Violin
17 Dia 17 — Pra ser sincero
Notas iniciais
Sherlock se orgulhava de ser bom em detectar mentiras. Ele sabia que John nunca seria capaz de mentir para ele e passar despercebido. Mycroft talvez fosse capaz — ele sabia bem que botões apertar desde que eram ambos crianças —, mas só talvez. Sherlock sempre se sentia mais alerta quando estava perto dele.
Ele próprio, no entanto, raramente era sincero.
Sherlock era capaz de mentir e manipular conforme achava necessário. Suas mentiras saíam como verdades casuais, e era absolutamente raro que as pessoas descobrissem que ele não estava falando a verdade. Ele não se sentia nem mesmo culpado: sabia que as verdades não eram absolutas, e que as mentiras geralmente eram mais socialmente aceitas e menos dolorosas.
Mesmo que fossem menos dolorosas apenas para si mesmo.
— Nós ainda somos bons amigos.
— Claro que somos. — John não sorriu, nem mesmo se moveu. — Para ser sincero, sempre fomos.
O silêncio que se seguiu era cheio de coisas não ditas. Eles se encaravam, olho no olho, mas nenhum deles se atrevia a dizê-las.
— Para ser sincero, nunca esperei que fôssemos mais que bons amigos. — O sorriso na cara era falso, assim como cada palavra da frase. Sherlock podia jurar que John acreditou.
Ele mesmo dera a entender, antes de ir embora, que acreditava que Sherlock nunca o amara. O que podia, então, fazer, além de confirmar o fato? Só mais uma mentira no topo da pilha.
— Eu tinha esperança de que você não fosse falar isso.
— Eu tinha esperança de que você me perdoasse. Mas, para ser sincero, eu não espero realmente por isso. — Sherlock soltou antes que pudesse se permitir pensar sobre o que estava para dizer. Era, provavelmente, a primeira verdade que dizia em muito tempo.
— Eu já te perdoei. — John soltou como se fosse óbvio, mas o fez um tanto rápido demais.
— John…
— Não, Sherlock, deixa eu falar. Eu pensei sobre o assunto, sabe? Enquanto estava com a Mary. Eu percebi que estar com ela não era como estar com você. Os beijos eram sem paixão. Era um romance frio, e até mesmo brigar com ela não era como brigar com você. Eu percebi, certa altura, que não queria que chegássemos ao ponto de, um dia, passarmos na rua um pelo outro e dizer “para ser sincero, prazer em vê-lo” e, depois, nos despedirmos com um simples “te vejo por aí”.
Ele fez uma pausa para respirar, e então continuou:
— Sabe, se chegássemos a esse ponto, então eu teria fracassado em alguma coisa. Eu amo você, Sherlock, e se você não me ama, diga logo e acabe de uma vez com isso.
— Eu realmente preciso dizer? — John assentiu. Mesmo não se sentindo confortável com as palavras, Sherlock pronunciou-as. — Eu amo você, John, e já faz um tempo.
Era sincero.
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