Vida pós morte

3 Capitulo 3 - Ilusão?


Notas iniciais
Espero que gostem desse capítulo? Favorite e comente se for de seu gosto!

__ Delta... responda... --- Exigiu Felipe, transmitindo pelo comunicador. ---

__ Alguém na linha...? Alguém pode me escutar...? --- Perguntou uma voz feminina e roça, parecia entusiasmada e ao mesmo tempo contida. ---

__ Não consigo a ouvir direito... transmissão falhando... Gama, Celta, Delta... se identifique... --- Respondeu Felipe. ---

__ Não conheço nenhum desses nomes... estou com fome... frio... sem suprimentos. --- Disse a voz feminina. ---

__ Está sozinha? Qual seu nome e onde está? Mandarei alguém te buscar... --- Perguntou Felipe, com seu tom de autoritarismo. ---

__ Marcela... estou sozinha desde que tudo começou... não sei onde estou... parece um estádio de futebol... as letras estão apagadas, mas tem uma bandeira do Fluminense... --- Respondeu a mulher... ---

Minutos se passaram. Parecia ser três da tarde quando o comunicador começou as oscilações e ruídos.

__ Grupo Gama para liderança... --- Ana tenta se comunicar com Felipe ou Grego. ---

__ Ainda bem que entraram em contato... tenho uma tarefa para vocês... sobrevivente pedindo ajuda... --- Felipe atende a transmissão e passa os dados necessários para a tarefa. ---

Minutos se passaram, e Luiz tentava controlar suas emoções. Vanessa se ajoelhou na frente do moreno e colocou a mão no queixo do mesmo tentando levantar sua cabeça.

__ Eu perdi minha família, mas ainda bem que não os vi morrer... não consigo nem imaginar o quanto é dolorido perder alguém que amamos muito, ainda mais um filho... não sei se Deus me amaldiçoou ou me preservou por não ter um filho... --- Disse Vanessa, seus olhos lacrimejavam. ---

__ Desculpa... falei demais... --- Ela finalizou ---

__ Você acha que Deus está ligando para nós... se ele ligasse para nós, não estaríamos aqui, não teríamos perdido tantas pessoas... Você ainda não percebeu? É o fim dos tempos... mais cedo ou mais tarde acabaremos no estômago desses cabeças ocas... --- Desabafou Luiz. ---

__ Eu não vou discutir religião com você, igual fazíamos na época do colegial... você está irredutível... quando quiser conversar é só me procurar, só não diga que Deus não liga para nós, a prova é você estar de pé e falando... --- Vanessa disse um pouco irritada. ---

__ Eu sempre soube o quanto imbecil eu era, mas não adiantava, eu não sabia e não sei como mudar... eu era um nada comparado aos outros... era comparado com aquele outro garoto... Como era o nome dele mesmo? A é... Marlon... sempre queria ser uma mosca para saber o que falavam de mim enquanto não estava perto... quando eu estava no ensino fundamental eu queria ser invisível para ninguém me ofender ou me agredir por ser diferente ou por minhas decisões e palavras... já pensei em suicídio quanto cheguei no ensino médio por minha vergonhosa aparência e minhas conversas... enfim... o quanto imbecil eu sou... a primeira vez que me senti feliz verdadeiramente foi quando eu pensava que tinha amigos... talvez era só ilusão... mas ali foi a primeira vez que me senti amado fora de casa... outra vez, não sei se estava me iludindo... eu sei o quanto não sou normal e não serei... me feri ao tentar ser normal... sei agora o quanto estava errado em tentar ser normal e sei que quem gosta de mim, gosta da maneira que eu sou... como eu queria ter percebido isso antes, não teria me ferido, ferido os outros, não teria me afastado tanto da realidade... --- Luiz se levantou após o fim de seu desabafo, secou as lágrimas, e olhou ao redor, vendo Vanessa à aproximadamente quatrocentos metros de distância. ---

__ Ótimo... ainda bem que não escutou... --- Finalizou o ropaz. ---

Os tênis desgastados caminhavam e levantavam a poeira do solo, a semanas não chovia, a seca castigava a terra árida e os poucos sobreviventes. Logo um supermercado foi avistado, as chances de encontrar suprimentos era pouco, a epidemia levou à escassez de alimentos, água e medicamentos. A coronha da pistola produzia um som alto quando era deslizada nas ásperas portas metálicas, grunhidos eram ouvidos.

Os tênis desgastados caminhavam e levantavam a poeira do solo, a semanas não chovia, a seca castigava a terra árida e os poucos sobreviventes. Logo um supermercado foi avistado, as chances de encontrar suprimentos era pouco, a epidemia levou à escassez de alimentos, água e medicamentos.

A coronha da pistola produzia um som alto quando era deslizada nas ásperas portas metálicas, grunhidos eram ouvidos. As portas foram levantadas e dúzias de cadáveres ambulantes se espalharam pela calçada, os sons ensurdecedores das balas cortando o ar se misturavam com grunhidos e o baque dos cadáveres caindo.

Em poucou minutos corpos foram empilhados nas esquinas e o fogo foi ateado neles, assim fechando os acessos ao supermercado, apenas uma saída foi deixada aberta para evacuação das duas. As rodas do carrinho rangiam no galpão escuro, um fecho de luz vindo da lanterna iluminava o rosto pálido.

__ Mira a lanterna nas prateleiras e não na minha cara. --- Reclamou Daniele enquanto empurrava o barulhento carrinho. ---

Um fraco grunhido foi ouvido, Patrícia mirou a luz na direção do barulho, por um curto período tudo ficou em silêncio, som de objeto metálico caindo no piso as deixou novamente em alerta. Grito foi ouvido. A faca de açougueiro perfurou o crânio' do cadáver que abocanhou o calcanhar da magricela.

__ Você está bem? --- Patrícia perguntou com preocupação. ---

__ Foi só um susto, pegou apenas no tênis. --- Respondeu Daniele com o tênis esquerdo nas mãos, calçou o tênis e continuou a empurrar o carrinho. ---

Horas depois...

O grupo finalmente estava reunido em volta da fogueira que ardia em brasa, ao centro de uma pequena barreira de pedras empilhadas sobre as outras. Davam baixas risadas, mas nem por isso deixavam de estar atentos ao que acontecia ao redor. Se serviam dos alimentos enlatados que foram encontrados na ronda.

Mas nem todos partilhavam das risadas e brincadeiras. Luiz estava sentado sobre o teto do trailer, em suas mãos um rifle automático, e na cabeça um monóculo de visão noturna. O tédio era evidente na expressão cansada do moreno.

O barulho de passos dentro do trailer alertou o rapaz. A luminosidade produzida pela lanterna tranquilizou Luiz, que abaixou o rifle e puxou a trava da arma.

__ Por que tanto me persegue? --- Perguntou Luiz, vendo a silhueta da pequena garota. ---

__ É assim que trata alguém que lhe trouxe comida? --- Vanessa responde com uma pergunta e dá uma risada contida. ---
__ Não precisa responder... --- A garota se pronuncia e olha para a lanterna em sua mão. ---

Vanessa entrega o recipiente com o alimento, Luiz segura o recipiente e olha o conteúdo.

__ Arroz, ovo, cenoura... Será que não pensaram no amanhã? alimento é escasso para fazer tudo isso em uma única noite... --- Luiz se pronuncia com mal humor. ---

__ Você só sabe reclamar... nunca está feliz... é impossível conversar contigo agora... tira esse negócio da cara, come e vai dormir... --- Disse Vanessa com autoritarismo. ---

__ Parece minha mãe falando... --- Luiz disse em tom de brincadeira, mas se manteve sério. Vanessa riu e deu um tapa fraco na nuca do moreno que não mudou sua expressão. ---

A garota desceu do teto do trailer pela escada e voltou para junto dos outros. Luiz começou retirou o monóculo e deu a primeira colherada na comida morna.

__ Quem é aquele em cima do trailer? --- A garota recém chegada perguntou com curiosidade. ---

__ É o Luiz... --- Respondeu Ana com seriedade, logo retirou o colete à prova de balas escuro e caminhou em direção ao caminhão. ---

__ Pera... Que Luiz? Aquele gordo que estudava com a gente? --- Novamente Marcela perguntou, seguindo Ana. ---

__ Sim... ele mudou muito... está com o corpo definido, não é mais infantil, é responsável, gosta de ditar regras... --- Responde Ana, enquanto sobe no terceiro vagão do caminhão e segue para o fundo. ---

__ Estão na estrada logo que aconteceu a epidemia? --- Perguntou Marcela. ---

__ Não... só me juntei à eles três meses depois... quando me encontraram no meio da estrada só estava o Gregório, Felipe, Daniele, Patrícia, Bianca e Kenia... dez dias depois encontramos Larissa dormindo em um motel abandonado... dois dias depois encontramos a Vanessa, o Felipe encontrou ela em uma das rondas... e Luiz... na verdade ele nos encontrou... estávamos na estrada à pé. O carro quebrou e tivemos que andar quase oito quilômetros pelo que vi nas placas... ele passou com esse caminhão, acenamos e ele parou... ai conversa vai e conversa vem, ele decidiu ficar... no caminhão tinha colchões, algumas armas, roupas, cobertas, alimentos e duas motos... no início só tinha um vagão... agora oito meses depois, estamos tentando acabar com os obstáculos do convívio e estamos sobrevivendo como podemos... --- Ana explicou detalhadamente. ---

Já estando no segundo vagão, Ana retirou a roupa suja, ficando com nenhuma peça para cobrir o corpo, nem se importou de Marcela estar ali. Marcela olhou de cima à baixo, parecia devorar o corpo nu de Ana. Não era olhar inocente e tão pouco feminino.

Notas finais
Será que Ana e Marcela terão um relacionamento? Será que Vanessa e Luiz terão um relacionamento? Só esperar o próximo capítulo!