Vidas Cruzadas
22 Capítulo 22
Notas iniciais
Boa leitura!
Era manhã de sábado e eu fui encontrar com o Nathan, ele não sabia que iria me encontrar, seria mais ou menos uma surpresa, pra ele. Saí de casa sem que ninguém me visse, para ao causar problemas e peguei um ônibus até onde o Nathan trabalhava com os pais e quando cheguei lá, só encontrei a mãe dele.
-Bom dia! – cumprimentei sorrindo
-Bom dia Sarah! Mas que surpresa! – ela respondeu com um largo sorriso
-Boa espero! – falei em tom de brincadeira
-Ótima! – ela respondeu
-Cadê o Nathan? – perguntei
-Ele está com o pai, já deve estar chegando por aí. Quer que eu mande chamá-lo? – ela perguntou atenciosa
-Não precisa, o que eu quero é ajudar você aqui hoje. Posso? – perguntei
-É claro que pode Sarah, mas aqui não é lugar pra você, você é uma moça tão... – ela começou a falar e eu a interrompi
-Não se preocupe com essas besteiras e uma coisa que não existe em mim é frescura – falei rindo e ela me acompanhou nas risadas
-Mas você não acha que o Nathan vai reclamar? Ele pode achar ruim você trabalhar conosco – ela falou quando parou de rir
-Com o Nathan eu me viro – falei piscando um olho pra ela que correspondeu com um sorriso
Ela explicou por onde eu poderia começar a ajudar e comecei colocando os alimentos em seus devidos lugares e enquanto eu estava trabalhando, percebo que dois rapazes um tanto quanto saidinhos e eles não perderam a oportunidade de fazer brincadeirinhas descaradas. Até que ouço algumas gargalhadas que não me eram estranhas e virei com um sorriso de orelha a orelha pra me certificar de que era ele mesmo e assim que o Nathan me viu, ele tomou uma expressão séria.
-Sarah, o que você está fazendo? – ele perguntou
-Trabalhando, ué – respondi mostrando as frutas que estavam em minhas mãos
-Eu disse que não precisava Nathan, mas ela insistiu – falou a mãe do Nathan
-Sarah, aqui não é lugar pra você – ele falou
-Porque não, oras? – perguntei e ele olhou os rapazes que antes estavam de gracinhas.
-Não sei se percebeu, mas você atrai olhares – ele falou e eu olhei por cima do ombro para os dois rapazes.
-Nathan você está com ciúmes ou isso se chama machismo? – perguntei cruzando os braços
-Os dois – ele respondeu cruzando os braços também
-Pois peço que coloque o seu machismo de lado, porque eu não vou embora daqui e quanto aos seus ciúmes, não se preocupe com isso, eu tenho olhos somente pra uma pessoa. – falei e olhei descaradamente para os dois malucos, dei um sorriso largo, mostrei o dedo do meio e quando virei para o Nathan o beijei. Foi um beijo que ele não esperou, mas ele não demorou pra corresponder. Quando separamos nossos lábios, começamos a rir descontroladamente.
-Algumas coisas vocês deveriam deixar pra fazer num quarto – falou a mãe do Nathan e eu fiquei vermelha de vergonha escondendo o meu rosto no ombro do Nathan, enquanto ele ria.
-Mãe, isso foi só um beijo – ele respondeu rindo
-Ok gente, ok. Agora pode voltar a trabalhar rapaz – falei e ele se virou rindo quando nos deparamos com as pessoas que eu menos queria ver no momento. Tanto ele como eu mudamos totalmente nossas expressões e pela primeira vez senti um frio percorrer a mina espinha ao encontrá-los ali, na nossa frente. Os pais do Nathan se postaram ao nosso lado e sérios, prontos para nos defender de qualquer coisa que os meus mais fizessem contra nós.
-O que estão fazendo aqui? – perguntei entre dentes
-Nós é que perguntamos, o que você está fazendo aqui Sarah? – falou meu pai
-O que eu faço ou deixo de fazer da minha vida não interessa a vocês, não mais – respondi
-Você ainda depende de nós, então a sua vida nos interessa sim – respondeu a minha mãe
-Não seja por isso, saio de lá hoje mesmo. Lugar pra mim ficar nessa cidade é o que não falta – respondi
-Vamos embora daqui agora mesmo Sarah – falou meu pai
-E quem disse que eu vou embora? – desafiei
-E quem disse que você não vai embora? – ele desafiou. O Nathan segurou a minha mão e apertou a mesma. Ambos estávamos suando.
-Vamos logo? Não temos todo o tempo do mundo – falou minha mãe
-Eu não vou – respondi
-Não me obrigue ir até aí. – falou meu pai dando um passo a frente, na hora eu dei um passo pra trás e fiquei atrás do Nathan, como um comando automático.
-Vocês não ouviram que ela não quer ir? – se manifestou o Nathan
-Sarah, esse garoto não tem nada pra te oferecer, sei que você não quer essa vida, você sabe que não nasceu pra viver assim, você mercê coisa muito melhor – falou meu pai com desprezo na voz
-Ao contrário do senhor, eu tenho humildade, honestidade e acima de tudo respeito. Garanto ao senhor que a minha simplicidade faz ela muito mais feliz que todo o luxo que oferece a ela, esse moleque que vocês tanto desprezam a faz mais feliz do que vocês podem imaginar, eu a amo, amo demais e seria incapaz de desistir dela. Por isso eu aconselho que ela vá embora com vocês – ele falou e saiu da minha frente me dando o espaço pra passar.
-Mas Nathan... – o olhei decepcionada e li nos seus lábios um “Confia em mim”
Olhei para os pais do Nathan que o encaram boquiabertos, sem entender a reação do Nathan. Eu não sabia o que ele iria fazer, mas eu confiava nele, segui o meu caminho até os meus pais sem tirar os olhos do Nathan e minha mãe me puxa pelo braço com muita força e me empurra dentro do carro. Já dentro do carro, olho para o Nathan que estava bastante alterado e perturbado com a situação que havia se formado, seus pais tentavam o acalmar e com isso as minhas lágrimas que antes se seguravam pra não cair, rolaram por todo o meu rosto.
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