Vida Pós Morte

4 Transformação.


Engoli em seco.

— Olá...? – Consegui dizer em uma voz rouca e fraca.

A classe arregalou ainda mais os olhos.

— Mônica Sousa? – O professor perguntou em uma voz séria.

Assenti timidamente.

Ouve alguns segundos de um silencio assustador.

— PARABÉNS MONICA! – A Classe gritou em uníssono.

Dessa vez, eu é que arregalei os olhos.

— Parabéns, Mônica... Você foi coroada a rainha do baile! Espero que aproveite os seus dias de pura realeza.

Ouvi Cebola soltar um suspiro quase inaudível.

— Nossa. – Consegui dizer entre um suspiro. – Muito obrigada, mas... Morri de medo. Nossa classe não é assim. – Dei um sorriso torto.

O professor fitou a classe depois olhou para mim.

— É mesmo... Nossa classe nunca será assim, srta Sousa... Mas quem sabe esse dia chega?

Fitei a classe. Estava uma baderna! Parecia que estávamos em algum seriado de comédia... Só faltava aviãozinho de papel pairando no ar...

— Deus lhe ouça... – Sussurrei para o professor.

Ele assentiu.

Puxei o braço de Cebola.

— Vamos. Não quero ser tão fitada assim... – Sussurrei, ignorando os olhares indiscretos direcionados a mim.

Cebola riu, mais depois me acompanhou.

Esgueirei-me pelas carteiras, ainda ignorando os olhares... Quando passei pela Denise...

Ela me fuzilava com os olhos e eu – sem querer – soltei um riso básico, estava no poder...

Dei um sorriso malicioso e ela me fuzilou com o olhar mais ainda.

— Agüenta Denise... Você vai ter muito tempo para me matar... – Ri de novo, dessa vez algumas pessoas também riram...

Sentei-me em minha carteira e Cebola logo atrás de mim.

A aula continuou... Não é porque eu fui eleita à rainha do baile que o professor vai fazer malabarismo na sala – o que não seria má idéia...

Dobrei os tornozelos e percebi que doíam...

Levantei a mão bruscamente.

— Srta. Souza?

Corei.

— Sem querer ser chata, mas... Meus tornozelos estão doendo, posso beber água?

O professor me fuzilou com os olhos mais assentiu.

Olhares indiscretos me acompanharam até eu sair da sala e eu corei mais ainda, afinal, hoje não era um dia comum, fui eleita a Rainha do baile e, depois ‘daquele’ Parabéns maluco, a classe me tratava diferente – Não que eu não gostasse, só não estava acostumada.

Sai da sala com o rosto que nem um tomate, ainda sendo fuzilada pelos olhos de Denise.

Ri para mim mesma, a Denise nunca muda, apesar das nossas brigas, se nos separássemos, ficaria com muita saudade, saudade mesmo!

Caminhei um pouco até o bebedouro e, no lugar de beber água, sentei no chão e apoiei minha cabeça na parede, logo ouvia passos em minha direção.

Fiquei calada, se não fosse um de meus amigos estaria perdida, afinal, ninguém pode sentar fora da sala e esperar a aula acabar.

Fechei os olhos e prendi a respiração, enquanto me escondia atrás da porta de incêndio que, coincidentemente, ficava do lado do bebedouro.

Os passos cessaram e pude ouvir um suspiro.

— Eu sei que você está ai, Mônica. – Disse uma voz, e percebi que era conhecida.

Mesmo sabendo de quem era a voz, fiquei calada.

Ouvi um suspiro, depois uma batida na porta de incêndio.

Tudo bem... Era a Magali, mais como não sou boba, bati duas vezes.

Quatro batidas ecoaram no local, agora tinha certeza.

Sai de trás da porta e a cumprimentei com um sorriso enorme.

— Oi, Magah! – Sussurrei.

Ela ergueu uma sobrancelha.

— Por que está sussurrando?

Senti um calafrio estranho na espinha, sentia a presença de alguém, me vigiando, sei lá.

— Ninguém te seguiu? – Ousei em perguntar.

Ela suspirou.

— Não, olhei dez vezes para trás em quanto caminhava para cá, sei que não quer que ninguém ouça nossa conversa. Por que?

Assenti e depois suspirei.

— Nada não, amiga. – Sorri. – Só para saber.

Sentei no chão e depois a convidei a sentar-se do meu lado, ela, por sua vez, aceitou o convite.

Ficamos conversando por um longo tempo, mais ainda tinha a sensação de estar sendo observada – uma sensação estranha, sabe? –, por isso, tomava cuidado com minhas palavras, porém, sabia que não conhecia a pessoa supostamente ouvia minha conversa.

Quando vi de relance uma garota de cabelos, encaracolados, presos delicadamente, com a franja, grande, um pouco caída no olho. Ela trajava uma calça jeans escura e uma camisa amarela escura. A mesma me observava com os olhos tristes e, por mais estranho que pareça, eu sabia que ela não representava um mal e, tão pouco, tinha medo dela, mais sim, uma estranha compaixão.

Porém, de repente ela sumiu, deixando uma tristeza no ar, uma agonia.

Olhei para Magali, ela ainda conversava alegremente, sem se importar com nada, quando ela notou que eu a fitava, olhou para mim. Sua expressão foi de espanto.

— Mônica? – Ela quase gritou. – O que aconteceu? Que cara é essa menina...

— Ai, Magah... Nada n... – Minha voz sumiu, ao ouvir uma estranha voz em minha mente.

“Me ajude, Mônica”.

Depois disso só via a escuridão.

-- Fim do Segundo Capitulo --

Notas finais

Um pouquinho de suspense não faz mal a ninguem, vai!