Vida Pós Morte
6 Foto.
Abri os olhos e me encontrei em uma sala bastante iluminada, e, também, estranhamente conhecida.
Olhei para os lados e me deparei com pessoas de branco, médicos. Um deles sorriu para mim e tocou minha pele. Seu toque era como veludo, deixando uma sensação quente e aconchegante em minha pele.
— Bem-vinda de volta, Mônica. – Disse ele, seus olhos brilhavam de felicidade.
Não entendi. Como assim “Bem-vinda de volta, Mônica”.
— Onde estou? – Indaguei, com uma voz rouca e fraca.
Ele sorriu brevemente.
— Não force sua voz, menina. – Bronqueou ele. – Você está no hospital. Não se lembra de nada?
Balancei a cabeça negativamente.
— Você entrou em coma. – Explicou ele. – Você estava na escola, quando foi beber água. Como demorou, sua amiga foi ver o que estava acontecendo, quando te encontrou desmaiada em meio ao piso da escola.
Arregalei os olhos, sabia que não foi isso que aconteceu. Lembrei-me subitamente de quando eu estava “em coma”. Da mulher que me pedia ajuda para sair da Terra e de minha morte.
Comecei a soar, preocupando os médicos.
— Você está bem, Mônica? – Perguntou um deles.
Não respondi. Apenas toquei na mão do médico que veio falar comigo primeiro, e o reconheci. Era o médico que marcara o horário em que meu coração parara de palpitar.
Olhei em seus olhos como um pedido de ajuda, e ele entendeu minha mensagem.
— O que aconteceu quando você estava em coma, Mônica? – Perguntou-me ele.
Fechei os olhos e todos os momentos confusos invadiram minha mente.
— Uma mulher. – Disse, ainda de olhos fechados. – Me pedindo ajuda para sair daqui. – Fiz uma pausa – Minha morte. Meu pai chorando e eu não podia consolá-lo. – Uma lagrima escapou do canto de meus olhos.
Um soluço cortou minha garganta e eu comecei a chorar.
— Um preto infinito. Um espelho. Dor. – Tudo saía de meus lábios rapidamente, conforme as imagens passavam em minha cabeça. – O pedido de ajuda. Choro. Morte! – Comecei a gritar.
O médico pegou minha mão e eu abri os olhos, quando pude ver a preocupação dele.
— Desculpe-me. Acho que estou ficando maluca. – Concluí.
— Isso é normal, Mônica. – Disse ele, com uma compaixão na voz. – Sabia que muitas pessoas já passaram por isso? É só nosso subconsciente lutando contra a morte, só isso. Mas você está viva, não está?
Assenti e depois sorri. Gostei daquele médico, ele era estranhamente conhecido por mim.
— Qual foi à hora de minha quase-morte? – Indaguei.
A expressão de felicidade em sua face sumiu, deixando no lugar uma dor palpável.
— 12:04. – Respondeu-me ele, pude sentir uma pontada de agonia na voz.
Queria poder abraçá-lo e dizer que estava tudo bem e que, o que estivesse lhe incomodando, ele poderia me contar. Mas não tive coragem, mordi meu lábio até sangrar, para ver se me largava um pouco da dor do médico que, estranhamente, estava sentindo também.
— O que aconteceu? – Ousei em perguntar, com uma voz rouca.
Pude ver uma lágrima caindo de seus olhos.
— Foi na mesma hora que minha namorada morreu. – Disse ele, mostrando uma foto dela.
Fiquei paralisada em meio à imagem. Não podia ser, o que estava acontecendo comigo?
Era ela. A menina de cabelos cacheados que estava pedindo minha ajuda.
-- Fim do Quarto Capitulo --
Notas finais
Vocês ligam se eu matar a Mônica? Tudo bem, tudo bem, brincadeirinha! - Maas, seria má ideia??
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