Notas iniciais
Aii, eu to enrolada com as minhas histórias, pra variar. Mas vou tentar postar quando posso =)

Meus olhos castanhos pairavam sobre o local com uma necessidade enorme de encontrar a face bronzeada e bela de Melaine, que sumira subitamente, deixando em seu lugar uma enorme dor e incerteza. Eu estava mesmo morta? Se estava, como todos puderam me ver e falar comigo? Uma estranha visão do filme Chico Xavier inundou minha mente, mais logo espantei a imagem. Espiritismo é a ultima coisa que precisava, afinal.

Minhas mãos grossas brincavam freneticamente com o cobertor branco do hospital, e isso, com certeza, é mais um tique nervoso que fora concedido por Melaine, afinal, nunca tive esses tiques. Uma gota de suor escapou de minha testa, escorrendo junto com a minha esperança de encontrar a resposta para esse circo de horror.

Um clique leve de uma porta abrindo me tirou de meus devaneios, quando me deparei com o médico que me acompanhou desde o inicio, no qual tem uma ligação com Melaine. Creio que seu nome é Jered, não me lembro muito bem, afinal, lembrar nomes é a ultima coisa que me seria útil nesse meu estado.

- Está se sentindo melhor? – Indagou ele, com uma voz suave e confortadora, coisa que há muito tempo não ouvia.

Assenti suavemente, praticamente hipnotizada pelo azul-esverdeado de seus olhos. Apesar da onda de alivio que inundou o quarto branco do hospital, as ultimas palavras de Melaine ainda assombravam minha mente, e sabia, de alguma forma, que Jered, esse meu “acidente” e a morte de Melaine tem a ver com isso.

— Qual foi à causa da morte de Melaine? – Murmurei a pergunta, que não era minha, sentia isso. Ela apenas fluiu de meus lábios contra minha vontade.

Sua face, antes calma, se contraiu em uma careta aterrorizante, que me fez arrepender-me mil vezes da pergunta que fiz, daria tudo para que os últimos 8 segundos não acontecessem. Jered demorou um pouco até responder, seus olhos demonstrando a dor.

— Eu não sei, eu... – Ele lutava contra as palavras, o resto da frase veio em um jorro, que se eu não prestasse atenção não entenderia. – Eu não consegui diagnosticar o motivo que a fez partir, ninguém conseguiu. A morte ao todo não foi súbita, avia uma hora aproximadamente para o momento em que seu coração pararia de bater.

Contei até 60 demoradamente para responder, minha mente tentando processar a informação recém-adquirida, as palavras soadas não faziam sentido para mim, mas causavam uma dor enorme.

— Perdão. – Foi tudo o que consegui dizer em meio à atmosfera densa, ambos prestes a chorar. Com aquela palavra quis pedir perdão por tudo que fiz. Por lutar para viver, por fazer aquela pergunta, por perguntar tanto sobre Melaine, por sentir algo forte por ele e, acima de tudo, por não saber o que.

Seus lábios se contraíram em um sorriso, porém ele ainda estava triste, seus olhos implorando para que as lágrimas, que ele tanto sofria em guardar, escorressem pela face rígida.

— Não... – Ele suspirou – Não precisa pedir perdão, aliás, era eu que deveria me submeter a isso. Você é apenas uma paciente, não deveria dividir minha vida pessoal com você. Não que eu não goste, pode parecer estranho, mas... Tenho uma ligação contigo, como se te conhecesse. Desculpe.

Fiquei sem palavras.

“Melaine, me ajude!”, pensei. Estava nervosa e totalmente corada, desejei que tudo aquilo não tivesse acontecido, desejei não estar aqui. Simplesmente fechei os olhos e segurei o choro, era apenas uma garota mimada com uma vida perfeita, nunca senti dor ou receio. Nunca passei pelo medo ou pela angustia, pela tristeza.

— Acho que falei de mais. – Jared suspirou. – Precisa descansar, lhe deixarei em paz.

— Não! – Quase gritei. – Quer dizer, quero que fique. Quero saber mais sobre Melaine... Por favor.

Jared sorriu e fiquei feliz por ter quebrado o clima tenso e desagradável. Em minha mente, senti a presença de Melaine. Isso me deu forças, ele estava ali comigo. Dava-me uma estranha segurança, mas estava bem.

— Melaine tinha 19 anos quando morreu, ao 12:04. Não soube os motivos que seu coração teve para parar de palpitar, sua saúde era perfeita, por isso foi muito estranho. Melaine era um doce de pessoa, e adorava gatos! Ela até tinha um, cujo nome era Spike, era um nome estranho, pelo menos para mim. – Ele sorriu. – Spike está para adoção, não consigo mais vê-lo sem lembrar de minha antiga namorada.

— Eu posso ficar com Spike. – Aquelas palavras não eram minhas, eram de Melaine, mas não me importei. – Meu cão morreu esses dias, acho que um gato pode me fazer melhor. – Acrescentei.

— Isso seria ótimo! – Seus olhos se iluminaram. – Obrigado, Mônica!

Sorri e senti Melaine fazendo isso também. Eu não fazia idéia do que acabara de fazer, mesmo assim, não ligava. Eu estava morta mesmo, segundo Melaine. Isso me lembrava que...

— Melaine tinha alguma coisa... Especial? – Indaguei.

Ele demorou um pouco para responder, demorou aproximadamente 37 segundos. Jared estava escolhendo cuidadosamente as palavras, logo depois suspirou, como se desistisse.

— Sim. Dizia ela que tinha um dom, ela via as aura das pessoas. Cada cor tinha seu significado, alguns bons e outros ruins. Mostrava quem era verdadeiramente a pessoa. Melaine afirmava que não conseguia ver minha aura, o que mostrava que eu era indecifrável. Não sei se isso é bom. – Ele riu.

— Gostaria de conhecê-la... – Sussurrei. – Conhecê-la melhor.

Ele suspirou, mudando de assunto repentinamente. Evitando continuar a conversa. Ele começou a falar sobre os remédios que eu teria de tomar e essas coisas de médico. Virei a cabeça para o lado e dormi, aquele assunto não me interessava nem um pouco.

Em meio à escuridão vi um rosto, era de Melaine. Em seu colo uma pequena forma desajeitada e peluda, deduzi ser Spike. Ela sorriu e, com a voz doce e calma sussurrou: “Obrigada, Mônica. Me perdoe por mudar sua aura, antes era Amarela, agora Preta. Me perdoa por lhe matar. Prometo uma explicação sensata. Me perdoe”. Depois só me lembro de acariciar os pelos de um gato rajado, em quanto conversava com uma figura bem familiar, foi um sonho bom.

Notas finais
Tudo bem, esse não foi o melhor capítulo da Terra, mas estou sem pratica. Prometo novos e melhores capítulos =) aguardem..
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.