Vida pós morte

2 Capítulo 2 - Despertando


Notas iniciais
Favorite a história se for de seu gosto. Comente para me ajudar a continuar.

O rapaz loiro que atendia pelo apelido "Grego" se aproximou de um dos membros do comboio que repousava sobre o último colchão de uma trapiche em um dos dois trailer.

Grego puxou o colchoado feito de trapos que cobria o rapaz moreno que ainda dormia. Pelo extinto que foi obrigado a ter para se manter vivo, o adormecido despertou e logo apontou a Glock para a cabeça do loiro.

__ Ei... ei... me rendo... --- Grego disse em tom de piada e deboche. ---

__ Otário... a próxima leva um tiro para parar de ser babaca. --- Disse o moreno se levantando, baixou a pistola e pegou a camiseta escura que estava no chão, e a vestiu. ---

O moreno colocou o colete à prova de balas, logo Pocissionou os três coldres de couro e suas respetivas armas dentro, e rente ao corpo esculpido pelos anos no exército havia uma longa balinha onde o mesmo colocou seu facão favorito.

__ Foi brincadeira... Para que se estressar? --- Disse Grego voltando a seriedade e questionou seu amigo. ---
__ Então Luiz... apesar de qualquer coisa... temos um local para vistoriar... bom que já preparou seu arcenal... --- Finalizou o loiro. ---

Após as provocações, o moreno e o loiro saíram do trailer com o que precisavam para o reconhecimento de perímetro e busca de suprimentos.

__ Dormi mal... Felipe parecia que estava dormindo enquanto dirigia... não via os obstáculos na estrada... o treiler balançava demais... --- Luiz reclamou . ---

__ Bom... bom que sentiu a mesma coisa que senti antes-de-ontem enquanto você dirigia... --- Felipe também reclamou, se aproximando de seus amigos com uma expressão debochada. ---

As portas da grande carreta negra abriu. Do grandioso veículo desceu uma garota aparentando ter vinte anos de idade, estatura baixa e de longos e trançados cabelos castanhos, suas roupas encardidas pela poeira e na bainha de tecido carregava a longa faca de combate de punhau, revestido por finas tiras de borracha retiradas de uma velha câmara de bicicleta.

__ Discussão leva a nada... --- A garota se pronunciou, sua expressão estampava seriedade. ---

__ Bia... ninguém estava discutindo... apenas jogando a verdade... um na cara do outro... --- Disse Felipe. ---

__ Faço das palavras dele, as minhas... --- Falou Luiz. ---

Após rápidas encaradas de ambos, Felipe se aproximou de sua moto.

__ O papo está agradável, mas... temos coisas à fazer... antes vou guardar a moto no vagão... --- Felipe pronunciou-se novamente. ---

O rapaz deu partida na Davison, e em velocidade baixa guiou o veículo de duas rodas até o terceiro e último vagão da carreta. Desceu da moto, abriu as portas metálicas e puxou a rampa. Em segundos colocou a moto no vagão, juntamente com um Porsche sem combustível e duas motos, uma cento e cinquenta cilindradas e uma mil e cem.

Felipe voltou para o posto, encontrando os outros nove membros do grupo jogando conversa fora, enquanto o dia começava a clariar.

Os três rapazes se pocissionaram a frente das sete integrantes do grupo.

__ Para que tanto silêncio? --- Perguntou a garota magricela de cabelos castanhos claros puxados para loiro. ---

__ A muito a fazer... Não há tempo para jogar conversa fora... --- Luiz pronunciou-se em tom de voz quase agressivo. ---

__ Por que desde que esse inferno começou e formamos este grupo, parece que você tem receio de responder uma merda de pergunta direta? --- A garota magricela perguntou, se exaltando. ---

__ Eu já disse chega... se você não está de acordo com as regras é só sair... mas se ficar terá que continuar a seguir regras... começando por não me desafiar... aqui não tem democracia... aqui não tem espaço para anarquia... e como sou um dos líderes, você terá que acatar minhas regras... --- novamente Luiz se pronunciou, mas desta vez aos berros. --- Estendeu, Dany...?

__ Para um entendedor, meia palavra basta... --- Disse Dany e depois caminhou devolta ao caminhão rangendo os dentes, mas ela estava convicta que a discussão não iria ficar só nisso. ---

Após a extravasar sua irritação Luiz começou a caminhar em direção a esquina.

__ Aonde você vai? --- Perguntou a garota de médios cabelos negros, a mais baixa do grupo. ---

__ Me deixa em paz... --- Luiz respondeu com raiva e continuou a dobrar a esquina. ---

__ Quero grupos de dois para realizar cada tarefa... os grupos serão... Ana e Larissa, grupo Gama, procurar líquidos e alimentos... Kenia e Bianca, grupo Celta procurar roupas e medicamentos... Patrícia e Daniele, grupo Delta, procurar armas, seja branca ou de fogo, munição, suprimentos em geral... os nomes dos grupos são apenas para identificação, para não usar nomes... os comunicadores são redes abertas, então qualquer um pode estar na linha, do grupo ou outros sobreviventes... cada um tem rádios comunicadores na bolsa... e o mais importante... evite fazer contatos com sobreviventes, podem ser piores que os " cabeças ocas " --- Disse Grego com seu tom autoritário. ---

__ Você e o Felipe farão o que exatamente? --- Ana o questionou. ---

__ Faremos o mais importante... protegeremos os veículos e o pouco dos suprimentos que nos resta... --- Respondeu Felipe. ---

__ E quanto ao Luiz e a Vanessa? --- Pergunta Larissa. ---

__ Tentarei fazer contato com o Luiz pelo comunicador, até agora não consegui... mas vamos parar de "lengalenga" e cumprir a tarefa... às seis da tarde é quando as buscas sessarão e quando retornarão para cá... agora é dez e meia da manhã... então... que as buscas comecem... --- Felipe responde e dá as ordens. ---

Cada dupla caminha em direções opostas.

Enquanto isso, a aproximadamente um quilómetro de distância do comboio, Luiz continuava a caminhar.

__ Luiz... porra cara... espera aí... pelo menos diz para onde você está indo... --- Vanessa se pronuncia, após minutos de cansáveis passos. ---

__ Não pedi para você vim atrás... veio porque quis... aproveita que estamos na metade do caminho e volta... --- Luiz diz de maneira arisca. ---

__ Não vou voltar... você está com pontos na cintura... eu vi você costurando... o corte pelo que vi é profundo... não vou deixá-lo sozinho... se os pontos abrirem você poderá até morrer e se eu voltar... e se isso acontecer, irei ficar com a consciência pesada... agora me diz... Onde você se cortou e onde está indo? --- Pergunta Vanessa. ---

Diante da perguntas o moreno ficou em silêncio e respirava fundo.

__ Antes de tudo... peço sigilo absoluto perante o que vou te contar... Promete que ficará somente entre eu e você? Ninguém deve saber. --- pronuncia-se Luiz, pedindo lealdade. ---

__ Não posso fazer isso com o grupo... aaah... tá bom prometo sigilo... agora conta... parece ser sério para me pedir isso... --- Diz Vanessa com uma confusão em sua mente evidente. Havia prometido ao grupo que não haveria segredos, assim como os demais prometeram, e quem exigiu isso era o mesmo que havia pedido para guardar segredo segundos antes. ---

Luiz se aproxima olha no mais profundo dos olhos de Vanessa.

__ Estou infectado... fui mordido ao tentar pegar uma garrafa de whisky e um maço de cigarros em Piracicaba... --- Disse Luiz, o nesmo sofria por dentro do pouco sentimento que ainda sobrou. ---

__ É impossível... estávamos em Piracicaba a três dias atrás... no máximo oito horas após a infecção mata o seu hospedeiro... Como pode estar em pé depois de quase setenta e duas horas da mordida? Como você deixou isso acontecer? --- Vanessa se pronuncia e o questiona. ---

__ Não sei... só sei que o vírus corre em minha corrente sanguínea, os testes deram noventa por cento... aqueles dois sobreviventes que encontramos ontem não fugiram... eu os usei como cobaia... estou com um tipo de imunidade natural que não deixa o vírus chegar ao estágio crítico, mas posso infectar com uma gota de sangue ou saliva... --- Diz o moreno com uma calma assustadora. ---

__ Como deixou isso acontecer? Já vi você acabar com um bando de "cabeças ocas" sozinho... nem sei se podemos chamar isso de bando... --- novamente Vanessa questiona Luiz. ---

__ Sabe qual é o sentimento de ter sua família ser arrancada de seus braços? Sua mulher ter as vísceras arrancadas e você poder fazer nada pois ela se tranca em um carro... a sensação em ver seu filho ter um pedaço arrancado à dentadas e você ver o brilho dos olhinhos dele desaparecer depois de dizer papai pela primeira vez... --- Luiz revela seu maior segredo e caí de joelhos, molhando os asfalto com suas lágrimas. ---

Notas finais
Esse segredo será revelado? O que acontecerá? Como o grupo se dará nessas buscas? Esperem o próximo capítulo!