Violin
12 Dia 12 — Like a virgin
Notas iniciais
Vez ou outra John ainda sonhava com a guerra. Ele não se considerava traumatizado: era capaz de lidar com o que vira e fizera, era capaz de aceitar as decisões difíceis e as consequências que vieram com elas.
Ainda assim, havia dias em que ele acordava suado, o som de tiros ecoando em sua mente, com a impressão de que ainda estava no meio do campo de batalha. Os pesadelos — ou as memórias, tanto faz — eram terrivelmente vívidos.
John ainda lembrava do cheiro de sangue misturado com terra, dos gritos de dor, e da vida deixando os olhos de seus companheiros. Não dava para salvar todos, por mais que se tentasse.
Suspirou, revirou-se na cama e tentou fechar os olhos, mas a cena de seu pesadelo voltava a cada vez. Por fim, resignou-se com o fato de que dificilmente voltaria a dormir e passou a encarar o teto.
Sherlock, como se pressentisse alguma coisa, passou o braço por cima dele e puxou-o mais para perto. Ainda estava dormindo, mas não importava. John achou o gesto muito doce.
Algumas vezes se surpreendia com Sherlock, com o que ele fazia. Mais ainda, com o que ele o fazia sentir. Com Sherlock, era sempre como a primeira vez. Fosse porque ele se surpreendia cada vez que ele se declarava — e John não via muita dificuldade em dizer que o amava, então acontecia com alguma frequência —, fosse porque ele realmente agia como se não estivesse acostumado com todo o relacionamento, era como descobrir uma nova faceta dele todos os dias.
E Sherlock era realmente muito complexo.
John se aconchegou. Ali, nos braços do cara que amava, ele quase se sentia seguro. Ainda não tinha sono, mas, por aquele momento, era o suficiente poder ficar ali ouvindo o coração de Sherlock bater.
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