Vidas em jogo

3 Capítulo três


Sakura estava transtornada, essa era a palavra.

Via o impossível diante dos seus olhos e mesmo assim não acreditava. A japonesa de cabelos rosa se encontrava paralisada boquiaberta fixada no mundo à sua volta, o fascínio no olhar só aumentava sua curiosidade pelo o que havia acontecido para gerar o estado catastrófico da cidade. Não podia ser obra de uma produção de cinema, era real, e mesmo se fosse obra de estúdio de cinema certamente iria dar aquele parabéns pela produção. Era surreal demais.

Apesar de ser verão em Tokyo, a sensação térmica era quente demais do que previsto. Sentia o ar quente queimar a pele, voltou para o prédio analisando melhor.

Os prédios em si estavam em ruínas se deteriorando como se tivesse passado séculos e séculos depois de algum ocorrido que a mesma não sabia. Tudo estava praticamente destruídos, alguns sobreviveram pela metade enquanto outros mostrava seu interior como cubos com diversas divisas mostrando barras de ferro que sustentam o prédio. O vento batia forte levantando a poeira das ruas deixando a visão em cinzas.

Os painéis de Led e os outdoors estavam quebrados, partidos ou danificados pelo grande baque de algum objeto mas funcionava revelando imagens estranhas.

Nenhum sinal de vida aparente. Nem de pássaros ou qualquer animal na rua. A praça que ficava de frente ao seu prédio estava morta. Não tinha uma única folha verde ali, era tudo seco e morto, o que mostra um extensivo ambiente macabro. Barras de ferro que servia para os brinquedo estava jogado pelo gramado em tons pastel do parque, todos quebrados.

Os carros estavam em ferrugem de ponta a ponta totalmente empoeirados se desfazendo quase por completo e alguns outros bastante amassados como se acidente grave tivesse ocorrido.

A rosada olhou atentamente em cada lugar a procura de alguma câmera escondida ou algum equipamento de filmagem esquecido, qualquer coisa para comprovar sua teoria. Queria de verdade acreditar que só estava em algum tipo reality show. Não encontrou nada.

Riu sem graça, seu peito palpitava cada vez mais rápido a medida que reparava, era evidente que aquilo não podia ser real.

Pensou em voltar para o seu cafofo e esperar que algum milagre aconteça, acreditara que estava em algum universo paralelo como no país das maravilhas ou algo assim. Balançou a cabeça despachando aquele pensamento, não podia ser pra tanto a ponto de fantasiar coisas. Ao invés de voltar, decidiu buscar ajuda, se não podia ligar pra emergência a mesma iria até eles.

Começou sua caminhada pelas ruas analisando mais detalhes. As erva daninha em volta das calçadas crescia, e pelas rachaduras do asfalto também. O que mais uma vez a fez se admirar pelo bom trabalho. Se uma dessa acontecia em Tokyo, em poucos dias o problema já estaria resolvido.

A medida que ela andava reparou nas lojas, em todas elas. Desde roupas a lojas conveniências e restaurantes, todos tinha algo bem em comum, estavam quebrados com indícios de invasão. Tanto por dentro quanto por fora. Portas e janelas de vidro em estilhaço com produtos revirados.

Logo à frente viu uma bicicleta jogada, a rosada abriu um sorriso achando uma oportunidade de transporte porém, quando chegou perto a mesma estava entortada no meio e os pneus estourados.

Sakura jogou a cabeça de lado por um fato muito estranho; parecia que tinha entortado à mão pois tinha marcas de dedos humanos amassados nas extremidades do ferro.

"Quem faria uma coisa dessa?"-pensou.

Ainda confusa, ela apenas balançou a cabeça e seguiu seu caminho.

Andou por cerca de meia mas parecia um eternidade e a todo momento procurava sem sucesso resquício de um humano. Sentiu sua garganta seca, optou passar em uma loja de conveniência. O mais próximo parecia estar intacto por fora, a porta estava entreaberta o que fez entrar com facilidade, foi na seção de bebidas e abriu um dos frigorífico, sentiu falta da refrigeração. Estava desligado. Quando estava prestes a escolher, sentiu um arrepio estranho na nuca, virou na direção da porta e reparou num vulto estranho a observando, assim que o mesmo viu ela olhar pra ele, correu.

—Ei!- chamou.- Ei, espera!

Sakura correu em direção a saída e viu a sombra dobrar em uma esquina, ela seguiu correndo junto.

"Ele é rápido"- pensou.

—Ei espera, quero falar com você!

Dobrou na mesma rua e viu que era um beco sem saída, no entanto, não tinha ninguém, parou ofegante olhando pelos lados. Observou as pequenas lojinhas com banners na frente.

—Ei! Eu sei que você está aí! Eu só quero falar com você, quero saber onde estou.- piscou várias vezes reformulando sua frase.- Quer dizer, eu sei onde estou, só quero saber o que tá acontecendo.

Nenhuma resposta, a mesma pensou se estava ficando louca vendo coisas.

Não.

Ela viu mesmo, não estava louca. Sakura tinha certeza disso.

Após um longo silêncio, Sakura arfou ficando cansada daquele joguinho de pega-pega, ela não ia ficar correndo por aí atrás dos outros.

—Ok, eu não sei o que está acontecendo aqui mas parou a brincadeira. Eu preciso de ajuda tá bom.

Logo que disse isso, o chão começou a tremer como se um terremoto estivesse chegando, as paredes vibraram e uma das casa de dois andares com uma escada de emergência do lado se quebrou assustando a mesma. Sakura arregalou os olhos perante aquilo, logo em seguida os fechou e colocando a mão cobrindo a boca e o nariz após aspirar a poeira de concreto. Dentro do edifício começou a sair um zunido como de uma máquina com uma mistura de algum animal desconhecido pela mesma. Era ouvido os escombros serem arrastados para fora e mais parede se quebrando aumentando a fumaça no ar.

Na sombra, com olhos semicerrados pôde ver um vulto negro com mais de três metros de altura e mexia algo maior ainda nas laterais que parecia ser um pouco finas porém pontudas.

Assim que a poeira abaixou, ela pôde ver com visibilidade a criatura.

Estancou todos os seus orifícios assim que colocou seus olhos na "coisa". Sakura teve certeza que este foi o início de sua primeira fobia na vida.

Uma enorme aranha marrom com duas presas enormes na região superior onde devia ser a cabeça era coberto de poeira branca, e na parte traseira era peluda e fofinha, o que no momento para Sakura nada era fofinho ali. A enorme criatura cujo a espécie era desconhecida para a mesma olhava em direções opostas como se estivesse procurando algo e não notou a garota paralisada a sua frente.

Sakura sentia suas pernas bambas e o suor frio escorrer na espinha. Sua garganta fechada impedia de produzir qualquer som no momento e uma pressão forte no seu peito a puxava para baixo.

"AQUILO. NÃO. ERA. REAL."

Tentou se convencer disso mas sua visão discordava.

E como uma paralisia só conseguia mexer seus olhos, buscava no profundo de seu ser coragem para sair do beco sem que a criatura a visse. A aranha continuava perdida.

"Vamos Sakura, se mexa."- pensou se forçando para que suas pernas agisse. Tentou não olhar pra criatura mas era praticamente impossível. A aranha se mexe dessa vez tentando volta para o prédio, Sakura aproveitou para arrastar seus pés para trás, andou de ré bem devagar para não chamar a atenção. A japonesa sabia que aquele momento era crucial para sua sobrevivência porém, o que ela não se ligou era na direção que está indo. Quando deu por si, bateu suas nádegas na grande lixeira aberta, estaria tudo bem para ela se a tampa não caísse com tudo encima da lixeira.

Sakura apertou os olhos implorando para que a aranha não estivesse notado, abriu suas pálpebras avistando seu pesadelo. A cabeça daquele bicho estava apontada em sua direção.

E esse era um daqueles momentos em que sua vida passa diante dos seus olhos. Sua mãe, seu pai, sua casa, escola, vida, tudo passava como flashback com uma música bem nostálgica no fundo. Antecipadamente sentiu suas pernas leves como plumas antes de ir pro céu.

"Sonhe com Deus."- eram as últimas palavras de sua mãe antes de dormir. Isso soou mais como uma despedida em seus ouvidos do que uma memória distante.

A aranha se locomoveu em direção a ela tirando de seus pensamentos, mesma acreditara que era seu fim por sentir suas pernas duras como pedra, ou melhor, (não senti-las.) A aranha estava próxima o bastante pronta para penetrar uma de suas enormes patas cascuda nela, até que de súbito ouviu a aranha ser atingido por trás, a mesma se virou ocultando a visão da rosada.

Outra rajada, dessa vez mais forte.

Sakura tentou correr, no entanto tropeçava nos próprio pés, se levantara novamente saindo do beco e correu na direção de onde viera, entretanto um forte estrondo a impediu de prosseguir sendo assim, a parte frontal do prédio ser demolida e sair de lá a mesma criatura. Sakura a olhava ofegante com o coração a mil, a criatura olhou para ela e começou a correr na sua direção, Sakura correu na direção oposta, ela era inteligente, sabia que era impossível escapar de uma criatura como aquela ainda mais quando ela sabia que não era uma boa corredora porém, não havia muita alternativas. Passou pelo beco e sentiu algo explodir atrás de si. Olhou rápido para trás e a criatura estava no chão sem cabeça e um líquido roxo espalhado no chão atingido o outro lado da rua.

A mesma parou, fixado no ser morto. Podia jurar sentir sua alma ir e volta em questão de segundos. Parte de si pedia para ir lá confirmar, mas a mesma sabia que nem morta chegaria perto disso.

Ouviu sons de pedras sendo pisadas no beco, uma pessoa saiu de lá. A primeira coisa que a rosada reparou foi em uma arma na sua mão direita, parecia pesada, levantou o olhar reparando em fios ruivos e rebeldes sobre o vento. Sua silhueta era forte e parecia ser alto. Cogitou que fosse um homem pela massa corporal e a falta de curvas que normalmente se encontra em mulheres. Mesmo encontrando uma pessoa ali não diminuía os batuques de seu coração.

O tal homem virou a cabeça em sua direção e levantou a arma se dirigindo a ela. Sakura deu alguns passos para trás, levantou as duas mãos mostrando rendidas. Ela ouviu um click vindo da arma, aquilo não era um bom sinal. Ele apontou para ela sem fazer qualquer pergunta. A medida que se aproximava Sakura sentiu que aquela pessoa era familiar.

Ele tinha fios ruivos e parecia ser natural, mirou em seus olhos. Verde aqua com uma grande sombra manchada ao redor.

É. Ela conhecia.

—Gaara?!

Disse abismada vendo o ruivo relaxar os braços e alargar um pouco os olhos surpreso ao pronunciar seu nome. E com grande serenidade falou:

—Haruno.