Vida Pós Morte
3 Vida (im)perfeita.
Minha vida era perfeita! Fui eleita à rainha do baile, tinha um namorado perfeito e recebi inúmeros convites para o baile de outono...
Por que isso tinha que acontecer comigo?
Olhei para ela com medo. Não queria morrer...
— Vá embora! – Falei, sem pensar.
Fiz o sinal da cruz com os dedos, como se isso fosse ajudar... Ela nem tem o luxo de ser vampira.
Ela deu uma risadinha.
— Estou presa aqui, Mônica. Não posso ir embora. – Ela suspirou quando viu minha cara. – Exorcismo não vai ajudar...
Eu ainda estava com medo. Fiquei calada esperando que ela entendesse e me explicasse direito.
Ela respirou fundo e depois soltou o ar em uma bufada.
— Mônica, eu estou tentando entender muitas coisas. Uma delas é como saio daqui... Desculpe-me se não está satisfeita com minha presença, mas... Eu também não estou. Desculpe.
Arregalei meus olhos e me encostei bruscamente da parede. Queria ter o poder de atravessar essa parede inútil! Mas como? Não era um fantasma... Ainda...?
Alguns dias Atrás
— Magali! – Gritei. – Magah, meu amor... Preciso de um favor. – Cantarolei.
Ela sorriu brevemente e limitou-se a rir.
— Precisa saber as novidades e também precisa saber se o Cebola disse alguma sobre te convidar para o baile. Se eu não me engano, também quer saber se você foi eleita à rainha do baile e quem foi o rei... Certo?
Assenti e dei uma risadinha.
— Como soube?
— Eu te conheço há muito tempo, amiga! Mas... – Ela respirou fundo. – O Cebola falou que vai te convidar hoje a tarde, você foi eleita e o rei será o seu par.
— Yeah! – Gritei. – Nossa. Obrigada, Mah... Não sei o que faria sem você...
Ela suspirou.
— Não faria absolutamente nada. Agora vamos, o sinal já vai bater.
Dei um sorriso torto.
— Magah... Não se importa de ir na frente, não é? Preciso, ahn... Fazer umas coisas... Importantes.
Ela assentiu e logo saiu de minha vista.
Abri um sorriso imenso. O Cebola ia me convidar!
Virei-me para trás e senti meu corpo bater contra outro corpo.
Abri os olhos lentamente e olhei para cima.
Oh meu Deus!
Limitei-me a suspirar. Era o Cebola.
Eu não conseguia falar.
Só então me dei conta que não estava respirando.
Suspirei uma lufada de ar e comecei a respirar de novo.
— Ahn... Desculpe-me – Consegui dizer por fim.
Ficamos em silencio, só nos olhando, por um bom tempo.
Não sei o que aconteceu depois. Fechei os olhos e senti seus braços envolverem minha cintura, forçando nossos corpos ficarem muito próximos.
Abri os olhos e sorri. Ela abaixou a cabeça um pouco, fazendo nossos rostos ficarem a milímetros de distancia.
Íamos nos beijar.
Consegui sentir sua respiração quente arder em meu rosto. Seus dedos brincando com minha blusa.
Quando fechei os olhos.
Estávamos prestes a nos beijar quando... A porcaria do sinal tocou!
— Merda! – Murmurei para mim mesma.
Ele me soltou. Mas um de teus braços ainda envolvia minha cintura.
— E ai? – Perguntou ele subitamente. – Recebeu muitos convites para o baile?
Olhei para ele em quanto caminhávamos para a sala.
— Nem tantos. – Menti. – Estou esperando que alguém em especial me convidasse...
Tudo bem, esse momento foi coisa de filme americano clichê...
Sorri brevemente da minha observação, mais acho que ele não percebeu.
— Quem em especial? – Indagou-me, destacando a palavra.
Dei uma risadinha fraca.
— Hmmm... Não sei. – Sorri.
— Já que não sabes, minha donzela, poderia levar-lhe, não? – Disse ele, imitando um príncipe encantado dos livros infantis.
Ri.
— Claro, ó, meu príncipe encantado dos livros infantis que as crianças adoram...
Ficamos nos entre olhando por um momento depois caímos na gargalhada.
— Falando sério. Quer ir ao baile comigo, Mônica?
— Sabe que sim. Do mesmo modo, obrigada pelo convite, Rei do Baile...
Ele parou a caminhada e arregalou os olhos.
— Só pode estar brincando...
— Não estou. Você foi eleito o rei do Baile... Quer dizer, a Magali quem disse.
— Juro que não me espantaria tanto se você dissesse “papai”
— Bobo!
Entramos na sala – atrasados – e encaramos a classe que nos fitava de olhos arregalados.
— O que está a vendo? – Murmurei para mim mesma.
A Classe estava muito – mais muito, muito – estranha...
-- Fim do Primeiro Capitulo --
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