teria. Teria ficado se Sherlock lhe tivesse respondido. Se tivesse pronunciado, por mais mentira que parecesse, as três palavras que ele precisava ouvir. Ele teria ficado se Sherlock pedisse, ou mesmo desse a entender que o queria ali.
— Você é o cara que eu amo, e estou dizendo adeus.
Adeus. Ele nunca pensara que chegaria àquele ponto. Adeus. A palavra era tão forte, tão difícil, que dizê-la era pior que encará-la de frente.
— Diga alguma coisa, eu estou desistindo de você.
John permitiu que as lágrimas descessem assim que se viu fora do apartamento. Não importava que fossem vê-lo chorar nas ruas, não realmente. Não havia muito o que fazer por seu orgulho. Afinal, não fora ele quem desistira ali.
Fora Sherlock.
Tudo o que ele fizera fora dar voz a essa desistência.
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