Violin
14 Dia 14 — Really don't care
Notas iniciais
— Eu não me importo. — Sherlock deu de ombros e encarou seu irmão mais velho com a velha máscara de indiferença no rosto. Ele sabia que seu irmão estava preocupado com ele, com o fato de ele ter voltado a fumar com muita frequência e a trabalhar em muitos casos ao mesmo tempo.
— Você insulta a minha inteligência. — Mycroft descruzou as pernas e apoiou os braços no descanso de braços da poltrona. — Você sabia, Sherlock, que isso ia acontecer desde o início. — Havia um quê acusativo em sua voz. — É o que sempre acontece, não é mesmo?
— Eu realmente não me importo. — Mycroft só levantou uma das sobrancelhas e continuou como se nada tivesse sido dito.
— O amor não é para gente como nós, Sherlock. O coração e a mente não combinam. Amar é uma desvantagem: permitir-se amar é uma fraqueza. Dizer a outra pessoa que a ama é dar a ela o poder de te ferir.
— Bryce que o diga. — Sherlock deu um sorriso maldoso.
— Bryce foi só uma diversão. — Mycroft tamborilou os dedos, e seu olhar se perdeu por alguns segundos. — Não tínhamos muito em comum. — Ele quase parecia triste.
— Eu também não tinha muito em comum com John. — Sherlock fingiu que sua voz não tremeu, quase imperceptivelmente, ao dizer o nome dele. Mycroft, por sua vez, não disse nada.
— São casos completamente diferentes. Qualquer um podia ver o quanto John gostava de você. Gostava, irmão, o tempo passado é a palavra-chave: ele seguiu em frente. — Levantou-se, apanhou seu guarda-chuva, e então suavizou a própria expressão. — Talvez você devesse fazer o mesmo.
— Eu já disse que segui em frente, Mycroft.
— Há uma enorme diferença entre dizer e fazer. — E, com esses dizeres, partiu.
Sherlock não se moveu. Por um longo tempo, ficou encarando a poltrona de onde seu irmão saíra, a mente muito distante da Baker Street.
Ele não se importava, não se importava, não se importava!
Talvez, se repetisse isso por vezes o suficiente, passasse a acreditar.
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