Notas iniciais
Antes de mais nada gostaria de pedir um sincero pedido de desculpas a todos os meus leitores, havia proposto um prazo para entregar este capitulo e estou onze dias atrasado em relação a data limite que propus. Bem, basicamente a culpa por tamanho atraso foi devido a um bloqueio agressivo que senti na época da escrita, sempre me proponho um POV para começar e terminar um capitulo e jamais havia mudado isso até este cap. Não sabia explicar, simplesmente não sabia como continuar e quando notei já era a data limite e so tinha um capitulo que além de horrivel estava incompleto. Por um ato mais de respeito a vocês leitores do que qualquer outra coisa eu resolvi mudar o POV e escrever um novo cap do zero e aqui está ele, espero que gostem e garanto que outro atraso como esse não se repetirá e a prova disso será que dessa vez seguirei o prazo que prometo nesse post que será do dia 29 de março ao dia 5 do próximo mês ;) Outro provável auxiliar do atraso foi o fato de me propor mais um novo projeto que não tem relações com fanfics, um blog de resenhas literárias e noticias nerds, aos interessados em saber minha opinião sobre obras alheias o link estará lá embaixo ;)

VII – Will

Podia sentir que a descoberta de Amy seria importante, mas agora tínhamos que nos focar em acabar em Enlil e nos outros membros restantes da elite de Babalathe. Sem eles o exercito dele ficaria desorientado e quanto menos inimigos organizados melhor seria para nós que não estávamos tão bem assim.

De longe já era possível saber que estávamos chegando a Ur. A onda de poder que emanava do local era gritante para qualquer um. Qualquer forma de vida que houvesse na região estava bem longe dali agora e com um bom motivo.

Furacões dizimavam tudo que vinha pelo ar, com exceção de um hábil dragão e a magia de seu cavaleiro então ainda conseguimos passar por aquilo. Mas logo após eles uma poderosa tempestade surgia e dentro dela era possível reconhecer a silhueta de criaturas humanóides lutando.

Alguns lembravam homens pássaros, outros eram mais próximos de lâmias graças a sua parte inferior semelhante a de serpentes. Jorros d’água surgiam do chão e avançavam em direção a alguns deuses enquanto raios rompiam o céu no trajeto oposto e em meio aquele espetáculo destrutivo não demorou para que restassem apenas três deuses se digladiando no meio daquele inferno elemental.

Um deles tinha a parte inferior do corpo parecendo a parte superior de um dragão, de tal forma que se visse do ângulo errado e não notasse a união entre eles juraria que o deus montava a criatura assim como eu. Outro parecia mais com um pássaro do que com homem, mas era perceptível que era humanóide e era o que exalava mais poder. O terceiro e último era o mais parecido deles com um homem, mas as águas o rodeando como círculos velozes e furiosos enquanto seus olhos brilhavam e asas batiam de suas costas mostrava que não era humano.

A tensão entre os três era tão palpável que podia sentir Drake esse contorcendo atrás de mim para não avançar, aquela era uma chance boa demais para ser verdade. As afirmações de Zeus eram verdadeiras e os deuses em sua sede de poder e lugar no futuro que pensavam que seu senhor ia criar estavam realmente se eliminando:

–Pai e filho tentando me tirar do poder juntos, seria tão poético se no final não fossem tentar matar um ao outro também – falou aquele que mais se parecia com um pássaro e que tinha pequenos furacões sendo gerados pelas suas mãos e que por ser aquele no poder só podia ser Enlil

–Ora já passou da hora de você sair – disse o outro alado – Sempre fui maior que você, mais forte, mais inteligente, mais importante. Eu, Enki, o senhor das águas doces, do conhecimento, portador dos segredos sobre a vida e a morte! Não você, irmão fracassado

–E ainda assim nenhum dos dois é maior do que eu, tolo pai – comentou por fim o terceiro com a parte inferior de dragão – Fui venerado por um rei e seu povo, considerado o protetor da Babilônia. Por muitos anos fui chamado por todos os seus povos como o rei supremo dos deuses! O povo pode ter esquecido disso e ter voltado a dizer que meu tio Enlil é o senhor, mas eu que o sou de verdade, eu que matei Tiamat e não ele, eu que ergui um novo panteão em cima das cinzas do antigo como todo grande deus deve fazer. Eu, Marduk!

–E os garotos ali são o que? – perguntou Enlil e logo os outros dois notaram nossa presença e toda a calamidade que assolava a região foi aos poucos se acalmando – Aqueles que mataram Zeus, eu presumo?

–Já ouviu falar de nós? – indaguei enquanto Rubys ficava perigosamente perto demais dos deuses

–Por que acha que estávamos lutando? Assim que senti a essência de Zeus se dissipando soube de sua derrota assim como todos os outros de meu panteão. No mesmo a batalha começou, todos sedentos por mais poder e para fugir daquele que chama de matador de deuses. Esperava bem mais de você já que o último que teve a ousadia de carregar tal titulo era bem mais forte

–Nem me viu lutando ainda, deus

–E nem verei. Morrerá antes de qualquer evento que possa ser considerado um combate

E então a loucura recomeçou. Antes mesmo de eles atacarem, eu e Drake já avançávamos pulando até eles e distribuindo nossos poderes a tudo que nossos raios de ataque atingissem. Mas dessa vez o ataque suicida não foi tão bem sucedido assim.

Todo o gelo de Drake foi desfeito antes de atingir qualquer um dos alvos por um simples movimento de Enki que o reverteu a pura água enquanto que minhas chamas foram batidas de frente contra as do dragão da parte inferior de Marduk e então fomos jogados os dois para longe graças a uma rajada de vento de Enlil sendo apanhados por sorte por Rubys. Eles não eram tão fortes quanto Zeus e o panteão grego, mas já estavam preparados para nossa invasão e estavam mais do que aquecidos diferentes de nós que viajamos quase um dia inteiro em cima de um dragão:

–O demônio acha que suas chamas profanas podem rivalizar com as do meu dragão Mushussu – comentou o deus Marduk rindo e senti meu poder inflando dentro de mim querendo explodir a cara dele pelo comentário, algo que tentei fazer logo em seguida mesmo

A disputa entre nossas chamas parecia dizimar tudo na caminho, mesmo que ali só houvessem ruínas. Não tinha idéia da situação de Drake e não iria me importar com isso e também sabia que a magia draconiana que lancei iria proteger Amy enquanto ela estivesse com Rubys, pelo menos por um tempo, então meu foco tinha que ser derrotar aquele idiota e seu pseudo-dragão cuspidor de fogo.

E como aquilo machucou. Não as chamas, fracas demais para rivalizar com as minhas no final das contas. Mas os golpes. Aquele maldita cabeça se movia como se fosse um chicote e em meio ao choque ígneo que causávamos a cada meio segundo podia ver ela chegando na minha direção. Quando não tomava uma mordida que quase tirava um membro meu era seu pescoço que me acertava brutalmente.

Podia vencê-lo se simplesmente mantivesse o ritmo, mas se continuasse daquele jeito acabaria gastando energia demais só me regenerando. Então minha única alternativa era mudar o ritmo de combate e por um fim a tudo.

Durante um dos ataques dele eu não revidei, na verdade fui de cabeça em meio as chamas e ao ataque de seus dentes que vieram em seguida. No lugar de ser dilacerado por aquela bocarra simplesmente fui mais rápido e entrei dentro da cabeça do dragão que era grande o suficiente para me caber ali se ficasse completamente curvado em um formato esférico.

Não era o melhor dos ambientes para ficar, o bafo daquele coisa fedia e não apenas a enxofre como era o bafo de alguns dragões. Além disso, tudo era babado. Aquela porcaria de animal babava insanamente enquanto tentava fazer movimentos de mastigar, mas era forte o suficiente para prender a boca dele bem fechada contraindo-a com meus braços que puxavam cada um deles um extremo da boca.

Comecei a me concentrar ignorando todo aquele cheiro e baba gosmenta, só deixando o poder fluir até as minhas mãos cada vez mais. E se eu pensava que o filho da puta era amador eu me enganei. Podia sentir uma onda de fogo vindo exatamente para me forçar a sair já que eu não queria ser digerido. O único erro dele foi realmente achar que aquilo era um incomodo pra mim.

Assim que as chamas dele chegaram eu liberei o poder das minhas, mas agora no sentido contrario do que faria antes e então elas se encontraram bem na entrada na entrada do esôfago. A maioria dos dragões é imune a fogo tanto externamente quando internamente, mas aquela era uma criação de um deus e feito de éter então minhas chamas negras iriam devorá-lo completamente não importante o quão resistente ele fosse e graças ao encontro de nossos ataques o espetáculo que gerei foi ainda maior.

Pedaços de pescoço de pseudo-dragão voaram para todos os lados enquanto Marduk gritava de dor e fúria e minhas chamas consumiam a cabeça destruída e o corpo do deus. Ele me encarava do alto com seus olhos brilhando enquanto uma onda de éter negro exalava de seu corpo. E se não tivesse os sentidos aguçados que tinha aquela distração momentânea teria sido mortal.

A onda de ar destroçou todo o chão abaixo dos meus pés e por pouco não fui dilacerado por ela. O rosto de Enlil estava rasgado por garras, mas podia ver não muito distante dali um Rubys caído no chão machucado próximo a vários buracos no chão. E se aquilo não tinha sido o suficiente para me enfurecer o fato de não ter visto Amy pôs tudo para fora.

Em questão de segundos minha forma demoníaca já estava completa e simplesmente parava os golpes do deus da elite com minhas próprias mãos nuas. Antes que ele percebesse a derrota iminente e alçasse vôo já havia agarrado suas asas com minhas mãos e as puxava para trás enquanto meus pés se cravavam nas suas costas e as impulsionavam para baixo onde seu corpo já se encontrava deitado.

Antes que Marduk conseguisse me atacar já tinha arrancado as asas de Enlil e jogado na direção dele tirando sua atenção de mim por uma fração de segundos mais do que necessária para eu avançar até ele e lhe cravar um soco flamejante que o afundou no chão e só espalhou ainda mais chamas negras pelo seu corpo que já estava condenado a ser consumido.

Podia ver deus mais parecido com uma ave do que com um homem se aproximando por trás e antes que ele me acertasse girei meu corpo e segurei seu braço. Dos meus dedos chamas negras saiam cobrindo todo o seu braço que ele tentava afastar, mas eu apertava com tanta força que era impossível para ele escapar. E vendo que não tinha chance o deus cravou sua outra mão na minha garganta e assim fiz com minha outra mão também.

Minhas chamas consumiam seu braço e seu pescoço enquanto ele apenas sorria como se a morte não lhe fosse um incômodo. Como se não fosse para o outro lado só. E só então me toquei que ele não me apertava tentando me matar. Era para me prender.

Tinha conseguido tirar a mão dele do meu pescoço, mas era tarde demais. Era impossível escapar daquele ataque. O raio nos atingiu na velocidade da luz e toda a descarga elétrica nos percorreu. Cada músculo meu enrijeceu assim como os de Enlil e nossos corpos caíram em direção ao chão. Era suicídio para ele já que iria se deixar ser consumido pelo meu fogo negro, mas para mim aquilo também era um problema. Estava vulnerável.

Podia ver a silhueta de Marduk se aproximando do meu corpo enquanto meus olhos fritos se regeneravam. Sentia uma das mãos dele me sufocando enquanto a outra socava meu estômago continuamente. Aquilo até seria um incomodo se eu ainda tivesse nervos para sentir dor, mas no estado que estava os ataques não eram nada demais, sequer pareciam enfraquecer minha regeneração de tão fracos que estavam. Ele logo iria ser consumido completamente. Mas ainda assim eu não podia perder mais tempo. Amy havia sumido e eu tinha que achá-la o mais rápido possível.

................ Mercumes ................

Antes que o próximo soco do deus condenado me atingisse meu corpo já estava completamente regenerado com a magia de cura e era meu soco que o acertava enquanto minha outra mão quebrava o pulso dele para que ele me soltasse.

Olhei ao meu redor e só consegui ver Drake sendo surrado pelo deus Enki enquanto Rubys tentava também atacar, mas era uma tarefa muito difícil para ambos. O deus controlava toda água doce da qual provinha o gelo de Drake já que não tinha mar por perto e tendo o poder que tinha era fácil para ele se defender dos ataques de Rubys. Eles precisavam de mim ali, mas eu também precisava achar Amy então teria que ser rápido. E ao que parece Rubys entendeu o recado.

Ubrati ....................... a palavra para velocidade saiu da minha boca e quando notei já estava com a cabeça de Enki contra os meus dedos se chocando e soltando éter para todos os lados.

O deus ainda tentou se erguer, mas ainda usando a magia de velocidade eu soltei uma onda de fogo negro na direção dele tão rápido que ele não teve tempo para reagir sendo completamente engolido pelo ataque.

Drake tentou falar algo, mas já me via dentro das fendas abertas no chão onde achava que Amy poderia estar. Assim que meus pés tocaram o fundo a magia draconiana parou de fazer efeito e minha transformação se desfez. No fundo eu queria ter ficado muito irado por ter visto Amy ali parada apenas observando as paredes, mas a alegria de vê-la bem apagou qualquer resquício de raiva.

Aproximei dela e a abracei por trás passando minhas mãos abaixo da sua cintura tentando tirar sua atenção das paredes e trazê-la para mim, mas a única coisa que ganhei como resposta foi o dedo dela na minha boca como se pedisse para que eu ficasse quieto e logo se desfez do meu abraço.

Seus olhos estavam sinistramente concentrados naquela parede e quando vi ela invocava uma magia de levitação retirando as pedras dali e erguendo tanto o corpo dela quanto o meu para fora do buraco.

Podia ver as outras tabuas que ela tinha se aproximando das novas que surgiram e todas de forma que pareciam contar alguma espécie de história. Tudo estava escrito na clássica escrita cuneiforme suméria e ninguém ali parecia entender nada, mas era possível notar que os desenhos representavam algum tipo de rei preparando um ritual e uma mulher sendo separado de alguém que tentava segurá-la e sendo levada para uma mesa de pedra.

Nos blocos escritos em grego tinha a sequencia do que viria a acontecer nos blocos novos. Ela sendo sacrificada e um poder surgindo do nada:

–Isso deveria fazer algum sentido? – perguntou Drake se aproximando sem esconder a raiva ou a frustração que aquele combate o havia trazido – Além do que podemos deduzir vendo o desenho, obviamente

Dentro de mim uma pequena fagulha queimava dizendo que sim, como se um último resquício de consciente de Nero ainda tentasse me ajudar. Aquilo era MUITO importante. Tínhamos que descobrir o que aquelas tabuas falando urgente:

–Talvez se acharmos o resto possamos entender tudo – os olhos de Amy brilhavam ao dizer isso, ela realmente queria entender aquilo – Posso sentir que ainda faltam mais pedaços, o começo e o fim. Se achamos essas partes com os membros da elite de Babalathe acho que sabemos onde acharemos o resto

–Atualmente Odin não está perto de sua casa, mas Rá sim – comentei já montando em Rubys e a ajudando a subir – O deus egípcio também é o outro que sofre de um conflito interno além de ser o mais próximo então será o nosso mais novo alvo. Vamos partir?

Amy apenas concordou com a cabeça e Drake grunhiu de raiva enquanto subia em Rubys e o dragão alçava vôo. Agora além de matar deuses íamos dar uma de arqueólogos por um motivo que nem compreendíamos e não passava de puro instinto. Cada dia ficava mais simples o nosso trabalho.

Notas finais
Comentários, elogios, críticas, ou melhorias, comentem. O feedback de vcs é o meu maior combustível ;) O blog que citei lá em cima é este: pontodevista42.blogspot.com.br