Violin
11 Dia 11 — Back to black
Notas iniciais
O pior de tudo era ficar para trás. Sherlock observava-o sair todos os dias, vez após vez, para se encontrar com Mary. Sempre que John passava por ele — com os cabelos arrumados, a blusa bem passada, seu perfume masculino exalando e um sorriso brilhante no rosto — ele sentia algo ruim se apoderar do próprio coração.
Algo assustadoramente perto do ciúmes.
Além dos ciúmes — como se senti-lo e, com ele, vários outros sentimentos (um deles inominável como o pecado), não fosse o suficiente —, tinha também aquela sensação de luto que afundava seu coração sempre que seu melhor amigo não estava por perto.
Ele tinha medo de como ele voltaria. Talvez ele decidisse que estava apaixonado o suficiente para pedi-la em casamento, ou talvez apenas o suficiente para ir morar com ela. De qualquer maneira, Sherlock sairia perdendo.
E temia que, ao perdê-lo, seu luto se transformasse em algo mais.
Se é que havia algo pior que aquilo.
Devia haver. Já aprendera que na vida tudo podia piorar, que o fim do poço não existia. Sempre havia um nível mais abaixo. A única coisa que o consolava, porém, era saber que, depois de um tempo, quando o chão começava a ruir sob os seus pés, você já sabia o que estava para acontecer.
Cair não era tão ruim quando você já estava acostumado.
— Ei, Sherlock, já estou indo. Mary está esperando lá embaixo — Sherlock assentiu, mas não disse uma palavra.
Ele acompanhou John com os olhos até que ele desaparecesse da escada, então se moveu para o sofá e o observou através da janela. Ele beijou Mary direto na boca, os dois trocaram algumas amenidades e, por fim, entraram no táxi.
Ele se sentiu morrer umas cem vezes naquele meio tempo.
Mas não desviou o olhar.
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