Vidas em jogo

4 Capítulo quatro


Era pra ser simples.

Simples!

Tá, não tão simples assim mas simples.

Seu plano era: Fazer sua prova para ingressar na faculdade, dar o seu melhor na medicina, arrasar na vida com uma boa casa e filhos e ainda de bônus conseguir o emprego dos sonhos para dar muito orgulho pros pais.

É difícil? É. Mas não impossível.

Mas como a vida não é um mar de rosas, ela levou a bendita rosada para um precipício cheio de espinhos. E agora mais do que nunca se encontra perdida e completamente assustada frente a frente com a pessoa que menos esperava aparecer a essa altura do campeonato.

—Gaara? É você mesmo?- Sakura pergunta olhando de cima a baixo dar alguns passos até ele, ela abaixa os braços.

— Podia dizer que estou feliz em te ver mas tô meio sem tempo.

Ele fala e vira a cabeça acima da rosada. Sakura segue seu olhar. Em um dos prédios tinha um telão de Led que permanecia aceso do outro lado da rua, nele uma tela branca com números preto marcava um limite de tempo decrescente.

01:38

"Aquilo estava ali antes?"- pensou Sakura franzindo a testa. Ela se volta para o ruivo.

—O que é aquilo?- apontou para tela sem entender o motivo do cronômetro.

—Ainda pode ter alguns por perto, precisamos sair daqui.

Gaara ignora a pergunta e caminha passando por ela. Sem hesitar Sakura caminha atrás dele a passos rápidos o olhando confusa.

—Alguns deles? Quer dizer que tem mais deles?!- virou para trás, ela analisa a aranha que continua intacto desde o impacto da explosão.

—Talvez. Só descobriremos quando encontrarmos um.

O que?!

Sakura se vira.

—Perai, perai, perai.- se pôs na frente dele com as mãos estendidas obrigando a parar.- Como assim nós? Gaara quem em sã consciência vai atrás dessas criaturas?! s precisamos de ajuda!. Alguma autoridade que possa cuidar — aponta pro ser morto.- "daquilo" sei lá, resolvermos nossos problemas!

O ruivo a encara inexpressivo, seu olhar era profundo sobre a rosada o que a deixou um pouco desconfortada na hora. Sakura não conhecia Gaara como sua amiga, apenas ouvia nas conversas paralelas com a loira, porém vendo melhor, não parecia com a descrição romântica que a loira dava. Até então...

Depois de sua "longa" observação, ele apenas fez um pequeno desvio e continua a andar.

Sakura balançou a cabeça em negação, se perguntou se havia feito alguma piada para ele ignorar o estado crítico que eles se encontravam.

—Gaara, você viu o tamanho daquela coisa? E ainda vai ignorar?!

Ele continuou sem dar atenção para a Haruno. Parecia que as mecânicas de sua arma do tamanho de um braço era mais interessante.

—Isso não é brincadeira cara, aquilo quase me matou. Ele destruiu um prédio inteiro. UM PRÉDIO!- Sakura levantou as mãos e fez menção da grandeza do prédio.

—Gaara será que dá pra me ouv-

Outro barulho corta a rosada na hora. Dessa vez vinha à frente deles. O barulho era o mesmo que Sakura ouvira agora a pouco no beco. Gaara ergue sua arma colocando frente ao seu corpo, Sakura fica estagnada na calçada procurando o autor do barulho. Estavam parados na grande passarela de Shibuya, o lugar era bem grande com uma única diferença de não ter pessoas e carros em volta o que de alguma forma dava muito calafrio na rosada.

O chão começa a tremer e Sakura se encolhe atrás do Gaara esticando a cabecinha para ver através do ombro do ruivo. O zunido não identificado era forte o suficiente para fazer seus tímpanos tremerem, porém Gaara não recuou.

Em uma das ruas sai outra aranha cascuda marrom o parece ser da mesma espécie que a outra estourada. Ela atravessa a passarela despreocupada, andando tão lento quanto uma aranha.

A japonesa alarga os olhos e percebe que a criatura era maior que a anterior, ela vira a cabeça para trás e se volta pra frente de novo. Realmente, não era a mesma.

"Só pode tá brincando comigo".- Pensou descrente.

Acreditou que aquela loucura de aranha já tinha acabado mas para sua surpresa parece que não. Gaara se moveu em direção a ela, seguiu de sorrateira nas paredes até o monstro a passos leves sem assustá-lo.

—Vamos sair daqui.- Sakura disse vidrado na aranha sem perceber que Gaara já não estava à sua frente.

Deu uns passos para trás pretendendo correr em sentido ao contrário quando viu o ruivo perto o suficiente do monstro.

Nesse momento a mesma não sabia o que pensar, Sakura abriu a boca em um perfeito o se perguntando que loucura ele vai fazer. Começou a fazer gestos com a mão para chamar a atenção do amigo.

Gaara, Gaara, o que está fazendo?— sussurrou.

Ele não a escutou e continuou de fininho atrás da aranha.

"Esse cara é louco. Meu Deus. Ele quer morrer, só pode."- pôs as duas mãos na cabeça temendo o pior.

Gaara cautelosamente aponta a arma na cabeça sem ao menos piscar, mesmo a distância estava confiante que iria acertar. Estava na sua mira. Com os dedos posicionados no gatilho luzes azuis começam a acender em um quadrado perfeito nas laterais preenchendo todas as cinco barrinhas uma por uma. A arma parecia mais um projétil feito a mão do que uma comprada em loja. Depois da cinco barrinhas cheias era só questão de aperta e disparar, porém algo acontece.

Um feixe de luz verde passa por ele e acerta a aranha que de imediato mira na direção do dele. O ruivo não teve tempo de olha para trás e o ver o responsável que atirou pois a aranha furiosa começou a correr atrás dele quebrando o asfalto a cada passo.

Gaara começa a correr em sentido circular o que fez a aranha girar em torno de si enquanto ele atirava nela. Queria acertar na cabeça porém no momento que se encontrava era impossível, a aranha se movia rápido o que fazia se desviar dos disparos.

"Ela é inteligente"- Pensou Gaara que continua com as rajadas de flashes azuis.

Ele mira nas pernas estourando pelo menos três a atrasando sua velocidade porém mesmo assim não dá certo, suas pernas compridas sustentava os que faltava, e como Gaara estava próximo demais não teve outro jeito a não ser correr pra longe e pegar uma boa distância para assim acertá-la.

Sakura assistia a cena boquiaberta, para ela Gaara parecia um Hércules em uma luta contra um titã bem na sua frente.

O namorado de sua amiga parecia o verdadeiro herói nesse momento até ver que o mesmo corria em sua direção.

—Corre!- Gaara grita pelos pulmões avançando a frente.

Sakura continua parada feito boba encarando Gaara se aproximar desesperado, se perguntou por que ele estava correndo sendo que foi ele que foi atrás para matar até que atrás dele a aranha vinha junto em disparada, quis bater na própria testa por ser tão lenta no momento desses.

Sakura começa a correr também sem saber para onde exatamente, pôs forças nas pernas dando tudo de si, no entanto, uma figura ruiva passou do seu lado a ultrapassando em questão de segundos mas isso não é nem a ponta do Ice Berg pois para o seu desespero seu peito começa a queimar pela falta de ar, e suas pernas não conseguem acompanhar o amigo tanto quanto queria, ele já estava bem a frente quase que desaparecendo de sua vista. Ouviu a aranha destruir tudo atrás de si e se recusava a virar pois sabia que o mesmo estrago que a aranha fazia, estava preste a fazer com ela caso a alcançasse. Ainda sim, Sakura se força a correr sentindo suas pernas reclamarem e os pulmões implorarem por ar pois a mesma sequer conseguia puxar o ar direito. Quando prestou atração no caminho que percorria viu o ruivo desaparecendo a metros de distância.

"Gaara..."- chamou em pensamento esticando o braço.

—Gaara.- como um sopro de um fio de voz saiu de sua boca.

Inconscientemente Sakura começou a diminuir a velocidade o que fez ela puxar fundas respiração praticamente fungando, se sentiu tonta com a visão embaçada não vendo mais o ruivo a sua frente. A aranha estava a poucos metros de si, ela solta aquele barulho ensurdecedor o que fez Sakura se encolher pela aguda dor no ouvido. Com uma última fungada Sakura pega o impulso e corre o mais rápido que seu corpo aguenta, ela só não esperava que desse errado quando suas pernas falham dando de cara no chão. Tentou se erguer sentindo os braços tremerem porém uma sombra grande se formou ao seu redor, a aranha já estava acima de si quando levantou a cabeça e nesse momento surge uma dúvida:

"E agora? Como é que eu vou sair dessa, claro se eu sair"

Se perguntou encarando o bicho encima de si.