Notas iniciais

Surpresa...!

Mais acalmem-se! Não parem de ler porque não gostaram da frase final, tudo vai ficar bem! Não é mentira, porém, também não é verdade...

Toquei na foto lentamente, quase sentindo a textura do papel em que a imagem se encontrava.

— Quem é ela? – Indaguei, mais para mim do que qualquer um outro.

Meus olhos se direcionaram ao médico, por reflexo.

Ele suspirou e pude ver uma pontada de dor na sua voz.

— Melaine. – Respondeu ele, se concentrando o máximo para não chorar.

Fechei os olhos e lembrei da primeira vez que a vi, tão diferente que na foto. Na foto ela estava feliz, brincando, aparentemente.

De reflexo, pensei em dizer a verdade, mais logo me arrependi. Ele ia me achar louca.

— Eu sinto muito. – Suspirei. – Quantos... Quantos anos ela tinha? – Perguntei.

Abri os olhos e, sem querer, nossos olhares se encontraram. Desviei, um pouco constrangida. O porque? Eu não sei.

— Ela tinha 19 anos. – Ele sorriu. – O aniversario dela seria hoje, sabia? Então, 20 anos.

— Nossa! Tão nova! – Deixei escapar o comentário.

Abaixei os olhos e me afundei no travesseiro, roxa de vergonha.

— Me desculpe. – Murmurei. – Acho melhor eu ficar sozinha.

Pude sentir uma mão áspera tocar minha bochecha.

— Não foi culpa sua, Mônica. – Disse o médico. – Mais, tudo bem, se quer ficar sozinha, respeito sua decisão.

Ele retirou a mão de minha bochecha e suspirou, logo em seguida, pegou minha mão.

O choque-térmico me assustou. Minha mão estava tão fria, e a dele tão quente. Mesmo assim, estranhamente, foi bom.

— Se sentir alguma coisa ou até mesmo querer saber mais de Melaine, me chame, viu? – Disse ele.

Assenti e, depois de um tempo, pude ouvir a porta bater e percebi que estava sozinha novamente.

Olhei discretamente pelo cômodo.

Não sei porque, mais senti uma estranha vontade de ver Melaine, porém, um medo invadiu meu corpo e desisti de chamá-la.

— Melaine? – Meus lábios se moveram contra minha vontade.

Arrependi-me nitidamente quando a vi do meu lado, sorrindo carinhosamente.

Para falar a verdade, não senti medo. A palavra receio seria ideal, pois, queria falar com ela, dar-lhe um consolo que ela, creio eu que, não desejava.

Controlei-me e apenas sorri.

O silencio foi perturbador, até que ela se sentou ao meu lado e colocou a mão macia em minha bochecha, no mesmo lugar que o médico colocou.

— O que achou de Jered? – Perguntou ela, ainda sorrindo.

Demorou alguns minutos para eu processar o que ela dissera, e também uns dois minutos, mais ou menos, para eu responder.

— Ele é legal... – Respondi, em uma voz rouca.

Ele sorriu e depois me olhou carinhosamente, o tempo exato para eu perceber que seus olhos eram verdes.

— Me desculpe... – Disse ela, isso me assustou.

A fitei por alguns segundos, confusa.

— Por que?

Ela suspirou.

— Porque eu que quase te matei. – Respondeu.

Gelei. A fúria em seus olhos era assustador, porém, uma vontade louca de abraçá-la e dizer que eu a desculpo invadiu meu corpo.

Porém, lutei contra mim mesma e apenas acariciei uma de suas mãos, sorrindo para ela.

— Não foi culpa sua...

Seus olhos passaram de um verde para vermelho.

— Claro que foi! – Ela gritou, levantando-se da cama brutalmente.

Meu coração quase parou de palpitar e esqueci de respirar momentaneamente.

Ela se ajoelhou em meio ao chão gelado do hospital e, sem forças, conseguiu dizer uma única frase, depois de desaparecer.

— Você... Você está morta por minha causa...

-- Fim do Quinto capítulo --

Notas finais

Ahh.. Aguentem essa autora enrolada, vaii! Ela não morreu, mas... Morreu.. Vocês entenderão!